O quadro de mobilização dos educadores alimentou a expectativa de que, findo o regime militar, o problema da formação docente no Brasil seria melhor equacionado. Num cenário de debates e proposições, que é editada a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1996.
A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB - Lei n. 9.394/96, promulgada, após diversas vicissitudes, em 20 de dezembro de 1996, estipula a exigência de nível superior para os professores da educação básica. Os artigos 62 e 63 dispõem:
Art. 62º. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á
em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal.
Art. 63º. Os institutos superiores de educação manterão:
I - cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o
curso normal superior, destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental;
II - programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de
educação superior que queiram se dedicar à educação básica;
III - programas de educação continuada para os profissionais de educação
dos diversos níveis.
Em suas disposições transitórias, essa lei fixou prazo de dez anos para que os sistemas de ensino fizessem as devidas adequações à nova norma.
Da leitura dos dois artigos, depreende-se que, às universidades, foi preservada a possibilidade de organizar a formação de professores conforme seus próprios projetos institucionais, desde que os cursos viessem a ser oferecidos em licenciatura plena, podendo, ou não, incorporar a figura dos Institutos Superiores de Educação (ISEs) e da Escola Normal Superior (ENS).
O art. 7º, inciso VII, da Resolução CNE/CP nº1/2002 sinaliza a criação dos ISEs "nas instituições não detentoras de autonomia universitária". Portanto, os IESs se constituiriam como o novo formato de formação de docentes no âmbito das faculdades isoladas ou integradas, portando a possibilidade de integração, com base comum, da formação de professores para os diversos níveis de ensino e especialidades, ficando a institucionalização da Escola Normal Superior no âmbito do ISE.
Em 1999, o Conselho Nacional de Educação publicou a Resolução CP nº1/99, que em seu art. 1º e alíneas respectivas, consolidou essa nova proposta de estrutura formativa contida na LDB e, nos arts. 2º e 3º, propôs um caráter orgânico para seu funcionamento e flexibilidade de organização e denominação. Assim, nessas instituições, os projetos pedagógicos das diferentes licenciaturas deveriam ter uma articulação entre si, evitando que funcionassem de maneira fragmentada. Além disso, em seu art. 4º, impôs exigências bem maiores em relação à qualidade do corpo docente do que para os demais cursos no país e, no seu art. 5º, afirmou a necessidade de participação coletiva dos docentes na elaboração e avaliação do projeto pedagógico.
Fica caracterizado, então, um novo momento nas perspectivas de formação de professores, tanto do ponto de vista da estrutura, como da articulação formativa dos currículos e a preocupação com a qualificação dos formadores de formadores, com clareza institucional no que se refere à formação dos professores para a educação básica.
Infelizmente, as normatizações e autorizações de cursos formadores de professores, posteriores a essa resolução, permitiram a instauração e o crescimento do número de escolas normais superiores isoladamente, embora o mesmo não viesse a acontecer com os ISEs. Tal fato provoca uma descaracterização da ideia de organicidade na formação docente, revelando uma fragmentação curricular e uma desarticulação entre os cursos de licenciatura. As condições exigidas para a
contratação de docentes, devido aos custos maiores, também deve ter colaborado para que a ideia de um centro específico formador de docentes não vingasse.
Assim, embora a nova LDB de 1996 apontasse para mudanças significativas no que se referia à exigência de formação, em nível superior, dos professores que iriam atuar na Educação Infantil, nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental e em toda Educação Básica, a realidade não correspondeu à expectativa prevista. Com a alternativa de substituir os cursos de pedagogia e licenciatura pelos Institutos Superiores de Educação e pelas Escolas Normais Superiores, a LDB sinalizou, segundo Saviani (2007), para uma política educacional tendente a efetuar um nivelamento por baixo. Os Institutos Superiores de Educação emergem como instituições de "nível superior", provendo uma formação mais aligeirada, mais barata, por meio de cursos de curta duração.
Em 2002, foram instituídas novas diretrizes para os cursos de Formação de Professores para a Educação Básica. Essas diretrizes prevêem novas configurações às licenciaturas, dando um destaque especial ao desenvolvimento de competências pessoais, sociais e profissionais dos professores, à coerência entre a formação oferecida e a prática esperada do futuro do professor e à pesquisa, com foco no ensino e na aprendizagem, para compreensão do processo de construção do conhecimento. As aprendizagens deverão ser orientadas pelo princípio da ação- reflexão-ação, tendo a resolução de situações-problema como uma das estratégias didáticas privilegiadas. No que tange à articulação dos saberes teóricos aos saberes práticos, as diretrizes também orientam para que a "prática" se faça presente desde o início do curso, permeando toda a "formação do professor" ao aumento de horas de prática.
A essas características, não ficaram imunes as novas diretrizes curriculares do Curso de Pedagogia, homologadas em maio de 2006, que serão abordadas na próxima seção.