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LABORATUVAR VE BİLGİSAYAR OLANAKLARI

Belgede Mustafa Kemal Atatürk (sayfa 26-32)

Esta última fase do estudo, aspectos técnicos, foi constituída por duas juízas (10 e 12) e um juiz (11). A juíza 10 é licenciada em matemática desde 2002. Tem mestrado em ciências da computação e atualmente é doutoranda em engenharia de teleinformática. É professora universitária e trabalha com produção de Ambientes Interativos e Objetos de Aprendizagem e Grupo de Redes de Computadores Engenharia de Software e Sistemas. O juiz 11 concluiu pedagogia em 1984, tem mestrado em avaliação de softwares há onze anos e está em fase de conclusão do doutorado em comunidades virtuais de aprendizagem. É professor universitário no Ceará, onde trabalha com Comunidades Virtuais de Aprendizagem. Por último, a juíza 12. Também pedagoga há oito anos, tem mestrado em educação em saúde. É membro da equipe de transição didática de material para web nos cursos a distância e de tutores de cursos de educação a distância de uma universidade pública do estado do Ceará.

No Quadro 10 consta a síntese da avaliação do tópico 1 pelos juízes de aspectos técnicos.

Quadro 10- Avaliação dos itens do tópico 1 pelos juízes especialistas em aspectos técnicos. Fortaleza – CE, 2009.

Item Avaliação 1.1 Está clara a identificação do autor da

tecnologia educativa e sua qualificação

Plenamente adequado (1); Adequado, com reformulações (1); Inadequado (1) 1.2 Existem mecanismos pelos quais é possível

estabelecer contato com o autor

Plenamente adequado (1); Adequado, com reformulações (1); Inadequado (1)

Neste quadro, os juízes consideraram os dois itens, respectivamente, como plenamente adequados; adequados, com reformulações e inadequados. Os comentários sobre os itens foram:

Eu só vi possibilidade de comunicação com o sistema, mas não com a pessoa (J11). Senti falta de links que levem ao autor (J12).

No Quadro 11, a seguir, apresenta-se a análise dos itens do tópico 2.

Quadro 11- Avaliação dos itens do tópico 2 pelos juízes especialistas em aspectos técnicos. Fortaleza – CE, 2009.

Item Avaliação 2.1 A velocidade (o acesso é rápido) de

carregamento da página inicial

Plenamente adequado (1); Adequado, com reformulações (1);

Inadequado (1) 2.2 A velocidade de carregamento das demais

páginas

Plenamente adequado (2); Inadequado (1) 2.3 A velocidade de carregamento da carta-

convite inserida na página

Plenamente adequado (1); Adequado, com reformulações (1); Inadequado (1) 2.4 A velocidade de carregamento da

tecnologia inserida na página

Plenamente adequado (1); Adequado, com reformulações (1); Inadequado (1) 2.5 A velocidade de carregamento do Termo

de Consentimento Livre e Esclarecido inserido na página

Plenamente adequado (1); Adequado, com reformulações (1); Inadequado (1) 2.6 A velocidade de carregamento do

instrumento de avaliação inserido na página

Plenamente adequado (2); Inadequado (1)

Como mostra o quadro, o carregamento da página inicial (2.1), da carta-convite (2.3), da tecnologia assistiva inserida na página (2.4) e do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido inseridos na página, foram considerados pelos juízes, respectivamente, como

plenamente adequados; adequados, com reformulações e inadequados. O juiz 11 apontou todos os itens deste segundo tópico como inadequados, enquanto a juíza 12 considerou todos “agradáveis”. As explanações respectivas condizentes com cada juiz foram:

O link de acesso que usei é de 16 Mega onde tudo é rápido, por outro lado num dos dias que fui ver o site, não consegui ir para lugar algum, provavelmente por problema no provedor onde ele está aninhado (J11).

Agradável (J12).

6.4.2 Primeira avaliação dos tópicos 3 e 4 pelos juízes especialistas em aspectos técnicos

No Quadro 12, a seguir, apresenta-se a avaliação dos itens do tópico 3.

Quadro 12- Avaliação dos itens do tópico 3 pelos juízes especialistas em aspectos técnicos. Fortaleza – CE, 2009.

Item Avaliação 3.1 A página inicial apresenta um som atrativo

que induz o usuário a navegar pelo web site

Plenamente adequado (1); Adequado, com reformulações (1); Inadequado (1) 3.2 A página inicial apresenta um som atrativo

que induz o usuário a acessar as tecnologias

Plenamente adequado (1); Adequado, com reformulações (1); Inadequado (1) 3.3 A página inicial está clara e suficientemente

capaz de ser manipulada com sucesso pelo público-alvo

Plenamente adequado (1); Adequado, com reformulações (1); Não se aplica (1)

Conforme mostra o Quadro 12, os itens referentes à apresentação de som atrativo que induz o usuário a navegar pelo web site (3.1) e pelas tecnologias (3.2) foram considerados pelos juízes, respectivamente, como plenamente adequados; adequados, com reformulações e inadequados. As justificativas foram:

Bem, em geral o uso continuado de sons sem a opção de desligá-lo é negativo (J11). A navegabilidade dos materiais envolve a utilização de um amplo leque de opções para a exploração dos conteúdos por parte dos alunos. Essas opções incluem os recursos midiáticos empregados nas aulas como elementos motivacionais para os “consumidores” dos materiais. É importante conjugar no texto múltiplas semioses, além da escrita, tais como: figuras, tabelas, gráficos, etc., em se tratando de materiais impressos, como também vídeos, animações, hipertextos, etc., em se tratando de cursos veiculados pela web. O uso adequado desses recursos no interior das aulas amplia as possibilidades de compreensão dos conteúdos pelos alunos. Além disso, o acesso a outros ambientes ou espaços virtuais” através dos links de uma aula web oferece diversas opções de navegação por conteúdos relacionados ao curso (J12).

Já com referência ao item sobre a clareza suficiente da página inicial para ser manipulada pelo público-alvo (3.3), um juiz referiu como plenamente adequado; outro como adequado, com reformulações e apenas um considerou que não se aplica. A explanação deste último juiz é a seguinte:

Eu não posso simular como o público alvo (os cegos) receberá o site (J11).

A seguir, o Quadro 13 com o tópico 4 do instrumento de avaliação dos juízes de aspectos técnicos.

Quadro 13- Avaliação dos itens do tópico 4 pelos juízes especialistas em aspectos técnicos. Fortaleza – CE, 2009.

Item Avaliação 4.1 O usuário tem facilidade de navegação entre páginas,

seção a seção, ou de um link para outro sem ficar perdido

Adequado, com reformulações (3)

4.2 Os links de acesso às tecnologias estão claramente definidos e servem a um propósito facilmente identificado

Adequado, com reformulações (3)

4.3 Os links colocados à disposição para acesso às tecnologias operam eficientemente

Plenamente adequado (2);

Adequado, com reformulações (1)

Ao se observar as avaliações concernentes à facilidade de navegação página a página, seção a seção, ou de um link para outro (4.1) e, também, o de clareza quanto aos links de acesso às tecnologias (4.2), conforme percebeu-se, elas foram assim consideradas pelos três juízes: adequados, com reformulação. Quanto à disposição dos links para acesso às tecnologias (4.3), dois juízes a consideraram plenamente adequada e apenas um adequada, com reformulação. As explanações referentes a estes itens foram:

A estrutura dos materiais envolve os modos de organização e encadeamento dos conteúdos na página, bem como os recursos midiáticos empregados. Os projetistas de páginas costumam atribuir significados específicos a esses termos de acordo com suas necessidades. Todavia, um aspecto relevante a ser ressaltado aqui é: ainda que esses conteúdos estejam organizados em certa ordem, conforme Soletic (2001), os alunos não devem estar física ou temporalmente presos a essa seqüência ou ritmo de estudo. As páginas precisam oferecer flexibilidade para que os interlocutores “transitem” pelo material, não necessariamente de forma linear, mas de acordo com seus próprios interesses ou necessidades (ritmo de estudo, estilo pessoal de leitura, etc.) (J12).

No quadro a seguir estão apresentadas a avaliação dos itens do tópico 5.

Quadro 14 – Avaliação dos itens do tópico 5 pelos juízes especialistas em aspectos técnicos. Fortaleza – CE, 2009.

Item Avaliação 5.1 O web site está organizado de maneira clara e

lógica, a fim de facilitar a localização das tecnologias

Plenamente adequado (1); Adequado, com reformulações (2)

5.2 O web site disponibiliza toda a informação previamente necessária para o acesso às tecnologias

Adequado, com reformulações (2); Inadequado (1)

5.3 As informações estão claramente indicadas e organizadas a fim de serem facilmente entendidas pelo público-alvo

Plenamente adequado (2); Adequado, com reformulações (1)

5.4 O conteúdo das informações apresentadas nos links é apropriado para a audiência ou usuários

Plenamente adequado (1); Adequado, com reformulações (1); Não se aplica (1)

5.5 O som das páginas favorece o aprendizado Plenamente adequado (1); Adequado, com reformulações (2)

5.6 O web site está organizado de maneira clara e lógica, a fim de facilitar a localização das tecnologias

Plenamente adequado (1); Adequado, com reformulações (1); Não se aplica (1)

5.7 A forma de apresentação das tecnologias contribui para o aprendizado ou atenção do usuário

Plenamente adequado (2); Inadequado (1)

5.8 A forma de apresentação das cartas-convite contribui para o objetivo ao qual se propõe

Plenamente adequado (1); Adequado, com reformulações (1); Inadequado (1)

5.9 A forma de apresentação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido contribui para o objetivo ao qual se propõe

Plenamente adequado (1); Inadequado (1);

Não se aplica (1) 5.10 A forma de apresentação do Instrumento de

avaliação contribui para o objetivo ao qual se propõe

Plenamente adequado (1); Inadequado (1);

Não se aplica (1)

Como consta neste quadro, um dos juízes considerou adequados, com reformulações os seguintes itens: disponibilização do web site para acesso às tecnologias (5.2); apropriação do conteúdo nos links para os usuários (5.4) e organização do web site para localização das tecnologias (5.6). Eis alguns comentários da juíza:

Não menos importante que os aspectos anteriormente ressaltados, precisamos nos preocupar com a natureza do discurso empregado nas páginas. É necessário ter claro qual é o público-alvo que irá entrar em contato com o site. “Para quem estou escrevendo?” deve ser uma pergunta norteadora do seu trabalho. Saber sobre os interesses, as dificuldades e as expectativas dos mesmos, isto é de fundamental importância para que você alcance seus objetivos (J12).

Quanto aos outros juízes que teceram considerações semelhantes ou diferentes, não apontaram nenhuma explicação ou justificativa.

Em continuidade a esta etapa do trabalho, na última parte do instrumento de avaliação para os peritos em aspectos técnicos, existem espaços para comentários e discussões. Os juízes respectivos assim se manifestaram:

Senti falta de perguntarem mais sobre o cordel em si. As perguntas eram feitas muito com relação à usabilidade. Claro que é importante, mas ela não é o foco principal (J10).

Caríssima, o site está curioso, mas não tenho como avaliar a usabilidade deste site. Meu conhecimento depõe contra mim neste momento. Algumas naturezas de seu questionamento podem gerar contaminação de resultados. Minha sugestão é que você procure um laboratório de usabilidade, o pessoal do design gráfico entende disso, que você pegue um grupo de sujeitos-alvo e aplique pesquisa de usabilidade sem orientação prévia de vocês. Usando só o material que você pode dar aos sujeitos. Dessa forma você terá um bom resultante [resultado] (J11).

Apesar de essa tecnologia ser direcionada aos deficientes oculares sugiro que o áudio apresentado, a ser julgado, comporte imagens de um centro de saúde onde tenha atendimento às mães que amamentam, dando ênfase ao atendimento do profissional que trabalha na área. A inserção de outros recursos, como imagens, animações, aumentaria as possibilidades de uso do mesmo (J12).

Compreendo que este profissional (enfermeiro), como bem formado que é, merece sair do apagamento e vir à luz para muitos que precisam dele, mas que muitas vezes, por ignorância, vivem à margem dos conhecimentos adquiridos pelos mesmos. Parabéns! A teoria foi abordada de forma séria e ainda agregou muita criatividade e leveza (J12).

Para a segunda avaliação dos juízes de aspectos técnicos, manteve-se contato com eles por telefone e correio eletrônico e lhes foi informado o prazo para retorno. Com dois juízes, marcou-se encontro pessoal, mas somente um compareceu. O outro especialista, por motivo de saúde, não pôde ir ao encontro combinado e, posteriormente, por email, afirmou não mais poder participar da pesquisa. Por ordem médica diminuiu suas atividades de trabalho. Além disso, uma juíza não respondeu ao questionário. A única especialista que preencheu o instrumento de avaliação julgou quase todos os itens plenamente adequados, com exceção, apenas, dos que se referiam à apresentação de som atrativo na página inicial para acessar e navegar a página e tecnologias, considerados adequados, com reformulações.

7 DISCUSSÃO

Todos os juízes de conteúdo fizeram duas avaliações. A primeira análise foi constituída por sugestões de substituição e explicação de termos considerados inapropriados e confusos, e, ao mesmo tempo, propôs acréscimo de informações importantes. Segundo ocorrido, alguns termos foram substituídos para facilitar o entendimento e evitar possíveis confusões pela população-alvo, os cegos. Mudaram-se determinadas expressões, como endorfina para calmante; cores do leite, para sabores; inexiste, para não existe; bico para chupeta. Esta, para evitar confundir com o bico do peito. Algumas palavras também foram excluídas por denotarem significados culturalmente diferentes, como mentira, possível de ser interpretada erroneamente.

Algumas juízas sugeriram esclarecimentos sobre mitos e tabus na tecnologia, em virtude de tais fatores interferirem na duração do aleitamento. Como se sabe, a prática da amamentação se desenvolve dentro de um contexto sociocultural; portanto, é influenciada pela cultura, pelas crenças e tabus. Um exemplo da influência cultural, relacionada às crenças e tabus sobre a produção do leite, é o uso dos lactogogos (ICHISATO; SHIMOA, 2001), alimentos estimulantes da produção láctea. Durante o período lactacional, a mulher prioriza alguns alimentos para uma boa produção láctea e incorpora valores culturais no estabelecimento de sua dieta. Nesse sentido, discute-se atualmente ser o aleitamento uma categoria híbrida, constituída por elementos da natureza e da cultura. Ademais, é biologicamente determinada e socioculturalmente condicionada (ARAÚJO; ALMEIDA, 2007).

Como afirmam Del Ciampo et al. (2008), mitos e tabus podem ser definidos como relatos simbólicos que permeiam gerações dentro de um grupo social e explicam a origem de determinado fenômeno, mediante construção mental de algo idealizado, mas sem comprovação prática. Torna-se, pois, uma proibição imposta por costume social. Desse modo, a crença de uma pessoa, sua visão de mundo, assim como sua espiritualidade, podem ter conseqüências na saúde. No que concerne à amamentação, os mitos ou tabus relacionados podem trazer transtornos ou interferir na prática do aleitamento materno (VAUCHER; DURMAN, 2005).

Em certo estudo, as mães que desmamaram precocemente justificaram tal fato com motivos de ordem educacional, como: “leite ter secado” (28,7%), “rejeição do bebê” (21,7%), “presença de dores ao amamentar” (3,5%) e “problemas na mama” (2,8%)

(VOLPINI; MOURA, 2005). Esses achados têm consonância com o relato de outra pesquisa na qual os motivos encontrados para o desmame precoce foram os seguintes: "o leite era fraco" ou "não sustentava", "o leite secou" e a criança "largou o peito". Em alguns dos casos, as mães alegaram terem recebido orientação médica para suspensão do aleitamento materno (ESCOBAR et al., 2002). De acordo com a literatura, não existe leite fraco; este é constituído por elementos essenciais à nutrição da criança até 6 meses exclusivamente e até 2 anos de forma complementar (VAUCHER; DURMAN, 2005).

Em outro estudo, as mães assistidas em uma maternidade de Teresina – PI para a introdução precoce da alimentação complementar também alegaram ser o leite fraco. Lembre- se o seguinte: todo nutriente necessário à criança até os 6 meses de vida está contido no leite humano (RAMOS; ALMEIDA, 2003). Este leite é de fácil digestão, e seu aspecto aguado é uma característica normal. Portanto, o leite materno está sempre em boas condições para o consumo da criança. A crença do leite fraco pode estar relacionada ao desconhecimento das características inerentes ao leite humano. Como a nutriz pode se achar incapaz de produzir leite de “qualidade” para a criança, às vezes ela introduz precocemente outros alimentos na alimentação do bebê (MARQUES; COTTAR; PRIORE, 2008).

Outros mitos, como arrotar no peito, também foram apontados pelas juízas como importantes para serem discutidos na tecnologia, pois, igualmente, podem ser causas de desmame precoce. Muitas mulheres acreditam que quando a criança arrota no peito pode provocar algum processo inflamatório. Em estudo para identificar o conhecimento de agentes comunitários de saúde (ACS), segundo verificou-se, eles consideraram como possíveis causas de rachadura no peito a pega errada, o bebê arrotar no peito, a monília (sapinho) e a limpeza excessiva das mamas. Esses dados mostram como ainda existe crença relacionada ao tabu do bebê arrotar no peito como uma prática prejudicial à amamentação. Como evidenciado, este aspecto cultural também é incorporado pelos agentes de saúde (COELHO; MACHADO, 2004).

Em estudo envolvendo a temática do aleitamento e crenças, especificamente o mito de arrotar no peito, percebe-se que a eructação no seio justifica-se por ter possível relação com o início da amamentação, quando o bebê está aprendendo a sugar, e também a deglutir o leite. Isto leva a criança a engolir ar junto com o leite. Então, é preciso ele arrotar durante e após a mamada (GONÇALVES; BONILHA, 2005). Diante disto, sobressai a necessidade de programas educativos eficazes, além de profissionais capacitados e empenhados.

Numa pesquisa realizada, conforme percebeu-se, o conhecimento básico sobre os cuidados com o recém-nascido entre mulheres grávidas é baixo. A aquisição de conhecimento é informal, e inexiste empenho dos programas educacionais em abordar tais conteúdos. Conhecimentos sobre as práticas da amamentação ainda são insuficientes, conduzindo a dificuldades em relação ao sucesso da lactação. Assim, muitos programas educacionais para mulheres grávidas devem priorizar esta temática sobre o cuidado ao recém-nascido e promoção do aleitamento materno (ISSLER; RODRIGUES DE SÁ; SENNA, 2001).

Menciona-se, também, a necessidade da presença dos profissionais de saúde para o reconhecimento das vantagens do leite materno para o prematuro. Esta presença pode fortalecer o estímulo à amamentação exclusiva, mesmo diante de várias situações de insegurança, incômodo e desconforto das mães (BRAGA; MACHADO; BOSI, 2008). Mas o profissional de saúde precisa ser receptivo, e levar em conta as opiniões em relação às crenças, mitos e tabus que envolvem a amamentação. É indispensável, pois, evitar posição autoritária. Deve-se conversar com as mães sobre tais crenças, conhecê-las, entendê-las e questioná-las junto às famílias. Ao proceder desta forma, surge a oportunidade de dialogar e aproximar-se da família e da nutriz. Estas atitudes exercem profunda influência sobre o comportamento e as decisões (GONÇALVES; BONILHA, 2005). Neste sentido, é decisiva a atuação do profissional de saúde. Cabe-lhe informar a lactante sobre a composição do leite materno e a importância deste (MARQUES; COTTAR; PRIORE, 2008).

Como mostra o dia-a-dia, é perceptível como as questões culturais, os tabus ou restrições alimentares, muitas vezes não justificáveis biologicamente, podem influenciar na alimentação da lactante. Por falta de informação, ela pode excluir nutrientes essenciais para o seu sustento e, conseqüentemente, para a produção de leite (DEL CIAMPO et al., 2008).

Todos estes esclarecimentos sugeridos pelas juízas tiveram uma finalidade: incentivar mudanças relacionadas ao aleitamento. No Nordeste brasileiro, onde o número de nascimentos de crianças prematuras e de baixo peso é freqüente e o período de amamentação ainda é curto, a prática do aleitamento materno exclusivo até 6 meses e prolongado até 2 anos pode contribuir para reduzir os níveis da mortalidade infantil. No Ceará, especificamente, baseado nos dados de 2006, 70% das crianças menores de 4 meses recebem exclusivamente leite materno, porém 28% das crianças na mesma faixa etária estavam em aleitamento predominante ou misto (BRAGA; MACHADO; BOSI, 2008).

Outro tópico demarcado pelas juízas do presente estudo foi para reforçar a questão do vínculo entre mãe e filho durante o aleitamento materno. Acredita-se que o leite materno traga benefícios psicológicos para a criança e para a mãe. A amamentação de forma

prazerosa, olhos nos olhos, e através do contato contínuo entre mãe e filho, favorece afetivamente o binômio, propiciando intimidade, troca de afeto e sentimentos de segurança e proteção na criança e de autoconfiança e realização na mulher. O aleitamento é uma maneira especial de comunicação entre mãe e bebê e uma oportunidade da criança aprender muito cedo a se comunicar com afeto e confiança (BRASIL, 2009c).

Em estudo sobre as representações da amamentação, conforme percebido, as mulheres valorizavam o aleitamento materno por ser uma prática que proporciona, além do alimento e nutrientes necessários, afeto e proteção à criança, sendo, portanto, considerada o melhor para ela (NAKANO, 2003). Este fortalecimento do vínculo mãe filho durante o aleitamento materno é importante para o desenvolvimento da personalidade e afetividade desse futuro adulto (COELHO; MACHADO, 2004).

Menciona-se ainda o seguinte: a amamentação pode melhorar também a vida das famílias como um todo, uma vez que as crianças amamentadas podem adoecer menos, e, conseqüentemente, precisam de menos atendimento médico, hospitalizações e medicamentos. Também pode significar menos faltas dos pais ao trabalho, menos gastos e situações estressantes. Além disso, quando a amamentação é bem-sucedida, mães e crianças podem se sentir mais felizes, pode haver repercussões mais positivas nas relações familiares e, portanto, na qualidade de vida dessas famílias (BRASIL, 2009c).

Nos comentários das juízas, a amamentação cruzada também foi citada como tópico a ser esclarecido. As mães devem ser orientadas a não amamentarem outras crianças que não seu filho, no intuito de evitar a contaminação de crianças com possíveis patógenos que podem ser encontrados no leite materno, incluindo o HIV (FREITAS et al., 2006). Em

Belgede Mustafa Kemal Atatürk (sayfa 26-32)

Benzer Belgeler