4.1. ANTONiN ARTAUD VE VAHŞET TiYATROSU
4.2.3. Laboratuvar Tiyatrosunun ikinci Dönemi (1962-68)
A partir da 2ª metade do séc. XX, verifica-se uma viragem nas políticas educativas portuguesas. Em pleno Estado Novo, na década de cinquenta, o Ministro da Educação, Leite Pinto, defende uma educação para todos. Desde cedo,
tomou consciência da necessidade de se estabelecerem, e explorarem a fundo, íntimas relações entre Educação e Economia, face nova de um mundo novo […]. A Educação surge agora como fator decisivo da evolução progressiva da Economia» (Carvalho, 1986. p.795).
Ainda neste contexto social e político, Portugal abria as portas à Europa e vice- versa, como esclarece Teodoro:
Portugal viu-se obrigado a pôr fim ao isolacionismo, em resultado da sua participação na Organização Europeia de Cooperação Económica (OECE), o que permitiu aos responsáveis políticos e da administração o acesso fora de Portugal a debates e intercâmbios de informação e de perspetivas. Esta nova situação mostrou-se determinantes na evolução das conceções que marcaram as políticas de educação a partir dos anos cinquenta (2005, p.219).
O Eng.º Francisco Leite Pinto foi, em 1948, um dos mentores da reforma do ensino técnico, pertencendo à comissão de reforma do ensino técnico, sendo responsável pelo seu relatório final. Esta reforma foi, segundo vários autores, percursora dos sucessivos sistemas de administração escolar. Foi na reforma de Leite Pinto que se instituiu a generalização da obrigatoriedade escolar de quatro classes no ensino primário, que já estava prevista desde 1952 no artigo 1.º do Decreto-Lei 38968, de 27 de outubro. Foi determinado pelo ministro Leite Pinto, através da publicação do Decreto-Lei n.º 42994, de maio de 1960, a alteração aos programas do ensino primário na altura em vigor para as três primeiras classes e para a quarta, aprovados, respetivamente, pelo Decreto 27603, de 29 de março de 1937, e pelo Decreto 16730, de 13 de abril de 1929. Este diploma, ainda que tenha tentado “preparar o prolongamento da escolaridade obrigatória, isto é, o alargamento do ensino primário a seis anos”, fundindo-se o 1º ciclo do liceu e o ciclo preparatório do ensino técnico, não o conseguiu. Tal só se concretizou em 9 de julho de 1964, através da publicação do Decreto-Lei nº 45810.
Leite Pinto viria a ser substituído pelo Estado Novo nos finais da década de 50. Carvalho refere-se, todavia, da seguinte forma ao legado de Leite Pinto:
27
A ação política de Leite Pinto, europeísta convicto, adepto da inovação e emancipação através do conhecimento especialista, e defensor de ideias mais modernas do Estado Novo, contribui para evidenciar o atraso educativo português relativamente a outros países europeus, mas Oliveira Salazar, chefe incontestado, entendia ser necessário repor a máquina da coisa pública nos carris experimentados da tradição pelo que Leite Pinto é substituído por outras personalidades formadas pelas Universidades Clássicas (1986, p.798).
Na década de sessenta, Galvão Teles, Ministro da Educação Nacional, foi um continuador das orientações políticas de Leite Pinto. Galvão Teles projetou, em 1963, a elaboração de um Estatuto da Educação Nacional, considerado como «carta magna do ensino» e que devia «abranger, em visão alargada, todo o sistema escolar português, à luz dos novos interesses pedagógicos, iniciativa inédita em todo o mundo» (Carvalho, 1986, p.804). Este documento nunca chegou a ser vertido em lei, dada a saída do ministro responsável pela sua elaboração.
Em 9 de julho de 1964, através da publicação do Decreto-Lei nº 45810, a escolaridade obrigatória é alargada para 6 anos, justificadas no entender de Carvalho (1986, p.798) por «imperativos sociais cada vez mais prementes».
O Decreto-Lei n.º 47587, de 10 de março de 1967, publicado por Galvão Teles, foi um dos mais marcantes na gestão e administração escolar dos meados do século XX. Neste Decreto-Lei, era considerada a necessidade de promover a gradual adaptação dos planos de estudo, programas, textos, métodos e condições de ensino verificados nos diversos domínios do conhecimento humano e nas conquistas alcançadas no campo da pedagogia. Galvão de Teles, através deste Decreto-Lei, aconselha e autoriza a realização de experiências pedagógicas. Considera que tal experiência possibilita de forma segura aferir a eficácia das inovações pretendidas, antes de as pôr em vigor. Permite “Ensaios de novos métodos didáticos” e institui novas regras no domínio do ensino e da administração escolar. Pela primeira vez, são constituídas em Portugal “Escolas-Piloto” para testar políticas educativas. Poucos meses depois, em 2 de julho de 1967, Galvão Teles decreta a criação do ciclo preparatório do ensino secundário, o que constitui uma alavanca para a consolidação de reformas do sistema educativo, que se vinham desenhando, ao longo do séc. XX, o que, como refere Nóvoa (2005), é um «sinal claro da democratização do ensino», que acarretou mudanças profundas e até inovadoras, ao nível curricular e pedagógico, bem como impulsionador de uma nova geração de docentes.
28
No começo dos anos 70, era Presidente do Conselho Marcello Caetano, sendo Ministro da Educação Veiga Simão. Este concebeu um projeto para o ensino em Portugal numa tentativa de resposta ao obsoleto sistema educativo. Veiga Simão considerava que Portugal só era modernizado se fossem levadas a cabo reformas estruturais no campo da educação, nomeadamente a sua “democratização”. O nível de analfabetismo era elevadíssimo, pelo que, segundo Veiga Simão, a instrução devia ser alargada a uma grande parte da população. Anteriormente, pouco ou nada se tinha proposto em termos de reforma educativa, salvaguardando os ténues projetos de Leite Pinto e de Galvão Teles, anteriormente referidos. Nos anos setenta, houve, de facto, uma discussão pública sobre políticas educativas no sentido de combater as práticas até então em vigor. Destaca-se uma tentativa de aumento da escolaridade obrigatória e começa a ser delineada a hipótese de um ensino de educação pré-primário. O ensino primário é complementado pela 5.ª e 6.º classes ou pelo aparecimento das Escolas Preparatórias. Em termos curriculares, não são efetuadas mudanças e o ensino continua a ser magistral e não democrático.
A Lei n.º 5/73, de 25 de julho, aprovada na então Assembleia Nacional, consubstancia a reforma referida. Nela, destacamos o aumento da escolaridade obrigatória de 6 para 8 anos, a possibilidade de uma educação pré-primária e uma vertente profissional da educação para certos segmentos da população.
Foram criadas três grandes Direções-Gerais: Ensino Básico, Secundário e Superior. Foi instituído um Gabinete de Estudos e Planeamento
Em 1 de outubro de 1973, foi publicado o Decreto-Lei n.º 513/73, de 10 de outubro, onde pela primeira vez se fala em “autonomia” na gestão das escolas.
Já no século XXI, Veiga Simão escreveu:
Uma reforma educativa, com o alcance e o âmbito da que estava programada, era uma reforma que demorava a implantar, sem prejuízo de constantes aperfeiçoamentos, uma década. Ela própria estava prevista para se desenrolar entre 1970 e 1979. E eu digo 1970, porque a estratégia que foi adotada nessa reforma não foi a de se iniciar só após a publicação de uma Lei de Bases, o que aconteceu em 1973.
Muitas críticas que me foram dirigidas apontavam esse pecado. Ora, logo em 1970 se iniciou, já dentro de um quadro global, um conjunto de iniciativas de forma que a lei, em vez de ser o início da reforma, culminasse a execução de programas essenciais que foram gizados para todos os níveis de ensino. Recordo- me que um parecer da Câmara Corporativa fazia críticas por estar a apresentar uma lei que na prática já estava a ser implementada. Essa estratégia determinou a irreversibilidade de objetivos cruciais da reforma. (2003, p. 127)
29