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Laboratuvar Bulguların karşılaştırılması

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5.2 Laboratuvar Bulguların karşılaştırılması

É difícil, portanto, para um homem em particular, desvencilhar- se da menoridade que para ele se tornou quase uma natureza. (KANT, 1974, p. 1).

Como foi observado nas análises de documentos que historicizam a Rede Educacional Adventista, o Iluminismo traz contribuições, dentre outros aspectos, no sentido de abrir possibilidades para a busca continua e cada vez mais profunda de esclarecimentos que abarquem a vida integral da pessoa. O Século XVIII, conhecido como século da Luzes, apresentado por Kant, vê-se em meio aos resquícios das contribuições dos gregos nas quais os conflitos de pensamentos religiosos e as reivindicações da Ciência com os questionamentos da Filosofia pareciam irreconciliáveis.

A solução que Kant apresentava, com seu brilho e complexidade, tinha a ver com a ousadia, que os seres humanos deveriam ter, de buscar a emancipação das ideias assumindo as consequências de cada uma delas. “Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento”, dizia ele, no seu texto “Resposta à Pergunta: Que é ‘Esclarecimento’?” (KANT, 1974, p. 1).

O desenvolvimento cultural a partir do Iluminismo vem trazer avanço nas tecnologias, no comércio e na indústria, expansão territorial na colonização de novas terras e ampliação de escolarização além de guerras, dentre as demais questões desencadeadas e denominadas de progresso.

O primeiro ponto que se levanta é quando pensamos em esclarecimento, logo nos reportamos ao século XVIII, conhecido como Iluminismo, Século das Luzes,

Ilustração ou Aufklärung. É o século em que a razão ganha poder para reorganizar o

mundo e o homem estende o seu uso para buscar esclarecimento sobre os conhecimentos político, econômico, moral e religioso, e resolver seus problemas. “Sua pretensão, a de dissolver os mitos e anular a imaginação, por meio do saber.” (MATOS, 1997, p. 120), já havia iniciada com os filósofos gregos.

Nesse novo contexto, ao mesmo tempo em que o homem sente-se livre das concepções medievais, as novas ciências explicam os fenômenos da natureza. Crendo que a compreensão do mundo é possível unicamente pelo uso da razão, e

essa é responsável pelo progresso. É a época da revolução industrial, o momento histórico em que a burguesia sente-se vitoriosa em relação ao modelo feudal e o pensamento iluminista afirma que o aumento do conhecimento poderia melhorar a vida pela capacidade de dominar a natureza e modificar a sociedade (ARANHA, 1996; ARANHA; MARTINS, 1993; CHAUÍ, 2000; NETO, 1986).

O homem registra que pode atingir a maioridade e partir para a emancipação: “Sapere Aude! Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento (‘Aufklärung’)” 59 (KANT, 1974, p. 1, grifo do autor). Os iluministas pensavam que estavam “Certos do progresso da civilização, elaboraram um programa educativo para emancipação de todos os homens da ignorância e das tutelas tradicionais.” (ROBINET, 2004, p. 105).

O Iluminismo, propriamente dito, se desenrolou no Renascimento, o Racionalismo e o Empirismo do século XVII deram sustentação filosófica para a razão60, entretanto, segundo Matos (1997, p. 120):

[...] o iluminismo filosófico não se restringe ao século XVIII, mas abrange toda a história da razão que se engendra e se consolida como exploração da natureza exterior e dominação da natureza interior, o esclarecimento tornou-se um projeto para todas as gerações posteriores, alcançando o século XXI.

Com as novas formas de representações, surge o questionamento sobre a metafísica, o pensamento sobre a existência de Deus perde seu espaço e “[...] a ideia de Deus como administrador da humanidade foi completamente afastada.” (NETO, 1986, p. 246) por muitos pesquisadores. “[...] as questões metafísicas não são acessíveis ao conhecimento.” (ARANHA, 1996, p. 124), dizem eles. Os valores morais, ligados à religião nos períodos anteriores, com as concepções éticas de que o bem e o mal se vinculavam à fé, e dependiam da esperança da vida após a morte, pautam-se, a partir do Século das Luzes, na própria razão do homem. Kant defende a moral por “[...] imperativos categóricos, isto é, por imposição incondicionada, absoluta, como acontece quando a ação realizada visa ao dever pelo dever, e não ao dever pela troca de um benefício.” (ARANHA, 1996, p. 124, grifo do autor).

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O artigo “Resposta à pergunta: Que é ‘Esclarecimento’? (‘Aufklärung’)”, foi escrito por Immanuel Kant, em 05 de dezembro de 1783.

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Conforme Aranha e Martins (1993, p. 111), “Descartes justifica o poder da razão de perceber o mundo através das idéias claras e distintas.”

O Século das Luzes forneceu o lema principal da Revolução Francesa61 e nela teve sua culminância. Essa aderiu muitas ideias em fases de extrema violência, sendo que o Iluminismo ficou desacreditado aos olhos dos europeus contemporâneos. Tal fato marcou um momento decisivo para o declínio da Igreja e o crescimento do secularismo atual, assim como serviu de modelo ao liberalismo político e econômico e para a reforma humanista do mundo ocidental no século XIX.

O objetivo do Século das Luzes era “[...] livrar os homens do medo e fazer deles senhores.” (MATOS, 1997, p. 120). Entretanto, pensadores como Adorno e Horkheimer criticam a Aufklärung por pretender, ao desenfeitiçar e demitizar a natureza, limitar-se ao domínio da natureza exterior mediante a colonização do mundo interior. Como projeto civilizatório, esses pensadores estavam “Certos do progresso da civilização, elaboraram um programa educativo para emancipação de todos os homens da ignorância e das tutelas tradicionais.” (ROBINET, 2004, p. 106).

Pimenta ([200-], p. 41), na revista especial Mente, Cérebro e Filosofia, diz que:

Os homens das luzes constatam que é alto o preço a pagar pela alienação da razão em relação à imaginação, sentimento, sensibilidade, afecção e paixão. Restringindo a inteligibilidade do mundo aos princípios da razão, subsumindo o que é exterior, ‘compreendendo’62 assim, de fora, aquilo que parece desordenado e sem inteligência, perde-se de vista toda uma esfera da experiência humana, a das produções que instituem o mundo da cultura.

Para este autor, “O século das luzes foi também a época em que a sensibilidade pela primeira vez tornou-se um tópico de filosofia.” (PIMENTA, [200-], p. 41). O distanciamento dos discursos da vida real, observados nas palavras manipuladas pelos pensadores da escolástica, recebe rigor, elegância científica para a compreensão da natureza e o mundo, considerado obra da liberdade, se torna um campo aberto para a investigação (ROBINET, 2004).

No Século XVIII “Os saberes considerados estranhos ao rigor do método e à clareza da razão são alienados, vistos como desnecessários ou mesmo nocivos.” (ROBINET, 2004, p. 42). Já nos Séculos XIX e XX, no pensamento adventista, White (1997) retoma a questão da razão, valoriza a busca do esclarecimento exigindo ______________

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“Liberdade, igualdade, fraternidade”

excelência63 no trabalho educacional, desenha um modelo de educação integral, no qual pretende valorizar as emoções e, por meio delas, atingir o coração e a cognição do estudante para “[...] o desenvolvimento harmonioso das faculdades físicas, mentais, sociais e espirituais.” (WHITE, 1977, p. 13).

O segundo ponto que se argumenta é que a Revolução Francesa levantou questões promotoras de modificações de pensamentos sobre as conseqüências da busca do esclarecimento. Kant já advertia que

[...] depois de terem primeiramente embrutecido seu gado doméstico e preservado cuidadosamente estas tranqüilas criaturas a fim de não ousarem dar um passo fora do carrinho para aprender a andar, no qual as encerraram, mostram-lhes em seguida o perigo que as ameaça se tentarem andar sozinhas. (KANT, 1974, p. 1).

Para ele, a maioridade era muito difícil de ser desenvolvida com equilíbrio, além de perigosa. Cerca de quinze anos mais tarde Kant refletia sobre a dramática cena da Revolução Francesa. Conforme Knight (2000, p. 10), “As atrocidades e excessos da Revolução Francesa, na década de 1790, levaram muitos a duvidar de que a razão humana fosse base suficiente para a vida civilizada.” E Rouanet (1987) enfatiza que a Revolução Francesa compreendeu em atrocidades às durezas de Roma. Muitas pessoas que aderiam ao deísmo pela difusão do Aufklärung de Kant, revoltadas com os resultados das guerras, retornaram ao cristianismo pela necessidade de manter acesa certa chama de esperança, nas primeiras décadas do século XIX.

Conforme Adorno e Horkheimer (1985, p. 17):

No sentido mais amplo do progresso do pensamento, o esclarecimento tem perseguido sempre o objetivo de livrar os homens do medo e de investi-los na posição de senhores. Mas a terra totalmente esclarecida resplandece sob o signo de uma calamidade triunfal.

O programa que pretendia o esclarecimento das pessoas e o desenvolvimento das ciências, também trouxe desencantamento ao mundo pelos

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“Aquele que compreende as próprias deficiências, não se poupará de dificuldades para alcançar a mais alta norma possível na excelência física, mental e moral. No preparo da juventude, não deve ter parte pessoa alguma que se satisfaça com uma norma baixa.” (WHITE, 1994, p. 67).

resultados do uso da razão, embora a “[..] superioridade do homem estivesse na razão, isso não havia dúvida.” (ADORNO; HORKHEIMER, 1985, p. 17).

Isso remete o pensamento ao quadro de Klee, intitulado “Angelus Novus”, analisado por Walter Benjamin e relatado por Rouanet (1987) e Gross (2008a). Nele está representado um anjo, que parece estar a ponto de afastar-se de algo em que crava seu olhar. Seus olhos estão arregalados, sua boca está aberta e, suas asas, estiradas. O anjo da história apresenta-se com o rosto voltado para o passado, no qual uma cadeia de eventos é perceptível, e enxerga uma única catástrofe, que sem cessar amontoa escombros sobre escombros e os arremessa aos seus pés. Ele bem que gostaria de demorar-se, de despertar os mortos e juntar os destroços; no entanto, do paraíso sopra uma tempestade que se emaranhou em suas asas e é tão forte que o anjo não pode fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, para o qual dá as costas, enquanto o amontoado de escombros diante dele cresce até o céu. O que é chamado de progresso é a tempestade, e o conhecimento surge com a velocidade de um relâmpago, conforme esses autores.

Figura 4 - Ângelus Novus - Paul Klee Fonte: O Anjo... (2009).

O progresso cultural vem trazer benefícios para uma pequena parcela de pessoas, sendo que a maioria chora sobre os escombros da pobreza e da falta de recursos educacionais para mínima condição de vida.

A razão, que a princípio se aclamou, depois se criticou, é novamente repensada no século XXI como instrumento de análise da realidade patológica da sociedade moderna e para combater às forças que asfixiam a vida.

No sentido de busca ao esclarecimento, a cultura traz outras concepções, vista até então como acúmulo de bens espirituais “[...] sem levar em conta os sofrimentos necessários à acumulação desses bens.” (ROUANET, 1987, p. 42). Ela deve sua história não somente aos esforços dos gênios grandiosos, mas ao anonimato de pessoas que sequer foram percebidas como figurantes e as que ficaram nos bastidores dando suporte a toda cena dos denominados, protagonistas.

O Século XVIII também foi relevante para os que perpetuavam os ensinamentos hebraicos. Giglio (2003, p. 111) comenta que “Devido à influência do Iluminismo, a Alemanha e vários países da Europa ocidental passaram a outorgar aos judeus o direito de cidadania, configurando uma verdadeira emancipação de comunidades até então marginais.”

Isso provocou reações discrepantes entre os judeus, pois enquanto uns não admitiam interagir com aquelas idéias, a fim de não correrem risco de assimilação, havia os que desejavam mais status social para o desenvolvimento econômico deles, sem nenhum embargo, e, para isso a assimilação da cultura alemã era uma necessidade. No entanto, ainda, havia um terceiro grupo com os quais não queriam romper com as tradições dos seus ancestrais, para eles a questão não era reformar suas concepções, crenças e tradições, mas desenvolver uma nova filosofia de vida capaz de viver entre os ideais iluministas sem romper com suas culturas milenares.

Enquanto o primeiro e o segundo grupo pensavam ser necessário reformar sua religiosidade adaptando-se aos tempos modernos ou converter-se ao cristianismo, o terceiro grupo pensava que viver em meio à diversidade cultural era uma oportunidade de “[...] reforçar a cosmovisão tradicional judaica.” (GIGLIO, 2003, p. 112). Este considerou que estudando os próprios elementos judaicos desenvolvidos e não por meios externos a eles, a possibilidade de manter os princípios e valores milenares sustentando suas tradições seriam mais promotores de manutenção doutrinária. Assim, para tal grupo, a Lei Oral e a Lei Escrita, a Torá e os demais textos rabínicos, na língua original, a hebraica, deveriam continuar sendo bases para a manutenção das tradições deles.

Nessa época,

Hirsch criou uma escola exemplar, que conseguia educar os jovens tanto no judaísmo como na cultura laica, demonstrando, de maneira prática, que seu ideal era possível e exeqüível. De fato, grande parte das instituições judaicas ortodoxas modernas se baseia neste modelo educacional. (GIGLIO, 2003, p. 112).

Na Rede Educacional Adventista, a busca pelo esclarecimento é por uma luz maior que se amplia a cada dia e contribui para uma compreensão da realidade. O esclarecimento não deve ser abandonado por alguém que deseje reforma integral contínua. Além disso, defende-se a razão equilibrada com a emoção, no trato com as pessoas e nas ações educacionais. Assim como relembra, pelas pesquisas de Dick (2007), que o Iluminismo abriu caminhos para leigos pesquisarem e divulgarem suas ideias, o que viabilizou a escrita dos primeiros fundamentos levantados por Guilherme Miller, e expandidos para a posterior formação do pensamento educacional adventista.

Benzer Belgeler