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Amaç 5 Lüleburgazda yaşayanlar arasındaki iletişimi sevgi ve hoşgörü temeline oturtmak
A pré-produção58 caracteriza-se pelos esboços da proposta de argumento, do
58 Antes de se dar início a esta fase, o início do projecto começa com o desenvolvimento da ideia, das suas componentes criativas. Um realizador de artefactos comunicativos audiovisuais, director ou produtor deve ser, sobretudo e principalmente, um bom espectador de cinema e muito dificilmente o será se não for um leitor (de livros), ouvinte (de música), um admirador (de pintura e escultura), um espectador (de teatro, dança, etc.). Se não se investe no próprio gosto, se não se for atento ao contexto audiovisual, se não se maravilha com o talento, não será capaz de manifestar a sua competência de produtor como aquele que empenha o seu próprio capital para realizar um bem material, contrariando a característica específica desta profissão em que capital e talento são um só. A acção do produtor deve antecipar, mesmo que através da imaginação, a capacidade perceptiva do espectador, entender quais são os elementos que contrariam a história e considerar a coerência por trás do projecto e
orçamento (de custos) previsional e um primeiro calendário de produção. É o momento em que o produtor pode tentar o compromisso de elementos fulcrais da equipa, como sejam o realizador, a equipa de produção, os actores, e argumentista59. Isto fará um
projecto mais forte e atractivo para potenciais financiadores, sejam eles particulares ou públicos. Por exemplo, a confirmação do interesse de um conhecido actor ou realizador aumenta a credibilidade de um projecto e favorece o interesse no seu investimento e potencial de visibilidade (incluindo da parte do público). Porém, nesta fase, ainda não há qualquer garantia de exequibilidade e poderá demorar anos até se passar à fase seguinte, acartando, com isso, enormes frustrações e alguns investimentos sem garantias60.
O financiamento é um ponto fulcral quando se trabalha nas áreas do audiovisual, já que sem os necessários apoios e tendo em consideração apenas os custos técnicos não se pode viabilizar nenhum projecto. A actividade de reunir financiamento é um dos mais importantes requisitos de qualquer produtor. Também a sua reputação jogará a favor em qualquer assunto relacionado com o financiamento e gestão porque, por exemplo, quando abordamos grandes empresas de exploração e desenvolvimento deste tipo de projectos a confiança é imprescindível. Esta confiança, principalmente para o independente e/ou estreante, é avaliada através da boa qualidade da elaboração do
intenções iniciais.
59 O guião respeita toda a componente literária da realização cinematográfica. Tem ainda uma componente técnica que respeita a componente produtiva. A ideia para o argumento tem características comuns e outras diferentes se for um produto, por exemplo, televisivo ou para uma sala de cinema. É muitas vezes a única oportunidade do argumentista explorar toda a história. É um texto que, de acordo com Biondi (vol.II, 2005: 15) é a partitura dramatúrgica do filme, com um tratamento que respeita o projecto criativo bem como o operacional. O script é, para aquele autor, condição essencial para fazer cinema, mas não necessária. Isto é, alguns produtos audiovisuais não seguem um argumento ainda que, no final, ele exista. É a necessidade organizativa que o determina (como um documentário ou uma série televisiva). O script pode ser, ainda, fruto da vontade do argumentista ou do produtor. Muitos negam que a narração cinematográfica necessite de uma estrutura narrativa mais ou menos rígida, outros sustentam que sem essa estrutura a possibilidade de expressão corre perigo; outros, ainda, reconhecem-lhe a origem no talento; outros, por fim, refutam que a estrutura impeça a aplicação de regras estéticas. Assim, é função do produtor a verificação constante e contínua dos efeitos das condicionantes instrumentais no ambiente operacional, mas esta verificação nunca pode ser conduzida pelo gosto pessoal. A presença de uma estrutura ou a possibilidade da sua existência é muito importante. Crê-se que uma narração de sucesso respeita sempre uma estrutura definida. 60 A primeira operação financeira é a aquisição dos direitos de autor, que legitimará todas as acções
subsequentes. São tidos em conta, naquilo que diz respeito aos direitos de autor e Copyright, assuntos relacionados com as boas práticas legais, éticas, como sejam: o direito à privacidade, a difamação, trabalho com crianças e autorizações de filmagem, sempre que estas apresentem questões limitativas
projecto e da sua irrepreensível apresentação. Tanto ao nível escrito como oral, a apresentação tem de ser clara e concisa. O papel do produtor, neste momento, é o de estimular o interesse dos possíveis financiadores, num meio onde há uma notória concorrência. Qualquer produtor – mesmo o independente ou estreante – tem de conseguir convencer e seduzir o seu interlocutor para garantir os melhores contratos, preços e prazos. Daí ter de ser capaz de elaborar um calendário de produção realista e de acordo com os recursos garantidos, harmonioso, com as diferentes disponibilidades e compromissos dos elementos da equipa.
Na fase de projecto61, por ser apenas a fase inicial, o planeamento não foge à
regra que acompanha quase todo o processo operacional: a interacção e sinergia de duas exigências a que podemos chamar planificação e controlo, que correspondem, respectivamente, ao levantamento de necessidades e a verificação da sua satisfação. Para os podermos realizar devemos estar sempre atentos àquelas necessidades e controlar a possibilidade de agir. No âmbito do cinema é ainda mais relevante a planificação, já que determina todo o projecto. A simultaneidade do planeamento e controlo passam pela necessidade de evitar incoerências numa acção que é dinâmica e interdependente. Em projecto, bem como na fase de realização, a aplicação de conceitos de planificação e controlo são proporcionais à qualidade da sua execução. No campo audiovisual estas duas exigências têm em vista a componente criativa (dos instrumentos) e operacional (dependente do ambiente) sendo satisfeitas mediante uma técnica de análise aplicada a todo o sistema produtivo.
Poderemos dizer que todos os dados relativos a uma área, à análise de planeamento62, sistema de instrumentos63, análise de controlo64 e sistema ambiental65,
61 Começa-se com os elementos mais vagos (o sujeito: tem em consideração o estilo e o mercado), analisa-se o terreno sobre o que se quer construir (o tratamento: reconhecimento da estrutura narrativa, características dos interpretes, género e tipo de público alvo e, finalmente, possibilidades de financiamento) e elabora-se um projecto final e definitivo (o argumento: definição da situação, das personagens e, também, a fiabilidade do projecto) (Biondi, vol. I, 2005: 69-70). Este faseamento permite, também, o controlo e verificação de eventuais falhas na estrutura narrativa e, a par com o planeamento, controla-se e verifica-se os custos e rendimentos previstos para aquele tipo de necessidades. Os dois componentes do planeamento, criativos e operacionais, desenvolvem-se de forma sincrónica e coerente.
62 Os dados relativos aos instrumentos (interpretação, fotografia, som, desenho e direcção) que temos à disposição que, juntamente com os relativos ao ambiente (linguísticos, tecnológicos, de realização, normativos, comerciais, etc.), compõem a base de fiabilidade do projecto. Isto não resultará se todos
influenciam e condicionam os elementos das outras áreas e as suas actividades (Biondi, vol. II, 2005: 11).
Todas as valorações e decisões estão dependentes destas operações e resultam nas operações que modificarão, se necessário, o projecto, dando início a um novo ciclo.
A capacidade de antecipar é capaz de ser a única regra constante na profissão de produtor.
A primeira acção, que preside a toda a fase de projecto e que resulta na capacidade de criar ou valorizar um projecto cinematográfico, é a leitura intensa de todos. O produtor convence-se que os elementos que constituem um projecto vão na direcção certa, mas tem de colocar a ‘lente da fiabilidade’ e preparar uma série de apontamentos sobre detalhes de estilo, de estrutura, que não o convencerem. Esta fase clarifica se o produtor e o autor querem mesmo realizar este projecto. É necessário ter sempre presente que um filme é um objecto de desejo de muitas pessoas (produtores, financiadores, realizadores, autores, etc.) que pretendem intervir, legitimamente ou não. Se, por algum acaso, essas ideias forem irreconciliáveis o melhor será adiar o projecto para outra ocasião (Biondi, vol. II, 2005: 12-3).
O projecto caracteriza-se por uma actividade de documentação e verificação. É necessário conhecer todos os detalhes sobre tudo o que diz respeito ao projecto que estamos a desenvolver. Esta é a única forma de conseguir uma narrativa coerente. Se deixarmos essa acção para a fase seguinte, para o planeamento, será muito mais difícil.
Pragmaticamente, para um produtor, a realização de um filme começa quando se
os dados não estiverem harmonizados.
63 O sistema de controlo instrumental depende dos dados recolhidos no anterior sistema, analisados, segundo perfil temporal e o modelo de produção, conferem mais hipóteses aos planos de trabalho, projecto executivo, etc. e muito úteis à sequência da produção.
64 No sistema de análise de controlo, estão dispostos todos os procedimentos necessários à gestão administrativa, ao controlo de gastos, à assinatura de contratos, os dados resultantes das estimativas financeiras e económicas do ponto anterior irão demonstrar o sucesso da gestão decorrente – assim voltamos ao primeiro sistema.
decide investir parte dos recursos económicos, perseverança e tempo para garantir a fiabilidade do projecto.
Se o produtor está convicto do projecto, deverá segurá-lo através da sua apresentação ao argumentista e realizador, que melhor o servirão. A opção do produtor implica aceitar várias realidades: depois de aceitar o projecto aceita, também, a capacidade profissional da equipa, quer seja escolha sua quer seja de outros.
Depois desta fase, de garantir a história e os principais colaboradores, inicia-se uma das fases mais importantes e interessantes, a da montagem financeira do projecto. Este é o momento de planificação (da sucessão de acções e dos respectivos recursos no espaço e no tempo) e de busca de financiamento - fases que estão interligadas, já que reflectem o levantamento realizado, de todas as necessidades e condicionamentos, da previsão de todas as condições respeitantes ao equilíbrio económico e à coerência estética. Os recursos são todas aquelas pessoas e todos meios financeiros envolvidos, distribuídos de acordo com o calendário (dividido em dias de trabalho) pelos locais de filmagem66 (interiores, exteriores, nos locais ou em estúdio) e produção.
O relatório de todas as informações necessárias à planificação e financiamento de um filme definirá as condições em que serão tomadas as futuras decisões, fundamentais à planificação e estratégia de produção (previsão de custos, composição da equipa, etc.). O estudo de fiabilidade, feito na fase de planeamento, é como um plano de vigilância e aqui importa sublinhar a importância do guião ou script, que contém todas informações que dizem respeito aos ambientes onde decorrem as cenas, às personagens, à natureza e qualidade das equipas artísticas. A verificação, organização e detalhe da sua relação com o argumento são o garante de que se está a respeitar o projecto encetado. Para a elaboração desta ferramenta há regras elementares a observar (Biondi, 2005: 41-2): escrever, em média, 45 linhas por página, com aproximadamente
66 Em praticamente todas as produções cinematográficas, as filmagens têm lugar nos espaços que melhor servem a realização, mas devem ser feitas, acima de tudo, em ambientes que se conhecem muito bem ou que se dominam através do um plano (prévio) de reconhecimento. Isto é, a partir de um plano, tanto quanto possível sigiloso, o director geral ou director de produção, de acordo com a informação recolhida, deve obter as licenças necessárias, ter em consideração as normas laborais aplicáveis nesse local, a meteorologia, os prestadores de serviços e infra-estruturas disponíveis (pessoal indiferenciado, técnicos especializados, alojamento, alimentação, transportes, meios/sistemas de comunicação, laboratórios, etc.). Esta visita deve ser realizada por aquele que cabalmente possa, face àquelas condições, tomar de imediato aquelas medidas necessárias.
85 caracteres por linha, em folha de formato A4, utilizando espaçamento simples e a fonte courier; de acordo com a norma (americana), a acção é descrita numa linha, com o diálogo e nome do personagem ao centro; sempre que se alteram as características do ambiente, introduz-se, de novo, o título da cena e os devidos detalhes; usar sempre uma definição do tempo passado entre uma cena e outra; detalhar, sempre que possível, o tipo de efeitos visuais ou especiais previstos. A atenção à norma, na prática, permite avaliar com relativa facilidade a duração de cada cena e quanto durará a fase de rodagem, respeitando estas regras podemos ter alguma garantia de que uma página é equivalente a quarenta e cinco segundos de filme.
Elaborado o guião podemos passar à fase de organização cronológica, o plano de filmagens (scheduling), com base na recolha de informação já feita e organizada em sucessão. Este documento reflecte as questões fundamentais da produção. As cenas são agrupadas segundo as suas localizações, ambientes e realçar as cenas que devemos gravar em determinado ambiente, prevendo, através do número de páginas e posterior montagem, quanto durarão nesse lugar e quais os elementos que devemos deslocar.
Organizar um plano de produção significa prever67 a duração de cada fase da
realização. O mais difícil e importante será a fase das filmagens, pelo seu peso na gestão financeira de um filme. A previsão pode ser sustentada por alguns standards de trabalho. Tanto a edição como a realização podem corresponder a critérios economicistas ou de organização, necessitando de ser constantemente controladas permitindo, assim, que alguma alteração possa ser introduzida, sem prejuízo dos aspectos criativo e produtivo. No plano de produção, entre o período de preparação e realização, existe uma relação proporcional entre o tempo necessário à preparação e àquele que decorrerá até à conclusão da realização.
«Nisso sou formal: é na relação entre aquilo que queremos exprimir e a escrita – repito, a escrita – que as coisas se passam. Tudo o resto são rectificações que fazemos durante a rodagem. […], e não rectificações em relação à realidade do filme, já que a realidade do filme são também os actores que temos à nossa frente. Repito: é necessário definir na nossa cabeça, com precisão, aquilo que queremos contar. […] o importante é apercebermo-nos a tempo para não sermos apanhados de surpresa. […] o que não me impede, por vezes, de ser surpreendido.» (Chabrol, 2010: 37)
A fase de planificação deve servir também para ter uma ideia, tão real quanto possível, da distribuição de tarefas compatíveis com o tipo, estilo e natureza do produto. Desse cruzamento de informação, da disponibilidade financeira, de recursos, de equipas teremos uma ideia sobre a viabilidade do projecto, do calendário de fiabilidade.
Seguindo uma lógica sequencial, esta é a altura de realizar o orçamento de despesa que, obedecendo a uma metodologia rigorosa, advém da prática corrente no sistema cinematográfico. Utilizando as ferramentas necessárias e com base na informação recolhida, podemos fazer o acompanhamento real dos custos e, a cada momento, esses reflectirão e condicionarão o decorrer da produção. A previsão de custos não é independente de outras técnicas de planificação, mas sim parte integrante e interligada.
Uma fase crucial para (garantir) o financiamento passa pelo pitching esta apresentação também se desenrola observando algumas regras: a apresentação do tema, dos personagens e do elenco, sinopse/story line, resumo, currículo dos intervenientes, documentação para a melhor visualização da ideia, plano de filmagens, previsão de custos, necessidades técnicas, plano de financiamento e imagem de marca, se possível. Para escolhermos a quem dirigir aquele pitching há que ter presentes todas as condições necessárias ao desenvolvimento do nosso projecto observando as tendências de mercado, os efeitos de uma má avaliação do projecto, a tipologia e desenvolvimento do mercado, a relação entre as condições necessárias e os instrumentos disponíveis.
A realização de um plano de financiamento, é, assim, uma avaliação de todos os meios materiais necessários. Quando, por exemplo, os custos médios (previstos) são superiores aos lucros (previstos), é fácil imaginar a dificuldade que um produtor vai encontrar para conseguir o financiamento de um filme. Esta fase é a menos previsível de todo o processo e aquela sobre a qual mais depende o projecto, a sua autonomia financeira e, por consequência, a artística. Quando aquela questão se verifica – o que acontece inumeras vezes no nosso país – a diferença é assumida pelo produtor que, ao assumir o risco, tenta, durante todo o processo, reduzí-lo. Uma das formas de reduzir este risco é garantir uma parte na distribuição, outra será garantindo os parceiros necessários com quem, obrigatoriamente, terá de partilhar a responsabilidade de tomar
decisões.
«Ao assumir o risco o produtor tenta encontrar, no processo, por exemplo na distribuição, os parceiros necessários e com quem terá, obrigatoriamente, que partilhar a responsabilidade de tomar decisões. Esta transferência, ou partilha, altera as relações de poder e afecta directamente o conteúdo produzido ou a produzir.» (Biondi, vol.II, 2005: 61)
Esta transferência (ou partilha) altera as relações de poder e afecta directamente a autonomia do projecto tendo de ser, tanto quanto possível, minimizada.
«A autonomia das obras de arte que, decerto, nunca existiu de forma integralmente pura e que foi sempre atravessada por uma constelação de efeitos, tende a ser suprimida pela indústria da cultura, com ou sem a vontade consciente das instâncias de decisão.» (Adorno, 2003: 98).
A autonomia do campo da produção restrita pode ser medida pelo poder de definir os seus próprios critérios de produção e avaliação dos produtos. Portanto, quanto mais produtores culturais formarem um campo legítimo menos sujeitos estão a factores externos, como os económicos, políticos e sociais (Bourdieu,1993: 41).
No funcionamento do mercado do sector audiovisual, a flutuação dos valores deve-se aos diversos canais de financiamento68 possíveis. Os pressupostos de
financiamento assentam, por exemplo, no número de espectadores esperados e na venda do produto em suportes que vão para além das salas de cinema.
A expressão do mercado encontra-se tanto na sua grandeza geográfica como demográfica, na fluidez possível de uma linguagem ou idioma homogéneos, na estabilidade nas trocas comerciais e na periodicidade da demanda e da oferta (Biondi, 2005: 63). Por exemplo, o mercado dos E.U.A. é muito amplo, homogéneo, discretamente fluido e com baixo índice de periodicidade. Na Europa, o incremento do
68 As fontes de financiamento podem classificar-se como directas e indirectas (Biondi, 2005: 59-64). Consideramos directas as fontes condicionadas por consórcios, co-produções, associações, etc. As indirectas são as que têm origem nos apoios governamentais, da união europeia, etc. O financiamento de um filme está reservado àqueles que vão ao encontro das estratégias de uma empresa de produção cinematográfica. Se forem encontrados os necessários pontos fortes em determinado projecto a possibilidade destes serem também reconhecidos por aqueles responsáveis pelo contrato de distribuição, co-produção, júris de concursos, entre outros, conferindo as bases para a materialização do financiamento.
sector televisivo influenciou a demanda de produtos audiovisuais69 (com algumas das
suas características) determinou o estado da produção cinematográfica, o gosto dominante e, previsivelmente, nos apoios do Estado a um projecto em detrimento de outro.
Para colocar um produto cinematográfico no mercado, é necessário clarificar algumas das suas características como sejam o género e público-alvo, dados que se entendem como fundamentais. O sucesso de financiamento de um projecto cinematográfico passa muito pelos factores que o distinguem: se o projecto é um filme de género ou experimental; se tem como objectivo a apresentação em sala, telefilme ou suportes de venda directa ao público; se tem manifesto interesse local, nacional ou internacional; se as componentes estilísticas e produtivas lhe conferem espectacularidade (os efeitos especiais ou exotismo dos ambientes) e conteúdo (como, por exemplo, as adaptações de obras famosas); e se tem um interesse particular ou pode encontrar outros mercados (caso das co-produções nacionais ou internacionais) (Biondi, 2005: 68). Com tantos factores – tantos quantos os parceiros - que determinam o seu plano operativo, quanto mais concreto for o projecto mais clareza e segurança trará a todos aqueles que o queiram realizar. A natureza dos produtos audiovisuais, da sua
69 Para Cádima, é inegável, hoje, que é a própria televisão que está a contribuir de forma clara para um certo crescimento da produção cinematográfica. «No que diz respeito à forma como o cinema passa na televisão poder-se-ia seguir a própria experiência portuguesa, sobretudo no plano quantitativo, com base nos estudos de audiências. Numa análise que fizemos durantes os meses de Outubro e Novembro de 1994, era visível que entre dois filmes como As Asas do Desejo, de Wim Wenders, e Crocodile Dundee II, as diferenças eram substantivas: 0,4 por cento de audiência média face aos 15,7 por cento do filme australiano. O filme de Wenders, que tem sido considerado um dos grandes filmes dos anos 80 era positivamente marginalizado pelo grande público da televisão, tendo sido um dos filmes com audiência mais baixa ao longo dos dois meses em análise. O perfil do telespectador típico das rubricas de cinema deixaria prever uma outra resposta à programação de cinema dos quatro canais