2.2. Bağımsız Türk Devletleri
2.2.2. Kuzey Kıbrıs Türk Cumhuriyeti
As relações familiares são entendidas a partir do que é mais primário e mais primitivo, se considerarmos que se referem basicamente à convivência humana dentro de um espaço delimitado.
No Direito Civil, a área que trata das relações familiares é o Direito de família e, em âmbito mais restrito, recorre-se à vara de família. Para entendermos melhor essa organização, apoiamo-nos em Lôbo (2008, p.31)
O direito de família é constituído essencialmente do que se qualifica como instituto jurídico, que são conjuntos de normas jurídicas aplicáveis estatutariamente a determinadas condutas, de modo permanente e continuo. Assim, são institutos jurídicos o casamento, o divórcio, o parentesco, a paternidade, a maternidade, a filiação, o regime de bens e os alimentos.
De acordo com o mesmo autor, antes da Constituição de 1988, a doutrina jurídica brasileira, amparada pelo Código Civil de 1916, organizava o conteúdo do Direito de família da seguinte forma: Direito matrimonial, Direito parental e Direito assistencial. Todas as questões e conflitos que buscavam resoluções na justiça eram tratados, desde que o matrimônio fosse o ponto de referência para todas as decisões no âmbito do Direito de família.
Segundo Pereira (2003), a Constituição de 1988 representa toda a transformação e fez uma revolução no Direito de família, a partir de três eixos básicos, referindo-se às várias formas nas quais a família pode ser estruturada: casamento, união estável e comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes (monoparental). Esses dispositivos normatizam uma noção de família que é coerente com a realidade que se mostra no limiar do terceiro milênio, tendo como característica a pluralidade e não mais a singularidade.
A Constituição do Estado social de 1988 foi a que mais interveio nas relações familiares e a que mais as libertou. Consumou-se a redução ou mesmo a eliminação, ao menos no plano jurídico, do elemento despótico existente no seio da família no Brasil.
O texto constitucional de 1988 apresenta um conceito mais abrangente de família, ao elaborar os arts. 226, 227 e 230, que alcançam as pessoas que se vinculam por laços de parentesco. Na opinião de alguns juristas, como Lôbo (2008), a Constituição de 1988 apresenta um dos mais avançados textos sobre as relações familiares, ao dedicar um capítulo que põe fim à desigualdade jurídica na família brasileira. Destacamos a questão da igualdade entre filhos de qualquer origem, seja biológica ou não biológica, matrimonial ou não.
Segundo Lôbo (2008, p.17), em decorrência das transformações ocorridas na legislação, atualmente o Direito de família abrange as seguintes matérias:
a) O Direito das entidades familiares, que diz respeito ao matrimônio e aos demais arranjos familiares, sem discriminação.
b) O Direito parental, relativo às situações e relações judiciais de paternidade, maternidade, filiação e parentesco.
c) O Direito patrimonial familiar, relativo aos regimes de bens entre os cônjuges e companheiros, ao Direito alimentar, à administração dos bens dos filhos e ao bem da família.
d) O Direito tutelar, relativo à guarda, à tutela e à curatela.
Podemos dizer que as transformações sofridas na legislação do Direito de família brasileiro estão diretamente vinculadas aos modelos e condições sociais, morais e religiosa de determinada época na sociedade. Lôbo (2008, p.20) apresenta, sob o ponto de vista do ordenamento jurídico, os períodos que demarcaram as mais significativas transformações, a saber: I – do Direito de família religioso, ou do Direito Canônico, que perdurou por quase quatrocentos anos, que abrange a Colônia e o Império (1500-1889), de predomínio do modelo patriarcal; II – do Direito de família Laico, instituído com o advento da República (1889) e que perdurou até a Constituição
de 1988, de redução progressiva do modelo patriarcal; III – do Direito de família igualitário e solidário, instituído pela Constituição de 1988.
No seio da família, conceituada no Código anterior a 1988, não se privilegiava a formação e a concretização da dignidade humana, pois os entes recebiam tratamento desigual perante o seu provedor. Eles não podiam se manifestar em relação a direitos e vontades, tudo era decidido pelo chefe. Somente nas últimas décadas do século XX é que esta situação se transformou com a elaboração de alguns documentos na legislação que confere, principalmente, à mulher uma emancipação em relação ao poder marital. Alguns fatores contribuíram para a decadência da família patriarcal e com o seu remodelamento. São eles: a emancipação feminina – econômica e social e a urbanização acelerada que ocorreu ao longo do século XX.
O Código Civil de 1916 trazia uma visão reduzida de família, unicamente estabelecida pelo vínculo do matrimônio. Ele não considerava e ainda discriminava as pessoas unidas fora do casamento e os filhos dessas relações, fazendo referência a eles apenas com a finalidade de regulamentar regras punitivas e de exclusão de direitos.
O estatuto da mulher casada (L. 4121/1962) foi uma das contribuições mais importantes para o rompimento da mulher com o estado de plena submissão ao qual se encontrava, dando-lhe liberdade para decidir e participar ativamente das decisões que diziam respeito a sua família.
A Constituição de 1988 trouxe a igualdade entre homem e mulher, a proteção do Estado às famílias constituídas pelo casamento estável e de forma monoparental, tendo influenciado diretamente, também, na inclusão e regulamentação de temas social e juridicamente relevantes no novo Código Civil (2002). Esses aspectos fizeram com que o Código Civil anterior (1916) perdesse o lugar de lei fundamental nas questões de família.
No entendimento de Dias (2009, p.36), tradicionalmente, o Direito das famílias foi identificado a partir de três grandes eixos temáticos:
a) Direito matrimonial: cuida do casamento, sua celebração, efeitos, anulação, regime de bens, além de sua dissolução, pela separação e divórcio;
c) Direito protetivo ou assistencial: inclui poder familiar, alimentos, tutela e curatela.
O novo Código Civil afasta a concepção antiga de que a mulher era apenas a colaboradora do marido na administração dos bens, na chefia da sociedade conjugal e no exercício do poder familiar. O que caracteriza, hoje, um núcleo familiar são as condições de afetividade, estabilidade e responsabilidade. Na sociedade atual, existe a liberdade para se constituir uma família conforme decisão das pessoas envolvidas na relação. As mais diversas formas de convívio passaram a ser aceitas no meio social.