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Kuyumculuk İşlemlerinde Ayar Hesaplamaları

BÖLÜM 3 : KUYUMCULUK SEKTÖRÜNDE MUHASEBE İŞLEMLERİ

3.1. Kuyumculuk İşlemlerinde Ayar Hesaplamaları

Observa-se que a maioria dos pais/cuidadores dessas famílias, juntamente com o entorno social proximal, eram capazes de responder às necessidades físicas e, em grande parte, às necessidades educativas e psicológicas das crianças. Algumas famílias apresentavam mais dificuldades, principalmente em relação às necessidades educativas ou psicológicas, mas verificava-se esforço e empenho dos pais.

• Capacidade de responder às necessidades físicas

Nessas famílias, verificou-se a capacidade parental juntamente com o entorno social proximal (principalmente a família estendida) de responder às necessidades físicas de suas crianças. Assim, os adultos que vinham ao encontro de suas necessidades, responsabilizavam- se por oferecer-lhes refeições regulares e nutritivas43, cuidavam da higiene (lavando as roupas, mantendo os quartos limpos, cuidando do banho das crianças), da saúde (não havia sinais de ferimentos ou doenças não tratadas, ao contrário, as famílias buscavam tratamento médico para sinais de doença como diarréia e deficiência de vitaminas), observavam-se cuidados em relação à supervisão/segurança (as crianças desse grupo nunca eram vistas na rua desacompanhadas de um adulto ou sem que o adulto soubesse onde elas estavam brincando; havia um adulto responsável em levá-las e buscá-las à escola). Os responsáveis também se mostraram capazes de proteger as crianças contra abusos de natureza sexual, como no caso das mães da Família H e da Família I, que notificaram episódios de abuso sexual que aconteciam ou aconteceram dentro da família44.

• Capacidade de resposta à maioria das necessidades educativas

No que diz respeito à capacidade dos cuidadores de responderem às necessidades educativas, verificou-se que estes eram capazes de responder a uma grande parte delas. Observou-se, contudo, que principalmente as necessidades relativas à socialização, atinentes ao comportamento social, e as relativas à escolarização, aprendizagens de conteúdo acadêmico, não eram respondidas satisfatoriamente/adequadamente, pois, apesar do empenho dos cuidadores, essas talvez requeressem serviços de apoio específicos que os ajudasse nesse domínio. Ainda, esses cuidadores mostravam dificuldades em relação à disciplina das crianças, por fazerem uso excessivo de punição corporal (Família M, Família L).

Por exemplo, os pais desse grupo eram capazes de responder a necessidades de educação se preocupando com a escolarização da criança, indo a reuniões escolares (ou mandando representantes, pois, na maioria das vezes, aconteciam no horário comercial quando os pais trabalhavam), tendo interesse pelos trabalhos escolares e notas da criança e cuidando do material escolar dos filhos. Eles também se preocupavam com a transmissão de

43 Algumas dessas crianças viviam em situação de pobreza, e provavelmente, não ingeriam a quantidade de

proteínas e vitaminas necessárias em suas casas (oferta de leite ou carne era limitada, por exemplo). Para muitas das crianças havia necessidade de complementar a alimentação de casa com aquela oferecida pela escola para responder a necessidade de nutrição.

44 O abuso sexual notificado pela genitora da Família I foi averiguado pelo Conselho Tutelar e confirmado

(houve prisão do abusador), enquanto que a notificação do abuso sexual vivido pela criança da Família H, não teve qualquer consequência. Ambos os abusos foram cometidos pelos padrastos das crianças. Como o casal continuava co-habitando, a criança continuava em risco.

valores morais (como honestidade, respeito ao próximo e atenção ao outro), corrigindo os filhos quando tinham sido mal-educados com irmãos ou amigos, ou quando tinham pego algo de um colega na escola. Nessas famílias, também se observava empenho dos cuidadores para prover as crianças estimulação, por meio de lazer (pequenos passeios, como visitar um parente em outra cidade, ir à praça quando tinha alguma atividade infantil, participando de festas juninas na escola, dando brinquedos, sendo que esses, na casa dessas famílias, ficavam à vista e eram utilizados pelas crianças).

No entanto, no que diz respeito às necessidades relativas à escolarização e educacionais em termos de comportamento social, pôde-se observar que a maioria das famílias apresentava dificuldades para lidar com as mesmas. Por exemplo, em relação às necessidades relativas às dificuldades de aprendizagem, mesmo valorizando o processo de escolarização das crianças, alguns desses pais apresentavam, eles próprios, dificuldades nesse aspecto (tinham dificuldades na escrita e leitura ou eram eles mesmos analfabetos (Cláudia da Família G, Marisa da Família J, Amanda da Família I, Dona Sebastiana da Família M), o que fazia com que se sentissem inseguros e não aptos a ajudar/estimular mais suas crianças nesse aspecto45.

Em relação às necessidades de socialização, pode-se dizer que a maioria dos cuidadores também não dispunha de muitas habilidades e técnicas de disciplina (usando frequentemente a punição corporal) e nem tinham acesso a informações/orientações quanto ao manejo do comportamento social infantil. Além disso, como foi apontado, esses pais não contavam com serviços de apoio específico46 disponíveis para ajudá-los a responder necessidades comportamentais e de aprendizagem dos filhos. Vale dizer que a maioria dos pais desse grupo, que tinham filhos com problemas de comportamento, procuravam ativamente a pesquisadora para solicitarem ajuda e, nesse sentido, esperavam e se organizavam para estarem disponíveis nas visitas domiciliares realizadas, contando eventos e pedindo orientações sobre disciplina e manejo das dificuldades escolares dos filhos (Família G, Família H, Família J, Família M).

45 Neste terceiro grupo, pôde-se observar que, em muitas famílias, o (a) filho(a) ou um primo(a) mais velho tinha

um papel nas respostas às necessidades das crianças. No entanto, diferentemente do primeiro grupo, não havia uma simples transferência de responsabilidades e sim uma dinâmica de cooperação. Dado o número de filhos ou a ausência de recursos de apoio, os cuidadores dependiam da ajuda dos filhos mais velhos, mas estavam sempre presentes por meio da demanda de tarefas a serem cumpridas e da supervisão das mesmas: “aqui, minha mãe é a

diretora, nós somos as professoras e o Marcelo é o aluno” (irmã mais velha de Marcelo, Família J).

46 Como já assinalado, existia uma única psicóloga infantil na cidade, que pertencia à saúde, e que tinha uma

• Capacidade de resposta a maioria das necessidades psicológicas

As famílias das crianças do terceiro grupo também apresentavam capacidade de responder, satisfatoriamente, a uma gama de necessidades psicológicas, mas algumas famílias falhavam em alguns aspectos. Os cuidadores dessas crianças (incluindo avós e tios, que também participavam ativamente dos cuidados dispensados às crianças) eram afetuosos e atenciosos com a criança, permitiam o contato físico (colo, abraços), mostravam-se sensíveis aos sentimentos manifestados (percebiam quando a criança estava triste ou muito feliz), nunca deixavam as crianças sozinhas e entregues a si próprias (solitárias), sabiam do que os filhos gostavam ou não, e conseguiam descrever a criança em suas particularidades: “muito manhosa... é a mais ciumenta das irmãs” (Cláudia da Família G), “(...) porque eu era inteligente como Laura quando eu era criança, eu tinha facilidade... Laura puxou para mim, tem muita facilidade...” (Isabela da Família H).

Particularmente, as famílias que se utilizavam de punição corporal, deixavam de responder a necessidades ligadas à estabilidade, proteção contra o medo, dor, desenvolvimento da auto-estima, auto-conceito.

Outra parte das necessidades psicológicas dessas crianças, ainda permanecia sem resposta, mesmo frente a tentativas feitas pela mãe, pai, membros da família extensa. Por exemplo, Laura da Família H era frequentemente testemunha de violência conjugal e, embora, se observa cuidados da genitora em protegê-la da situação, mandando sempre os filhos para a casa da avó quando as brigas começavam, ou chamando a polícia47 em alguns dos episódios, os filhos acabavam sempre testemunhando e vivendo o estresse associados a estas situações, mesmo se em algumas das vezes, não tivessem assistido diretamente uma situação de briga.

Outro exemplo é o de Renata da Família L, que vivia a instabilidade da mãe que, em certos períodos, era capaz de cuidar da filha, mas que em outros, não se sentia capaz, mandando-a para a casa do pai48. Kevin da Família M também parecia sofrer com o afastamento da figura materna, que reaparecia de tempos em tempos (pois havia perdido sua guarda devido a episódios de maus-tratos físico e negligência quando ainda era um bebê). Marcelo da Família J convivia com o alcoolismo do pai, o que fazia com que este fosse, frequentemente, uma figura “ausente” (pouco disponível) na vida dos filhos.

47 No que se refere às situações recorrentes de violência conjugal, pode-se dizer que as mães ou familiares das

crianças regularmente chamavam a polícia durante os episódios. Esta, por sua vez, não aparecia ou quando aparecia não tomava qualquer atitude. Pode-se dizer que a ineficácia da polícia colaborava ativamente para a continuidade de exposição à violência conjugal pelas crianças. Frente a essa situação, os responsáveis se tornavam completamente impotentes.

48 Como já foi assinalado, Renata da Família L, foi morar com o pai no final do período de pesquisa, uma vez

que sua mãe não estava se sentindo capaz de cuidar da filha. A mãe relatou, que por outras duas vezes, precisou da ajuda dos avós de Renata ou do pai para ficarem com a criança “por uns tempos”. Durante esses períodos, a mãe, no entanto, matinha contato com a filha por telefone, indo visitá-la nos finais de semana.

Dessa forma, pode-se dizer que, embora as famílias tentassem responder às necessidades psicológicas de suas crianças, havia muitas adversidades nos seus contextos de vida (alguns deles bastante crônicos e estáveis), que faziam com que essas crianças sempre tivessem necessidades emocionais não respondidas. A falta de resposta a essas necessidades parecia impactar o desenvolvimento das mesmas, como demonstrado no Quadro 10, acima.

MECANISMOS DE PRODUÇÃO

1- Relação Família - Entorno Social

Dada à maior participação do entorno social proximal nas respostas às necessidades das crianças desse grupo, pode-se dizer que a relação dos cuidadores dessas famílias com o entorno social era mais sólida que nos dois primeiros grupos. Embora em algumas das famílias, os cuidadores principais percebessem pouco apoio social, pôde-se observar que, na prática, elas contavam com mais apoio social do que as mães dos outros dois grupos. Essas genitoras eram mais satisfeitas com o local onde moravam e também tinham relações mais harmoniosas (ausência de conflitos), com freqüentação de amigos, vizinhança e parentes. Nessas também se observada a existência de relação entre a família e representantes de algumas instituições sociais.

• Presença de apoio social

O terceiro grupo de famílias foi aquele que percebia maior apoio social em comparação com os outros dois grupos (média de 60 pontos, variando de 90 pontos (Família G) a 22 pontos (Família I, que habitava isolada na zona rural e distante da família extensa), segundo os resultados do QAS.

É preciso, no entanto, informar que, mesmo com uma média maior que a dos outros grupos, as genitoras que responderam ao instrumento indicaram perceber o apoio disponível como pequeno. Para a maioria das dimensões avaliadas, elas responderam que “raramente” ou que “às vezes” tinham o apoio de que precisavam. De fato, a maioria das genitoras do terceiro grupo (como também do primeiro e segundo) não podiam contar com a pessoa que tinha a responsabilidade de mais ajudá-las e que poderia mais apoiá-las: o pai ou o padrasto das crianças, pesando-se nas famílias com essa configuração. Isso talvez justifique a percepção de pouco apoio social experienciado por essas genitoras49.

49 Com exceção da Família G, cujo padrasto participava ativamente no cuidado cotidiano das crianças e era uma

fonte de apoio à mãe, os pais ou padrastos das outras famílias eram figuras ausentes, que não apoiavam as companheiras e nem compartilhavam as tarefas relativas aos cuidados das crianças (alguns contribuíam exclusivamente com a parte financeira, outros nem isso).