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Em conformidade com as diretrizes nacionais para o campo educacional na década de 1990, os Estados e Municípios elaborariam seus planos locais de educação, privilegiando a descentralização nos seus aspectos administrativos, financeiros e pedagógicos nas unidades escolares.

Particularmente no Rio Grande do Norte, as orientações explicitadas no Plano Decenal de Educação para Todos estão expressas no Plano Estadual de Educação Básica (1994 - 2003), que, apesar de enfrentar problemas de ordem estrutural, se compromete com o alcance das metas nacionais.

Nesse sentido, o plano assinala que:

Universalizar o ensino é oferecer uma educação básica universal, gratuita e

de boa qualidade que abranja da educação pré-escolar ao ensino médio, constituindo-se uma prioridade pela qual se alcançará a igualdade de oportunidades com qualidade. Propõe-se um projeto que permita ultrapassar os baixos níveis de desempenho e ampliar as condições de permanência do aluno na escola (RIO GRANDE DO NORTE, 1994, p.13-14).

O processo de modernização do planejamento e da gestão do ensino ganha ênfase no Plano Estadual. Quanto a esse item, afirma:

O processo de gestão educacional tem se caracterizado por uma forte concentração da administração central super dimensionada. Rever esse modelo de gestão torna-se imperioso, considerando que não responde na ponta do sistema a um produto de qualidade, além de pesar enormemente nos orçamentos públicos. A modernização da administração educacional, ampliando a autonomia da escola e fortalecendo a sua gestão, constitui prioridade no Plano Decenal (RIO GRANDE DO NORTE, 1994, p. 23-24).

Coerente com a estratégia de modernização, o Plano apresenta como seus principais objetivos:

Resgatar um planejamento educacional capaz de mobilizar as forças sociais para desencadear um processo de valorização da escola; e garantir a autonomia das unidades escolares de forma a permitir sua interação com o meio social de modo que sua prática reflita as aspirações da população (RIO GRANDE DO NORTE, 1994, p. 24).

Na busca por alcançar esses objetivos, a Secretaria de Educação do Estado viabilizou algumas metas como “garantia de autonomia administrativa, financeira e pedagógica às unidades escolares” (RIO GRANDE DO NORTE, 1994, p. 24). Dentre elas, uma atenção especial deve ser dada ao item que trata do “Gerenciamento/Democratização”, que prevê “a criação de conselhos de escolas com representação de pais, alunos, educadores e funcionários das unidades de ensino, tendo em vista a gestão coletiva da escola” (RIO GRANDE DO NORTE, 1994, p. 25).

E nas Estratégias de Ação reforça: “Criar conselhos de escolas nas principais unidades escolares das zonas urbanas e rurais dos municípios; Garantir a participação da comunidade na gestão do sistema educacional

(RIO GRANDE DO NORTE, 1994, p.26).

Em atendimento às orientações consubstanciadas no Plano Estadual de Educação Básica (1994-2003) são criados os Conselhos de Escolas com a denominação Conselhos Diretores. Eles são instituídos nos termos do Decreto de n.º 12.508 de 13 de fevereiro de 1995, como uma contribuição ao processo de construção da gestão colegiada na escola pública.

Segundo o Decreto (parágrafo único), “os Conselhos Diretores têm por finalidade assegurar a efetiva participação da comunidade no processo educacional e possibilitar o aprimoramento das ações desenvolvidas pelas instituições escolares” (RIO GRANDE DO NORTE, 1995a, p. 2). Dentre as suas atribuições, o Artigo 3º, Inciso V, acrescenta: “Participar do processo de avaliação do funcionamento da unidade escolar [...]”. E não esquece da contribuição que tem o Conselho para a sociedade, quando no Artigo 4º expressa: “A participação dos Membros dos Conselhos Diretores será desenvolvida em caráter de

profícua colaboração com o Estado e considerada de relevante serviço à sociedade” (RIO GRANDE DO NORTE, 1995a, p. 3).

A apresentação da proposta de regimento interno do Conselho Diretor, a ser implementado por cada unidade escolar, explicita a conscientização de que não será um decreto, nem tampouco um modelo de regimento que irá despertar entre os que fazem a escola, a consciência de sua importância, mas que esta “deverá ser fruto de um amplo processo de construção coletiva a ser instalado no interior da escola, como a participação imprescindível dos pais e da comunidade, de um modo geral” (RIO GRANDE DO NORTE, 1996, p. 5).

Como finalidades básicas, o Artigo 2º, Inciso I do referido regimento, explicita: “Zelar pelo cumprimento da gestão democrática da escola enquanto princípio geral aqui firmado e método de todas as suas ações, assegurando a plena participação de toda a coletividade nas questões decisivas e essenciais ao seu funcionamento”. Quanto as suas competências (Art.3º) prescreve: “Subsidiar a escola na administração de conflitos e na busca de alternativas que garantam o exercício de uma prática pedagógica democrática e, portanto, de qualidade; Deliberar sobre questões relativas à estrutura e funcionamento da escola” (RIO GRANDE DO NORTE, 1996, p. 8).

Um outro ponto que merece atenção é o que diz respeito a coordenação do Conselho

pela sua diretoria, que é composta pelo presidente e um suplente, pois cabe a ele zelar pela

gestão democrática do Conselho Diretor.

Tendo em vista o caráter deliberativo sobre questões relativas à estrutura e

funcionamento da escola, tanto nos aspectos pedagógicos quanto financeiros, o Conselho

Diretor tem um importante papel no andamento da instituição, uma vez que, de acordo com o

Decreto, deverá ser constituído por 11 (onze) membros titulares e 11 (onze) suplentes assim

03 suplentes de pais de alunos, 02 representantes titulares e 02 suplentes da comunidade, 01

representante titular e um suplente do corpo discente e o diretor da escola que é membro nato.

As representações de docentes, de pais e de discentes deverão ser eleitas por seus pares. O da

comunidade deve ser indicado por representantes de organizações comunitárias existente na

comunidade em que a escola está inserida.

A partir da criação dos Conselhos Diretores nas escolas públicas do Rio Grande do

Norte, originou-se um processo que poderia se constituir na democratização das relações da

escola, conforme as orientações, contidas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

Com relação aos parâmetros apontados por Antunes (2001), o Conselho Diretor,

como está delineado, se aproxima das experiências vivenciadas em outros Estados brasileiros,

tanto no que concerne à natureza desses conselhos – deliberativa, normativa e fiscalizadora –

quanto no que se refere às suas atribuições fundamentais que se constituem principalmente na

elaboração do seu regimento interno. A composição dos Conselhos Diretores também

expressa a paridade de representantes na sua constituição.

As normas para o funcionamento do Conselho Diretor, a forma como se deve

proceder na escolha dos seus membros e os critérios de participação também estão em

conformidade com os descritos pela autora. O que contraria suas indicações é o fato de que,

de acordo com a Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte, o presidente do Conselho

Diretor poderá ser qualquer membro eleito, exceto o diretor da escola.

Nesses parâmetros citados, pode-se observar que, nas normas e orientações, o

Conselho Diretor como o organismo responsável pela autonomia administrativa no Rio

Grande do Norte não se distancia de propostas dos conselhos de outros Estados, todavia pode

3 CONSELHO DE ESCOLA: OS DELINEAMENTOS POSSÍVEIS NA REALIDADE

Benzer Belgeler