2.5.1 Discussão sobre ICMS, alíquotas, bases de incidência e critérios estaduais
Nos últimos 20 anos, Pernambuco vinha perdendo a competitividade para atração de investimentos, em relação aos estados da Bahia, Ceará e Paraíba, em que pese a sua melhor localização estratégica, devido aos incentivos fiscais e políticas compensatórias adotados pelos referidos Estados. Preferencialmente, ao invés de uma política de ajuste fiscal, os Estados optaram por uma política de incentivo ao investimento e à geração de emprego. Os benefícios fiscais e creditícios são concedidos de forma generalizada e têm produzido concorrência predatória entre os entes federativos, contribuindo para agravar a crise financeira em que se encontram e aumentando ainda mais a disparidade, em termos de desenvolvimento sustentável, com relação às demais regiões do país.
A ênfase na concessão de benefícios fiscais via renúncia ao ICMS e/ou crédito presumido de um percentual do valor devido, tem minimizado a importância de características locais para a localização de projetos, economias de aglomeração, formação e qualidade da mão-de-obra etc., e intensificado a guerra entre os Estados. Isso reclama um maior ordenamento das concessões fiscais e creditícias, visando recompor a capacidade de arrecadação das unidades da federação, com vistas ao saneamento de suas finanças.
2.5.2 Os incentivos fiscais nas principais economias do Nordeste
Como comparativo com os estímulos ofertados pelo Estado de Pernambuco, busca-se conhecer como se processa a concessão dos incentivos fiscais nos estados do Ceará e da Bahia, analisando a legislação pertinente e o fluxo burocrático do encaminhamento dos pleitos, identificando quais os prazos para a obtenção dos benefícios e sob que forma eles são obtidos, uma vez que podem ser concedidas reduções de alíquotas ou mesmo de base de cálculo/incidência. Caberá ainda observar se há algum tipo de diferimento dos impostos devidos e também se o Estado concede ou não benefícios setoriais mais amplos para cadeias produtivas específicas, compatíveis com a vocação natural da região e a concessão de incentivos ainda mais
diferenciados para as regiões mais inóspitas, como o Sertão, por exemplo, buscando evitar o agravamento dos bolsões de pobreza nas regiões metropolitanas das grandes cidades, estimulando a manutenção da população economicamente ativa em seus domicílios ou até mesmo na zona rural.
Torna-se importante conhecer também as alíquotas fixadas em cada um dos Estados, comparando-as com aquelas ofertadas por Pernambuco, comparando-se os prazos de fruição concedidos, bem como a existência de mudanças de critérios ao longo do período de utilização, atentando para a possibilidade de renovação dos benefícios, findo o período de vigência inicialmente acordado ou estabelecido por lei.
Fundamental também é observar, sob a ótica das empresas, quais os benefícios que efetivamente contribuíram e, mais do que isso, foram decisivos para a definição quanto à localização de suas respectivas plantas industriais, uma vez que alguns incentivos são aparentemente interessantes, sob a ótica do Estado, mas não representam ganhos significativos para as empresas, em relação à manutenção do seu poder de competitividade, sobretudo quando o fator determinante para a sua permanência no mercado está mais atrelado ao preço.
2.5.2.1 Incentivos Fiscais no Ceará
O Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico (Cede), criado pela Lei 13.875, de 7 de fevereiro de 2007, é o órgão da Administração Direta que tem como missão deliberar sobre a política de desenvolvimento do estado do Ceará. Entre suas atribuições, destacam-se as competências para: i) formular diretrizes estratégicas, operacionais e definir prioridades para a política de desenvolvimento do Estado; ii) definir, aprovar e acompanhar programas setoriais inerentes ao desenvolvimento econômico do Estado, bem como os programas de investimentos no setor de indústria, comércio, turismo e agronegócios de médio e grande portes; iii) opinar quanto à execução de projetos de infra-estrutura com reflexos na atividade produtiva do Estado, incluindo a possibilidade de formatação de parcerias público-privadas; iv) definir prioridades e critérios para concessão, alteração, prorrogação e extinção de incentivos fiscais, financeiros ou tributários do Estado, assim como avaliar e monitorar a política estadual de incentivos; v)
promover a interiorização de políticas públicas voltadas à indústria, comércio e serviços; vi) acompanhar acontecimentos macroeconômicos nacionais e internacionais e seus reflexos na economia estadual; vii) participar, por meio de seu presidente, de reuniões de órgãos semelhantes em âmbito regional e nacional.
A Política de Desenvolvimento Econômico do Ceará em conjunto com investimentos em infra-estrutura abrangendo estradas, disponibilidade de gás natural, portos, ampliação de aeroportos, distritos industriais e pólo metal-mecânico, tem como objetivo viabilizar a atração/instalação de médios e grandes empreendimentos industrias.
No Estado do Ceará, a Política de Atração de Indústrias tem como principio básico a concessão de incentivos fiscais, por meio de diferimento do ICMS gerado pela atividade industrial. Os valores desses incentivos, prazo e o retorno, são calculados mediante análise dos valores de investimentos, empregos gerados, setores e cadeias produtivas, demanda de matérias- primas produzidas no Estado, localização geográfica e responsabilidade social.
O valor do incentivo tem como limite mínimo 25% e limite máximo 75% do ICMS a ser recolhido, com prazo de carência de 36 (trinta e seis) meses e retorno variável e de acordo com a pontuação atribuída ao projeto, com limite mínimo de 10% e máximo de 25%, corrigidos pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). O prazo global do benefício será concedido de acordo com a pontuação atribuída ao projeto, sendo de no mínimo cinco (cinco) anos e no máximo 10 (dez) anos.
Outros Incentivos Fiscais Previstos no âmbito do ICMS, que poderão ser concedidos pelo Estado: i) diferimento de ICMS, incidente nas aquisições de máquinas, equipamentos e estruturas metálicas para compor o ativo permanente da sociedade empresarial, adquiridas no exterior ou em outros Estados; ii) diferimento do ICMS incidente nas aquisições no exterior do País de matéria-prima e insumos para utilização no processo industrial; iii) o Governo do Estado também poderá, em parcerias com as instituições de formação profissional, como Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT/Sine), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas (Sebrae), Senai, escolas técnicas estaduais (Centec e CVT) e federais, apoiar o treinamento para a formação de mão-de-obra básica.
Os principais gêneros industriais do estado do Ceará são os seguintes: i) produtos alimentícios - 17,06%; couros e calçados - 13,64%; vestuário e artefatos de tecidos - 11,09%; metal-mecânica - 10,02%; químico, farmacêutico e veterinária - 7,46%; têxtil - 7,46%; material plástico - 6,18%; mineral não metálico 5,76%; madeira e imobiliário - 4,05%; papel e celulose - 3,62%; bebidas - 2,77%; energia elétrica - 2,77%; eletroeletrônico e comunicação - 2,13%; outros - 5,99%.
2.5.2.2 Incentivos Fiscais na Bahia
O Governo do Estado tem trabalhado fortemente nas três vertentes da competitividade: inovação tecnológica, preparação de mão-de-obra, investimentos em infraestrutura e incentivos fiscais, razão pela qual vem ampliando seu parque industrial e gerando emprego e renda para a sua população por meio dos seus programas de desenvolvimento sócio-econômico, quais sejam: i) Desenvolve - Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia que prevê: dilatação de prazo de até 72 (setenta e dois) meses para o pagamento de até 90% do saldo devedor mensal do ICMS; desconto de até 90% do ICMS dilatado pela liquidação antecipada da parcela; prazo de até 12 doze anos; juros anuais máximos equivalentes a TJLP. ii) Bahiaplast - Programa Estadual de Desenvolvimento da Indústria de Transformação Plástica, com os seguintes benefícios: crédito presumido do ICMS nas saídas de termoplásticos fabricados no Estado: de 41% nas operações para o próprio Estado (carga tributária final de 10%); 50% nas operações para outros Estados (carga tributária final de 6%); e 70% para outros Estados, de projetos relevantes para a matriz industrial da Bahia (carga tributária final de 3,6%); diferimento do ICMS nas operações de saída dos produtos fabricados pelas indústrias de segunda para terceira gerações e na importação de máquinas, equipamentos, ferramental, moldes e modelos adquiridos por essas indústrias; infra-estrutura, terrenos nos distritos e centros industriais a preços simbólicos, com infra-estrutura completa na porta da fábrica; bônus de 3%, garantidos pelas empresas do Pólo Petroquímico de Camaçari, sobre as compras de matérias-primas para as indústrias de Transformação Plástica do Estado; iii) Informática - Programa de Informática,
Eletrônica e Telecomunicações: diferimento no lançamento do ICMS para a saída do produto, na importação de componentes, partes e peças para fabricação de produtos de informática, eletrônica e telecomunicação para empresas situadas no Distrito Industrial de Ilhéus; crédito fiscal de 100% do ICMS destacado na venda do produto; crédito fiscal de 5% do ICMS para estabelecimentos comerciais, na saída interna desses produtos; redução de carga tributária para 7% do ICMS nas operações de saída para hardwares e softwares. iv) Diferimento do ICMS na importação de bens para o ativo - Desoneração do ICMS: na importação de máquinas, equipamentos, implementos e bens do ativo fixo para projetos industriais e agropecuários. v) Crédito Presumido de ICMS: nas saídas de veículos automotores, bicicletas e triciclos, inclusive seus componentes - 75% do imposto incidente, nos cinco primeiros anos, e até 37,5% do sexto ao décimo ano; calçados, seus insumos e componentes, bolsas, cintos e artigos de malharia - até 99% durante o período de até vinte anos; móveis - 90% durante o período de até 15 anos; preservativos - 70% nos primeiros dez anos de produção; processamento, conservação e fabricação de conservas de peixes e crustáceos - 90% nos primeiros dez anos de produção; artigos sanitários de cerâmica - até 85% nos primeiros 10 (dez) anos de produção; fiação, tecelagem e confecção - 90% nos primeiros 15 anos de produção; azulejos e pisos - até 85% nos primeiros dez anos de produção, desde que fabricados ou montados neste Estado a partir de 25/01/97; diferimento no lançamento e pagamento do ICMS pelo recebimento do exterior, no momento em que ocorrer a saída do estabelecimento importador e nas operações de recebimento do exterior, efetuadas por estabelecimentos industriais do setor de fiação e fabricação de tecidos. vi) Agroindústria: polpas, sucos, néctares e concentrados de frutas: crédito presumido de até 70% do ICMS devido. vii) Programa de Empreendimentos Turísticos: financiamento de obras civis, instalações, máquinas e equipamentos, transportes turísticos, marinhos ou rodoviários, equipamentos utilizados para a prática de esportes e lazer, comércio de artesanato e arte, terminais marítimos de pequeno porte: até 70% do investimento para ampliação ou reforma; e até 60% para implantação de hotéis e restaurantes.
Além dos incentivos fiscais oferecidos pelo estado da Bahia, o investidor pode, também, beneficiar-se de incentivos federais como os oferecidos pela Sudene, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e outros estabelecimentos de âmbito federal.
Outro programa de incentivo fiscal ofertado pelo governo baiano é o Programa Especial de Incentivo ao Setor Automotivo da Bahia (Proauto), que foi instituído pela Lei nº 7.537, de 28 de outubro de 1999. O Programa tem por finalidade estimular a implantação e o desenvolvimento de empreendimentos industriais do setor automotivo, mediante a concessão de incentivos fiscais, mas contempla, também, a concessão de financiamentos bancários, de longo prazo e para capital de giro, com encargos subsidiados.
O Proauto foi elaborado com base nas negociações desenvolvidas com a montadora Ford e prevê a concessão de incentivos a fabricantes de veículos que se comprometam, isoladamente ou em conjunto com seus fornecedores, a realizar investimentos superiores a R$ 800 milhões no Estado. Em linhas gerais, o programa contém todas as garantias dadas pelo Governo da Bahia à Ford, cujo empreendimento previa um investimento da ordem de US$ 1,2 bilhão.
Os benefícios são extensivos aos fornecedores de autopeças e aos sistemistas, com exceção dos financiamentos para capital de giro, destinados apenas às montadoras e que prevê limite de até 12% do faturamento bruto dos produtos tributados comercializados no Estado, durante 15 anos, com carência de até 10 anos e prazo de 12 anos para amortização. Além disto, poderão ser concedidos também financiamentos para investimentos fixos e despesas relativas à implantação do empreendimento, pelo prazo máximo de 15 anos, com carência de cinco (5) anos a partir da liberação de cada parcela e pagamento em até 120 prestações mensais, com juros de 6% ao ano, sem atualização monetária, ainda assim capitalizáveis durante a carência.
O Proauto ainda prevê autorização para o governo realizar obras de infra-estrutura para atender aos projetos e assegura uma série de benefícios na área de ICMS, que podem ser resumidos pela concessão de diferimento do imposto que seria pago por fornecedores e sistemistas, e crédito presumido de até 100% do imposto incidente nas operações do produto final.
Para lastrear os incentivos concedidos sob a forma de financiamento, o Governo da Bahia criou também, com a mesma Lei nº 7.537, o Fundo de Desenvolvimento Social e Econômico
(Fundese), administrado pela Agência de Fomento do Estado da Bahia S/A (Desenbahia) e regulamentado pelo Decreto nº 7.798/00, com efeitos a partir de 06/05/2000.
2.5.2.3 Incentivos Fiscais em Pernambuco
A Lei nº 10.649, de 25/11/1991 instituiu o Fundo Cresce Pernambuco, com o objetivo de apoiar e incrementar o desenvolvimento industrial do Estado. O órgão gestor do fundo foi o Banco do Estado de Pernambuco S.A (Bandepe), ficando atribuída ao Conselho Estadual de Política Industrial, Comercial e de Serviços (Condic) a competência para deliberar sobre os pleitos de concessão de incentivos com recursos do fundo. Os recursos desse fundo tinham as seguintes finalidades:
I – Financiamento:
a) destinação: investimento fixo ou capital de giro, ou ambos, cumulativamente; b) prazo de fruição do financiamento: 8 (oito) anos, com desembolsos mensais;
c) prazo de contrato: 10 (dez) anos, sendo 2 (dois) anos de carência e 8 (oito) anos para reembolso do financiamento, devendo as parcelas ser amortizadas mensalmente;
d) limite do valor a ser financiado, valor equivalente aos seguintes percentuais do ICMS, de responsabilidade direta do contribuinte, devido pelas saídas, recolhido em cada período fiscal.
II – Aquisição de terrenos e execução de obras de infra-estrutura e de instalações, objetivando a implantação.
O Estado de Pernambuco criou, em 22/12/1995 (Lei nº 11.288), o seu programa de incentivos fiscais, denominado Prodepe, com a finalidade de fomentar o desenvolvimento industrial, especialmente em relação aos setores considerados relevantes e prioritários para a economia do Estado, mediante a concessão de financiamento. Para a consecução desse financiamento ficou instituído o Fundo Prodepe 1, a ser gerido pelo Bandepe.
A Lei nº 11.675, de 11/10/1999, consolida e altera o Prodepe 1, criando o que se convencionou chamar de Prodepe 2. O Programa tem a finalidade de atrair e fomentar
investimentos na atividade industrial e no comércio atacadista de Pernambuco (Importador e Central de Distribuição) mediante a concessão de incentivos fiscais e financeiros - Crédito Presumido. O propósito seria o de adotar uma política compensatória capaz de atrair um número maior de indústrias, sejam brasileiras ou internacionais, na crença de que a atividade industrial é, juntamente com o agronegócio, na maioria dos países, a principal responsável pelo crescimento exponencial da economia, não só pela geração de emprego que propicia, mas, sobretudo, pelo intercâmbio e adoção de novas tecnologias, como também pela intensificação de outras atividades periféricas que proporciona, seja nos campos da pesquisa, desenvolvimento e inovação ou mesmo nas atividades comerciais e de prestação de serviços.
É com esse propósito que há a necessidade de se prospectar as políticas de incentivos fiscais desenhadas e utilizadas por cada um dos principais concorrentes, para se evitar que todos os benefícios concedidos, visando à atração das grandes indústrias e os investimentos públicos, acabem migrando para os Estados vizinhos: cearenses, paraibanos e baianos, em detrimento da população pernambucana.
Seria importante também, conhecer as expectativas das empresas em relação a outros incentivos possíveis, embora a sua adoção venha a depender também de estudos internos a serem desenvolvidos em cada Estado, observando-se sua real capacidade de abdicar de potenciais receitas, em detrimento de uma maior eficiência na gestão da máquina pública. No entanto, esse assunto, em especial, não é objeto de estudo e muito menos faz parte do escopo deste trabalho. Um estudo mais aprofundado dessas questões poderia revelar, ainda, que parte das empresas em algum Estado instaladas também optou pelo Estado em função de algum tipo especial de incentivo fiscal concedido ou de incentivo não fiscal.
Hoje a atual estrutura (Lei nº 13.280/2007), destina-se a atrair novos investimentos e manter em seu território aqueles já existentes. O Prodepe compreende um conjunto de incentivos fiscais, direcionados para alguns setores da atividade econômica, entre os quais se destacam o industrial, a central de distribuição e o importador atacadista, com a seguinte classificação: I) Estímulo à Atividade Industrial – os Setores Prioritários são: Agroindústria (exceto sucroalcooleira); Metal-mecânico e Material de Transporte; Eletro-eletrônico; Minerais não-
metálicos (exceto cimento e cerâmica vermelha); Têxtil; Plástico; Bebidas e Móveis. Os incentivos são: prazo de 12 (doze) anos, podendo ser renovado por igual período; crédito presumido de 75% do imposto devido. Para os empreendimentos localizados fora da RMR há a concessão de crédito presumido de até 95% do imposto devido. O mesmo vale para o caso de empreendimentos automobilísticos ou farmacoquímicos, considerados agrupamentos industriais especiais. II) Estímulo à Atividade Relevante - para os demais setores, chamados de relevantes: prazo de 8 (oito) anos; crédito presumido de até 47,5% do saldo devedor; ampliação do incentivo para empreendimentos localizados fora da RMR através da concessão de crédito presumido de até 47,5% do imposto devido independente da similaridade pelo prazo de 8 (oito) anos. III) Estímulo à Central de Distribuição (CD) – a) na saída do produto: crédito presumido do recolhimento do imposto correspondente a 3% do valor das saídas interestaduais, por 15 (quinze) anos; b) na entrada do produto: crédito presumido de 3% do valor das transferências de produtos de estabelecimento industrial localizado em outra unidade da Federação, por 15 (quinze) anos. A CD não possui incentivos para as vendas internas. IV) Estímulo ao Comércio Importador – Os incentivos são: a) prazo de 7 (sete) anos; b) diferimento do ICMS incidente na importação; c) crédito presumido, na saída subseqüente nos percentuais de: 3,5% do valor da importação, quando a alíquota for inferior ou igual a 7%; 6% do valor da importação, quando a alíquota for superior a 7% e inferior ou igual a 12%; 8% do valor da importação, quando a alíquota for superior a 12% e inferior ou igual a 17 %; 10% do valor da importação, quando a alíquota for superior a 17%. d) Nas operações interestaduais, crédito presumido correspondente a 47,5% do imposto apurado sobre as saídas.
2.5.2.3.1 – Condições para concessão do incentivo fiscal em Pernambuco
Os incentivos fiscais, no estado de Pernambuco, são concedidos por meio de decreto do Poder Executivo, publicado no Diário Oficial do Estado (DOE), específico para cada empresa e com início de contagem do prazo de fruição a partir do primeiro dia do mês imediatamente subseqüente ao da publicação do Decreto.
Para obtenção do benefício, as empresas devem elaborar projetos específicos, onde apresentam em detalhes os números do empreendimento, tais como produtos a serem elaborados,
faturamento previsto, quantidades e unidades produzidas, localização geográfica do investimento e também a previsão de empregos a serem gerados. O projeto deve ser apresentado em três vias, na Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), que devolverá uma via sob protocolo, reterá outra via para análise e encaminhará a terceira via para apreciação pela equipe técnica da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz).
As equipes técnicas da AD Diper e da Sefaz realizam análises distintas dos projetos, com ênfase nos méritos sócio-econômicos e no enquadramento legal. Na Sefaz é também observada a questão da isonomia, uma vez que a concessão de determinados incentivos pode resultar em direito a ser reivindicado pelas empresas já instaladas no Estado, implicando redução no volume de arrecadação de impostos. A política de incentivos fiscais adotada em Pernambuco não permite a geração de saldos credores de ICMS, tampouco que alguma empresa venha a obter redução dos valores que já vêm recolhendo aos cofres do Estado.
Após as análises individualizadas das equipes da Sefaz e da AD Diper, é realizada a reunião do Comitê Diretor do Prodepe, que é um órgão colegiado que precede, em sua análise, ao Condic. É no Comitê Diretor que são discutidas as eventuais divergências entre as equipes de análise, para que o Comitê decida pelo encaminhamento ou não do pleito ao Condic. O grupo tem a coordenação do secretário de Desenvolvimento Econômico e conta com a participação dos secretários da Fazenda; Ciência, Tecnologia e Meio-Ambiente; além de representantes da AD Diper e da própria Sefaz.
É importante frisar que, em que pese serem analisados os méritos sócio-econômicos dos projetos, a quantidade de empregos a serem gerados não é determinante na concessão do benefício. Independentemente do porte da empresa ou da quantidade de empregos que poderá