1. KIVRILMIŞ ÇAYLARI KURUTMAYA (FIRINA) ALMA
2.1. Kurutmada Dikkat Edilecek Hususlar
Assim que a Convenção de Nova Iorque começou a vigorar no Brasil (a
partir de 2002), e em decorrência do dispositivo previsto no artigo III
78do
referido diploma legal, alguns doutrinadores
79interpretaram que era
dispensada a homologação de sentenças arbitrais estrangeiras no país, visto
que não se poderia impor condições substancialmente mais onerosas ou taxas
e cobranças mais altas do que as impostas para o reconhecimento ou a
execução de sentenças arbitrais domésticas. Dessa forma, tais doutrinadores
entenderam que os laudos arbitrais estrangeiros teriam o mesmo tratamento
das sentenças arbitrais nacionais.
A interpretação, segundo esse dispositivo legal, é de que a Convenção
de Nova Iorque
80tivesse abolido a necessidade de homologação, devendo as
sentenças estrangeiras serem diretamente acolhidas pelo Judiciário como se
fossem nacionais.
Além disso, é preciso considerar que a própria Lei de Arbitragem
esclarece sua posição subsidiária em relação aos tratados internacionais
(art.34, caput
81), de modo que, se de fato a Convenção de Nova Iorque
78
Artigo III. Cada Estado signatário reconhecerá as sentenças como obrigatórias e as executará em conformidade com as regras de procedimento do território no qual a sentença é invocada, de acordo com as condições estabelecidas nos artigos que se seguem. Para fins de reconhecimento ou de execução das sentenças arbitrais às quais a presente Convenção se aplica, não serão impostas condições substancialmente mais onerosas ou taxas ou cobranças mais altas do que as impostas para o reconhecimento ou a execução de sentenças arbitrais domésticas. (BRASIL. Decreto nº 4.311, de 23 de julho de 2002 – promulga a Convenção sobre o reconhecimento e a execução de sentenças arbitrais estrangeiras. Disponível em:
< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4311.htm > .Acesso em: 18 set. 2015 ). 79
José Carlos de Magalhães, José Cretella Neto e Irineu Strenger. 80
Um detalhe importante em relação a Convenção de Nova Iorque é que como o Brasil não insistiu na reserva de reciprocidade, os efeitos da referida Convenção são estendidos a todas as sentenças arbitrais estrangeiras, e não só àquelas dos signatários do acordo. Ou seja, acolhida a tese da execução direta, esta não se limita aos casos dos vários países que ratificaram a referida Convenção. (JUNQUEIRA, Gabriel Herscovici. Sentenças Arbitrais Estrangeiras: Homologar, Naturalizar ou Executar? Revista Brasileira de Arbitragem, São Paulo, v. 40, p. 19-54, 2014.
81
Art. 34. A sentença arbitral estrangeira será reconhecida ou executada no Brasil de conformidade com os tratados internacionais com eficácia no ordenamento interno e, na sua ausência, estritamente de acordo com os termos desta Lei. Parágrafo único. Considera-se sentença arbitral estrangeira a que tenha sido proferida fora do território nacional. (BRASIL. Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996 – dispõe sobre a
dispensa a homologação, os dispositivos pertinentes à homologação da Lei
n°9.307/1996 ficam sem efeito, por ser lei interna submissa à externa, nesse
caso. E nesse sentido, o novo Código de Processo Civil também deixou clara a
sua posição subsidiária, para que, se existir tratado ou lei que trate, de forma
específica, a execução de sentença estrangeira, tal regra será utilizada.
Convém mencionar, ainda, a existência de discussão constitucional
acerca da teoria da execução direta relacionada à entrada, em vigor, no Brasil,
da Convenção de Nova Iorque. Caso se observe a posição adotada pelo
Supremo Tribunal Federal no histórico RE 80.004, de 1977(RTJ83/809-848), o
último entendimento da mais alta corte na matéria de hierarquia entre leis
internacionais e internas é que (com exceção das normas do Código Tributário
Nacional), as primeiras, após serem incorporadas ao nosso ordenamento, têm
status de lei ordinária e, por isso, cedem aos ditames constitucionais segundo a
regra de lex superior derogat legi inferior, de modo que qualquer requisito
constitucional não pode sofrer derrogação por tratado posteriormente
incorporado.
Nessa linha de pensamento, Pontes de Miranda
82defendia a corrente
monista internacionalista, a qual afirmava que, havendo conflito entre normas
de Direito Internacional e normas de Direito Interno, o ato internacional iria
prevalecer sobre a norma interna que lhe fosse contrária. Não há, portanto,
duas ordens jurídicas coordenadas, mas sim uma relação de subordinação do
Direito interno ao Direito Internacional, que lhe é superior. Paulo Borba
Casella
83, estudioso tanto da arbitragem quanto do direito internacional público,
posiciona-se em favor da supremacia dos tratados. Vale lembrar que a
Convenção de Viena sobre o direito dos tratados dispõe, em seu artigo 27, que
arbitragem. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9307.htm> .Acesso em: 18 set. 2015).
82
A ordem jurídica estatal não é absoluta nem suprema; se há soberania no sentido de poder supremo tal poder encontra-se na comunidade supra-estatal. A soberania dos Estados está reduzida ao poder de organizar a ordem jurídica e de atuar no branco deixado pelo Direito supra-estatal segundo Pontes de Miranda. (PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Comentários à Constituição de 1967. Tomo I. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1967, p. 208-209).
83
CASELLA, Paulo Borba. Ratificação pelo Brasil da Convenção de Nova Iorque de 1958 - Internacionalização do Direito e relações entre o Direito Internacional e Direito Interno. In:WALD, Arnoldo; LEMES, Selma Ferreira(Coord.) Arbitragem Comercial Internacional. São Paulo. Saraiva, 2011, p.30.
"uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para
justificar o inadimplemento de um tratado".
Ainda, nesse sentido, João Bosco Lee preconizou:
"sendo a Convenção de Nova Iorque de 1958 um texto internacional que trata de maneira específica do reconhecimento e execução da sentença arbitral estrangeira, em razão desse dispositivo legal esta Convenção prevalece sobre o direito interno. Destarte, a homologação de sentença arbitral estrangeira deve ser realizada pelos dispositivos da Convenção de Nova Iorque".84