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Kurutma Yapılacak Ham maddede Aranan Özellikler

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2. KURUTMA

2.8. Kurutma Yapılacak Ham maddede Aranan Özellikler

Os  artigos  de  Vygotsky  (1926/2003;  1932/2003)  sobre  afetividade,  ou  emoções como ele nomeia, utilizados neste trabalho, referem‐se ao período inicial  de  seus  estudos,  portanto,  o  pesquisador  ainda  apresenta  significativa  influência  dos reflexologistas. Vygotsky começou a escrever um longo artigo sobre o tema de  1931 a 1933, relacionando emoções com as idéias de Spinoza, mas esse artigo nunca  foi  concluído;  parte  dele  encontra‐se  publicado  nas  Obras  Escogidas,  Vol.  VI20 

(Blanck, 2003).  

Filósofos  como  Descartes  e  Kant  defenderam  a  dicotomia  entre  emoção  e  razão;  o  racionalista  René  Descartes  (1596‐1650),  ao  afirmar  “Cogito,  ergo  sum”  categorizou a consciência em um nível acima das emoções; e Immanuel Kant (1724‐ 1804)  colocou  a  ciência  versus  a  fé,  ao  afirmar  que  Deus  e  alma  são  coisas  impossíveis de serem provadas, colocando assim, a razão acima da subjetividade.  Contrariando os pensadores dualistas, e embasado nos pressupostos monistas de 

20Existem versões em inglês e espanhol, mas, infelizmente não tive acesso, dada a dificuldade de encontrar

qualquer uma das versões do Tomo VI. A versão original dessa monografia apresenta os seguintes títulos: 1)A teoria das emoções à luz da psicologia contemporânea: pesquisas histórico-psicológicas; 2) Spinoza; e 3) Ensaios de psicologia: o problema das emoções (Cf. Blanck, 2003).

Spinoza,  Vygotsky  concebe  a  emoção  e  os  componentes  mentais  de  maneira  unificada e dialética. 

Assim, o pesquisador russo utiliza o termo emoções e sentimentos como se  representassem  a  mesma  coisa,  e  dá  a  eles  uma  dimensão  que  engloba  afetos,  paixões,  sentimentos,  entre  outros.  Aparentemente,  a  única  diferenciação  que  o  autor apresenta corresponde à emoção como mais ligada ao biológico e sentimento  mais ligado a uma emoção socializada, pertencente à cultura (Cf. Blank, 2003). 

Os  estudos  sobre  emoções  de  Vygotsky  (1926/2003)  partem  de  uma  reelaboração,  discussão  e  contraposição  aos  estudos  do  psicólogo  William  James  (1842/1910) e do médico e fisiologista Carl George Lange (1860/1939), sendo que a  pesquisa  desses  autores  ficou  conhecida  como  “Teoria  das  emoções  de  James‐ Lange21”. 

A  partir  das  discussões  de  James‐Lange,  Vygotsky  oferece  uma  discussão  das  emoções  voltando  sua  atenção  para  as  mudanças  físicas  e  corporais  que  as  emoções despertam no homem. Vygotsky concorda com a afirmação de James de  que as emoções despertam três momentos do sentimento: percepção do objeto que a  desencadeia, um sentimento e as expressões corporais ou mímicas desse sentimento.  Os  estudos  de  James‐Lange  revelaram  que,  ao  contrário  do  que  pode  parecer,  a  ordem  e  sucessão  desses  sentimentos  não  é  a  apresentada  acima,  e  sim:  (1)  percepção (2) mímica (3) sentimento. Essa indicação corresponderia a dizer que o  sentimento  é  posterior  às  mudanças  físicas  e  posturais,  primeiro  sente‐se  fisicamente  a  emoção  para  depois  percebê‐la.  Vygotsky  (1926/2003)  concorda  e  acrescenta que o que é considerado causa, é na verdade, conseqüência. O autor usa  um exemplo de James para comprovar sua colocação: 

 

[...] façam um experimento: quando se levantarem pela manhã, adotem  uma  expressão  melancólica,  falem  com  voz  abafada,  não  levantem  os  olhos, suspirem freqüentemente, curvem a coluna e o pescoço, em uma  palavra,  assumam  todas  as  características  da  tristeza  e,  à  tarde,  serão  invadidos  por  tal  melancolia  que  não  saberão  onde  se  esconder  (Vygotsky, 1926/2003:114).  

21A teoria de James-Lange propõe, em linhas gerais, que a emoção é uma alteração fisiológica provocada por

estímulos do ambiente, transmitida pela percepção sensorial, por exemplo: o homem percebe a ameaça de um animal e reage com manifestações físicas (neurovegetativas: suor, salivação, e outras) e como conseqüência desenvolve o medo (sentimento).

Henry Wallon (1879 –1962), pesquisador nascido na França, com formação  em medicina e filosofia, também desenvolveu estudos envolvendo a afetividade e  a construção do sujeito. O pesquisador francês dirigiu sua pesquisa para a relação  entre afetividade e as mudanças tônico‐posturais.  Na teoria de Wallon (1995) a afetividade ocupa lugar central, tanto do ponto  de vista da construção da pessoa quanto do conhecimento. Sua teoria emocional  tem  raiz  Darwinista,  é  entendida  como  um  “instrumento”  de  sobrevivência  da  espécie humana, que se caracteriza pela escassez da prole e o prolongado período  de dependência do bebê humano22 aos adultos da espécie. 

Assim, a origem mais arcaica das emoções é orgânica: raiva, medo, alegria  são emoções fundamentais e inatas, consideradas orgânicas e fugazes, diferem do  sentimento  que  é  duradouro,  permanente  e  menos  orgânico,  mais  psíquico.  Emoção e sentimento dão origem à afetividade. Segundo Wallon (1995), o bebê não  tem controle sobre suas emoções, o que funciona como forma de comunicação com  o adulto é a “comunicação afetiva” (por exemplo, o choro do bebê que mobiliza o  adulto);  com  o  amadurecimento  do  córtex  a  possibilidade  de  controle  emocional  aumenta, variando segundo a educação recebida.  

Desse  modo,  o  autor  estabelece  a  relação  entre  afetividade  e  postura  corporal,  e  afirma  que  há  uma  relação  de  reciprocidade  entre  emoção  e  movimento,  pois  emoções  como  medo,  por  exemplo,  provocam  a  perda  do  equilíbrio  corporal,  por  misturarem  o  conhecido  com  o  desconhecido.  Wallon  (1995)  coloca  a  hipotonia  ‐  relaxamento  muscular  e,  hipertonia  ‐  estiramento  e  o  encurtamento  do  músculo,  como  reações  musculares  desencadeadas  pelas  emoções.  Para  o  pesquisador  francês,  as  emoções  levam  a  alterações  orgânicas  e  abaixam o desempenho intelectual, a atividade reflexiva, por outro lado, tende a  dissipar  a  emoção.  O  ambiente  exerce  forte  influência  sobre  as  emoções,  essa  relação é discutida pelo autor como “contágio emocional” e equivale a dizer que  ambientes  nervosos  e  tensos  geram  estado  de  excitação  maior  nas  crianças  (Cf,  Galvão, 1995). 

Pode‐se  perceber  que  essas  pesquisas  coincidem  com  os  estudos  de  Vygotsky (1926/2003) sobre as reações físicas e emoções. Para o pesquisador russo, 

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as  emoções  provocam  mudanças  físicas  como: aumento  da circulação sanguínea,  aumento do fluxo respiratório e mudanças nas secreções internas (salivação, suor,  lacrimejação). Nas palavras de Vygotsky (1932/2003:90) “Se retirarmos mentalmente  de uma emoção de terror o tremor, o encolhimento de pernas, a paralisação do coração,  etc., veremos que da emoção não resta nada”.   

Mais  uma  vez  Vygotsky  (1926/2003)  esclarece  que  as  emoções  devem  ser  compreendidas  como  uma  reação  do  organismo  nos  momentos  críticos  ou  catastróficos, como a tríade medo – tremor – correr é uma resposta, uma reação. A  educação  das  emoções  corresponderia  a  promover  nas  crianças  a  capacidade  de  controlar  melhor  as  emoções  e  utilizá‐las  em  favor  próprio,  utilizando  os  sentimentos  de  forma  integrada  ao  pensamento,  concebendo  os  dois  no  mesmo  nível de importância. 

Mais  do  que  integradas,  as  emoções,  para  o  pesquisador  russo,  são  parte  ativa  na  configuração  de  todos  os  componentes  mentais  e  estão  intimamente  ligadas à aprendizagem. Portanto, a afetividade para Vygotsky (1926/2003) é vista  como motivação; em diversos trabalhos o autor apresenta essa perspectiva, como  demonstrado nos exemplos a seguir: “Cada frase, cada conversa é antecedida do  surgimento  do  motivo  da  fala:  por  que  eu  falo,  de  que  fonte  de  motivações  e  necessidades afetivas alimenta‐se essa atividade” (Vygotsky, 1934/2001:315). “Por  isso,  se  desejarem  [professores]  provocar  no  aluno  as  formas  necessárias  de  comportamento,  sempre  devem  se  preocupar  com  que  essas  reações  provoquem  uma marca emocional neles” (Vygotsky, 1926/2003:121). 

Assim,  a  idéia  que  Vygotsky  (1926/2003)  defende  para  a  utilização  das  emoções  em contextos  educacionais  refere‐se  a  provocar  na  criança  uma  emoção  ligada  aos  novos  conhecimentos.  E  mais,  utilizar  sentimentos  como  curiosidade,  interesse, assombro, entre outros, a favor da aprendizagem de modo a criar uma  marca emocional nas crianças.  

Segundo  Clot  (2004),  devido  ao  fato  das  emoções  se  constituírem  como  fenômeno  fundamental  da  natureza  humana,  Vygotsky  (1924/2003;  1932/2003)  preocupa‐se  com  esse  fator  e  o  relaciona  com  a  cognição.  Ainda  de  acordo  com  Clot  (2004),  considerar  as  emoções  e  os  conflitos  em  uma  psicologia  é  pouco  habitual,  mas  Vygotsky  o  faz,  creditando  grande  valor  a  esse  componente,  mostrando, de forma dialética, que a psicologia não compreende somente a cabeça 

(aspecto cognitivo), mas também o corpo e as emoções. Essa concepção integradora  do  homem  é  fundamental  nas  questões  relacionadas  ao  currículo  de  educação  infantil, pois é exatamente esse entendimento que se espera sobre a criança. 

Do mesmo modo que a emoção recebe destaque nos estudos de Vygotsky e  relaciona‐se  com  seu  desenvolvimento,  também  a  imitação  e  a  brincadeira  são  importantes  aspectos  do  desenvolvimento  infantil.  Portanto,  a  seguir,  discuto  a  brincadeira e a imitação. 

Para  iniciar  é  essencial  definir  a  palavra  ‘brincar.  Esse  termo  compreende  uma  infinidade  de  conceitos  e  atividades,  confundindo‐se,  inclusive,  com  os  brinquedos.  Neste  trabalho  utilizo  brincar  em  duas  perspectivas:  1)  como  brincadeiras  livres  de  faz‐de‐conta,  apreciada  pelas  crianças  mais  novas,  geralmente envolvendo a criação de uma situação imaginária; e 2) como jogo, na  maioria dos casos realizado pelas crianças mais velhas, que têm como característica  as regras explícitas (cf.Newman & Holzman, 2002). 

A  brincadeira  é  um  dos  componentes  do  desenvolvimento  infantil.  Vygotsky (1930/2003) rejeita as concepções de sua época que determinam 1)brincar  está associado ao prazer (outras atividades dão prazer à criança e nem sempre a  brincadeira  é  prazerosa);  2)  satisfaz  desejos não  realizados;  3)  é  simbólica  e;  4)  é  governada  por  regras.  Vygotsky  (1930/1998)  aceita  somente  as  duas  últimas  características que determinam que o brincar é governado por regras e é simbólico,  e afirma que “brincar não é o aspecto predominante da infância, mas é um fator  primordial  no  desenvolvimento”  e  vai  além,  ao  afirmar  que  a  característica  definidora do brincar é a “criação de uma situação imaginária” (op. cit.:133).  

Dessa  forma,  Vygotsky  (1930/2001)  defende  que  a  brincadeira  é  uma  reprodução da situação real, e reflete mais a memória de uma situação vivida do  que  a  criação  de  uma  situação  nova.  O  propósito  que  define  a  brincadeira  determina  as  atitudes  que  a  criança  adota.  Para  completar,  toda  situação  imaginária  é  regida  por  regras,  que  podem  ser  mais  ou  menos  rígidas,  o  que  conseqüentemente  determinaria  maior  ou  menor  concentração  da  criança.  Segundo  o  autor  a  situação  imaginária  vivenciada  pela  criança  favorece  o  desenvolvimento do pensamento abstrato. 

Assim, para o pesquisador russo, as regras e a imaginação estão ligadas. A  criação de uma situação imaginária domina a atividade da criança, bem como em 

todo jogo de regras há uma situação imaginária. A evolução do brincar acontece na  direção  das  regras,  ou  seja,  o  brincar  que  começa  com  ênfase  na  situação  imaginária  às  claras  e  regras  ocultas,  progride  no  sentido  inverso,  rumo  ao  predomínio  das  regras  às  claras  e  situação  imaginária  oculta.    Para  ilustrar  essa  afirmação, o melhor exemplo para a primeira colocação é a brincadeira de faz‐de‐ conta, as  regras  são  implícitas, e  correspondem  à distribuição  dos papéis (papai,  mamãe, professora) e a situação imaginária é explícita; para a segunda colocação,  um jogo do tipo ‘War’ com regras explícitas e a uma situação imaginária implícita,  em que cada jogador assume o papel de conquistador do mundo.  Portanto, a imaginação é um componente tipicamente humano de atividade  consciente, não está presente em crianças muito pequenas e não existe nos animais,  e como todas as funções da consciência surgem originalmente da ação, Vygotsky  (1930/2003:123) afirma que ”podemos dizer que a imaginação, nos adolescentes e  na criança em idade pré escolar, é o brinquedo sem ação”.  Entretanto, na vida real  a ação domina o significado e na brincadeira o significado domina a ação, desse  modo, na brincadeira a criança avança no seu desenvolvimento.  

Assim,  a  brincadeira  cria  uma  ZPD  na  medida  que  em  possibilita  que  a  criança se comporte acima do seu comportamento habitual.  Vygotsky (1930/2003)  afirma que, por meio da brincadeira, a criança liberta‐se da realidade, e ao mesmo  tempo se aproxima da realidade sob o ponto de vista dialético história/sociedade,  dito  de  outro  modo,  ao  interpretar  papéis  a  criança  afasta‐se  da  sua  realidade  infantil  e  aproxima‐se  da  realidade  adulta.  O  adulto  atua  seu  papel  social  e  a  criança desempenha os diferentes papéis por meio da brincadeira. 

No entanto, de acordo com o pesquisador, essa é uma liberdade ilusória, ao  brincar  a  criança  afasta‐se  das  coerções  situacionais,  mas  enfrenta  as  coerções  impostas pela própria brincadeira. O autor aponta o seguinte paradoxo: a criança  enfrenta o conflito de agir contra o impulso imediato, pois, paradoxalmente, tem  que  lidar  com  as  regras  do  jogo  e  o  desejo  de  agir  espontaneamente;  o  autor  exemplifica  com  uma  situação  em  que  a  criança  tem  que  reprimir  o  desejo  de  comer um doce que na brincadeira representa algo não comestível, tudo indica que  a criança subordina‐se às regras da brincadeira e reprime sua ação espontânea. 

A  mediação  é  um  importante  componente  da  brincadeira,  inicialmente  a  criança necessita do objeto para entrar no mundo do faz‐de‐conta, ou seja, o cabo 

de  vassoura  desencadeia  a  brincadeira  de  cavalinho,  o  telefoninho  de  plástico  inicia  a  conversa  imaginária  entre  a  mamãe  e  a  filhinha,  posteriormente,  com  a  evolução da brincadeira, um simples lápis pode se transformar em um telefone, ou  em um microfone e em infinitos objetos que a imaginação da criança projetar. “Por  um lado, a criança extrai significados de objetos e, por outro, funde ações reais e  objetos reais” (Vygotsky, 1930/2003: 132).  

Outro  componente  importante  da  brincadeira  refere‐se  ao  fato  dela  proporcionar a experimentação do mundo externo dos diferentes papéis que são  internalizados,  os  componentes  intrapessoais  são  internalizados  e  reconstruídos  pelas  crianças  de  forma  interpessoal.  A  imitação  tem  papel  fundamental  nesse  processo, já que é por meio dela que a criança vai amadurecendo as suas funções;  pela imitação do adulto a criança vai experimentando funções de um nível mais  elevado até transformá‐las em desenvolvimento real. Vygotsky (1930/2003) afirma  que a aprendizagem só é possível onde é possível a imitação, a criança não imita o  que não se encontra em seu nível de desenvolvimento proximal. 

Na  brincadeira  a  criança  não  está  atuando  e  sim  representando  (ou  desempenhando) um papel, como discutem Newman & Holzman (2002). Por esse  motivo  elas  não  reproduzem  fielmente  os  personagens  que  representam,  pois  os  adultos  não  estão  atuando,  eles  simplesmente  são  os  adultos  que  povoam  o  imaginário  infantil.  Por  isso  muitas  vezes  as  crianças  representam  seus  pais  ou  professores  de  forma  diversa,  pois  a  criança  reúne  elementos  do  seu  ambiente  social e cria sua atividade criativa e produtiva.  

 

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