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1. Aşama Susuzlaştırma Kavramlarının Ön Değerlendirmesi 2 Aşama Maliyet Ön Değerlendirmes

2.7. Kurutma Periyodu

O objetivo, nesta seção, é apresentar e analisar os dados produzidos em entrevistas e observações, com amparo na literatura pertinente à área. Nesta seção, retomamos aspectos legais acerca da Educação Infantil no Brasil e damos ênfase às contribuições das ações investigativas realizadas na pesquisa bibliográfica e na de campo, identificando aspectos da especificidade que há no trabalho com bebês. No seio das discussões empreendidas, estão questões sobre a formação inicial e a continuada de professores. A tessitura das proposições seguintes ampara-se nos ideários da Teoria Histórico-Cultural buscando contribuições de autores seguidores dessa teoria e de outros contemporâneos.

3.1 Especificidades da docência na Educação Infantil: Aspectos legais

Ao longo das últimas décadas, a Educação Infantil vem conquistando seu espaço na área acadêmica e também como objeto de políticas públicas no Brasil, em particular com relação aos aspectos legais concernentes aos direitos sociais das crianças. Como asseveram Filho e Nunes (2013, p. 68-69), “[...] o atendimento da criança de zero a seis anos ficou historicamente vinculado às ações dos ministérios: da Saúde, da Previdência e da Assistência, mas não foi assumido integralmente por nenhum deles, pois não constituiu dever do estado até 1988 [...]”. Ainda segundo esses autores, é na década de 1980 que a sociedade começa a colocar a criança e sua educação na pauta de reivindicações. Essa década foi, assim, de suma importância para a história da Educação Infantil brasileira, especialmente com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil (FILHO; NUNES, 2013).

A Constituição de 1988 traz, no artigo 208, inciso IV, que um dos deveres do estado com a educação é a garantia de “IV- educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade [...]”19 (BRASIL, 2006c). Em uma retrospectiva histórica, é possível localizar que, após a Constituição de 1988, outros documentos sobre os direitos da criança e sobre a Educação Infantil começam a surgir. Alguns exemplos podem ser destacados: o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (BRASIL, 1990) que vem para garantir os direitos das crianças e dos adolescentes e reafirmar

19 Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006 (BRASIL, 2006c) que altera a idade que faz referência à Educação Infantil, passando de 0 (zero) a 6 (seis) para 0 (zero) a 5 (cinco) anos de idade.

o direito à educação20; os Critérios para um Atendimento em Creches que Respeite os

Direitos Fundamentais das Crianças (CAMPOS; ROSEMBERG, 2009), documento publicado pela primeira vez em 1995; a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (BRASIL, 1996), na qual a Educação Infantil aparece, pela primeira vez, como parte da Educação Básica21; os Referenciais Curriculares

Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 1998), publicados em 1998, em três volumes (Introdução; Formação Pessoal e Social; e Conhecimento de Mundo); os Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil - volumes 1 e 2 – publicados em 2006, cujo objetivo é “estabelecer padrões de referência orientadores para o sistema educacional no que se refere à organização e funcionamento das instituições de Educação Infantil” (BRASIL, 2006a, v. 1, p. 8); a Política Nacional de Educação Infantil: pelo direito das crianças de zero a seis anos à educação (BRASIL, 2006b), documento elaborado em 2006 que contém diretrizes, objetivos, metas e estratégias para a área; e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, publicada pela primeira vez em 1999 e revogada pela Resolução CNE/CEB n.º 5, de 17 de dezembro de 2009 (BRASIL, 2009b) que juntamente com o seu parecer (nº 20/2009 de 11 de novembro de 2009) são, hoje, documentos de relevância para a área da Educação Infantil com indicações atuais e pertinentes, além de serem documentos legais de caráter mandatório para as instituições de Educação Infantil.

Em 2013, houve mais uma conquista no âmbito da Educação Infantil: a lei nº 12.796, de 04 de abril de 2013 (BRASIL, 2013), altera a LDB e torna obrigatória a educação dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos. Como é possível notar, em seu art. 6º, “é dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos 04 (quatro) anos de idade” (BRASIL, 2013). Lembrando que, como afirma Arantes (2009, p. 30),

[...] o direito à educação infantil, essencialmente é um direito da criança. [...] mesmo que os pais ou responsáveis não exerçam trabalho remunerado [...], caso optem pelo exercício do direito, a criança deve ter garantido seu acesso aos equipamentos de educação infantil (creches e pré-escolas).

O art. 26 da referida lei também recebeu alterações, incluindo a Educação Infantil ao abordar o currículo:

Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada,

20 Artigo 53 e 54 do Capítulo IV – “Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer” (BRASIL, 1990). 21 Inciso I do art. 21. “A educação escolar compõe-se de: I - educação básica, formada pela educação infantil,

exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos. (BRASIL, 2013).

Cabe ressaltar que a mudança na faixa etária da Educação Infantil traz consequências para a educação das crianças, uma vez que provoca uma antecipação da escolaridade e um encurtamento da infância. O que consideramos uma contradição, pois, ao mesmo tempo que as conquistas acontecem em forma de leis, as próprias leis trazem retrocessos, como é o caso da diminuição do tempo da criança na Educação Infantil.

A esse respeito, Angotti (2008, p. 30) alerta que:

A aceitação da proposta de Educação Infantil atendendo até os 5 anos de idade e do Ensino Fundamental constituído de nove séries marca o início do desmanche dos pequenos passos percorridos no sentido da estruturação da Educação Infantil e de sua finalidade traçada em letra de Lei.

Silva e Drumond (2012, p. 52) também trazem contribuições a respeito dessa mudança:

A aprovação do ensino de nove anos (lei nº 11.114 de 2005) causa-nos imensa preocupação em virtude do processo de escolarização a que as crianças vêm sendo submetidas ao ingressarem cada vez mais cedo no ensino fundamental. Aumentar em mais um ano a experiência escolar sem alterar as condições objetivas da escola (CORREA, 2010) pode significar antecipação da exclusão e do fracasso escolar que as crianças, principalmente as mais pobres, vêm sofrendo.

Essa realidade de exclusão e fracasso escolar já é algo que está presente nas escolas, e isso acontece porque são oferecidas para as crianças pequenas e pequenininhas propostas educativas que não são específicas para a faixa etária da Educação Infantil, como, por exemplo, o ensino de letras e números, ou a utilização de apostilas conteudistas. Há uma cobrança expressiva e quase desmedida para que a criança pequena aprenda a todo custo conteúdos dirigidos a um pretenso sucesso a ser alcançado em níveis posteriores da escolaridade, não ocasionalmente deflagrando o fracasso e a exclusão escolar tão presentes nas escolas atuais.

Puentes (2013, p. 174) traz contribuições do autor Zaporozhets, o qual tem discussões muito atuais sobre o assunto, expondo que este autor “[...] defendeu a ideia de prolongar o período do início da etapa escolar para os sete anos, ao considerar que a extensão da infância era a maior conquista da civilização humana”. Essa afirmativa de Zaporozhets vem confirmar a defesa acerca de os trabalhos em escolas dedicadas à infância basearem sua proposta pedagógica nas especificidades da Educação Infantil, que envolve, por exemplo, conhecer sobre as regularidades do desenvolvimento da criança, suas formas de aprender, de se

relacionar com o mundo. Com base nisso, a criança é cuidada e educada com a perspectiva de que seus direitos fundamentais e socialmente legitimados sejam, de fato, garantidos. Para nós, isso exige que a infância seja preservada e ampliada, em lugar de ser, cada vez mais, diminuída e esvaziada de seu sentido e de seu significado.

Os documentos supracitados e as pesquisas realizadas nessa área da Educação confirmam como é recente o olhar para a Educação Infantil como objeto de estudo. Ao fazer uma breve retomada histórica sobre as políticas que dizem respeito à Educação Infantil, Lucas (2009, p. 85) sintetiza:

[...] se quiséssemos resumir a história da educação infantil brasileira contemporânea em apenas uma sentença, enfatizando os seus fins, diríamos que se trata do movimento em busca da superação das funções assistencialista e preparatória em direção a uma educação infantil de cunho pedagógico, voltada para o desenvolvimento integral da criança e pautada na indissociabilidade dos atos de cuidar e educar.

O parecer CNE/CEB nº 20, de 11 de novembro de 2009, inclui reflexões sobre a Educação Infantil, sobretudo no tocante à questão histórica e também atual que vive a Educação Infantil:

Frente a todas essas transformações, a Educação Infantil vive um intenso processo de revisão de concepções sobre a educação de crianças em espaços coletivos, e de seleção e fortalecimento de práticas pedagógicas mediadoras de aprendizagens e do desenvolvimento das crianças. Em especial, têm se mostrado prioritárias as discussões sobre como orientar o trabalho junto às crianças de até três anos em creches e como garantir práticas junto às crianças de quatro e cinco anos que se articulem, mas não antecipem processos do Ensino Fundamental. (BRASIL, 2009a, p. 2).

Essa breve retomada de alguns aspectos legais contribui para a afirmativa de que, do ponto de vista das políticas públicas e leis brasileiras, apesar de alguns retrocessos no que diz respeito à antecipação da escolaridade, houve grandes evoluções, em especial nos últimos anos, e a Educação Infantil aparece bem amparada. Há, pois, a exigência de pôr em prática o que as regulamentações e diretrizes legais, principalmente o que expõem as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 2009b). Tal pressuposto vai ao encontro da proposição de Arantes (2009, p. 32):

Colocada a educação infantil na legislação e com o processo de construção do consenso quanto à sua importância, neste momento histórico, parece que os grandes desafios em relação à educação infantil consistem na luta para sua efetiva concretização e para seu alargamento.

Ao pensarmos nas questões legais ora apresentadas, passamos a discutir, ao longo do texto, as especificidades existentes no trabalho com crianças pequenas, sobretudo com as pequenininhas.

3.2 Formação docente inicial e continuada: aspectos específicos para o trabalho com bebês

Neste item, abordamos questões acerca da formação inicial e continuada do professor que atua na Educação Infantil, especialmente com os bebês. Nossa perspectiva é, ao apresentarmos e discutirmos os dados produzidos por meio de entrevistas e observações, retomar aspectos legais sobre o nível de formação mínima necessária para a atuação nesse nível do ensino.

Na ótica de Gomes (2010, p. 42):

Vivemos um período histórico para a educação de crianças pequenas no Brasil que tem como desafio fazer valer as conquistas legais das últimas décadas, entre elas, a profissionalização de educadores (professores) para atuar em creches e pré-escolas e a consequente qualidade dessa profissionalização em um contexto progressivo de ampliação da oferta de vagas no âmbito da educação básica no Brasil.

Diante de tal afirmação podemos observar o quão necessário é o compromisso com a formação docente para atuar com crianças pequenas e pequenininhas. Muito embora essa seja uma discussão viva a cada dia nas escolas e secretarias de educação, ainda há muito que ser enriquecido na formação dos professores para que as crianças tenham uma educação que respeite suas especificidades. Ainda que haja instituições um pouco mais preparadas para a formação dos profissionais da educação, no geral, há uma precariedade para com o compromisso de uma formação de qualidade desses profissionais, especialmente no que diz respeito à preparação para atuar com crianças da Educação Infantil.

Em relação à formação inicial das professoras participantes da pesquisa, suas narrativas retratam o seguinte:

Pesquisadora: E, a sua formação inicial, então, foi o Cefam? P 1: É, foi o Cefam.

Pesquisadora: E você não tem a graduação?

Benzer Belgeler