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3. BULGULAR

3.1. Kurumun Yapısı Ve İşleyişine İlişkin Deneyim ve Görüşler

3.1.1. Kurumun fiziki yapısına ilişkin görüşler

A amostra de sujeitos com AVC apresentou proeminência de sujeitos com baixos níveis de escolaridade (93%), e uma média de 3,6 anos de estudo. Esses dados caminham alinhados com daqueles apresentados no estudo de CRUZ e colaboradores (2014), os quais apontam baixos níveis de escolaridade dentre a amostra de sujeitos com AVC, cuja mediana é de 4 anos de

estudo. Esses fatores podem estar relacionados ao fato dos locais de coleta de ambas as pesquisas serem serviços públicos de saúde, que atendem público de média e baixa renda.

Anteriormente ao AVC, todos os sujeitos da amostra estavam inseridos no mercado de trabalho, sendo predominantes aqueles que, ao longo da vida, exerceram atividades com pouca ou nenhuma qualificação (97%). Também se apresentaram proeminentes as atividades de trabalho caracterizadas por esforço físico e/ou baixo envolvimento intelectual, tais quais: pedreiro, lavrador e motorista.

A baixa qualificação profissional também pode ser justificada pelos baixos níveis de escolaridade apresentados pela amostra, bem como pelas baixa e média renda, advinda de usuários dos serviços públicos de saúde. Nesse sentido, o estudo de Falcão e colaboradores (2004) reforça tais achados apontando uma amostra de sujeitos com AVC, caracterizada pela pouca qualificação profissional, que desenvolvia, especialmente, atividades braçais ou de menor envolvimento intelectual.

Os baixos níveis educacionais são apontados como fatores diretamente relacionados a diversos grupos de doenças, principalmente as doenças cerebrovasculares, tendo em vista a prevalência em populações com menores níveis educacionais. Esses fatos são explicados em decorrência da melhor nutrição e capacidade de resolução de problemas intrínsecos por parte de sujeitos com maiores níveis de escolaridade (PINCUS; CALLAHAN; BURKHAUSER, 1987).

Após o adoecimento, houve um predomínio de sujeitos inativos em relação às atividades laborais (93%), considerando-se a impossibilidade de retorno ao mercado de trabalho decorrente das limitações pós-AVC. Na coleta, predominaram sujeitos aposentados (73%), seguidos dos desempregados (13%) e assegurados por auxílio doença ou outros benefícios sociais (7%).

Dificuldades no desempenho laboral de sujeitos com AVC são apontadas por Corr e Wilmer (2003), tendo em vista as limitações motoras, cognitivas e emocionais, com importantes consequências nos papéis produtivos. Outro estudo, que buscou investigar os papéis ocupacionais entre sujeitos com AVC, apontou como um dos mais ausentes entre os sujeitos, o papel de trabalhador (CRUZ et al, 2014).

Assim, considerando que cerca de metade da amostra desta pesquisa se encontrava na faixa de idade produtiva, que de acordo com Wong e Carvalho (2006) gira em torno de 15 e 64 anos, é possível inferir o impacto que o AVC acarreta na vida funcional dos sujeitos em diversos aspectos. Corr e Wilmer (2003), complementando tais dados, apontam aspectos negativos

relativos ao afastamento das atividades laborais, tanto no que se refere à queda da produtividade, quanto às repercussões na autoestima e identidade pessoal dos indivíduos.

Esses baixos índices de retorno ao trabalho também foram observados em outros estudos com sujeitos com AVC, tendo em vista a dificuldade de retorno a essas atividades após o adoecimento. Um estudo brasileiro aponta índices de 40% de inatividade entre uma amostra de sujeitos com AVC, em decorrência de emprego, aposentadoria ou invalidez (SANTANA; FUKUJIMA; OLIVEIRA, 1996). Esses dados podem ser complementados pela proeminência de 40% de aposentadorias decorrentes de sequelas de AVC no Brasil (FALCÃO et al, 2004; CRUZ et al, 2014).

Considerando que a média de retorno ao trabalho dos sujeitos deste estudo é de 6%, pode- se dizer que a mesma apresenta-se abaixo da média encontrada em estudos internacionais, nos quais se observaram retornos em torno de 70% e 60% entre as amostras estudadas. Ainda nesse contexto são apontadas necessidades de limitação nas jornadas, bem como mudanças nas atividades desenvolvidas em decorrência das limitações (CHING-LIN; MONG-HONG, 1997; NEAU et al, 1998).

O retorno às atividades laborais pode ser dificultado pelo desemprego e pela dificuldade de reinserção no mercado de trabalho após o adoecimento. Cruz e colaboradores (2014) justificam esses aspectos apontando a deficiência e a baixa escolaridade como fatores que podem contribuir para a não reinserção às atividades laborais após o AVC. Ratificando tais dados, estudos indicam que a baixa escolaridade das pessoas com deficiência está relacionada ao emprego em cargos auxiliares, que exigem mais esforço físico do que intelectual, e desse modo, incidem em influências negativas para o desempenho do papel social do trabalho (FALCÃO et al, 2004; VELTRONE; ALMEIDA, 2010).

Também é possível apontar comprometimentos significativos no que diz respeito aos aspectos econômicos, considerando o fato de a amostra ser composta exclusivamente por sujeitos do sexo masculino, os quais historicamente são os principais responsáveis pela renda familiar, apesar das mudanças culturais relacionadas ao papel da mulher no mercado de trabalho (VALDÉS; OLIVARRÍA, 1998).

A influência da escolaridade, bem como da qualificação profissional foram observados na reinserção ao trabalho dos sujeitos com AVC desta pesquisa, tendo em vista que apenas dois sujeitos da amostra retornaram às atividades laborais, sendo um engenheiro e o outro o mecânico.

O primeiro executa atividades com maior demanda de esforços intelectuais do que motores e, consequentemente, apresentou maior facilidade no retorno ao mercado de trabalho, embora com a presença de limitações físicas.

O estudo de Falcão e colaboradores (2004) ratificam esses achados, tendo em vista o relato de associação entre retorno ao trabalho a um melhor nível de educação. Os autores evidenciaram as desvantagens em que se encontram os sujeitos da amostra, que além das limitações decorrentes do AVC, também apresentavam condições de baixa escolarização e ocupavam vagas no setor informal. Esses dados podem ser indicativos de baixo poder aquisitivo e de escassez de oportunidades anteriormente ao AVC.

Estudos apontam outros fatores que influenciam na condição de retorno ao trabalho, tais como a depressão, a afasia, o local de trabalho sem possibilidade de ajustes de função, a gravidade do quadro motor e a limitação da mobilidade, todos esses considerados negativos. Por outro lado, como positivos foram apontados: terapia de reabilitação, habilidade para a fala, maior nível de educação e condições da instituição de emprego (CHING-LIN; MONG-HONG, 1997; NEAU et al, 1998).

Nesse sentido, Cruz (2012) reforça a necessidade de intervenções para o retorno ao trabalho bem como incentivos ao desempenho do papel de trabalhador por pessoas com deficiência física, tendo em vista o impacto no âmbito laboral.