Consulta 60 dias
120 dias
MEMBRO A MEMBRO B
Solução mutuamente aceitável
Sim Não OSC
Há consenso negativo criação GE
Não há consenso negativo
GE Informe GE Há recurso ao OA
Não OSC
Há consenso negativo sobre informe GE ou relatório OA? OSC faz recomendação para cessar a prática
Sim OA julga recurso membro atende Sim Fim Não
OSC autoriza contramedidas Fim Fim Sim Fim Não Solicitação de autorização ao OSC Há consenso negativo sobre autorização? Sim Fim Não
2.5 Procedimento da investigação de subsídio no Brasil
A legislação brasileira copia quase que integralmente o procedimento especial descrito no ASMC, que fornece regras procedimentais gerais. A investigação determinará a existência, o grau e o efeito do subsídio que venha a ser alegado.
A priori a autoridade nacional só é competente para iniciar uma investigação quando se tratar de concessão de subsídio recorrível, cujo produto beneficiado entre no território nacional gerando um dano aparente.
Se o subsídio for irrecorrível, será procedente a formulação de consultas e, caso fracasse, o procedimento administrativo se destinará apenas a testar a especificidade. Quando provada, o Brasil deverá notificar o OSC91, que autorizará a conclusão da investigação nacional segundo as regras que regem a investigação de um subsídio recorrível92.
Não será aberta investigação no Brasil quando o subsídio for concedido, mediante notificação prévia (anterior à sua implantação) do país exportador ao Comitê de Subsídios e Medidas Compensatórias da OMC.
Também aqui, antes de iniciada a investigação, obrigatoriamente ou a qualquer tempo depois dela, poderá iniciar-se um procedimento de consultas entre os Estados interessados, que seguirá o mesmo caminho apontado no fluxograma do subsídio recorrível. Essas consultas não podem se destinar a impedir uma ação rápida das autoridades competentes para obstar práticas desleais de comércio.
91 Como já dito: Os processos de investigação previstos na parte III do ASMC (subsídio recorrível) e na
parte V do ASMC (medidas compensatórias) só serão usados para subsídios irrecorríveis para investigar se são específicos ou não, no sentido do Artigo 2° do ASMC, ou para investigar se mesmo sendo específicas cumprem todos as condições estabelecidas nos parágrafos 2 a), 2 b) e 2 c), desde que não tenham sido notificados à comissão segundo prevê o Artigo 8:3. Se comprovado que realmente obedecem aos requisitos de exceção de especificidade delimitados no Artigo 2°, deverão proceder ao processo na OMC. Caso contrário, serão tratados como subsídios recorríveis, na esfera nacional.
Quando a petição inicial for aceita e antes de iniciada a investigação, os governos interessados serão notificados da solicitação de investigação de subsídios e, no prazo de dez dias, poderão expressar seu interesse na realização de consulta. Aqui o prazo será o mesmo da consulta do subsídio proibido, trinta dias.
A petição para a investigação de subsídio deverá ser apresentada em quatro vias, obedecidos aos aspectos formais e materiais previstos na Circular SECEX n° 20, de 02 de abril de 1996.Deverão ser apresentadas as provas dos três requisitos essenciais para a investigação e para a aplicação de medidas compensatórias: 1) a existência de um subsídio específico, com um benefício usufruído 2) o dano efetivo, a ameaça de dano ou o retardamento na implantação da indústria nacional e 3) a existência de um nexo causal entre estes.
Sendo necessário, a SECEX poderá solicitar93 (três exames prévios à abertura da investigação) que a petição seja aditada. No primeiro exame preliminar o peticionário terá um prazo de vinte dias, contados a partir da data de entrega da petição, para juntar os documentos necessários94 ou prestar informações complementares. Haverá, ainda, um segundo e um terceiro exame, nos quais o resultado é comunicado no prazo máximo de vinte dias, contados da data de entrega das últimas informações. Só finda essa fase preliminar de exames, a petição poderá ser considerada definitivamente apta ou inepta95.
Podem ser realizadas investigações no território do país exportador ou em empresas estrangeiras ou nacionais, mediante suas autorizações e que o governo do país em questão seja notificado sem que apresente qualquer restrição.
93
Para abertura de investigação são necessárias: a) a representatividade do peticionário, isto é, se a petição foi apresentada pela indústria doméstica ou em seu nome; b) correção e adequação dos elementos de prova apresentados, indicativos da existência de subsídio, do dano e da relação causal entre eles.
94
Artigo 26 do Decreto 1.751/95.
A qualquer tempo os produtores estrangeiros poderão fazer um compromisso de preços (revisão de preços e cessação das exportações) com a SECEX (Portaria Interministerial publicada no Diário Oficial da União), que aceitará, se entender eficaz para encerrar o prejuízo à indústria nacional. Nesse caso, medidas compensatórias provisórias ou definitivas já aplicadas podem ser suspensas. Se houver violação do compromisso de preços poderão ser adotadas providências para imediata cobrança de direitos compensatórios, tendo como base a determinação da investigação realizada.
O cálculo do direito compensatório se faz tendo como base a aplicação de alíquotas ad valorem96 (sobre o valor aduaneiro da mercadoria em base CIF97) ou específica (fixada em dólares estadunidenses e convertida em moeda nacional) fixas ou variáveis ou ainda pela conjugação de ambas as modalidades.
O procedimento demonstrado no fluxograma a seguir também poderá ser iniciado por ato da própria autoridade administrativa, desde que ela tenha a prova da existência do subsídio, do dano causado à indústria nacional e do nexo causal entre ambos.
96
(Artigo 55 §§ 1° ao 3° do Decreto 1.751/95 e Artigo 6:1 ASMC). Calculado sobre o valor da mercadoria importada ou vendida e não por seu volume, peso, espécie e quantidade.