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3. KURUMSAL RİSK YÖNETİMİ SİSTEMLERİ

3.1 Kurumsal Risk Yönetimi

Nesta dissertação, analisamos a maneira como os leitores utilizam o aparato cognitivo durante o processo de compreensão de narrativas. Para isso, realizamos uma série de testes com o objetivo de apresentar subsídios sobre como as nossas experiências sensório-perceptuais e socioculturais organizam o conhecimento acerca da leitura de textos ficcionais.

A narrativa é o modo pelo qual estamos constantemente nos comunicando. Narramos e ouvimos histórias constantemente, mas nem sempre as informações transmitidas por um narrador são as mesmas retidas pelo compreendedor. Compreender e produzir textos envolve um complexo jogo de linguagem, como acionamento de sentidos por meio de inferências, analogias, referências e representações mentais, evocados por pistas linguísticas presentes na formação de constructos mais ou menos convencionalizados. Essa convencionalidade parece ser fruto da capacidade cognitiva do ser humano de criar padrões discursivos e linguísticos que nos ajudam, enquanto compreendedores, a significar narrativas. Dentro desse enquadre, o objetivo deste trabalho foi compreender os processos cognitivos envolvidos na compreensão da narrativa em textos ficcionais.

No capítulo 1, verificamos preliminarmente que as representações mentais são evocadas por pistas linguísticas presentes no texto e que a capacidade cognitiva do ser humano de criar padrões discursivos nos permite, enquanto compreendedores, atribuir sentidos em textos ficcionais. Descrevemos testes sobre monitoração da compreensão, que identificam estratégias cognitivas utilizadas para semantizar os textos lidos, e sobre envolvimento dos leitores com a história durante a leitura, que criam expectativas sobre as informações fornecidas, na medida em que constroem expectativas para as ações que provavelmente aconteceram ou acontecerão, ainda que, no início da leitura, os leitores infiram sobre os aspectos motivadores das ações e os antecedentes causais, em vez de focar as ações e as consequências.

Durante o processo de compreensão de narrativas, são ativados Esquemas-I, construídos a partir das nossas experiências sensório-motoras, e frames específicos, criados culturalmente. Desse modo, experiências perceptuais e motoras criam padrões abstratos como, por exemplo, as noções de CONTÊINER, LIGAÇÃO,

TRAJETOR/MARCO e ORIGEM-CAMINHO-META, e experiências socioculturais criam cenários, roteiros, taxonomias e categorias.

O capítulo 2 nos revela que, ao lermos histórias, acionamos recursos que vão além dos aspectos formais encontrados na superfície do texto. Na base do processo de compreensão há simulações mentais que nos conduzem à criação de imagens reveladas no momento em que as coisas são descritas. Uma Simulação Mental pode ser visual ou motora. A simulação motora é acionada por verbos de ação e a visual, por pistas linguísticas de características substantivas e adjetivas. Nesse sentido, durante o processo de compreensão de narrativas, os leitores asssumem a perspectiva da personagem, passam a simular os eventos descritos e a monitorar as ações do protagonista a partir de referentes como TEMPO, LUGAR e PESSOA.

No capítulo 3, discutimos e descrevemos a metodologia aplicada em nossa pesquisa, assumindo uma perspectiva experimental. Essa perspectiva nos trouxe à baila os aspectos cognitivos que subjazem à ativação e ao acionamento dee modelos mentais concebidos, via de regra, pela capacidade humana de produzir discursos e reter informações básicas via Esquemas-I, Esquemas-X, frames e Modelos Situacionais.

No capítulo 4, apresentamos os resultados e discutimos os testes desenvolvidos em nossa pesquisa. Por meio dos testes, pretendíamos verificar em que medida a nossa estrutura corporal pode contribuir para o processo de compreensão e configuração de textos ficcionais, na medida em que nossa percepção é formada, levando em conta os Esquemas-I, desenvolvidos pelas nossas experiências corporificadas, os frames, concebidos através de nossas experiências culturais, e a relação entre os frames discursivos e Modelos de Situação, no processo de configuração de sentidos. Procuramos demonstrar que os compreendedores utilizam a estrutura corporal e o conhecimento de mundo para atribuírem sentido à linguagem.

O propósito dos testes foi ampliar conhecimentos acerca da natureza dos processos de compreensão. Para isso, as predições que guiaram o nosso trabalho foram as seguintes:

- que os leitores se utilizam de estratégias como a ativação de Esquemas-I, focalizando elementos linguísticos específicos no texto;

- que os leitores acionam frames de modo a construir cenários e roteiros, em conformidade com a situação descrita no enunciado;

- que os frames discursivos ajudam o compreendedor a criar expectativas sobre os eventos que se seguem por conhecerem a estrutura da narrativa ficcional, conforme tratado no capítulo sobre Padrão Discursivo.

Os resultados dos testes contribuíram para verificarmos que muitas das nossas interações são construídas com base em narrativas e que essas narrativas estão pautadas em uma estrutura textual concebida cognitivamente, porém assumimos aqui que alguns aspectos poderiam ter sido mais bem desenvolvidos, de modo a termos uma visão mais apurada do que se passa na mente do leitor durante o processo de compreensão.

Admitimos que a metodologia aplicada nesta pesquisa tenha apresentado algumas fragilidades no que tange à elaboração, aos procedimentos, ao trato com o material e ao recrutamento de informantes. Devido ao caráter preliminar desta pesquisa, não utilizamos um grupo de controle e a aplicação do teste piloto ficou restrita a um número reduzido de voluntários. Essa fragilidade, em especial, nos levou a modificar alguns testes em curso e a reaplicá-los, como no caso do teste cloze. Além disso, entrevistas sistematizadas com os informantes poderiam fornecer outros subsídios para a análise dos resultados. Tivemos também algumas dificuldades na seleção de ilustrações que melhor representassem os Esquemas do teste I. Devido a isso, as figuras utilizadas podem ter direcionado os informantes a escolherem determinadas opções. Contudo, essa falha acabou nos revelando que os informantes vão além de uma representação mental e linguística do texto, construindo significados por intermédio de experiências pragmáticas e de efeitos prime durante a leitura dos textos.

Quanto aos tipos de testes utilizados durante a pesquisa, acreditamos a aplicação exclusiva de testes de natureza off-line não dão conta da verificação dos processos cognitivos de compreensão de textos fictícios ou não. Parece-nos que seria necessária uma verificação do processamento online, de modo a identificarmos como os compreendedores se utilizam do aparato sensório-motor para memorização, captação, elaboração e retransmissão de informações durante a compreensão/produção de narrativas. Entender como o leitor lida com a afetividade durante o processamento da produção/compreensão também nos parece um fator que deveria ser considerado. Nesse

sentido, alguns aspectos decorrentes desta dissertação merecem um aprofundamento em futuros estudos no que diz respeito a:

- Como as representações mentais são concebidas e de que maneira atribuímos sentido a um texto, a partir de sentenças ou resumos de narrativas?

- Que elementos perceptuais e motores ficam retidos na memória de curto prazo do leitor durante o processo de compreensão de textos?

- Como a linguagem e pensamento estão relacionados a outros sistemas neurais, incluindo a percepção, controle motor, cognição e cultura?

- Qual o papel dos aspectos tempo, espaço, personagens e eventos na leitura de narrativas e até que ponto nossas experiências sensório-motoras contribuem para os processos de compreensão de textos?

Apesar dessas fragilidades, pudemos constatar que a integração entre os Modelos de Situação e os processos de simulação é basilar para a coerência representacional de um texto. De modo geral, vimos que as pistas linguísticas em um texto narrativo são o gatilho para a percepção e Simulação Mental das ações descritas. Elas categorizam objetos e pessoas, por meio do acionamento de Frames, Esquemas-I e Esquemas-X.

É no contexto dinâmico do domínio do significado, de onde as nossas experiências emergem, que arquitetamos novos significados, construídos por meio do desenvolvimento de certas ações e percepções do mundo ao nosso redor. A interligação entre experiências acionam os sentidos de acordo com as construções linguísticas, o contexto e o modelo cultural, mantendo uma relação entre forma e significado. A forma estaria associada aos elementos internos das sentenças, tais como as construções linguísticas, e o significado, aos elementos externos ancorados em Esquemas-I e frames, por exemplo. Desse modo, leitores constroem representações situacionais em conjunto com representações fundamentadas no texto, criando uma realidade para uma sucessão de acontecimentos baseados em experiências sensório-perceptuais e motoras. Verificamos, assim, que compreendedores de narrativas transformam eventos em cadeias causais, constituídas de episódios ainda mais elementares.

Tendo em vista os possíveis desdobramentos desta pesquisa, há muito que se fazer ainda, como:

a) Analisar outros mecanismos que operam na emergência do sentido em narrativas;

b) Aprofundar a análise acerca do papel do contexto no processo de configuração do sentido, durante a produção/ compreensão de textos narrativos;

c) Examinar o papel de cada aspecto do Modelo Situacional na emergência do sentido em textos narrativos;

e) Investigar como os processos de categorização são construídos a partir da simulação da situação relatada no texto.

Julgamos que este trabalho, focado no processo de compreensão e no monitoramento de Modelos Situacionais, possa contribuir para os estudos cognitivistas acerca da análise construcional do discurso, na medida em que demonstra o que pode acontecer nos bastidores da mente humana durante a leitura de textos de ficção. Acreditamos ainda que perceber os aspectos cognitivos que envolvem a compreensão de histórias possa contribuir para o ensino de produção e interpretação de textos, haja vista que as palavras não constroem sentidos, elas os guiam e são pistas para o acionamento de Esquemas, Frames, Simulação Mental e Modelos de Situação na mente do compreendedor.

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Benzer Belgeler