D1.Stratejik Amaç ve Hedef ler
TEMA 3: KURUMSAL KAPASİTENİN GELİŞTİRİLMESİ
A História, como apropriação sistemática do passado, pode ajudar a modelar o futuro. O conhecimento sobre o passado pode ser um meio de romper com ele. O futuro deve ser visto essencialmente como aberto, embora com possibilidades futuras em mente. O mapeamento de futuros possíveis, desejáveis, disponíveis, se torna mais importante que mapear o passado. “O uso da história para fazer história é substancialmente um fenômeno da modernidade” (GIDDENS, 1991, p. 56).
O primeiro termo encontrado para designar os tempos que estão se seguindo após a Modernidade é a simples agregação do prefixo “pós” ao termo anterior, designando algo que vem depois, uma quebra ou ruptura com o anterior. Surge o termo “Pós-Moderno”, definido por contraposição, de acordo com Featherstone (1991).
Giddens (1991) reconhece que a fase de pós-modernidade significa a retirada das instituições da modernidade rumo a um novo e diferente tipo de ordem social. Refere-se, então, à pós-modernidade, como um período de nítida disparidade do passado, no qual nada pode ser conhecido com alguma certeza, já que os fundamentos preexistentes se revelam sem credibilidade. “Mesmo as noções mais firmemente apoiadas só podem ser vistas como válidas “em princípio” ou “até ulterior consideração”” (GIDDENS, 1991, p. 54).
Em direção semelhante, Featherstone (1991) vê o pós-modernismo como um reflexo mecânico e reacionário das mudanças sociais ocorridas em decorrência da evolução do modernismo, questionando quando um termo passa a exprimir algo substancialmente diferente do termo do qual deriva. Assim, depara-se com o problema de uma definição adequada de pós-modernismo e se encontra uma confusão conceitual envolvendo noções como "perda de sentido do passado histórico", "cultura esquizóide", "cultura excrementícia", "substituição da realidade por imagens", "significantes desencadeados". “Pós-modernismo significa também o advento de uma cultura extremista que empurra a lógica do modernismo até seus mais extremos limites” (LIPOVETSKY, 2005, p. 83).
O leque de campos intelectuais nos quais o termo "pós-modernismo" foi aplicado é bastante amplo, conforme Featherstone (1991), entre os quais estão: música, artes plásticas, literatura, cinema, fotografia, arquitetura, filosofia, antropologia, sociologia e até geografia. Poucos termos acadêmicos recentes desfrutaram tamanha popularidade. Featherstone (1991) aponta que isto ocorreu impulsionado por movimentos artísticos e atraiu um interesse público mais amplo por sua capacidade de expor uma sucessão de importantes transformações
culturais que estão ocorrendo nas sociedades contemporâneas, que precisam ser examinadas em termos de processos intra-sociais, inter-sociais e globais.
Dentre as características centrais associadas ao pós-modernismo nas artes, apresentadas por Featherstone (1991), estão: a eliminação da fronteira entre arte e vida cotidiana; o fim da distinção hierárquica entre alta-cultura e cultura de massa/ popular; uma promiscuidade estilística, favorecendo o ecletismo e a mistura de códigos; paródia, ironia, diversão e celebração da "ausência de profundidade" da cultura; o declínio da originalidade e da genialidade do produtor artístico e a suposição de que a arte pode ser somente repetição.
A era da pós-modernidade põe em destaque um ritmo de mudança nítido, com uma rapidez extrema. Segundo Giddens (1991) isto, talvez, seja a mais óbvia mudança e que permeia todas as esferas da sociedade humana. O caráter de rápida transformação da vida social contemporânea deriva, entre outras coisas, da complexa divisão de trabalho e do aproveitamento da produção para as necessidades humanas através da exploração industrial da natureza, conforme Giddens (1991).
Uma segunda descontinuidade é o escopo da mudança, já que as áreas são interconectadas, ondas de transformação social penetram toda a superfície do globo (GIDDENS, 1991, p. 15). Outra característica que o autor aponta é que algumas formas sociais não existiam em períodos históricos precedentes.
Para Lipovetsky (2005), a noção de pós-moderno remete a níveis e esferas de análise difíceis de coincidirem. O pós-moderno designa a passagem lenta e complexa para um novo tipo de sociedade, de cultura e de indivíduo que nasce no centro e no prolongamento da Era Moderna. Assim, estabelece o teor do modernismo e apreende a inversão lógica que aos poucos foi ocorrendo no século XX em benefício de uma supremacia cada vez mais nítida dos sistemas flexíveis e abertos.
A nova lógica pós-moderna, segundo Lipovetsky (2005), tem como base rupturas e descontinuidades, que se apóiam na negação da tradição, e na cultura da novidade e da mudança. “O modernismo proíbe a estagnação, obriga a invenção ininterrupta e a fuga sempre para adiante” (LIPOVETSKY, 2005, p. 61). O inédito tornou-se o imperativo categórico.
Lipovetsky (2005, p. 1) propõe que época pós-moderna “substitui, por toda a parte, a coerção pela comunicação, o proibido pelo prazer, o anônimo pelo sob medida, a reificação pela responsabilidade e tende a instituir um ambiente de proximidade e de solicitude liberado.”
As características básicas do modernismo podem ser resumidas como: reflexividade e autoconsciência estética; rejeição da estrutura narrativa em favor da simultaneidade e da montagem; exploração da natureza paradoxal, ambígua e indeterminada da realidade e rejeição da noção de uma personalidade integrada, em favor da ênfase no sujeito desestruturado e desumanizado. (FEATHERSTONE, 1991, p. 30)
Mas o pós-modernismo também é sincrético, existe nele a coabitação dos contrários, como afirma Lipovetsky (2005) ao apresentar:
A Era pós-moderna se define pelo prolongamento e a generalização de uma das suas tendências constitutivas, o processo de personalização e, correlativamente, pela redução progressiva de sua outra tendência, que é o processo disciplinar (LIPOVETSKY, 2005, p. 91).
Em outro patamar, Featherstone (1991) destaca que novas formas de tecnologia e informação fizeram a passagem de uma ordem social produtiva para uma reprodutiva, de modo a apagar a distinção entre realidade e aparência. O papel central da reprodução na "rede global descentralizada" do capitalismo multinacional contemporâneo resulta numa "prodigiosa expansão da cultura por todo o domínio social, a ponto de se poder dizer que tudo em nossa vida social (...) tornou-se 'cultural'" (JAMESON, 1984, p. 85-7, apud FEATHERSTONE, 1991, p. 32).
Deve-se considerar o pós-modernismo em termos de um segundo "nível" da cultura, o que é muitas vezes chamado de "esfera cultural", e levar em conta os meios de transmissão e circulação junto a platéias e públicos, bem como o efeito retroalimentador da reação da platéia, conforme afirma Featherstone (1991).
Featherstone (1991) aponta o surgimento do que de "novos intermediários culturais", que rapidamente fazem circular a informação entre áreas da cultura anteriormente isoladas, bem como o surgimento de novos canais de comunicação sob condições de crescente competição.
Featherstone (1991) propõe que para entender a produção e a interpretação social da experiência da pós-modernidade, é preciso reservar um lugar para o papel dos intermediários culturais, sejam os já existentes ou os novos, que têm interesse em educar públicos. O autor segue propondo ser possível fazer o mesmo paralelo a respeito de outras duas características da cultura pós-moderna: a transformação da realidade em imagens e a fragmentação do tempo numa série de presentes perpétuos. Uma sociedade imediatista, em que o tempo importa mais do que o espaço, mesmo porque esse espaço será preenchido apenas transitoriamente.
Giddens (1991, p. 21) sugere que a pós-modernidade é multidimensional e deve-se, então, olhar como as instituições modernas tornaram-se situadas no tempo e espaço para identificar alguns traços distintivos da modernidade com um todo. Tem-se que dar conta do extremo dinamismo e do escopo globalizante das instituições modernas e explicar a natureza de suas descontinuidades em relação às culturas tradicionais.
O dinamismo da modernidade deriva da separação do tempo e do espaço e de sua recombinação em formas que permitem o zoneamento tempo-espacial preciso da vida social; do desencaixe dos sistemas sociais; e da ordenação e reordenação reflexiva das relações sociais à luz das contínuas entradas de conhecimento afetando as ações de indivíduos e grupos. (GIDDENS, 1991, p. 25)
Por desencaixe o autor se refere ao deslocamento das relações sociais de contextos locais de interação e sua reestruturação através de extensões indefinidas de tempo-espaço. Giddens (1991) coloca que não é uma questão de não existir um mundo social estável a ser conhecido, mas de que o conhecimento deste mundo contribui para seu caráter instável ou mutável.
Lipovetsky (2005) concorda que a sociedade está fragmentada: não tem mais característica homogênea e se apresenta com uma articulação complexa em ordens distintas, que apresentam ritmos diferentes de mudança. Por obedecerem a normas diferentes, justificam comportamentos diferentes e até mesmo opostos, sendo responsáveis por diversas contradições da sociedade.
A abertura dos pontos de referência sociais, segundo Lipovetsky (2005), pode ser considerada como a legitimação de todos os modos de vida, a conquista da identidade pessoal, e o apetite de personalidade até seu termo narcísico. Houve, então, uma transformação do público devido ao hedonismo, que se tornou o valor central da cultura pós-moderna, em que o prazer e o estímulo dos sentidos se tornam os valores dominantes na vida comum, para Lipovetsky (2005).
O pós-modernismo é percebido como um aprofundamento das tendências do modernismo, com o desejo, o instintivo e o prazer liberados e exacerbados para levar a lógica modernista a suas últimas conseqüências (Bell, 1980, apud FEATHERSTONE, 1991). Lipovetsky (2005) corrobora, apresentando que no pós-modernismo os valores são baseados na exaltação do eu, na autenticidade e no prazer. Viver com o máximo de intensidade o desregramento de todos os sentidos. Seguir os próprios impulsos e a própria imaginação, ampliando o campo das experiências.
A cultura pós-modernista é, por excelência, uma cultura que tem por centro o eu e seu culto à paixão. Os valores hedonistas emergem e encorajam o indivíduo pós-moderno a aproveitar a vida, a ceder aos impulsos. Segundo Lipovetsky (2005), a sociedade, então, se torna fortemente presa ao culto do consumismo e do prazer.
Para Lipovetsky (2005) o pós-modernismo é vetor da individualização, da circulação da cultura, e instrumento de exploração de novos materiais, novos significados e novas combinações.
O pós-modernismo, de acordo com Featherstone (1991), é relevante para um leque amplo de práticas e disciplinas nas humanidades e ciências sociais porque dirige nossa atenção para mudanças que vêm ocorrendo na cultura contemporânea. Essas mudanças podem ser compreendidas em campos artísticos, intelectuais e acadêmicos:
• na esfera cultural mais ampla, envolvendo os modos de produção, consumo e circulação de bens simbólicos, que podem ser relacionados com as mudanças nas interdependências entre grupos e frações de classe nos níveis intra-social e inter- social;
• nas práticas e experiências cotidianas de diferentes grupos, que usam de significação de diferentes maneiras e desenvolvem novos meios de orientação e estruturas de identidade.
1.1.1. Hipermodernidade
Featherstone (1991, p. 21) já anuncia que "o pós-modernismo está morto" e "a onda agora é o pós-pós-modernismo". Segundo Lipovetsky (2004), fazia-se necessário um novo termo para descrever o que estava acontecendo nas sociedades, agora Marcadas pela acentuação de tudo e em todos os aspectos. Uma modernidade elevada à potência superlativa, agora sem freios institucionais ou ideológicos para os valores individualistas e de consumo. Surge, então, a hipermodernidade (LIPOVETSKY, 2004).
Nesta Era tudo é elevado à potência superlativa, colocado no extremo, no excesso, na maximização. Marcada pela hipercirculação de capital e de informações, com grandes mudanças tecnológicas e o dilúvio de fluxos numéricos da internet: “milhões de sites, bilhões de páginas, trilhões de caracteres, que dobram a cada ano” (LIPOVETSKY, 2004, p. 55); as multidões atulhadas em aglomerações urbanas e megalópoles superpovoadas, as multidões nos shows, as multidões que consomem um mesmo produto;frenesi consumista que chega ao hiperconsumismo; e o hiperindividualismo.
A hipermodernidade de Lipovetsky (2004) permite que o domínio do consumo se estenda ao máximo, com todas as tecnologias de transmissão de informação existentes. Assim, os indivíduos se encontram livres, capazes de exercer o livre arbítrio, de se informarem, de escolherem os seus próprios sistemas ideológicos.
Os indivíduos hipermodernos são ao mesmo tempo mais informados e mais desestruturados, mais adultos e mais instáveis, menos ideológicos e mais tributários das modas, mais abertos e mais influenciáveis, mais críticos e mais superficiais, mais céticos e menos profundos (LIPOVETSKY, 2004, p. 28).
A hipermodernidade se mostra paradoxal na medida em que é dupla: valoriza a autonomia (maior tomada de responsabilidade) e aumenta a independência (maior desregramento). De um lado o compromisso de se auto-controlar, de outro, o deixar-se levar. A sociedade hipermoderna é a sociedade da hipervalorização das sensações íntimas, do hipernarcisismo.
O mundo do consumo parece estar avançando cada vez mais na vida da sociedade hipermoderna. Um consumo emocional e por indivíduos preocupados antes de tudo com a própria saúde e segurança, pois o hedonismo individualista favorece um relativismo desmedido.
As operações e os intercâmbios se aceleram, o tempo é escasso, o presente se faz extremamente importante. Tudo se renova a cada instante, tudo deve ser mais rápido, mais novo e mais eficiente. A sociedade hipermoderna caracteriza-se pela hipereconomia de tempo: as pessoas buscam fazer o máximo no menor tempo possível.
Lipovetsky (2004) elucubra que no centro do novo arranjo do regime do tempo social vê-se que quanto mais depressa se vai, menos tempo se tem. Foram-se a ociosidade, a contemplação, o relaxamento: o que importa é a auto-superação, a vida em fluxo nervoso, acelerado. Não há escolha senão evoluir, acelerar para não ser ultrapassado pela “evolução”.
1.1.2. Modernidade Líquida
Bauman (2004) trata os tempos atuais pelo termo “Modernidade Líquida”. Líquida por apresentar as principais particularidades dos fluídos: a inconstância e a maleabilidade. Para Bauman (2004), esse período é Marcado pela flexibilização das organizações sociais, o comportamento humano tende a ter sua forma cambiada com a frequência e a rapidez do contexto.
O autor define Modernidade Líquida como um momento em que a sociedade experimenta transformações de processos. Ocorre o enfraquecimento dos sistemas de proteção às intempéries da vida, gerando um permanente ambiente de incertezas, e colocando a responsabilidade por eventuais fracassos no plano individual.
Como conseqüência, tem-se transformações sociais aceleradas, nas quais ocorrem as dissoluções dos laços afetivos e sociais, que explicita um tempo de desapego e provisoriedade. Não há compromisso com a idéia de permanência e durabilidade. O que também leva ao fim da perspectiva de planejamento a longo prazo.
No plano individual, Bauman (2004) identifica a metamorfose do cidadão, de sujeito de direitos em indivíduo em busca de afirmação no espaço social, e um processo de individualização do ser. Conciliar esse individualismo com os interesses coletivos é um desafio para o mundo contemporâneo, pois as instituições e valores do passado, elos que entrelaçavam os projetos individuais aos coletivos, são referências estranhas à fase líquida da modernidade.
Fluidez, maleabilidade, flexibilidade e a capacidade de moldar-se em relação a infinitas estruturas também são características que o estado liquefeito da sociedade conferirá ao campo dos relacionamentos humanos. Relacionamentos voláteis e fluidos que remetem a uma sensação de leveza e descompromisso, muitas vezes associada à liberdade individual.
O comportamento das pessoas nos tempos líquidos também é instável, maleável, flexível, fluido. Um comportamento igualmente líquido, afirma Bauman (2004).