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Como anteriormente mencionado, a partir de 1999, um novo modelo de gestão foi implantado na administração do Acre, rompendo com a tradicional forma de se gerenciar – a do clientelismo e empreguismo. Para fazer frente à situação exposta, o governo iniciou, ainda neste ano, no contexto de reformas em nível nacional, o enfrentamento das condições mais críticas de sua governança.

O primeiro desafio foi um amplo processo de recadastramento e classificação de todos os funcionários a partir de dois critérios básicos: tempo de serviço e qualificação profissional. Ato contínuo, obedecendo à ordem de classificação, um a um foi sendo lotado prioritariamente nas escolas. Veio então uma primeira constatação: a de que o número de professores não estava tão aquém das necessidades do Estado. Uma lista de excedentes passou a compor um banco de reserva, sendo os professores posteriormente lotados em áreas mais deficitárias, com maior número de escolas, turmas e alunos. Não se pode afirmar que foi este um movimento tranquilo, o período foi marcado por inúmeras contestações, mas demonstrava à sociedade a que veio o governo.

Uma vez reorganizadas as lotações e feita a identificação de funcionários ―fantasmas‖, o governo estabeleceu debates com o Sindicato dosTtrabalhadores do Acre e sua segunda ação foi partir na direção de solucionar outra questão crucial - a política salarial. À época, o salário de professores no Acre era considerado um dos piores do país, sendo rotulado de ―salário de miséria‖, ―salário de fome‖ e ―vergonha nacional‖.

Segundo Almeida Júnior (2006), gestor da Secretaria de Estado de Educação e atual governador do Estado, ao ser analisado o plano de carreira, identificou-se que os classificados ―salários de miséria‖ pertenciam a 80% dos professores, mas 20% estavam com salários bem acima da média nacional. Outra constatação é que a maioria dos professores estava em meio de carreira, o que indicava que ninguém recebia apenas o salário, pois contavam com um conjunto de gratificações que ao final chegava a dobrá-lo.

No lugar de apenas gerenciar esta situação, o governo se sentiu desafiado a mudar a política salarial e optou pela criação de um novo plano de carreira. Foi deflagrada a partir de então ampla valorização profissional do magistério. No entanto, há que se destacar que os critérios que deram sustentação a esta política foram baseados na equidade e mérito.

Saviani (1998) destaca que, do ponto de vista histórico, o princípio de equidade era utilizado pelos juristas romanos para abrandar o rigor do direito, por meio de uma interpretação benigna, favorecendo certa margem de arbitrariedade nas decisões daqueles que detêm o poder. A equidade é então entendida como um equilíbrio entre o mérito e a

recompensa, o que para o autor justifica a prioridade dada a esse conceito na atualidade, uma

vez que há o endeusamento do mercado e, por isso, o aumento da concorrência e competitividade.

Ainda segundo o autor (2000, p.56), o termo equidade: ―[...] se converteu na categoria central das políticas sociais de um modo geral e, especificamente, da política educacional, sob a hegemonia da orientação política denominada de neoliberalismo‖. No entanto, para o governo do Acre, a base do discurso político foi centrada no legado aristotélico para o uso do termo, em que o princípio da equidade exige o reconhecimento das desigualdades existentes na polis. Portanto, exige a necessidade de tratamento desigual aos desiguais na busca da igualdade entre os homens. No que diz respeito ao mérito, preconizava-se a valorização da dedicação, assiduidade, pontualidade e desenvolvimento profissional previstos no ―Plano de Metas - Compromisso Todos pela Educação‖, uma das ações do Plano de Desenvolvimento da Educação no Estado.

O Plano de Carreira do Magistério do Acre (1999) incorporou então as gratificações aos salários, transformou a jornada de trabalho contratual de 40 horas semanais, fictícias,

porque não eram integralmente cumpridas, para 25 horas semanais e elevou o piso salarial em mais de 100%. Os aumentos foram dados de forma diferenciada, numa escala de 0 a 120%, sendo mais beneficiados os professores que ganhavam menos.

È importante destacar que o Plano de Carreira do Magistério do Acre, em 1998, havia sido elaborado em consonância com a Lei nº 1.252, de 22 de dezembro de 1997, e dividia a carreira em oito classes diferentes. Com a implantação do novo plano, em 1999, conforme demonstrado na TAB. 15, o magistério acriano foi dividido em apenas três categorias: professores sem formação em nível médio (P1), professores com formação em Magistério (P2) e professores com formação em nível superior (P3), com maior aproximação salarial e em oito letras que representavam a possibilidade de progressão por tempo de serviço, indo do ingresso na letra A até completar 25 anos de carreira. A mudança de letra ocorria a cada cinco anos.

TABELA 15

Plano de Carreira do Magistério no Estado do Acre em 1999

A B C D E F

P1 450,00 495,00 540,00 585,00 630,00 675,00

P2 675,00 742,00 810,00 871,50 945,00 1012,50

P3 742,50 816,75 891,00 965,25 1.039,50 1.113,75

Fonte: Secretaria de estado de Educação – Gerencia de Pessoas – 2002.

Em 2001, foi dada nova configuração ao Plano de Carreira do Magistério Acriano, com apenas duas categorias, de acordo com os dados apresentados na TAB. 16. Vale ressaltar que a categoria identificada por P1 – professores com nível médio está, desde então, em franca extinção, em decorrência da ampla política de formação de professores formulada e implementada a partir de 2000 e ainda em andamento no Estado, a qual visa assegurar a formação em nível superior a todos os professores das redes estadual e municipais, objeto de estudo neste capítulo.

TABELA 16

Plano de Carreira do Magistério no Estado do Acre em 2002

A B C D E F

P1 450,00 495,00 540,00 585,00 630,00 675,00

P2 1200,00 1320,00 1440,00 1560,00 1680,00

1800,00

Fonte: Secretaria de Estado de Educação – Gerência de Pessoas – 2002.

A partir de então, as questões salariais deixaram de ser a bandeira de luta e os movimentos sociais e o Estado passaram a focar na qualidade do ensino. Neste contexto, na esteira dos debates que ocorriam em nível nacional e local, ganhou centralidade na formulação e implementação de políticas no campo educacional, como forma de melhorar os indicadores de qualidade de ensino, a formação de professores.

2.5 A formulação e implementação da formação de professores em serviço por meio de

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