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KURULUŞUN BAĞLAMI

Belgede KALİTE EL KİTABI 2019 (sayfa 7-12)

A petição inicial da ação rescisória deve conter os requisitos dos artigos 282 e 283 do CPC e mais aqueles específicos que são: a demonstração do trânsito em julgado; cópia da decisão rescindenda; comprovante do depósito, dentre outros. A exigência do artigo 488, II, do CPC, de comprovação de depósito prévio correspondente a 5% do valor da causa, visa a inibir a proliferação de ações rescisórias. Trata-se, porém, de medida discriminatória, que acaba por obstar o acesso à justiça e que, por essa razão, é inconstitucional, uma vez que eventuais óbices ao ajuizamento da ação rescisória devem-se limitar àqueles relacionados à própria especificidade da demanda e tipicidade de sua causa de pedir.

384 Em verdade, parece que a oportunidade para a parte corrigir a petição inicial deve ser dada, à luz

do princípio da instrumentalidade e com base no art. 284 do CPC, mesmo que não seja caso em que haja dúvida objetiva. Nesse sentido – e, até mais flexível pois sequer entendeu necessário proceder-se à emenda – é o acórdão proferido no RE-AgR 395662/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJ 23.04.2004, que determinou ao tribunal local que apreciasse ação rescisória que havia sido extinta, sem análise de mérito, por impossibilidade jurídica do pedido, porque o autor formulou pedido de rescisão da sentença em vez de buscar a desconstituição do acórdão que a substituiu. Na hipótese retratada no presente artigo, além do princípio da instrumentalidade, há o princípio da fungibilidade a impor, em virtude da fundada dúvida gerada na parte, a oportunidade para corrigir seu pedido e, dessa forma, para que a ação rescisória seja redistribuída e processada.

O autor deve esclarecer, na petição inicial, em qual dos fundamentos do art. 485 do CPC ele sustenta a sua pretensão e deve também, se for o caso, cumular o pedido de rescisão do julgado com o de rejulgamento.

Na petição inicial, há que constar o valor atribuído à causa que, conforme afirma Alexandre Freitas Câmara, “deverá ser determinado a partir daquilo que se pede na rescisória e não a partir do que se pediu na causa original.”386 Ao julgar o AgRg na Pet 5144/MG, o STJ se posicionou no mesmo sentido, esclarecendo que

o valor da causa na ação rescisória deve ser, em regra, o mesmo atribuído à ação que originou o julgado rescindendo. Não obstante, a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que a referida regra deve ser mitigada quando restar demonstrada a discrepância entre tal valor e o benefício econômico auferido com a decisão a ser rescindida.387

À ação rescisória se aplica a regra do art. 284 do CPC, que permite ao autor emendar a petição inicial. Assim sendo, se a petição inicial da ação rescisória não se apresentar de forma muito clara, caberá ao relator determinar a emenda para que o autor esclareça qual a sua causa de pedir. Da mesma forma, não se pode pretender indeferir a petição inicial se o depósito, por exemplo, estiver incompleto. Deve-se, antes, intimar a parte para complementá- lo.

Não é incomum que nas iniciais de ação rescisória, o autor, de forma equivocada, peça a rescisão da sentença, quando tal pronunciamento já foi substituído pelo acórdão. Este vício, porém, é sanável, como reconheceu o próprio STF no seguinte acórdão:

Ação rescisória. Extinção do feito, sem julgamento do mérito, por impossibilidade jurídica do pedido. Entendimento no sentido de que o autor pretendia rescindir a sentença, em vez de buscar a desconstituição do acórdão que a substituiu.

Formalismo excessivo que afeta a prestação jurisdicional efetiva. Erro no pedido que não gera nulidade, nem causa para o não-provimento. [...] Recurso

Extraordinário provido. Remessa ao TRT da 4a Região, a fim de que aprecie a ação

rescisória, como entender de direito.388 (grifo nosso)

386 CÂMARA, 2007, p. 164.

387 Ibid., p. 164. Ao julgar o AgRg na Pet 5144/MG, o STJ se posicionou no seguinte sentido: “o valor

da causa na ação rescisória deve ser, em regra, o mesmo atribuído à ação que originou o julgado rescindendo. Não obstante, a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que a referida regra deve ser mitigada quando restar demonstrada a discrepância entre tal valor e o benefício econômico auferido com a decisão a ser rescindida”. Relator Ministro Hélio Quaglia Barbosa, data de julgamento: 25.04.2007. www.stj.gov.br (acessado em 28.01.2008).

388 Recurso Extraordinário 395.662/RS, Relator Ministro Gilmar Mendes, data de julgamento:

Atualmente, pela regra do art. 489 do CPC, não há mais dúvida de que é cabível a concessão de liminar, tanto cautelar, quanto antecipatória de tutela, na ação rescisória, visando a, em regra, obstar a execução do título judicial.389 Nas palavras de Luiz Rodrigues Wambier, Teresa Arruda Alvim Wambier e José Miguel Garcia Medina,

a alteração realizada pela Lei 11.280/2006 no art. 489, desse modo, cuidou apenas de estabelecer expressamente o que, há mais de vinte anos, já vinha sendo sustentado pela doutrina, em relação à medida cautelar, e, igualmente, passou a ser defendido quanto ao cabimento da antecipação dos efeitos da tutela para obstar a execução de sentença.390

Na seqüência, o relator deverá determinar a intimação do réu para se pronunciar no prazo previsto no artigo 491 do CPC. Esse prazo não pode ser inferior a 15 ou superior a 30 dias. Não se aplica à rescisória nem a regra do art. 191 – uma vez que o juiz, verificando a existência de litisconsortes, poderá fixar o prazo para defesa em 30 dias – nem do art. 188 do CPC, que concerne aos prazos legais, não aos judiciais.391

Hoje, pela regra do art. 489 do CPC, não há mais dúvida de que é cabível a concessão de liminar, tanto cautelar quanto antecipatória de tutela na ação rescisória, visando a, em regra, obstar a execução do título judicial.

Citado, o réu poderá oferecer contestação, reconvenção, exceção e impugnação ao valor da causa. É certo, porém que se o réu for revel nem por isso, necessariamente, a ação rescisória será julgada procedente392. É possível que venha a ser necessária uma fase de instrução, na ação rescisória, que poderá ser realizada no próprio tribunal ou mediante diligência no juízo de 1º grau. Finda a instrução, é aberta vista às partes. Os regimentos internos dos tribunais locais fixam a composição do órgão julgador da ação rescisória.

389 No REsp 795860/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, o STJ assim se pronunciou a respeito da

possibilidade de suspensão da execução de título judicial objeto de ação rescisória: “A ação rescisória do julgado revela nítido caráter prejudicial em relação ao cumprimento do aresto rescindendo, o que, por si só, na avaliação quantum satis do juízo poderia conduzi-lo à suspensão por prejudicialidade da efetivação da decisão judicial (artigo 265, I, a, III do CPC). Deveras, a aplicação subsidiária da regra da execução extrajudicial ao cumprimento da sentença, torna incidente o artigo 791, do Codex Processual, que determina a suspensão da execução nos mesmos casos em que se susta a marcha do processo de ocnhecimento (artigos 791, II, c/c 475-R, ambos do CPC. Inocorre error em procedendo na suspensão do cumprimento do título judicial, quando o mesmo restou rescindido por aresto do E. STF, no cognominado caso APADECO, sujeito, apenas, aos embargos declaratórios”. Data de julgamento 08.05.2007. www.stj.gov.br (acessado em 01.10.2007).

390 WAMBIER; WAMBIER; MEDINA, 2005, p. 203. 391 MOREIRA, 2003, p. 191.

392 Em nosso ‘A revelia sob o aspecto da instrumentalidade’ sustentamos que o autor, na inicial, tem o

ônus de demonstrar a ocorrência de algum dos vícios relacionados no art. 485 do CPC e o silêncio do réu, não oferecendo contestação, não o dispensa desse ônus. O fato de se tratar de aça rescisória e de envolver a desconstituição da autoridade da coisa julgada reforça esse ônus, devendo o julgador ser mais exigente e cuidadoso na análise da prova para fins de formação de sua convicção. (Ibid., p. 170).

Proferido o acórdão, que julga a ação rescisória, contra o mesmo, são cabíveis os recursos de embargos de declaração, embargos infringentes (art. 530 do CPC) e recursos de estrito direito.

5 DO JUÍZO RESCINDENTE E SUA RELAÇÃO COM O JUÍZO RESCISÓRIO:

Estão sujeitas à ação rescisória as sentenças nulas e as sentenças “meramente rescindíveis”. Segundo Teresa Arruda Alvim Wambier, as sentenças meramente rescindíveis são aquelas que não padecem de qualquer vício, nem decorrem de um processo que contivesse vício que pudesse contaminá-la. A elas se refere o inciso VII do artigo 485 do CPC.393

Os possíveis fundamentos para a ação rescisória estão previstos no art. 485 do CPC. Referem-se ao juiz (ou ao juízo), aos atos (atitudes) das partes, aos meios de prova ou à sentença. Quanto à pessoa do juiz, o impedimento (melhor seria que a lei tivesse previsto a parcialidade) é vício que macula o pronunciamento de mérito. Quanto ao juízo, o vício grave que pode levar à rescisão do julgado é a incompetência absoluta. Quanto às partes, o art. 485 do CPC, prevê sua atuação mediante dolo processual e colusão. Também é fundamento para desconstituir a sentença transitada em julgado, ter o pronunciado se baseado em atos de disposição de vontade inválidos. No que se refere às provas, a lei prevê a falsidade e, também, o documento novo, único dos fundamentos que não diz respeito a qualquer nulidade. Far-se-á análise de cada um dessas possíveis causas de pedir, procurando destacar os pontos mais relevantes e a relação que eventualmente possa existir entre o juízo rescindente e o juízo rescisório. Além disso, será sugerida, com base na doutrina e na jurisprudência, uma reflexão sobre alguns aspectos do juízo rescindente.

Belgede KALİTE EL KİTABI 2019 (sayfa 7-12)

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