YATIRIMLARDA DEVLET YARDIMLARI HAKKINDA
KURULUŞLARINDAN ALINMASI GEREKEN BİLGİ VE BELGELER (Değişik: RG-8/5/2014-28994)
Data de poucos anos atrás a incorporação das questões ambientais relacionadas à saúde humana, por parte da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), à atenção primária em saúde. O esforço no sentido de construção da atenção primária ambiental, a partir do final dos anos 90, pelo Escritório Central da Região das Américas do Programa de Qualidade Ambiental/Divisão de Saúde e Ambiente da Organização Pan-Americana de Saúde representa o processo de formulação e de maturação das discussões sobre a problemática ambiental e suas repercussões à saúde nos países latino- americanos e caribenhos. Neste sentido, aponta para a imperiosa e urgente necessidade do enfrentamento interdisciplinar e intersetorial das inter-relações entre a saúde e o ambiente que impactam direta e indiretamente no cotidiano das coletividades humanas e na própria dinâmica funcional dos serviços e sistemas de saúde (IANNI & QUITÉRIO, 2006).
Entretanto, a construção desse campo de saberes e de práticas é ainda bastante recente e, destarte, vem clamando por aprofundamento teórico e, mesmo, aumento do escopo de conhecimentos, pois, trata-se, em muitos casos, de problemas ambientais essencialmente “novos” ou, ainda, de uma concreta e presente incapacidade de manejo de problemas ambientais “antigos”. Este é o caso, por exemplo, das mudanças ambientais globais e seus inúmeros desdobramentos para a saúde das populações humanas e dos ecossistemas ou, por outro lado, da persistência de condições de saneamento e habitabilidade das moradias incompatíveis com uma adequada qualidade de vida e de salubridade do meio que permita às pessoas viverem de forma digna, sobretudo nos grandes centros urbanos, com seus marcantes processos de exclusão e de segregação sócio-espacial. (COHEN et al, 2004).
A atenção primária em saúde, “materializada” na Estratégia de Saúde da Família (ESF), apresenta-se como a estratégia para a reversão do modelo assistencial baseado no hospitalocentrismo e nas doenças. A complexidade
e as recentes transformações do perfil epidemiológico da população brasileira apontam para a necessidade de um novo olhar e de uma prática do setor saúde que permita trabalhar para além das práticas curativas e preventivas e ir de encontro às práticas promotoras da saúde nos espaços cotidianos das vidas das pessoas (IANNI & QUITÉRIO, 2006).
A estratégia de saúde da família corresponde a um “modelo de atenção” assentado nas ações localizadas em “territórios” previamente demarcados e localizados e, desta forma, as maneiras de condução e de organização das ações também são localizadas, o que significa dizer que a atuação das equipes de saúde da família ocupa posição capital neste contexto de práticas. Assim, o trabalho conjunto das equipes de saúde na estratégia de saúde da família conforma o “modo de se fazer saúde“ nestes espaços locais. O “nível local” da atenção primária ambiental corresponde ao “território” da atenção primária em saúde. Entretanto, a configuração do trabalho das equipes de saúde da família se mostra impotente quando confrontada com as inúmeras, distintas e graves questões ambientais presentes nas grandes cidades brasileiras, pois ainda não se conseguiu privilegiar a articulação e a atuação conjunta com as demais dimensões administrativas e das políticas públicas, qual seja, a intersetorialidade baseada e operacionalizada a partir de instrumental técnico, científico, gerencial e de tomada de decisões capazes de potencializar soluções mais integrais e amplas e, por isto, mais efetivas e de maior alcance (AUGUSTO, 2003).
Em relação à temática ambiental, as áreas urbanas metropolitanas representam realidades sócio-ambientais diversas e perversas, articuladas em um mesmo território, com especificidades próprias, entretanto, com determinações de ordem mais geral. Tornando-se claro, portanto, que não há como manter-se no limite singular das equipes de saúde da família, pois estas recebem de forma contínua os impactos dos condicionantes e dos determinantes globais da saúde, sendo urgente instrumentalizá-las de capacidades descritiva, analítica e interventora sobre o território. É notório o enorme desafio das equipes da estratégia de saúde da família diante da necessidade de ampliação do olhar sobre o território – a qualificação do olhar sobre o território – e da aplicação sistematizada de
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conhecimentos e de ferramentas de abordagem e de intervenção sobre a realidade em nível local. A despeito dos grandes avanços no acesso das populações à assistência e aos cuidados básicos de saúde, há muito que se avançar na apreensão e entendimento da realidade concreta nos “territórios” de atuação da estratégia de saúde da família. Conforme a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, 1999):
“(...) de modo que, as equipes de saúde da família confrontam-se de forma ininterrupta com questões ambientais relacionadas à baixa qualidade do ambiente urbano, necessitando, assim, de formação específica para tal enfrentamento e análise e que perpassem, idealmente, pelo desenvolvimento de estratégias de participação e de co-gestão dirigidas para a construção de espaços saudáveis.” (p.30)
CAPÍTULO 5 – CONTEXTUALIZAÇÃO DO LOCAL DO ESTUDO
Em nossa pesquisa, evidenciamos a comunidade do mangue do bairro Vila Velha a partir de três “lentes” principais, abordadas seqüencialmente “do plano mais macro ao plano mais micro”, a saber: primeiramente, analisamos a referida comunidade em suas relações sócio-espaciais com a planície de inundação da Área de Proteção Ambiental (APA) do Estuário do Rio Ceará, em sua margem direita, na divisa entre os municípios de Fortaleza e de Caucaia.
Em seguida, abordamos a comunidade como sendo parte integrante do bairro Vila Velha, o segundo bairro mais populoso da Secretaria Executiva Regional I (SER I), no extremo oeste da capital cearense, ficando atrás apenas do bairro Barra do Ceará, em termos de quantitativo populacional no âmbito da referida regional administrativa de Fortaleza. O bairro Vila Velha ocupa a quinta posição na lista dos bairros mais populosos de Fortaleza e a oitava posição em termos de extensão territorial, com seus 780 hectares. (FORTALEZA, 2006).
E, por fim, enfocamos a comunidade do mangue do bairro Vila Velha como sendo formada pelo conjunto das micro-áreas de risco 1 (um), correspondente às micro-áreas 068, 069, 070 e 071, integrantes da área de abrangência do Centro de Saúde da Família (CSF) João Medeiros. Em verdade, a maior parte do crescimento populacional se fez (e se faz) às custas da ocupação de porções do bairro Vila Velha que se encontram em íntima relação com o ecossistema manguezal, próximas à planície de inundação do Rio Ceará, fato este que gera inúmeros desdobramentos e impactos ambientais, sociais e à saúde, conformando peculiaridades importantes àquela porção da cidade de Fortaleza.
Assim, intentamos mostrar a comunidade do mangue do bairro Vila Velha em sua perspectiva do cotidiano localmente vivido pelas pessoas e experienciado pelos profissionais do Programa de Saúde da Família (PSF) responsáveis pelo atendimento de saúde da comunidade.
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