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3.4.1 Covariáveis preditoras (CVP) iniciais

As variáveis independentes num estudo observacional analítico correspondem aos determinantes do evento em estudo (alta em fisioterapia) e constituem os possíveis indicadores de prognóstico em disfunções do CAO. As covariáveis preditoras (CVP) foram definidas com base nos indicadores de avaliação inicial com o objetivo de identificar indicadores de prognóstico da alta em fisioterapia com base numa intervenção que segue o protocolo utilizado no estudo de Santos e Matias (2011). Assim sendo, a partir dos indicadores de avaliação inicial do estudo de Santos e Matias (2011) constituíram-se dezoito CVP iniciais em utentes com DCAO apresentadas no quadro sinótico (tabela I).

30 Trabalho de Projeto – Armindo Martins Tabela I – Caracterização das CVP iniciais

CVP Iniciais Categorias Tipo de

variável

Nº de categoria

s

1. Idade Entre os 13 e os 60 anos Quantitativa

Contínua

-

2. Sexo Masculino ou Feminino Qualitativa

Nominal

2

3. Origem dos sintomas

Sobreuso ou Trauma ou Postura Mantida ou (Sub- luxação ou Luxação) Qualitativa Nominal 4 4. Duração dos sintomas

Agudo (0-2 semanas) ou Subagudo (2-6 semanas) ou Crónico (+ 6 semanas) Qualitativa Ordinal 3 5. Lado sintomático

Dominante ou Não Dominante ou Bilateral Qualitativa Nominal

3

6. Testes clínicos Hawkins + Neer ou Hawkins ou Relocation test +Anterior release test ou Relocation test ou Anterior release test

Qualitativa Nominal

5

7. Dor no momento

Entre 0 a 6 na EVA Quantitativa Contínua

-

8. Pior dor Entre 0 a 10 na EVA Quantitativa

Contínua - 9. Primeira parte da DASH Entre 0 a 65,80 Quantitativa Contínua - 10. Segunda parte da DASH Entre 0 a 75 Quantitativa Contínua - 11. Terceira parte da DASH Entre 0 a 100 Quantitativa Contínua -

12. SPADI Entre 0 a 67,3 Quantitativa

Contínua

-

13. Controlo motor

Sem concêntrico (conc.) e excêntrico (exc.) ou Conc. parcial sem exc. ou Conc. e exc. parcial ou Conc. total e sem exc. ou Conc. total e exc. parcial

Qualitativa Ordinal

5

14. Padrão de recrutamento

Feedforward TI + GD ou Feedforward TI + Feedback GD

ou Feedback TI + Feedforward GD ou Feedback TI + GD

Qualitativa Nominal 4 15. Posição inicial da omoplata

Dentro espectro ou Fora espectro Qualitativa Nominal

2

16. Amplitudes articulares

Diminuída ou Normal Qualitativa Nominal

2

17. Força muscular

Diminuída ou Normal Qualitativa Nominal

2

18. Postura Alinhamento correto ou Forward Shoulder Posture ou

Shoulder Cross Syndrome

Qualitativa Nominal

3

3.4.2 Redefinição das CVP para cada um dos subgrupos de utentes e definição das variáveis independentes

Pela análise das CVP iniciais pode-se depreender que apesar de estas serem as mesmas para ambas as disfunções do CAO em análise (SCSA e IGU) há diferenças na distribuição das categorias de cada covariável em cada subgrupo de utentes. Por exemplo, a covariável dos testes clínicos apesar de ter cinco categorias no SCSA só duas delas tem n>0. Por esta razão e por em qualquer análise inferencial a dimensão da amostra ser relevante optou-se por redefinir as possíveis CVP para cada um dos subgrupos perfazendo um total de vinte e oito covariáveis

Trabalho de Projeto – Armindo Martins 31

para o SCSA (tabela II) e trinta covariáveis para a IGU (tabela III). Nas variáveis qualitativas ordinais definiu-se as variáveis dummy ou indicadoras de categorias para estas poderem ser incluídas num modelo multifatorial.

Tabela II – Caracterização das CVP para o subgrupo SCSA Covariáveis para o SCSA Categorias Tipo de variável Nº de categorias

1. Idade Entre os 18 e os 60 anos Quantitativa

Contínua

-

2. Sexo Masculino ou Feminino Qualitativa

Nominal

2

3. Etiologia: Overuse

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

4. Etiologia: Trauma

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

5. Etiologia: Postura Mantida

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

6. Duração dos sintomas

Agudo (0-2 semanas) ou Subagudo (2-6 semanas) ou Crónico (+ 6 semanas)

Qualitativa Ordinal

4

7. LS dominante Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

8. LS: não dominante

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

9. LS: bilateral Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

10. Testes clínicos: Hawkins+Neer

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

11. Testes clínicos: Hawkins

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

12. Dor no momento Entre 0 a 4 na EVA Quantitativa

Contínua

-

13. Pior dor Entre 0 a 10 na EVA Quantitativa

Contínua - 14. Primeira parte da DASH Entre 3,30 a 65,80 Quantitativa Contínua - 15. Segunda parte da DASH Entre 0 a 75 Quantitativa Contínua - 16. Terceira parte da DASH Entre 0 a 100 Quantitativa Contínua -

17. SPADI Entre 2,1 a 67,3 Quantitativa

Contínua

-

18. Controlo motor Sem concêntrico (conc.) e excêntrico (exc.) ou Conc. parcial sem exc. ou Conc. e exc. parcial ou Conc. total e sem exc. ou Conc. total e exc. parcial

Qualitativa Ordinal

5

19. PR: Feedforward TI + GD

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

20. PR: Feedforward TI + Feedback GD

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

21. PR: Feedback TI + Feedforward GD

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

22. PR: Feedback TI + GD

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

23. Posição inicial da omoplata

Dentro espectro ou Fora espectro Qualitativa Nominal

2

24. Amplitudes articulares

Diminuída ou Normal Qualitativa Nominal

32 Trabalho de Projeto – Armindo Martins

25. Força muscular Diminuída ou Normal Qualitativa

Nominal

2

26. Postura:

alinhamento correto

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

27. Postura: Forward shoulder posture

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

28. Postura: Shoulder Cross Syndrome

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

Tabela III – Caracterização das CVP para o subgrupo IGU Covariáveis para a IGU Categorias Tipo de variável Nº de categorias

1. Idade Entre os 13 e os 53 anos Quantitativa

Contínua

-

2. Sexo Masculino ou Feminino Qualitativa

Nominal

2

3. Etiologia: Overuse Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

4. Etiologia: Trauma Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

5. Etiologia: Postura Mantida

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

6. Etiologia: Subluxação ou luxação

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

7. Duração dos sintomas

Agudo (0-2 semanas) ou Subagudo (2-6 semanas) ou Crónico (+ 6 semanas)

Qualitativa Ordinal

4

8. LS: dominante Sim ou Não Quantitativa

Nominal

2

9. LS: não dominante Sim ou Não Quantitativa

Nominal

2

10. LS: bilateral Sim ou Não Quantitativa

Nominal

2

11. Testes clínicos: Relocation test + Anterior release test

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

12. Testes clínicos: Relocation test

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

13. Testes clínicos: Anterior release test

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

14. Dor no momento Entre 0 a 6 na EVA Quantitativa

Contínua

-

15. Pior dor Entre 0 a 10 na EVA Quantitativa

Contínua - 16. Primeira parte da DASH Entre 0 a 63,3 Quantitativa Contínua - 17. Segunda parte da DASH Entre 0 a 75 Quantitativa Contínua - 18. Terceira parte da DASH Entre 0 a 100 Quantitativa Contínua -

19. SPADI Entre 0 a 62,2 Quantitativa

Contínua

-

20. Controlo motor Sem concêntrico (conc.) e excêntrico (exc.) ou Conc. parcial sem exc. ou Conc. e exc. parcial ou Conc. total e sem exc. ou Conc. total e exc. parcial

Qualitativa Ordinal

5

21. PR: Feedforward TI + GD

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

Trabalho de Projeto – Armindo Martins 33 22. PR: Feedforward

TI + Feedback GD

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

23. PR: Feedback TI + Feedforward GD

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

24. Padrão de recrutamento: Feedback TI + GD

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

25. Posição inicial da omoplata

Dentro espectro ou Fora espectro Qualitativa Nominal

2

26. Amplitudes articulares

Diminuída ou Normal Qualitativa Nominal

2

27. Força muscular Diminuída ou Normal Qualitativa

Nominal

2

28. Postura:

alinhamento correto

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

29. Postura: Forward shoulder posture

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

30. Postura: Shoulder Cross Syndrome

Sim ou Não Qualitativa

Nominal

2

Após esta redefinição da CVP para cada um dos subgrupos de utentes (SCSA e IGU) considerou-se vinte e oito variáveis independentes para os utentes como SCSA e trinta variáveis independentes para os utentes com IGU para a análise univariada.

3.4.3 Definição da variável dependente

A natureza da variável dependente (VD) desempenha um papel essencial na seleção do modelo de regressão a utilizar (Bonita et al., 2010). Neste estudo a VD corresponde ao tempo em semanas que os utentes demoraram a alcançar todos os critérios de alta em fisioterapia pré-estabelecidos no estudo de Santos e Matias (2011). Como são utilizados dois modelos multifatoriais (mais a frente descritos) foi redefinida a VD consoante a característica do modelo.

Os critérios de alta em fisioterapia estabelecidos para o estudo foram: abolição da dor, aumento da funcionalidade, aumento da estabilidade dinâmica da omoplata e conhecimento e integração de estratégias potenciadoras dos efeitos de tratamento. Na tabela IV é demonstrado como estes foram verificados.

34 Trabalho de Projeto – Armindo Martins Tabela IV – Critérios de alta em fisioterapia (adaptada de Santos & Matias, 2011)

Critérios Como é verificado?

Abolição da dor Score zero na EVA e na SPADI;

Aumento da funcionalidade

Score inferior a 2,67 na DASH e 3,66 na SPADI (MacDermid et al., 2007): Amplitudes articulares e força muscular iguais ao membro contra-lateral e esperadas para a idade do utente;

Realizar AVD´s e actividades laborais sem limitações.

Aumento da

estabilidade dinâmica da omoplata

Controle motor efectivo com activação do TI e GD segundo o mecanismo de

feedforward;

Melhoria da qualidade do movimento com controlo do posicionamento da omoplata ao longo do mesmo.

Conhecimento e integração de estratégias potenciadoras dos efeitos de tratamento

Conhecimento e demonstração das mesmas por parte do utente no sentido de evitar recidivas.

Benzer Belgeler