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Kuruluş Yeri Saptama Teknikleri ve Tek Bir Tesis İçin Kuruluş Yeri Saptama Yöntemleri

H. Rüshenpöhler: En iyi kuruluş yerini, “üretim için gerekli teknik ve ekonomik koşulları öteki olası yerlere oranla en uygun biçimde yerine getiren, bundan

2.6. Kuruluş Yeri Saptama Teknikleri ve Tek Bir Tesis İçin Kuruluş Yeri Saptama Yöntemleri

Em termos de fontes recorreu-se à utilização de documentação escrita e de entrevistas orais. Na documentação escrita privilegiou-se a documentação elaborada pelas diferentes organizações de luta armada (panfletos, comunicados, jornais), a documentação encontrada nos arquivos pessoais e os processos existentes no Arquivo da PIDE/DGS, que se encontra na Torre do Tombo.

A utilização de fontes policiais, sendo incontornável para o período e tema em questão,

40BEBIANO, Rui, 2005, Contestação do regime e tentação da luta armada sob o marcelismo, in Revista Portuguesa de

História, Tomo 37, Coimbra .

41VIEGAS, Tereza, 1996, As Brigadas Revolucionárias: A Resistência Armada à Ditadura (1970-1974), in História

coloca várias dificuldades ao investigador. Sabe-se que a maioria dos interrogatórios policiais é feitos de perguntas e respostas imprecisas, frequentemente com lacunas e parcelas. Os autos de declarações não fornecem uma transcrição do que se passou no interrogatório, mas, são uma criação burocrática posterior. Não se pode esquecer que a maioria dos presos políticos foi sujeito a tortura física e psicológica que está ausente dos autos e que resistiam a dar dados concretos sobre a sua situação, procurando fugir à investigação e iludir responsabilidades. Por outro lado, a polícia omitia ou falsificava nos seus relatórios factos ou objectos da sua investigação de forma a extrair elementos de prova que pudessem sustentar uma condenação em tribunal e fornecer dados susceptíveis de proceder à investigação de outros indivíduos. Além disso, é preciso ter em conta que o conteúdo dos arquivos da PIDE/DGS reportam-se a acontecimentos recentes, encarados ainda de forma traumática pelas pessoas que os viveram ou pelos seus familiares. Portanto, apesar de ser uma documentação fundamental é de evitar considerar a exclusiva utilização desta documentação. É assim dever do historiador ter em conta todas as contingências da utilização das fontes policias procurando cotejá-las e compará-las com outras fontes escritas e/ou testemunhos orais.

A utilização da chamada história oral foi determinante para a elaboração deste trabalho. Devido à falta de documentação escrita produzida por estas organizações, sobretudo a LUAR e a ARA, e ao facto de grande parte dos protagonistas desta história ainda estarem vivos tornou-se fundamental o recurso às entrevistas orais.

Note-se que por história oral entende-se que é uma técnica específica de investigação, um modo de fazer pesquisa, um método e não uma disciplina particular42. O recurso a este método de pesquisa traz consigo um debate, ainda muito intenso no meio académico, sobre a conexão entre história e memória, a subjectividade e o estatuto destas fontes.

A história oral só começou a ganhar protagonismo a seguir à 2ª Guerra Mundial, apesar de o recurso a entrevistas orais já ser amplamente utilizado em outras disciplinas sociais como a sociologia e a antropologia. Os testemunhos orais têm adquirido centralidade na abordagem de temáticas para as quais escasseias fontes e no tratamento de objectos cuja especificidade exige uma particular atenção aos valores, atitudes e percepções dos actores históricos43. O debate sobre a objectividade deste tipo de fonte contínua muito presente. Segundo Irene Pimentel, o depoimento oral não constitui uma prova, embora possa contribuir para esta. O testemunho oral é dado sempre num tempo diferente daquele que actor viveu o acontecimento pelo que já o resultado de uma mediação e reflexão. A memória é selectiva e tem imperfeições, é condicionada pelo esquecimento e pela selecção das lembranças. Ao mesmo tempo, o testemunho oral é provocado pelo historiador

42NIETHAMMER, Lutz (1989), «Para qué sirve la historia oral», Historia y Fuente Oral, nº 2, pag. 13

que interroga a testemunha, em função de um saber prévio, e constrói a sua própria fonte com base numa narrativa que já foi por si previamente estabelecida44.

Por outro lado, nos últimos anos vários autores têm vindo a salientar as características específicas, as potencialidades e a subjectividade desta fonte, considerando que podem ser uma vantagem e não uma desvantagem epistemológica. É de referir os estudos pioneiros de Luísa Passerini sobre as comunidades operárias de Turim em que a autora enfatiza a intersubjectividade da fonte, considerando importante a construção dinâmica, múltipla, relacional e intersubjectiva que o sujeito faz do acontecimento; assim como realça a interpretação do historiador sobre a narrativa oral45.

Actualmente, a historia oral tem vindo a encarar a memória como um objecto de estudo considerando que a credibilidade da fonte não está no grau de exactidão do que é dito mas também no que é silenciado e que possibilita a análise do sentido dado aos acontecimentos. Segundo Miguel Cardina “Se é verdade que os testemunhos nos podem alertar para factos desconhecidos, eles permitem igualmente abordar temas como a subjectividade, a imaginação, o desejo, a estrutura da memória e a relação entre indivíduo e os contextos sociais, políticos, económicos e culturais que o circundam”46.

Apesar de todos os constrangimentos as entrevistas orais permitem colocar o historiador frente a frente com o protagonista da história e ainda que a memória seja um processo filtrado pelo tempo, reconstruída pelas vivências e passagem dos anos, a fonte oral é uma peça indispensável para os trabalhos históricos de épocas mais recentes e é incontornável no quadro do esforço da reconstituição histórica.

Utilizou-se também como material de análise a documentação produzida pelas próprias organizações, sendo de ressalvar a inexistência de documentação abundante deste tipo. A LUAR, sendo uma organização que tinha a sua base militante no exterior, sobretudo, em Paris e Bruxelas, e tendo como foco principal da sua atenção a acção directa e não a produção de matéria teórico- ideologico, não produz praticamente documentação, destacando-se sobretudo os comunicados e o jornal Fronteira, produzido e editado em França e dirigido aos emigrantes portugueses. Por seu lado, a ARA sendo uma organização clandestina e braço armado do PCP, apenas publica os seus comunicados e não há conhecimento de qualquer produção política e teórica. Outra documentação sobre a organização poderá existir nos arquivos do PCP mas como estes se encontram indisponíveis

44PIMENTEL, Irene, 2007, A historia da PIDE, Rio de Mouro, Circulo de Leitores

45ASSERINI, Luísa, 1984, Torino operaria e fascista, Roma/Bari, Laterza; PASSERINI, Luísa, 2003, Memoria e

utopia. Il primato dell’intersoggetività. Torino, Bollati Boringhieri

46CARDINA, Miguel, 2011, Margem de Certa Maneira: O Maoismo em Portugal (1964-1974), Lisboa, Tinta-da-China,

à consulta pública não foi possível aceder. As Brigadas Revolucionárias, por sua vez, vão dar origem ao PRP – Partido Revolucionário do Proletariado – pelo que se preocupam em ter uma produção teórica mais vasta. Esta documetação encontra-se disponível para consulta on-line, através do site da Fundação Mário Soares, que se tem preocupado em digitalizar e colocar à disposição o espólio de vários oposicionistas do Estado Novo.

Por outro lado, esta documentação é sempre marcadamente ideológica e propagandística, resultante de intenções muito específicas, constituindo discursos que deixam de fora por exemplo, quaisquer referências aos processos de discussão que conduziram a essas versões.

Além disso, é preciso referir que o facto de lidarmos com a escassez de fontes e de nos depararmos com a contingência de utilizar fontes muito diferentes para cada organização teve necessariamente efeitos na estrutura desta dissertação. Enquanto para a LUAR e a ARA utilizamos mais as fontes orais e produzidas pela PIDE/DGS, para os capítulos sobre o PRP/BR conseguimos trabalhar com uma maior produção teórica.

Importante foi também a consulta de fontes impressas, nomeadamente os jornais clandestinos que circulavam em Portugal na época e os periódicos das organizações de esqueda radical que existiram em Portugal entre 1967 e 1974: Avante! (PCP), Militante (PCP), Portugal

Livre (FPLN), JAPPA (boletim da Junta de Acção Patriótica dos Portugueses na Argélia), Liberdade

(órgão da FPLN), Passa-Palavra (órgão dos militares da FPLN), A Arma Crítica (FPLN),

Revolução Popular (CMLP), Revolução Portuguesa (Grupo Revolucionário Português de

Libertação), O Proletário (CMLP), O Comunista (CMLP), Unidade Popular (CMLP), Estrela

Vermelha (CMLP), Viva o Comunismo (CCR’S), Bandeira Vermelha (MRPP), Folha Comunista

(URML), Bolchevista (grupo O Bolchevista), Grito do Povo (Grupo o Grito do Povo), Guerra

Popular (Comités Guerra Popular).

No Centro de Documentação 25 de Abril encontram-se espólios de oposicionistas que viveram grandes períodos no exílio e que integram notas manuscritas tomadas em reuniões, sistematização de ideias, minutas de documentos, correspondência e outros documentos que se tornam fundamentais para aprofundar as actividades referentes às oposições Apesar de, nem sempre, estes espólios pertencerem a militantes das organizações armadas, foram fundamentais para compreender os debates que se realizavam sobre a questão da violência politica no seio da oposição portuguesa.

6. Estrutura

Consideraram-se cinco capítulos na estrutura da dissertação. O primeiro procura contextualizar as principais mudanças ocorridas no mundo durante os “longos anos 60” e o seu impacto em Portugal,

destacando a questão da violência política que emergiu nesta altura em Espanha, França, Itália e Alemanha. Pretende-se traçar o quadro que levou a que nestes países, no final dos anos 60, surgissem organizações que se reivindicavam de esquerda, que defendiam o recurso à luta armada para lutar contra o que consideram ser o autoritarismo do Governo, a sociedade de consumo, a injustiça social, sendo que, no caso espanhol e com a ETA, a questão social se entrelaça com a questão nacional pela independência do Pais Basco.

No segundo capítulo analisa-se a radicalização da contestação ao Estado Novo, a partir das eleições de 1958, e situa-se o debate sobre o recurso à luta armada neste contexto. Procura-se, também, compreender a cisão do PCP que deu origem ao aparecimento da FAP e as discussões e cisões que irão ocorrer dentro desta última organização em torno da questão da luta armada.

Nos três últimos capítulos, abordam-se as organizações que realizaram efectivamente acções armadas em território português – a LUAR, a ARA e as BR. Nestes capítulos procurar-se-á traçar os antecedentes de cada uma das organizações; descrever sucintamente as suas acções; analisar a sua estrutura e formas de operacionalização; compreender a forma como a repressão da PIDE/DGS e do Governo afectou cada uma delas.

A conclusão, procura sistematizar de modo articulado como se colocou e que efeitos teve o recurso á violência revolucionária por parte dos sectores mais radicalizados das oposições ao Estado Novo.

Capítulo I