• Sonuç bulunamadı

A questão do envelhecimento é uma problemática que sempre concitou a atenção do homem. Ultimamente tornou-se um tema prioritário pois os idosos atingem 20% da população e tornam-se uma grande franja das sociedades democráticas ocidentais e uma preocupação social dos Estados (Paúl, 2005). Os idosos são, cada dia que passa, em maior número e mais velhos (porque vivem mais tempo). Espera-se que tenham também mais saúde, mais instrução, melhores condições habitacionais e mais disponibilidade para usufruir da cultura e do lazer.

O envelhecimento é antes de mais uma questão demográfica (Fernandes, 2008; Nazareth, 2009; Binstock, 2005; Nações Unidas, 2006; Sen, 1995). O Eurostat,4 a organização estatística da Comissão Europeia, que produz dados estatísticos para a União Europeia e, em Portugal, o Centro de Estudos Demográficos do Instituto Nacional de Estatística (INE),5 têm dado um contributo importante na divulgação de trabalhos sobre a população idosa.

Os dados estatísticos fornecidos pelo INE (2002) permitem a constatação do duplo envelhecimento da população (aumento do número dos idosos, e diminuição do número de jovens) e levam ao reconhecimento de que estamos perante um problema de saúde, de educação e de intervenção social (Simões, 2006). As consequências económicas e sociais derivadas do aumento da população idosa trouxeram novos desafios ao Estado e à sociedade. Por outro lado, os cuidados com os idosos, devido ao insistente estudo da sua realidade física, psicológica e social, têm vindo a pautar-se por novos paradigmas de intervenção, novas metodologias e novos papéis (Osório, 2007).

4 O Eurostat – Gabinete de Estatística da União Europeia. É uma das Direcções Gerais da Comissão

Europeia e tem a sua sede no Luxemburgo.

5 INE: Instituto Nacional de Estatística, criado em 1935, é o organismo oficial de Portugal responsável

por produzir e divulgar informação estatística oficial de qualidade, promovendo a coordenação, o desenvolvimento e a divulgação da actividade estatística nacional.

Perante o avanço do envelhecimento, verifica-se que diminui a disponibilidade dos parentes paratomarem conta dos idosos. Os meios de comunicação fazem eco desta situação e das consequências que o envelhecimento tem sobre o bem-estar das pessoas. São recorrentes, hoje, as temáticas referentes ao aumento do número das pessoas idosas; ao envelhecimento populacional; à impossibilidade de manter o sistema de assistência e de pensões sociais; ao aumento do grau de dependência dos idosos; à necessidade de cuidados adicionais para os idosos.

O envelhecimento não é uma doença. Trata-se de um estado evolutivo normal no qual se produz uma degeneração de funções e órgãos, com o passar do tempo (González et al, 2004). Cronologicamente, nas sociedades modernas, considera-se idosa a pessoa de 65 anos de idade ou mais, que coincidia na definição institucional de velhice e de idade de reforma. Mas a idade de reforma e de velhice deixaram de coincidir. A velhice aparece, agora, associada às incapacidades físicas, psíquicas e mesmo materiais, que surgem nas idades muito avançadas (Fernandes, 2001). A velhice dependente é o grande desafio no início deste milénio. Em contrapartida, as novas gerações,pensava-se antes da crise económica entretanto vivida, virão mais bem munidas para responder às dificuldades materiais e culturais. A velhice, para além de responder às necessidades materiais e sociais, é cada vez mais conotada com os apoios médico-sociais.

Dentro da população idosa distinguem-se vários grupos (González, 2004, p.14):

1. Pessoa idosa sã – aquela cujas características físicas, funcionais e mentais estão de acordo com a sua idade. As actuações a favor destes são de prevenção;

2. Pessoa idosa enferma - aquela que apresenta alguma patologia aguda ou crónica, habitualmente não invalidante. As actuações para com a pessoa enferma encaminham-se para a ajudar a satisfazer as suas necessidades básicas e a evitar complicações originadas pelas patologias;

3. Pessoa idosa dependente - é aquela que precisa de outras para satisfazer as suas necessidades básicas. O objectivo será proporcionar-lhe a melhor qualidade de vida possível e evitar que aumente o grau de dependência.

Por sua vez, o processo de envelhecimento pode ser entendido como a acumulação progressiva de mudanças ao longo do tempo que provocam o aumento da probabilidade da doença e morte do indivíduo (cf. Harman, 1981) ou a partir de quatro postulados (cf. Strechler, 1977; Alonso, 2007, p.21):

1. O envelhecimento é universal, isto é, dá-se em todos os indivíduos.

2. É intrínseco pois as causas que o provocam devem ser de origem endógena e não dependem de factores externos ou ambientais.

3. É progressivo porque as mudanças que conduzem a envelhecer dão-se de forma paulatina ao longo da vida.

4. Além disso, o envelhecimento é degenerativo e manifesta-se nas mudanças físicas, na aparência, na visão, na audição, no sistema cardiovascular, no sistema respiratório.

Deve-se também distinguir o envelhecimento normal do envelhecimento patológico. O normal é a mudança no sistema físico universal, progressivo e irreversível. Um envelhecimento normal exige equilíbrio entre estado físico, psíquico e social. Não é consensual a teorização sobre o envelhecimento. Denomina-se normal porque segue as leis do envelhecimento biológico, e é explicado de várias maneiras (cf. Simões, 2006, p. 32):

1. Há um momento da vida que põe em marcha o gene do envelhecimento que provoca mudanças a nível molecular, celular e de sistema;

2. O envelhecer produz-se porque deixam de funcionar os genes que mantinham o indivíduo jovem;

3. No metabolismo das células produzem-se processos de oxidação - redução, que libertam radicais livres. Há uns sistemas aclaradores que evitam que estes radicais livres produzam alterações da própria célula. Por causas ainda não muito bem conhecidas, se deterioram estes sistemas aclaratórios e se produz o envelhecimento;

4. O envelhecimento ocorre como consequência da acumulação de substâncias tóxicas derivadas do metabolismo celular, em especial em células que não se reproduzem, como as neuronas. A causa é a diminuição dos mecanismos de defesa e um aumento dos processos auto - imunes.

Já o envelhecimento patológico é causado por doenças ou estilos de vida inadequados (Simões, 2006). As doenças, todavia, não são iguais. Há doenças agudas (afecções passageiras - gripe, constipação) e doenças crónicas, isto é, duradouras ou permanentes (coração, tromboses, hipertensão, cancro, artrite). A saúde funcional é aferida pela capacidade de realizar a actividade da vida real, sem ajuda (caminhar, tomar banho, vestir-se, comer). A saúde mental pode ser afectada por desordens mentais tais como: o delírio, a demência, a depressão.

Para além do envelhecimento normal e patológico, alguns autores (cf. Figueiredo, 2007; Benjamim e Cluf, 2001) apresentam o conceito de envelhecimento terciário ou padrão de declínio terminal que é caracterizado por mudanças súbitas em diversas capacidades cognitivas e funcionais, ou seja, uma deterioração dos níveis prévios de capacidade diferente das modificações normais associadas à idade.

Pode-se considerar o envelhecimento segundo a saúde, o envelhecimento precoce, e o envelhecimento administrativo. Uma pessoa idosa é sã quando tem uma função adequada à sua idade e as suas condições físicas não interferem nas suas relações sociais. Entre as doenças mais frequentes dos idosos podemos citar: deficit visual (glaucoma, cataratas, diabetes…); deficit auditivo; úlceras; osteoporose; reumatismo; acidente cérebro – vascular; demência.

As alterações da saúde trazem várias incapacidades (Figueiredo, 2007, p. 65). A Organização Mundial de Saúde (OMS, 2003) propõe o seguinte esquema conceptual para interpretar as consequências das alterações da saúde:

a) Défice na funcionalidade, isto é, anomalia de uma função anatómica, fisiológica ou psicológica;

b) Restrição da actividade: perda de capacidade para exercer actividades consideradas normais para o ser humano;

c) Restrição da participação: o indivíduo fica em desvantagem no que se refere a um papel social considerado normal.

Sendo assim, o envelhecimento (cf. Monteiro et al, 2008) provoca mudanças físicas, graduais e progressivas; mudanças psicossociais (alterações afectivas e

cognitivas, suspensão da actividade, tomada de consciência da aproximação do fim da vida, solidão, declínio do prestígio social…); mudanças quanto à memória; mudanças funcionais (necessidade de ajuda para desempenhar as necessidades básicas da vida diária); mudanças sócio-económicas. De acordo com o entendimento que tivermos da vida, assim há-de ser a perspectiva a partir da qual poderemos olhar e compreender a velhice e a velhice é uma das idades da vida (Abreu, 2005).

Envelhecer é, pois, um processo natural e contínuo, mas que levanta problemas à sociedade, às famílias, às pessoas. O próprio processo de envelhecer concita a atenção dos estudiosos (Medvedev, 1990)6. A velhice não é definível por uma simples cronologia, mas sim pelas condições físicas, funcionais, mentais e de saúde das pessoas (Osório, 2007). Além disso, há fases distintas no processo de envelhecimento:

Uma fase é a da passagem do trabalho ao não trabalho em que há a diminuição das relações sociais e o idoso começa a ter tempo livre e a sua vida necessita de ser reinventada. O não fazer nada transforma-se em cansaço. Noutra fase, reorganiza-se a vida quotidiana, buscam-se antigos amigos e novos saberes. Há ainda a fase em que os idosos perdem a capacidade de participar na vida social. O idoso, que viu alterar o seu papel na sociedade e o seu status na família, também viu, com o aumento da idade e dos cuidados de saúde, oportunidades e espaços sociais novos e promissores (Fonseca, 2006; Manton, Gu e Lamb, 2006).

Benzer Belgeler