O 1.º CEB constitui-se como a etapa da escolaridade, onde se pratica o princípio democrático, que informa todo o sistema educativo e que, por sua vez, tem um contributo decisivo no aprofundamento da democratização da sociedade, perspetivando o desenvolvimento e o progresso, tando ao promover a realização individual de todos os cidadãos, em harmonia com os valores da solidariedade social, como ao prepará-los para uma intervenção útil e responsável na comunidade (Ministério da Educação, 2006).
Este nível de ensino carateriza-se pela monodocência, uma vez que possibilita criar alguma estabilidade nos alunos, oferecendo, de igual modo, condições de gestão integrada e flexível do currículo. Neste dá-se uma maior relevância ao desenvolvimento da linguagem oral e de competências relacionadas com a escrita, leitura, aritmética e cálculo, assim como ao desenvolvimento do meio físico e social e das expressões, como sejam a plástica, a dramática, a musical e a motora.
A LBSE determina o quadro geral do sistema educativo, que indica um conjunto de princípios gerais, dentro dos quais garantem o direito à educação e à cultura. Esta determina como objetivo geral que o ensino deve dar resposta às necessidades da realidade social e, por sua vez, deve promover um desenvolvimento harmonioso, com vista a formar cidadãos livres, responsáveis, autónomos, solidários e com espírito crítico, criativo e democrático.
Para o 1.º CEB, o Ministério da Educação (2006) indica um conjunto de princípios orientadores da ação pedagógica do professor, que incluem aprendizagens ativas, significativas, diversificadas, integradas e socializadoras, requerendo do docente uma atitude de respeito pelas diferenças e ritmos individuais, a valorização das experiências escolares e não escolares anteriores, a consideração dos interesses e necessidades, a estimulação das interações, a promoção da iniciativa, a responsabilização e a valorização das aquisições.
Verificou-se recentemente uma reorganização e requalificação da rede de escolas para este nível, onde salienta-se o prolongamento do horário, através da inclusão de atividades de enriquecimento curricular, viabilizando assim as Escolas a Tempo Inteiro (ETI) e proporcionando uma maior compatibilidade com os horários familiares (Ministério da Educação, 2007a). O Despacho n.º 8683/2011 institui que estas
atividades de enriquecimento curricular devem incidir no domínio desportivo, artístico, científico, tecnológico e das tecnologias de informação e comunicação, de ligação da escola ao meio, da solidariedade e voluntariado, traduzindo-se em atividades de apoio ao estudo, o ensino do inglês, o ensino de outras línguas estrangeiras, a atividade física e desportiva, o ensino da música e as atividades lúdico-expressivas.
Neste nível de ensino, cada domínio disciplinar incorpora um conjunto de princípios orientadores, objetivos gerais e blocos de aprendizagem, sendo que a dimensão dos conteúdos e competências para os diversos domínios é bastante considerável. O despacho n.º19575/2006, de 25 de setembro, estabelece um conjunto de tempos mínimos a ser lecionados nos diferentes currículos ao longo da semana (Quadro 6), salientando que esta distribuição de tempos letivos deve ser equilibrada.
Perante o exposto, encara-se o currículo nacional como sendo um conjunto de aprendizagens e competências, que devem ser geridas de forma flexível, presenteando respostas apropriadas aos alunos e às suas conjunturas. Nesta perspetiva, a escola deve ser um contexto privilegiado, onde se concebe oportunidades que beneficiem o desenvolvimento de competências, em que estas são entendidas como aprendizagens adquiridas e construídas pelos alunos, através de experiências de aprendizagens ativas, contextualizadas, diversificadas e significativas para eles, isto é, aprendizagens que os envolvem no seu processo de aprendizagem (Ministério da Educação, 2001). Logo, o
professor deixa de ser visto como mero transmissor de conhecimentos e passa a ser um indivíduo que cria ambientes diversificados e favoráveis à aprendizagem dos alunos (Freire, 1987).
Posto isto, importa salientar o perfil de desempenho do professor do 1.º CEB, que se encontra estipulado no Decreto-Lei n.º 241/2001 de 30 de agosto. Este decreto- Lei indica que o professor deve ser o responsável pelo desenvolvimento do currículo e deve assumir o contexto de escola inclusiva. O mesmo tem a responsabilidade de mobilizar os conhecimentos científicos das áreas, bem como as competências necessárias para a promoção de aprendizagens significativas. O seu papel também é o de cooperar na construção do Projeto Educativo de Escola (PEE) e na elaboração do Projeto Curricular, em parceria com outros professores. Em relação aos alunos, o Decreto-Lei indica que é sua obrigação desenvolver um processo de ensino fundamentado em situações concretas, adotando a diversidade de competências dos alunos e aproveitando os conhecimentos prévios e as dificuldades para construir novas aprendizagens. O docente deve ainda ter a capacidade de incorporar todas as vertentes do currículo, interligando-as com as aprendizagens do Pré-Escolar e visando as do 2.º CEB, de forma a promover a autonomia progressiva dos alunos. No que concerne à avaliação, o professor tem um importante papel na escolha de instrumentos adequados e articulados ao processo de ensino, com vista ao desenvolvimento de hábitos de autorregulação da aprendizagem por parte dos alunos. Este profissional, na sua prática, não deve descorar a importância do desenvolvimento social dos alunos, de forma a promover a sua formação para a cidadania. Tendo em conta que a relação pedagógica é importante na educação é essencial que este promova a cooperação da família e da comunidade. Em suma, o perfil de desempenho do professor do 1.º CEB exibe um conjunto de princípios que inteiram as diversas dimensões do currículo, em que estes então em perfeita concordância com as competências apresentadas pela organização curricular apresentada pelo Ministério da Educação.