Buscamos evidenciar por meio de categoria “relações estabelecidas com a prática” a tentativa de transposição dos professores entrevistados do que eles vivenciavam nas ações de formação investigadas para a realidade da prática docente. Inicialmente, destacaram-se as falas,
[...] nós fomos corrigindo ponto a ponto [...] a partir de então eu comecei a perceber coisas que eu não percebia [...] (P1);
[...] até em termos, assim, de me sentir mais segura na hora de elaborar, de... a gente vai assimilando. (P2).
O entrevistado 1, ainda, afirmou: “eu tentei implementar na minha área de atuação
essa questão da minha preocupação, primeiro do ensino, ensino de qualidade, não só o
aspecto, dos conteúdos, mas também no que acontece na realidade” (P1).
Ainda sob esta perspectiva, quando questionado se conseguia fazer relações entre os aspectos que via nas ações desenvolvidas pela UAE com as suas práticas de ensino, o mesmo entrevistado afirmou:
Eu lembro que eu tinha, assim, uma dificuldade de colocar um tema específico dentro do que seria adequado pra conversar, então eu pedi pra... esqueci o nome da pessoa, que estava lá, já ta aposentada e ela foi pra sala de aula assistiu uma aula e ela percebeu, nós fomos corrigindo ponto a ponto isso aí então, foi legal porque a gente foi trabalhando dentro dos conteúdos e ela foi participando, foi fazendo avaliação do processo, tanto junto aos estudantes como o meu processo, então isso aí, é, foi bom, eu acho que foi muito positivo. Deu um diferencial porque a partir de então eu comecei a perceber coisas que eu não percebia [...] (P1).
Ressaltamos que o professor 1 deixa transparecer que a UAE, além de auxiliá-lo a enfrentar as dificuldades relativas à sua prática pedagógica, ela se constituiu, ainda, em “um
diferencial, porque a partir de então eu comecei a perceber coisas que eu não percebia [...]”
(P1).
Também a entrevistada 2 ao ser questionada se conseguia perceber ou mesmo estabelecer relações entre os aspectos que via nas ações promovidas pela UAE e suas práticas
de ensino afirma: “eu me senti mais segura na hora de elaborar”. Ela afirmou também que foi
Ainda a mesma entrevistada ao se referir às atividades propostas pela UAE afirmou que todas as iniciativas foram interessantes, mas ressaltou uma em que
a Unidade de Apoio Educacional esteve envolvida que eles trouxeram uns Norte Americanos pra tratar sobre ferramentas de ensino-aprendizagem, onde eles trouxeram um modelo completamente diferente de estrutura de aula, de apresentação de conteúdos, de avaliação de alunos ne, que foi assim muito interessante (P2).
Destacamos, além disso, que a fala anterior vai ao encontro de um dos objetivos dos cursos promovidos pela UAE, sendo este: “apresentar, demonstrando seu emprego, modernas tecnologias educacionais, insistindo-se sempre na importância de que sua utilização seja precedida de pré-opções teóricas e do pré-estabelecimento explícito de objetivos educacionais
consistentes com elas” (Grifos nossos).
A partir do exposto, fica evidente na ótica dos professores entrevistados o papel relevante que a Unidade de Apoio Educacional possuiu no que se refere ao processo de (re) elaboração de seus saberes pedagógicos, tendo se configurado em um espaço oportuno de troca de experiências e de auxílio à prática docente universitária.
Consideramos, por sua vez, que a ação formativa desenvolvida pela UAE foi ao encontro da necessidade de formação contínua evidenciada no âmbito do ensino superior, como pode ser visualizado sob a ótica de Behrens (2002) citada por Masetto (2002) ao enfatizar que
o alerta para a necessidade de construir uma formação contínua referendada na reflexão sobre e na ação docente tem conquistado espaço entre os professores de todos os níveis e, em especial, no magistério do ensino superior. Esse processo
reflexivo aponta caminhos para ultrapassar o “fazer pelo fazer” e aponta para o “saber por que fazer” (BEHRENS, 2002 citada por MASETTO, 2002, P. 64).
Nesta perspectiva, temos, também, a fala do professor 3 que, apesar de avaliar como positiva a experiência vivenciada por ele quando das ações desenvolvidas pelo NAPP,
afirmou: “eu não pude utilizar e nem fazer, nem 20 nem 10% daquilo que eu via”. Quando
questionei sobre o motivo dessa impossibilidade, ele justificou que era devido a
dificuldades instrumentais mesmo. Nós não temos uma equipe crítica, suficientemente, capaz de chegar e já absorver a informação daquilo que se aprendeu lá, nós não temos verba suficiente pra implementar os projetos de ensino que, são pouco incentivados, pra implementar as metodologias e, mas nós temos maior dificuldade mesmo é na massa crítica. Nós temos que construir ao longo de vários anos é a massa crítica suficiente pra poder trabalhar naquelas, naquelas condições ideais pedagógicas (P3).
Ainda referente à experiência vivenciada no NAPP, o mesmo professor aponta aspectos positivos da mesma, mas também expõe alguns limites quanto à realidade que encontrava ao sair daquele meio.
Era muito interessante porque reuniu, reunimos lá uns quinze pra fazer esse curso de várias origens, de várias formações, da matemática, da geografia, tínhamos da veterinária, da medicina, das ciências biológicas e até mesmo de área da computação gráfica, tinham colegas lá de muitas áreas e a gente tinha um ideal comum, o ideal comum era discutir mesmo a visão, a visão humanística mesmo do ensino, a visão social mesmo do ensino, o papel de professor mesmo universitário, nós tínhamos mesmo essas similaridades, aí então, o grupo rendeu bem, rendeu muito, porque a gente tinha um propósito comum, mas nós éramos lá uma ilha iluminada no meio de um oceano e quando saíssemos de lá, nós íamos encontrar aquela outra massa que não tava afeita a isso porque já ta cansada, ou porque tem uma formação muito técnica e não tem vontade, não vê objetividade naquela formação, naqueles aprendizados (P3).
No que tange às experiências propiciadas pelo NAPP para se fazer relações do que se via no referido Núcleo com a prática docente, apesar dessas dificuldades já sinalizadas pelo
professor 7, ele reconheceu que “daquilo que eu aprendi eu apliquei alguma coisa, fui mais
cuidadoso nas minhas programações, eu fui mais contextualizado nas minhas aulas, eu fui
mais arrojado nas metodologias de aula prática de ensino”.
Por fim, referente às experiências vivenciadas no GIZ, assim como as possíveis relações estabelecidas pelos professores entrevistados com sua prática docente, temos as falas seguintes:
P5 - O curso online está complementando muito o que é abordado em sala de aula;
P7 - [...] me deram ideias de como melhorar a minha prática.
Relembramos que a professora 5 remete-se à experiência pela qual vinha passando na instituição de ensino federal investigada, já que no momento era a professora responsável por uma disciplina não presencial, oferecida a todos os estudantes da instituição. E, ainda, reconhecendo a relevância das ações de formação propostas pelo GIZ outro de nossos entrevistados ao dizer do trabalho desenvolvido, ao mesmo tempo, sinaliza a necessidade de melhorar a sua prática docente.
Acreditamos, portanto, que os professores entrevistados foram capazes de estabelecer relações entre o que viam durante o desenvolvimento das ações de formação em
que estiveram inseridos, pela oportunidade que tiveram de refletir acerca de sua prática docente, além de serem-lhes apresentadas as possibilidades de modificá-la.
4.5.7. Aportes sobre a aprendizagem profissional da docência, decorrentes da