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Ahlak ve İyi Niyet Kurallarına Uymayan Davranışın Devam Etmesi a. Ahlak ve İyi Niyet Kurallarına Uymayan Davranışın Devam Etmesi

Belgede İstanbul Hukuk Mecmuası (sayfa 26-31)

E. Bir Yıllık ve Altı İş Günlük Süreler Bakımından Özellik Arz Eden Durumların Değerlendirilmesi

2. Ahlak ve İyi Niyet Kurallarına Uymayan Davranışın Devam Etmesi a. Ahlak ve İyi Niyet Kurallarına Uymayan Davranışın Devam Etmesi

A chamada “ordem urbanística” é um bem jurídico que integra o conjunto de valores ou bens a serem defendidos pela ação civil pública (art. 1º, inc. VI, da Lei n. 7.347/85, com a redação dada pelo art. 53 da Lei n. 10.257/01). Como alerta LEME

MACHADO70,

“Não se definiu explicitamente a locução ‘ordem urbanística’. Parece-me razoável buscar no § 1º do art. 1º da Lei 10.257/2001 uma orientação para estabelecer seu conceito. Ordem urbanística é o conjunto de normas de ordem pública e de interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança, do equilíbrio ambiental e do bem-estar dos cidadãos.

“A ordem urbanística deve significar a institucionalização do justo na cidade. Não é uma ‘ordem urbanística’ como resultado da opressão ou da ação corruptora de latifundiários ou especuladores imobiliários, porque aí seria a desordem urbanística gerada pela injustiça.”.

Releva destacar que a ação civil pública é instrumento de tutela judicial de interesses transindividuais (difusos, coletivos, ou individuais homogêneos), posto à disposição de seus legitimados para que seja possível exigir do Estado o respeito a direitos advindos de situações jurídicas que ultrapassam o âmbito individual. A elevação da “ordem urbanística” à categoria de bem jurídico tutelável pela ação civil pública, desta forma, é mais um reflexo da constatação, de que há a necessidade de garantir a sustentabilidade e harmonia do tecido urbano como meio de promover a justiça social e o bem-estar coletivo – é, em outros termos, mais um aspecto da atividade urbanística estatal.

Com efeito, a tutela jurídica da ordem urbanística pela ação civil pública fornece ao Município e aos legitimados em geral, de maneira inconteste, a possibilidade de exigir judicialmente a observância de regras e diretrizes positivadas na legislação urbanística e que são objeto da atividade urbanística do Poder Público. Em outros termos, “o papel a ser desempenhado pela ação civil pública voltada á proteção da ordem urbanística é o de dar efetivo cumprimento às diversas normas de conteúdo material previstas no Estatuto da Cidade e, evidentemente, em

outros diplomas legislativos federais, estaduais, distritais ou municipais que digam

respeito à ordem urbanística.”71.

Observa-se que a opção do legislador em criar expressamente a possibilidade da tutela jurisdicional por meio de ação civil pública para este bem material específico (ordem urbanística) parece ter por escopo afastar a discussão sobre a admissibilidade desta ação para a defesa ou promoção de quaisquer questões de cunho urbanístico que ultrapassem a escala individual, haja vista a expressão “quaisquer outros direitos difusos ou coletivos” utilizada no art. 1º, inc. IV

da Lei n. 7.347/8572. Não há dúvida que o interesse transindividual à cidade

desenvolvida de maneira socialmente justa e equilibrada deve ser classificado como do tipo “difuso”, embora a tutela judicial de tal interesse, eventualmente, e a depender da lesão realizada ao bem jurídico “ordem urbanística”, possa ser requerida em face de um interesse coletivo em sentido estrito ou mesmo individual homogêneo. Por consequência, a inserção do inciso VI no art. 1º da Lei da Ação Civil Pública acaba por dar completude formal ao sistema jurídico entabulado a partir do art. 182 da Constituição Federal: o Poder Público tem o dever-poder de exercitar a atividade urbanística na forma e para os fins constitucional e legalmente estatuídos, sendo a ação civil pública o instrumento jurídico hábil a exigir do Poder Judiciário a correção de eventuais lesões (futuras ou atuais) ao bem jurídico “ordem urbanística”73.

Importante ressaltar, também, que a alteração formal promovida na Lei da Ação Civil Pública pelo Estatuto da Cidade apenas detalhou a diretriz do ordenamento jurídico brasileiro alinhavada na Constituição Federal de que o meio ambiente urbano equilibrado é bem jurídico não só passível de tutela como reconhecidamente indispensável ao bem-estar da população que vive nas cidades.

Tal legislação reafirma a imprescindibilidade de atuação do Poder Público para a tutela do meio ambiente urbano e evidencia a tensão entre o interesse difuso à ordenação adequada do espaço físico-social da cidade, para a necessária fruição

71 BUENO, Cássio Scarpinella. Ação Civil Pública e Estatuto da Cidade in Estatuto da Cidade (Comentários à Lei Federal nº 10.257/2001). DALLARI, Adilson Abreu e FERRAZ, Sérgio (coordenadores). 2. ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 405.

72 Ibid., 2006, pp. 404/405.

73 Revela a preocupação do legislador em garantir a efetividade da tutela jurisdicional da ordem urbanística por intermédio da ação civil pública a disposição veiculada no art. 54 do Estatuto da Cidade, que deu nova redação ao 4º da Lei n. 7.347/85, e incluiu expressamente a possibilidade de ajuizamento de ação cautelar autônoma ou preparatória em face de possível lesão à ordem urbanística.

de suas funções sociais, e os interesses individualmente considerados dos proprietários de terrenos, que pretendem auferir o máximo proveito desta condição. Elementos centrais deste debate são as discussões acerca da edificabilidade em solo urbano e da natureza jurídica do potencial construtivo, itens abordados na sequencia deste estudo. Por ora, importa destacar que o urbanismo dá condições técnicas formais ao planejamento urbano, que é tornado exigível pela lei urbanística elaborada de acordo com os princípios e regras estatuídos na Constituição Federal e no Estatuto da Cidade – tal é a ordem urbanística a ser implementada pela atividade urbanística do Município e exigível junto ao Judiciário, sendo o plano urbanístico o ponto de partida para a sua compreensão. Exatamente em virtude de tal condição, releva analisar os métodos e instrumentos de interpretação que dão suporte à compreensão do direito à cidade e do direito urbanístico, detalhados no Capítulo 3 deste estudo.

Belgede İstanbul Hukuk Mecmuası (sayfa 26-31)