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Kur‟ân‟daki DiriliĢ Örnekleri

A. Fahreddin Râzî‟nin DiriliĢi TemellendiriĢi

6. Kur‟ân‟daki DiriliĢ Örnekleri

denúncias de desmandos, em especial envolvendo o seu presidente Renan Calheiros, cuja presença foi tolerada em nome da coligação que sustenta o governo. No geral das medidas difíceis de aprovar, o Executivo é obrigado a ceder no alcance das propostas e atender a barganhas dos políticos, tais como liberação de verbas, nomeações e etc.37 Também se verifica o atendimento a reivindicações desta ou daquela bancada, como a bancada ruralista, geralmente de fito eleitoreiro. No balanço final de 2007, o governo perdeu a CPMF, mas conseguiu manter a Desvinculação de Recursos da União (DRU).

Contudo, para ilustração, cabe salientar a crescente resistência dos Legislativos, via demanda da sociedade, detectada em vários movimentos sociais novos, em relação aos aumentos de impostos. Pode-se dar como exemplo o caso da própria CPMF, que consumiu boa parte do ano de 2007, sem sucesso, bem como no caso dos aumentos de alíquotas de ICMS propostos pelo governo gaúcho em 2006 e 2007, também desaprovados em situação similar.

4.6 MODELOS IDEAIS PARA REFORMAS DAS TRANSFERÊNCIAS

Não obstante a existência de dificuldades políticas em aprovar reformas ideais e abrangentes, identifica-se algumas idéias, e elas são úteis, pois podem servir de norte para a formulação das propostas que tramitarão na realidade. Trazem-se algumas a título de exemplo. O fato central é que a reforma do sistema tributário tem de ser pensada em conjunto com o sistema das transferências, pois se complementam mutuamente.

O modelo ideal, recomendado em toda a literatura que trata das finanças públicas, parte do pressuposto que cada ente federativo deve conseguir o máximo de recursos por meios tributários. As transferências são usadas somente na medida

37 Notícia da Folha de São Paulo de 21 de setembro de 2007 dá conta que o governo, para aprovar a

CPMF, buscou acordo com a bancada ruralista, com a promessa dos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Reinhold Stephanes (Agricultura) de rolar a dívida de R$ 102 bilhões (p. A5 e A7).

em que sejam necessárias para equalizar os gastos nas unidades que não contem com uma base tributária suficiente. Recomenda-se então partir da tributação potencial de cada unidade federativa e, se essa não for suficiente, as transferências exercem o papel complementar. Assim, partindo da arrecadação potencial, e não da efetiva, o sistema não induziria à preguiça fiscal, pois ainda haveria margem a explorar nas bases tributárias próprias para atender as demandas e fechar os orçamentos. Atendido isso, seria possível ter descentralização de atribuições com controle social exercido pelos contribuintes que residem na unidade.

Um fundo de equalização para os estados é um mecanismo de distribuição de recursos destinado a promover o equilíbrio horizontal entre os entes, considerando a receita disponível per capita “versus” a capacidade de gasto per capita. A equalização faz a aproximação de gasto per capita entre as jurisdições, diretamente, calculando a receita per capita própria de cada governo e definindo as transferências em função delas. O diferencial é que a estimativa da receita própria que cada governo leva em conta suas bases tributárias e o sistema tributário vigente, como o indicador da capacidade própria de gasto per capita, cuja resultante é a capacidade de prover serviços. As vantagens da equalização é que esta permite a construção de um sistema dinâmico, adaptável às mudanças tributárias, sociais e econômicas, com flexibilidade técnica para manter o equilíbrio horizontal.

O sistema poderá ser de conta aberta ou conta fechada. Na conta aberta, define-se um valor de referência per capita por governo e complementam-se os recursos para todos os entes que ficam abaixo desse valor. Na conta fechada, se tem um valor fixo para o financiamento e se distribui proporcionalmente aos entes que ficam abaixo da linha definida. Além do critério da população, pode-se usar uma parte pequena com base no esforço fiscal de cada um. Pode-se também contemplar capacidade de gasto per capita dos governos considerando os diferentes custos dos serviços prestados.

Os Gráficos abaixo demonstram algumas das alternativas para a melhoria dos sistemas de distribuição. V R 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 G1 G2 G3 G4 G5 G6 G7 G8 G9 G10 G11 G12 G13 G14 G15 G16 G17 G18 G19 G20

Governos Ordenados por Receita per Capita

R e c e it a pe r ca pi ta

Gráfico 6 – Exemplo de conta aberta com um valor de referência (VR) Fonte: Barato (informação verbal) 38

Outra possibilidade, no caso da conta aberta, a partir de um montante disponível, se estabelece o nível de equalização, como no gráfico abaixo.

38 Informação fornecida por Gedalva Barato na REUNIÃO DO GRUPO DE TRABALHO DA

ARRECADAÇÃO (CONFAZ), ocorrida em Brasília, no ano de 2007. Apresentação em power point chamava-se “Transferências intergovernamentais no Brasil: transferências redistributivas”.

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 G1 G2 G3 G4 G5 G6 G7 G8 G9 G10 G11 G12 G13 G14 G15 G16 G17 G18 G19 G20

Governos Ordenados por Receita per Capita

Re c e it a pe r ca pi ta

Gráfico 7 – Exemplo de sistema com conta fechada sem VR. Fonte: Barato (informação verbal)39

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 G1 G2 G3 G4 G5 G6 G7 G8 G9 G10 G11 G12 G13 G14 G15 G16 G17 G18 G19 G20

Governos Ordenados por Receita per Capita

R ece it a p e r cap it a

Gráfico 8 – Exemplo de equalização proporcional Fonte: Barato (informação verbal)40.

39

Idem.

Uma proposta para o Brasil poderia ser o percentual de 90% dos recursos para equalizar a receita disponível per capita e 10% para premiar o esforço fiscal com a arrecadação própria. Todos que se situam abaixo do Valor de Referência (VR) definido participariam da equalização, mediante rateio proporcional à necessidade de recursos para alcançar o VR. O montante de recursos para financiar viria de um percentual definido sobre o montante da arrecadação federal de todos os tributos e não apenas do IPI e do IR. Assim seriam garantidos os ajustes dinâmicos às variações econômicas e demográficas, com a previsão também de permitir ajustes técnicos e de um comitê gestor que tenha poderes de decidir por maioria e dotado de insulamento às influências políticas.

Os sistemas redistributivos são complementares ao sistema tributário. Portanto, uma proposta de reforma tributária deve levar em conta este outro lado da mesma moeda. O ideal seria termos um sistema de equalização que levasse em conta a arrecadação potencial de cada ente federativo e suas necessidades de gasto. A equalização comporta várias alternativas quanto ao grau de redistributividade. Mas, esta não será uma escolha técnica simplesmente, é um assunto que envolve uma lógica própria, bastante explosiva e que depende das preferências políticas. O importante é que o sistema seja flexível para gerar os resultados no que se refere à redução das disparidades e adequação às demais receitas dos governos beneficiados. É importante considerar todas as formas de transferências existentes. Hoje, as formas existentes são resultado de várias camadas que foram se sobrepondo ao longo do processo histórico, adotando, como vimos acima, uma série de lógicas diferenciadas, segundo o momento e as circunstâncias e que compõem os orçamentos dos governos. A cada montante de recursos já assegurados se gera um nível de despesas e direitos assegurados em relação a eles. E essas forças se mobilizam fortemente para defender seus recursos, sendo, portanto, uma mobilização contrária ao projeto de corrigir as assimetrias existentes e garantir mais eqüidade e controle social para os gastos públicos.

5 TRIBUTAÇÃO RECENTE E REFORMA TRIBUTÁRIA41

A denominação “Reforma Tributária” geralmente está associada a uma proposta de mudança ampla no texto constitucional. As propostas se modificam e se sucedem, de acordo com as discussões havidas em cada episódio, como veremos. No período mais recente, ocorre o debate e várias formulações já foram feitas. Ao mesmo tempo em que parece que a Reforma não prospera, no bojo do debate travado, surgem muitas idéias, que acabam sendo implantadas por meio de legislação complementar ou ordinária, medidas provisórias, ou até mesmo por ordenamentos inferiores. Assim, o Sistema Tributário brasileiro é um centro fértil de constantes discussões e mudanças.

Neste Capítulo, trazemos a lume algumas das experiências internacionais relativas à tributação do valor adicionado, leia-se IVA. A seguir descrevemos a tributação atual no Brasil, enfatizando algumas das modificações ocorridas. Por fim, relatamos as propostas mais recentes da Reforma Tributária e as modificações do Simples Nacional.