II. ARAŞTIRMANIN METODU
II.2. Kavramlar Ve Kaynaklar
3.2. Kur'an'ı Kerîm'de Tertîl Kavramı
No presente estudo se delinearam o uso de medicação e as dificuldades segundo o sexo na população idosa cadastrada em UBS de Maracanaú. Os resultados indicam que as mulheres recebem mais orientações do serviço de saúde, porém são as que mais apresentam doenças crônicas, são mais medicalizadas, mais se automedicam e usam incorretamente as medicações, em comparação ao sexo masculino.
As características sociodemográficas dos idosos em estudo indicam necessidades de intervenções coletivas e individuais na utilização adequada dos medicamentos. Os dados ressaltam maior sobrevida das mulheres, 72,2% da população estudada, o mesmo identificado em distintos estudos (MARIN et al., 2008; CASCAES et al., 2008; BUENO et al., 2009).
Segundo dados divulgados pelo IBGE (2010), há registro de excedente de 3.941.819 mulheres em relação ao número total de homens. Compreende-se, portanto, que há perspectiva de a feminização se manter, como o número crescente de idosas em nosso país.
O estudo confirma, a exemplo de outros estudos assinalados no início deste trabalho, que as mulheres procuram com maior intensidade os serviços de saúde, estão mais atentas aos sintomas físicos e dispensam maior atenção aos problemas de saúde (TEIXEIRA & LEFEVRE, 2001 apud TATRO, 2009). A idade dos idosos em estudo corrobora o aumento da expectativa de vida e sua presença nos serviços de saúde (IBGE, 2010). Porém, os serviços de saúde ainda não estão preparados para atender às exigências dos idosos, o país possui um sistema de saúde desorganizado, com baixa resolubilidade para enfrentar os problemas de saúde dessa população (VERAS, 2003).
O estudo trata do êxodo rural: (92,4%) dos entrevistados, com os familiares, migraram do interior do Estado em busca de oportunidades de emprego. O fato se justifica porque o município deste estudo gera mais de 15 mil empregos diretos, considerado o mais importante polo industrial do Ceará.
Esta pesquisa identificou que a baixa escolaridade dos idosos é considerada sério fator de risco no uso das medicações, diante da complexidade dos esquemas medicamentosos que utilizam. O estudo afirma que as mulheres se encontram em situação mais privilegiada do que os homens em relação à escolaridade: 56% das mulheres são alfabetizadas em comparação a 14% dos homens. Os dados corrobora com a Síntese de Indicadores Sociais 2010, que registra que as mulheres são mais escolarizadas porém, continuam sendo menos renumerada.
Segundo Villar (2004), a educação ao longo da vida e na velhice é instrumento fundamental para a determinação de velhice bem-sucedida. Uma das funções da educação é ensinar algo a ser usado posteriormente. A escola ministra saberes, valores, competências e habilidades com base nessa presunção.
A renda foi aspecto relevante neste estudo. Os resultados assinalam que os idosos apresentam renda insuficiente para arcar com as despesas pertinentes às consequências do processo de envelhecimento, principalmente em relação à saúde. A esse respeito, ressalta-se a questão do empréstimo consignado,3 em que 13 (36,4%) dos idosos deste estudo comprometem boa
parte do seu rendimento mensal. Com o baixo rendimento salarial (R$ 375), sua condição de vida os expõe à escassez e maus hábitos alimentares, deixando-os mais vulneráveis às doenças.
Segundo o Ministério da Previdência Social, as operações de crédito consignado feitas por aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) até junho de 2012, totalizaram R$ 2,762 bilhões. Houve acréscimo de 15,75% ao mesmo período de 2011, quando foram liberados R$ 2,386 bilhões. Pela lei, a pessoa pode comprometer no máximo 30% da sua renda mensal. Porém, as facilidades e a carência fazem com que os idosos levantem novos empréstimos, antes de ser quitado o anterior. As dívidas, no entanto, se transformam em grande bola de neve (PREVIDÊNCIA SOCIAL, 2012).
Os dados indicam que as mulheres (25,2%) fazem mais empréstimo consignado do que os homens (11,2%), o que pode estar relacionado à questão
da violência financeira de familiares. As mulheres, por necessidade de companhia, geralmente optam em morar com os filhos, que aproveitam a oportunidade para fazer empréstimo, adquirindo bens pessoais e materiais. O idoso fica vulnerável a receber menos e não consegue suprir as necessidades básicas.
Estudo de Camargos, Machado e Rodrigues (2007) mostrou a tendência cada vez maior da participação da renda do idoso na renda familiar, e como afetaria a estrutura familiar e a independência social e financeira do idoso. Lebrão e Laurent (2005) observaram em seu estudo que a participação da renda do idoso na receita doméstica chegaria a até 45% do orçamento total. Na ocasião, os profissionais alertaram sobre o empréstimo consignado, que colocava em risco a sobrevivência do idoso.
Quanto à moradia, a maioria 30 (84%) dos idosos do estudo têm casa própria. Os dados corroboram estudo de Neri, 2007;PNAD, 2009 e Santos et al. (2002), no município de João Pessoa, capital da Paraíba; 82% dos idosos possuíam casa própria, como resultado de patrimônio acumulado durante anos. O governo federal, pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”8, permite o
crescimento de acesso à casa própria entre a população idosa.
A maioria dos idosos (84%) refere morar com familiares e/ou somente com esposo/esposa/companheiro/companheira. Porém, como citado, 6 (16,8%) afirmam que moram sozinhos; destes, 5 (14%) são mulheres. O que se justifica por questões culturais ou por exercerem função de cuidadora e não terem dificuldade de cuidar de si próprias, diferentemente dos homens, que procuram sempre sua companhia para fazer esse papel.
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8Programa Habitacional Popular – Minha Casa Minha Vida - Entidades – PMCMV-E tem como objetivo atender as
necessidades de habitação da população de baixa renda nas áreas urbanas, garantindo o acesso à moradia digna com padrões mínimos de sustentabilidade, segurança e habitabilidade. O Programa funciona por meio da concessão de financiamentos a beneficiários organizados de forma associativa por uma Entidade Organizadora – EO ( Associações, Cooperativas, Sindicatos e outros ), com recursos provenientes do Orçamento Geral da União – OGU, aportados ao Fundo de Desenvolvimento Social – FDS. O Programa pode ter contrapartida complementar de estados, do Distrito Federal e dos municípios, por intermédio do aporte de recursos financeiros, bens e/ou serviços economicamente mensuráveis, necessários à composição do investimento a ser realizado.
Os domicílios unipessoais cresceram nos últimos anos, ratificando o Censo Demográfico de 2010. Além disso, Camargos, Machado e Rodrigues (2007) assinalam:
Seja por opção ou por necessidade, idosos vivendo sozinhos podem se tornar cada vez mais comuns na sociedade brasileira, e cabe a essa, juntamente com o Estado e a família, dar o suporte necessário para que esse tipo de arranjo domiciliar não se torne um risco para a saúde e a qualidade de vida dessas pessoas (...) (p.49).
Inegavelmente, o idoso que tem problemas crônicos e mora sozinho corre maior risco de usar inadequadamente os medicamentos, ter problemas com interações medicamentosas,3 iatrogenias,4 quedas e hospitalizações, além
do isolamento social.
Com relação às doenças crônicas, o estudo evidenciou que os idosos apresentaram média 1,64 doenças crônicas com desvio padrão de 0,683; as mulheres (72%) têm maior número de doenças crônicas, a hipertensão foi o problema de saúde mais assinalado pelos idosos (95,2%), seguido da cardiopatia (28%), diabetes mellitus (22,4%), dor crônica, osteoartrose, labirintopatia, epilepsia e dislipidemia.
O estudo confirma dados divulgados em abril de 2012 pelo Ministério da Saúde. Registrou-se que praticamente 60% da população com mais de 65 anos tem HAS, sendo a doença mais comum entre as mulheres (25,4%) do que entre os homens (19,5%).
Dados referentes ao diagnóstico das internações hospitalares, entre os idosos, mostram que as doenças cardiovasculares foram as mais frequentes, seguidas das doenças do aparelho respiratório e endócrino. Essas enfermidades, por serem crônicas, além do alto custo na assistência à saúde, favorecem risco de complicações em seu estado geral, comprometendo a qualidade de vida. Para Barros e Sá (2007), a hipertensão arterial e o diabetes, por serem crônicos, demonstram maior uso de medicamentos com prescrição médica.
A saúde dos idosos se relaciona às condições socioeconômicas em que vivem. Segundo Helman (2009):
os fatores econômicos e a desigualdade social são algumas das causas mais importantes de má saúde; a palavra “pobreza” pode resultar em desnutrição, condições de vida em aglomerações, roupas inadequadas, níveis ruins de educação, casa ou trabalho situados em áreas com riscos ambientais maiores (como nas proximidades de fábricas que produzem resíduos tóxicos), bem como exposição à violência física e psicológica, estresse psicológico e abuso de drogas e álcool. (p.14)
Além disso, contata-se que a população em estudo apresenta hábitos nutricionais abaixo de suas exigências básicas, o que se justificado pelo baixo poder aquisitivo e dívidas associadas ao empréstimo consignado.
Sabe-se, no entanto, que as consequências clínicas dos distúrbios nutricionais levariam o idoso ao baixo peso, à desnutrição, ao maior risco de infecções, baixa capacidade de cicatrização, menor resposta às terapêuticas cirúrgica e medicamentosa, maior tempo e custo de hospitalização.
Os resultados dos hábitos alimentares em estudo vão ao encontro da Síndrome da Fome Oculta, problema nutricional ocasionado pela diminuição dos estoques de vitaminas e minerais, causando carência de um ou mais micronutrientes no organismo. O problema se origina na má nutrição, e seus sinais e sintomas somente se evidenciam quando é grave o estágio. Acomete indivíduos que não têm alimentação variada em relação aos grupos alimentares (MARTORELL, 2001).
Perda de apetite, problemas digestivos, depressão e alteração na perda sensorial são alguns sintomas da Fome Oculta. As consequências da alimentação inadequada são cãibra, cansaço, fraqueza, vulnerabilidade a infecções, pele opaca, flacidez, rugas, queda de cabelo e obesidade, além de transtornos emocionais (irritação e oscilação de humor), que pioram quando se demora a procurar tratamento. Imprescindível, portanto, o diagnóstico, obtido por exames de sangue e avaliação médica. Os sintomas com frequência são confundidos com outras patologias, levando o idoso a usar maior número de medicamentos.
Quanto à relação dos idosos com a UBS, os dados retratam que a maioria 20 (56%) utilizam somente a Unidade Básica de Saúde para o serviço de saúde. Esse número é acrescido de 16 (44,8%) idosos que, além da UBS, fazem acompanhamento em outros locais nos níveis secundário e terciário. Cresce, em consequência, a responsabilidade dos profissionais de saúde frente à prescrição, transcrição, dispensação e utilização dos medicamentos.
O estudo evidencia que o número de profissionais de saúde é insuficiente para atender à demanda da população em estudo; agendamento acontece somente de 2 em 2 meses. Como a tendência do número de idosos é aumentar, prevê-se, sem dificuldade, na mesma estrutura (UBS), o distanciamento cada vez maior do acompanhamento do idoso. A fila e o tempo de espera da consulta, do mesmo modo, são fatores que comprometem a qualidade do atendimento. Apesar do agendamento da consulta, atende-se por ordem de chegada. Vários idosos chegam cedo à UBS para garantir o atendimento; por ser área de risco, se expõem à violência urbana.
Aspecto relevante é o desjejum, ou café de manhã. Diversos idosos comparecem à unidade sem se alimentar; no máximo, alimentam-se muito cedo a fim de garantir a vaga. Dependendo da demanda, aguardam o atendimento de 3 a 4 horas. Segundo relatos, após “pegar a ficha de atendimento”, vão até em casa se alimentar, e não voltam para a consulta.
Paz e Santos (2004) detectaram que os idosos procuram os serviços de saúde em maior proporção do que as pessoas dos demais grupos etários. A procura por motivo de doença crônica foi mais elevada do que a observada em casos de doenças não crônicas (28,9% e 8,1%, respectivamente). A prevalência das doenças crônicas degenerativas é muito acentuada entre os idosos, havendo como consequência maior tempo de internação hospitalar, recuperação mais lenta e maior frequência de reinternações e invalidez, tornando mais onerosa a assistência.
O tempo da consulta e a interrupção não oferecem condições de privacidade, escuta e diálogo entre o profissional de saúde e o idoso, principalmente no que se refere às orientações quanto ao uso das medicações. Devem ser levados em consideração a baixa escolaridade e os métodos
utilizados para orientação (verbal e escrita). Não há intervenções lúdicas como estratégia de aprendizagem para uso/administração correta dos medicamentos. Os dados revelam que os ACSs, apesar das diversas atribuições que desenvolvem no contexto familiar em sua área de abrangência, conseguem cumprir apenas uma visita domiciliar por mês a 89,6% dos idosos. Subtende-se que não existe acompanhamento adequado que atenda a todos. Se o idoso que mora sozinho toma remédio errado, assim continuará até a visita seguinte.
A grande maioria (86,8%) informou ter recebido orientações dos profissionais de saúde sobre o uso dos medicamentos, porém (70%) referem ter dúvidas na tomada da medicação. Os dados acusam que o método de orientação utilizado pelos profissionais de saúde em estudo não é eficaz ou não está sendo adaptado ao contexto sociocultural e econômico do público-alvo. Considerando-se que as variáveis educação e saúde devem ser articuladas, o analfabetismo compromete a qualidade de saúde desses idosos. Há falta de conhecimento, compreensão e cuidados na promoção de sua saúde (LOPES & OLIVEIRA, 2004).
Blanski e Lenart (2005) concluíram que o idoso que consome diversos medicamentos apresenta dificuldade de entendimento com relação ao esquema terapêutico, gerando discordância com o tratamento prescrito, acarretando danos à saúde.
Silva e Santos (2010) complementam que o déficit cognitivo e o analfabetismo do idoso e do familiar cuidador são impasse à administração correta dos medicamentos. Ressaltam que as atividades triviais dos idosos devem ser valorizadas, com o intuito de associar o momento indicado para fazer uso correto das medicações prescritas, pois esse método é mais fácil de ser compreendido do que os “signos verbais”.
O déficit de memória dos idosos em estudo se evidencia quando a maioria (84%) afirma que já se esqueceu de tomar os medicamentos. Segundo Yassuda (2007), as pessoas mais velhas têm maior dificuldade em organizar as novas informações e usar estratégias para gravá-las eficientemente. Eles
tendem a não usar estratégias espontaneamente (como fazer associações com outras informações ou criar imagens visuais); quando o fazem, são menos eficientes.
O fato de 16 (44,8%) dos idosos fazerem acompanhamento com mais de um médico representa dificuldade e preocupação para a equipe de saúde, em função da falta de comunicação entre os profissionais, apesar de existirem mecanismos formais de referência e contra referência.
A grande maioria (86,1%) não observa o prazo de validade, implicando risco. Segundo a Anvisa (2010), os remédios vencidos, além de sofrer alterações em sua composição, diminuem sua eficácia e causam efeitos tóxicos.
Sobre o local de armazenamento dos medicamentos no domícilio, os dados coincidem com o estudo de Schenkel et al (2005); (43%) dos entrevistados armazenam os medicamentos na cozinha e (28%) no quarto. Porém, segundo recomendações da Anvisa, 2010, os medicamentos devem estar protegidos da luz direta, calor e umidade. Locais quentes, como a cozinha, e úmidos, como o banheiro, devem ser evitados. Além de causar alterações em sua composição, diminuíriam sua eficácia ou haveria efeitos tóxicos, mesmo dentro do prazo de validade.
Os dados confirmam que a automedicação (89,6%) é prática comum aos idosos, principalmente em situação de dor; seguem-se os anti-inflamatórios e digestivos. Os medicamentos foram adquiridos sem indicação e sem prescrição médica. Resultados semelhantes obtiveram Coelho et al, 2004: mais de um terço dos idosos residentes nas áreas periféricas de uma cidade do Nordeste utilizavam medicamentos não prescritos. Cascaes et al, 2008, ao avaliarem o perfil de grupos de terceira idade em uma cidade do sul do Brasil, identificaram que a grande maioria (80,5%) dos idosos se automedicava.
Esta pesquisa revela que a automedicação dos idosos se relacionaria ao acesso ao atendimento na UBS. O agendamento, como citado diversas vezes, acontece de 2 em 2 meses, o que não o impossibilita de adoecer.
Medicamentos fitoterápicos e caseiros foram utilizados por (95,2%) dos idosos, o que justifica a crença e a influência cultural, o que é bastante comum no Nordeste. A grande maioria (92,4%), que procede do interior, mantém a identidade cultural. Os dados ratificam estudos de (Flores e Mengue, 2005; Bortolon et al, 2008), nos quais evidenciou-se ampla utilização de chás e infusões caseiras como tratamento e automedicação.
De acordo Helman (2009), as pessoas que adoecem tipicamente seguem “hierarquia de recursos”, variando da automedicação à consulta com outras pessoas. O autotratamento baseia-se em crenças leigas sobre estrutura e função do corpo e origem da natureza da má saúde. As mulheres são as principais provedoras de cuidados da saúde, geralmente mães ou avós, que diagnosticam as doenças mais comuns e tratam com os materiais disponíveis.
Segundo recomendações da ANVISA, o uso de chás ou outros produtos à base de plantas medicinais não deve ser usado com os medicamentos porque causa diversas reações: intoxicações, enjoos, irritações, edemas (inchaços) e até mesmo a morte, como qualquer outro medicamento. Além disso, foi comprovado que os chás em geral diminuem os movimentos do estômago, o que pode interferir no processo de absorção do remédio.