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Kumaşlara Uygulanan Test Sonuçları

4. BULGULAR

4.1. Kumaşlara Uygulanan Test Sonuçları

O relato sobre uma gestação indesejada traz consigo uma história muito interligada ao desafeto, abandono, desarmonia no lar e, por conseguinte, a possível rejeição do filho desde a concepção até, possivelmente, a vida adulta. Uma criança rejeitada desde o ventre e vivendo num lar desestruturado pode desenvolver frustrações, podendo-se tornar um jovem agressivo, vulnerável às drogas, à violência e a outros riscos da vida adulta, o que fomenta o aumento da criminalidade, bem visíveis em notícias de jornais, revistas ou programas policiais.

De acordo com Menezes (2012), um dos motivos geradores da prática do ato infracional por parte do menor é a deficiência ou fragilidade na estrutura da família, refletida por sua história de vida, muitas vezes excluído de amor e afeto desde quando foi gerado, e por sua educação, muitas vezes falha e desastrosa. Esses fatores estão diretamente ligados às mentes criminosas na menoridade.

Tal desestrutura familiar está relacionada à inversão de valores presente em muitos lares e no meio social que se vivencia na atualidade. As transformações de uma estrutura familiar deficiente induzem questões e mudanças radicais do modo de se viver em sociedade.

Engravidar, dar sequência à gestação e ter um filho são acontecimentos que acarretam consequências significativas, desde privações afetivas e econômicas, até situações de tensão, rejeição e sentimentos de ambivalência. Preocupações futuras intensificam a frustração aliada a sentimentos de raiva e ressentimentos, o que impede a gestante de ir a um encontro satisfatório e gratificante com sua gravidez (MALDONADO, 1980).

Ao se negar a gravidez e o filho, destinando sua a guarda a terceiros, como os avós, a gestante terá algumas consequências. Partindo desse pressuposto, Verny e Weintraub (2014, p. 38), estudiosos da psicologia neonatal e infantil, descrevem que: “idealmente, toda criança deve ser um filho desejado.” Tal afirmativa fortalece o ponto essencial de que a rejeição à gestação pode causar transtornos psicológicos na vida adulta do filho.

A mulher que vivencia uma situação de crise na gestação necessita de reestruturação e reajustamento nas várias dimensões da vida. No contexto das gestações, Maldonado (1980, p. 13) descreve:

No caso da primípara, a grávida passa do papel de esposa para o de mãe; mesmo no caso da multípara, verifica-se certa mudança de identidade, pois ser mãe de um filho é diferente de ser mãe de dois e assim por diante, porque com a vinda de cada filho toda a composição da rede de intercomunicação familiar se altera.

Nesse sentido, dentre algumas falas das participantes, destacou-se o discurso de Joana, marcado pela rejeição, alguns sentimentos ambivalentes e breves momentos de aceitação:

No momento que alguém me tocou, não lembrei de ninguém não! Eu lembrei só de mim mesma. E quando eu toquei na barriga, senti amor, mas também, senti que eu desprezei muito. E se ele não sentir, que eu sinto amor por ele agora, ou ela, que eu não sei quem é, ainda, mas que eu já me vi dando carinho, ele já nascido, ou ela [...] Já tô aceitando! (sic).

Um dos motivos desencadeadores da rejeição de Emilly foi o fato de se deparar com uma segunda gestação, proveniente do relacionamento com outro companheiro também ausente, e viver numa total dependência da figura materna, que partilhava um pouco da

mesma história de vida da filha, conforme a narrativa a seguir: “Pensei em ser mãe na minha primeira filha, mas a segunda eu não queria [...] porque eu moro dentro da casa de minha mãe e ela não aceitava eu com outro filho” (sic).

Reflexões sobre quesitos de ordem financeira, dentre esses as inúmeras dificuldades impostas pelo desemprego, preconceitos contra a gestante e a dependência de terceiros foram fatores relevantes para a rejeição ao bebê, como descreve Joana em sua fala:

Eu não queria ser mãe novamente agora. Na situação em que a gente está passando, pelo desemprego mesmo [...] E essa nuvenzinha aqui significa os pensamentos, muitos pensamentos! Penso muitas coisas; sobre o futuro, negativos, positivos. Muitos, muitos! O pensamento mais negativo é de quando ele nascer, se eu vou poder trabalhar, se eu vou dar alguma vida melhor. Entendeu? Porque a gente que é mãe quer dar uma vida melhor. E, não trabalhando, porque no caso [...] eu queria estar trabalhando, e não estou. Surgiu um emprego só que não posso, né? Porque, qual é a empresa que aceita uma gestante?

Milbradt (2008) destaca um tema relativo ao novo papel da mulher em sociedade e na família, acrescentando, em seu contexto de vida, conquistas no mercado de trabalho e em outros setores importantes da sociedade, aliados a interesses sociais e econômicos.

Essas conquistas podem ser frustradas por uma gravidez não planejada, que acaba interferindo nos planos, projetos e perspectivas de uma vida melhor para a mulher, privando-a afetiva e economicamente de tudo o que planejou. Ao se deparar com essa situação inesperada, inúmeros sentimentos podem ser despertos no íntimo da mulher, dentre esses a culpa, a raiva, o medo e a rejeição, que podem fragilizar ou romper o vínculo mãe-bebê (MILBRADT, 2008).

Alguns depoimentos captados por gestantes casadas neste estudo refletiram aspectos relacionados a uma “prisão” e expressos pela dependência financeira e, principalmente pela dificuldade em se conseguir um trabalho para se dedicar somente à prole, conforme descreve Laura: “[...] no começo fiquei ali presa, não queria! Não queria ser mãe agora [...] mas depois eu aceitei” (sic).

Determinados fatores negativos relacionados à rejeição ou outros descritos anteriormente, quando presentes no contexto da mãe, podem despertar inúmeros sentimentos, dentre esses o ódio pelo filho, abordado na teoria winnicottiana (COLLIN et al., 2012).

Partindo do contexto de sentimentos estressantes paras mães, Winnicott (1947) cita uma lista de vinte razões que levariam uma mãe a odiar seu filho, dentre eles o fato de machucá-la ao morder o seio durante o aleitamento materno, e a obrigação em disponibilizar tempo para o cuidado do bebê, interferindo de forma significativa em suas atividades cotidianas. De praxe, quando o ódio não resultar em rejeição e for tolerado pelo afeto, tende a se minimizar e dissipar.

Assim, merece reflexão contínua a premissa de que uma mãe que abandonou seu filho pode ter sido aquela que, em algum contexto de sua vida, sofreu abandono. A partir desse pressuposto, torna-se extremamente necessário construir redes de apoio que fortaleçam o vínculo e minimizem os abandonos (FERNANDES et al., 2011).