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KULLANIM KILAVUZU NICE ONE 20. EL ALETLERİNİN FONKSİYONLARI

Belgede KULLANIM VE BAKIM KILAVUZU (sayfa 22-26)

As formulações lançadas até o presente momento se detiveram num esforço de dar ênfase às contribuições iniciais na obra de Freud no que se refere à psicose e às primeiras noções de defesa na neurose e na psicose propriamente dita. O que se constata desde esses primeiros fundamentos é que Freud não privilegia a psicose, mas sim o delírio e a alucinação. Seus casos clínicos serviram para enfatizar seus conceitos, mas agora estamos diante de um caso que, apesar de não ser de sua clínica, o fato de ser uma leitura por si só se reveste da maior importância, em razão do conteúdo incisivo que contém toda a trajetória de Schreber; uma narrativa pela qual Freud se deixa tomar.

Antes de prosseguirmos com a narrativa dos fenômenos psicóticos e sua interpretação no caso Schreber, é necessário que façamos menção à relevância da melancolia na psicose, nas manifestações delirantes ou alucinatórias, devido à sua posição na nosografia psicanalítica. Essas ideias preparam o terreno para o texto A Guisa de Introdução ao Narcisismo (1914), que traz a constatação de que o autoerotismo precede o narcisismo, retomadas posteriormente em Luto e Melancolia (1917 [2011]).

A melancolia apresenta um interesse em dois sentidos na concepção freudiana da psicose: em um primeiro momento, no Manuscrito G ([1895b] 2006) encontramos em uma proximidade com a neurose de angústia e também com a neurastenia, ora isso nos induz a afirmar que será dentro das neuroses atuais que se alojará a noção de neuroses de defesa. Além disso, haveria para Freud uma correlação entre a melancolia e a anestesia sexual, ou seja, ausência de excitação sexual, isso se devia a em razão de inúmeros casos por apresentar anestesia sexual: a melancolia se desenvolveria, através da masturbação, como intensificação da neurastenia, relacionando-se com a angústia intensa.

Nessa elaboração de Freud, há um distanciamento com relação ao pensamento de que a forma expressa seria de ordem hereditária, e leva em consideração os investimentos libidinais e a relação da pulsão nesses investimentos. Assim, desde o início, o corpo é a sede fragmentária da condição de prazer e, na medida em que a libido procura seu objeto de investimento, se este não é encontrado ou não é satisfatório, haveria um retorno ao Eu, com o autoerotismo como participante das satisfações da libido do Eu. Nas palavras de Maria Rita Kehl:

Mas o autoerotismo ainda não é igual ao narcisismo do eu: um novo ato psíquico deve ocorrer para que tal unidade primitiva se forme e para que a criança se identifique com ela, ou seja, com seu próprio eu. Além da satisfação libidinal autoerótica, o infans haverá de identificar-se com o objeto privilegiado que ele representa frente ao de amor e ao desejo de seus pais. A partir desse ponto, está estabelecida a base para a formação da unidade do eu freudiano, fonte de investimento libidinal (a partir de 1915, diremos: pulsional) e dessa forma particular de amor a que chamamos narcísica. Nesse ponto de constituição psíquica, Freud haverá de encontrar, em 1915, a relação narcísica com um objeto frustrante que marca a estrutura da melancolia. (KEHL, 2013)7

Se em Luto e Melancolia ([1917] 2011) a angústia não se faz de maneira explícita, podemos ao menos aludir a sua relevância no contexto da dinâmica que se estabelecera entre o luto e a melancolia. Tomemos como referência as distinções propostas por Freud:

O luto, via de regra, é a reação à perda de uma pessoa querida ou de uma abstração que esteja no lugar dela, liberdade, ideal, etc. Sob as mesmas influências em muitas pessoas se observa em lugar do luto uma melancolia, o que nos leva a suspeitar nelas uma disposição patológica... A melancolia se caracteriza por um desânimo profundamente doloroso, uma suspensão do interesse pelo mundo externo, perda da capacidade de amar, inibição de toda

atividade e um rebaixamento do sentimento de autoestima, que se expressa em auto recriminações e auto insultos, chegando até a expectativa delirante de punição. Esse quadro se aproximará mais de nossa compreensão se considerarmos que o luto revela os mesmos traços, exceto um: falta nele a perturbação do sentimento de autoestima. (FREUD, [1917] 2011, p. 47)

Esse desinteresse pelo mundo, característico da melancolia, incluem-se pessoas e coisas; e a impossibilidade de investimento amoroso e o caráter inibido fazem com que possamos aludir a uma posição da psicose em particular da esquizofrenia. No luto, o objeto não é somente algo que morreu, mas que se perdeu como objeto de amor, e essa perda é superada. Haveria a possibilidade no estado melancólico da ciência da perda que lhe causa a melancolia, do fato de saber quem ele perdeu, mas não o que perdeu nele (objeto), contudo, isso possibilita relacionar a melancolia à perda do objeto, e a reação à perda é inconsciente.

Tomemos as considerações de Freud [1917(2011)] sobre as contingências da auto-recriminação. No caso da disputa amorosa, não recai sobre o melancólico qualquer critica ao se expor, visto que ao lançar seus conteúdos psíquicos depreciativos ao outro, é a si mesmo que está tomando como referência. Transcrevemos aqui o comentário de Freud:

Não se deve ficar surpreso com o fato de que há algumas recriminações legítimas, dispersas entre as que são retornadas; elas podem se pôr à frente porque ajudam a ocultar as outras, e a impossibilitar o conhecimento da situação; na verdade, elas deveriam também dos prós e contras da disputa amorosa que levou à perda amorosa. Também o comportamento dos doentes fica agora muito mais compreensível. Para eles, queixar-se é dar queixa no velho sentido do termo; eles não se envergonham nem se escondem, porque tudo de depreciativo que dizem de si mesmos no fundo dizem de outrem. E estão bem longe de dar provas, perante os que os cercam, da humildade e da submissão que conviriam a pessoas tão indignas; pelo contrário, são extremamente incômodas, mostrando-se sempre como que ofendidas e como se uma grande injustiça tivesse sido cometida contra elas. (FREUD, [1917] 2011, p.59- 60)

Na referência que acabamos de citar haveria de certa maneira manifestações que podemos reconhecer como traços de aspectos alucinatórios ou conteúdos paranoides na configuração da auto-recriminação ou de ataques a que se atribui alguma injustiça. Ainda nesse sentido, se há ofensa real ou decepção que se atribui a outrem, pode-se pensar que o resultado não foi normal, que houve uma retirada da libido desse objeto e o seu deslocamento para um novo, mas é outro o que parece requerer várias condições para sua consecução. O investimento de objeto provou ser pouco resistente, foi suspenso, mas a libido livre não se deslocou para outro objeto, e se retirou para o Eu.

Mais uma vez a melancolia estabelece sua relação de retirada ou deslocamento libidinal. Vejamos:

Lá, contudo, ela não encontrou um uso qualquer, mas serviu para produzir uma identificação do ego com o objeto abandonado. Desse modo, a sombra do objeto caiu sobre o ego, que então pode ser julgado por uma determinada instância como um objeto, como um objeto abandonado. Assim, a perda do objeto se transformou em perda do ego e o conflito entre o ego e a pessoa amada em uma bipartição entre a crítica do ego e o ego modificado pela identificação. Existe algo que se percebe imediatamente a partir dos pressupostos e dos resultados de tal processo. Por um lado, deve ter havido uma forte fixação no objeto de amor e, por outro, e em contradição com isso, uma pequena resistência do investimento objetal. (FREUD, [1917] 2011, p. 61- 62)

No investimento de objeto haveria pouca resistência, isto é, de certa forma, foi suspenso, e a libido não se deslocou para outro objeto, mas permaneceu no Eu. As manifestações melancólicas não estariam muito próximas das manifestações da psicose. Na prática clínica é isso que se constata, e, além disso, considerando um tratamento possível da psicose, o melancólico também se ressente de um distanciamento do laço social, visto que só lhe interessa escapar da sombra do objeto que lhe cai sobre o eu. A libido estipula uma dinâmica, como podemos identificar no caso Schreber.

Belgede KULLANIM VE BAKIM KILAVUZU (sayfa 22-26)

Benzer Belgeler