• Sonuç bulunamadı

KULLANICILARIN UYGULAMAYI TEST EDEBİLMESİ İÇİN

2. MATERYAL VE YÖNTEM

2.7. KULLANICILARIN UYGULAMAYI TEST EDEBİLMESİ İÇİN

RESUMO - Este trabalho foi desenvolvido no Setor de Ovinocultura, pertencente ao Departamento de Zootecnia da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - FCAV/Unesp, objetivando determinar a composição corporal em proteína, gordura e energia e as exigências nutricionais de energia para mantença e ganho em peso de cordeiros da raça Morada Nova. Foram utilizados 30 cordeiros com média de peso vivo (PV) inicial de 15 kg. Seis cordeiros foram abatidos aos 15 kg, para determinar a composição corporal inicial (animais-referência) na metodologia do abate comparativo; seis aos 20 kg (abate intermediário) e os demais distribuídos em seis grupos de três animais (1 em cada dieta), de acordo com a relação volumoso(V):concentrado(C): 1) 40V:60C; 2) 55V:45C, e 3) 70V:30C. Os cordeiros em cada grupo foram abatidos quando o que recebia a dieta com maior teor de concentrado, atingiu 25 kg de PV. A composição corporal variou de 181,53 a 178,74 g de proteína, 72,37 a 131,11 g de gordura e 1,81 a 2,34 Mcal de energia por kg de peso de corpo vazio (PCV). As exigências líquidas de ganho variaram de 3,30 a 4,28 Mcal de energia/kg de PV ganho. A exigência líquida de mantença, representada pela produção de calor em jejum, foi de 52,49 kcal/kg0,75 de PCV. As exigências de energia metabolizável para cordeiros, dos 15 aos 25 kg de PV, ganhando 100 g/dia, oscilaram de 1,47 a 2,00 Mcal/dia.

Palavras-chave: exigências de ganho, mantença, energia metabolizável, energia líquida, ovinos.

Introdução

O manejo nutricional de cordeiros é uma ferramenta importante para o sucesso da criação, porém, para uma eficiente resposta produtiva, faz-se mister o conhecimento das exigências nutricionais e da composição dos alimentos. A manutenção do corpo animal representa grande parte da energia alimentar, requerida para ovinos em produção. Hoje, a energia é apontada como o ponto mais crítico na formulação de ração para cordeiros, tendo como principal fonte os ácidos graxos voláteis que são produzidos no rúmen pela fermentação microbiana, principalmente de carboidratos.

O cálculo das exigências nutricionais para crescimento requer informações sobre a composição química dos tecidos depositados e da eficiência com a qual os constituintes do alimento são convertidos nesses tecidos. Trabalhos sobre o desempenho e exigências nutricionais de ovinos Morada Nova praticamente inexistem; contudo, a máxima eficiência na produção animal só será obtida, havendo conhecimentos adequados das exigências nutricionais nas diferentes fases da produção e da composição dos alimentos (AFRC, 1993; SILVA, 1996).

Esforços no sentido de conhecer as exigências nutricionais da raça Morada Nova seriam de grande valia para o aperfeiçoamento do manejo alimentar e da produtividade animal, uma vez que os cálculos de rações são baseados, na maioria das vezes, em normas publicadas pelos Boletins do National Research Council (NRC) e Agricultural and Food Research Council (AFRC), entre outros, os quais expressam as exigências de ovinos lanados criados em países de clima temperado. Ao adotarmos tais dados, os resultados alcançados, muitas vezes, ficam abaixo dos índices de produtividade desejados e apontados por estes Boletins. No caso dos ovinos deslanados, os resultados obtidos são mais preocupantes, uma vez que, nas determinações das exigências nutricionais, devem ser considerados condições ambientais, raça, sexo, idade, composição corporal e alimentos disponíveis, sendo este último fator de grande variação no Brasil.

Atualmente vêm utilizando-se o método fatorial e a técnica do abate comparativo, método direto de análise química dos tecidos do animal de maior precisão na determinação das exigências nutricionais das várias frações de nutrientes (SILVA SOBRINHO, 1989; MORAND-FEHR et al., 1992; RESENDE et al., 1996).

O ARC (1980) considerou gastos adicionais de energia para atividades como movimentos horizontais e verticais, mudança de posição do corpo e posição de pé. Isto indica que raças de temperamento mais ágeis teriam maiores gastos de energia, a exemplo da raça Morada Nova. Contudo, o ARC (1980), NRC (1985) e AFRC (1993) não recomendam ajustamentos para raças ovinas com características precoces ou tardias, com referência às exigências de energia metabolizável, exceto para a raça Merino, mas sugerem que as diferentes raças sejam levadas em consideração quanto à retenção diária de energia.

CARVALHO et al. (1998), estudando as exigências de cordeiros ½ Texel ½ Ideal, criados no Sul do Brasil, verificaram valores superiores às recomendações dos sistemas NRC (1985) e AFRC (1993). SILVA et al. (1999) concluíram que a exigência líquida de energia para ovinos da raça Santa Inês foi de 58,51 Kcal/kg0,75/dia, para animais de 30 kg de PV e ganho de 0,200 kg/dia. Observa-se assim que as poucas informações existentes sobre exigências nutricionais de ovinos no Brasil são conflitantes, havendo a necessidade de maiores estudos sobre o assunto. A obtenção destes dados motivou este trabalho que teve como objetivo estimar as exigências de energia para mantença e ganho de peso de cordeiros Morada Nova, dos 15 aos 25 kg de peso vivo.

Material e Métodos

Local

Este experimento foi desenvolvido no Setor de Ovinocultura, pertencente ao Departamento de Zootecnia da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, FCAV/Unesp, Câmpus de Jaboticabal, São Paulo, Brasil, localizado a 210 15’ 22” de latitude Sul e 480 18’ 58” de longitude Oeste, a uma altitude de 595 m.

Animais e tratamentos

Foram utilizados 30 cordeiros não castrados, com média de peso vivo (PV) inicial de 15 kg e aproximadamente 70 dias de idade. Destes, seis foram abatidos no início da fase experimental, representando a composição corporal inicial, ou seja, animais- referência na metodologia do abate comparativo e 18 foram distribuídos em três tratamentos, de acordo com a relação volumoso(V):concentrado(C) na dieta: 1) 40V:60C; 2) 55V:45C, e 3) 70V:30C.

À medida que os cordeiros atingiam 15 kg, formavam-se grupos homogêneos de 3 animais, um em cada dieta, momento em que se iniciava a fase experimental. Quando o animal que recebia a dieta com maior teor de concentrado, atingiu 25 kg de PV, o respectivo grupo foi abatido. Para melhor estimar as exigências de ganho em peso, foram abatidos seis cordeiros com peso intermediário de 20 kg de PV.

Os animais foram identificados, permanecendo alojados individualmente, até o abate, em gaiolas de madeira de 1,0 m2, com piso ripado suspenso, equipadas com comedouro e bebedouro, distribuídas em galpão com piso de concreto e coberto com telhas de zinco.

As pesagens dos cordeiros foram realizadas a cada 14 dias, com a finalidade de monitorar o desenvolvimento ponderal dos mesmos. Para garantir o peso determinado de abate, os intervalos de pesagens diminuíram à medida que os animais que recebiam a dieta com maior teor de concentrado, se aproximavam dos 25 kg de PV.

Delineamento experimental

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, com três tratamentos e seis repetições, adotando-se o modelo matemático abaixo:

Yijk = m + Ti + Eijk, em que:

Yijk = valor observado para a característica analisada; m = média geral;

Eijk = erro aleatório comum a todas as observações.

Manejo alimentar

As dietas foram oferecidas à vontade, em duas refeições diárias, às 7 e às 16 horas. O consumo total de matéria seca foi determinado pelo controle diário do alimento fornecido e do recusado, encontrando-se valores médios de 792; 614 e 539 g/dia, para as dietas com 60; 45 e 30% de concentrado, respectivamente.

Foram realizadas análises laboratoriais para a determinação da composição bromatológica das dietas experimentais, conforme apresentada na Tabela 2. A dieta com menor relação V:C foi balanceada para atender às exigências de proteína, energia metabolizável e minerais, segundo o AFRC (1993), para um ganho esperado de 150 g/dia. Para a formulação das dietas experimentais, foram utilizados feno de braquiária (Brachiaria brizantha) moído, e concentrado composto por farelo de soja, milho moído, sal comum e núcleo mineral.

Tabela 1. Composições percentual e bromatológica das dietas experimentais com diferentes relações volumoso(V):concentrado(C), com base na matéria seca (MS)

Relação volumoso(V):concentrado(C) Parâmetro 40V:60C 55V:45C 70V:30C Composição percentual (%MS) Feno de braquiária 40,00 55,00 70,00 Concentrado 60,00 45,00 30,00 Milho moído 32,56 24,42 16,28 Farelo de soja 26,74 20,06 13,37 Sal iodado 0,37 0,27 0,18 Núcleo mineral1 0,33 0,25 0,17

Composição bromatológica (na MS)

Matéria seca (%) 88,73 89,34 89,95

Proteína bruta (%) 17,82 14,11 10,40

Energia metabolizável (kcal/kg MS) 2,34 2,12 1,90

Extrato etéreo (%) 1,81 1,55 1,28

Fibra em detergente neutro (%) 45,43 54,77 64,11 Fibra em detergente ácido (%) 27,54 34,33 41,13

Cálcio (%) 0,52 0,53 0,55

Fósforo (%) 0,32 0,25 0,18

Magnésio (%) 0,34 0,37 0,40

Sódio (%) 0,34 0,27 0,20

Potássio (%) 0,91 0,78 0,63

1 Suplemento mineral (nutriente/kg de suplemento): cálcio 190 g; fósforo 73 g; magnésio 44 g; sódio 62 g; cloro 92 g;

enxofre 30 g; zinco 1350 mg; cobre 340 mg; manganês 940 mg; ferro 1064 mg; cobalto 3 mg; iodo 16 mg; selênio 18 mg; flúor máximo 730 mg.

Procedimento para abate e amostragem

Os animais foram abatidos após jejum de alimentos sólidos e de água por 16 horas. Após a pesagem, os animais foram insensibilizados com descarga elétrica e mortos com secção das artérias carótidas e veias jugulares. O sangue foi coletado e o trato gastrintestinal retirado, pesado e, após a retirada de seu conteúdo, realizou-se nova pesagem para a determinação do peso de corpo vazio (PCV). Em seguida, todo o corpo do animal (sangue, vísceras, cabeça, extremidades dos membros, pele e carcaça) foi congelado, cortado em serra de fita, moído e homogeneizado, momento em que foram retiradas amostras de aproximadamente 500 g. As amostras colhidas foram armazenadas em freezer para as análises laboratoriais subseqüentes.

Ensaio de digestibilidade

Decorridos trinta dias do ensaio de desempenho, os 18 cordeiros que recebiam os tratamentos com diferentes relações volumoso:concentrado, foram transferidos para gaiolas de metabolismo, procedendo-se assim o ensaio de digestibilidade e metabolismo, visando determinar o coeficiente de digestibilidade da energia (CDEB), a energia digestível (ED), a energia metabolizável (EM), ingestão de EM e a metabolizabilidade das dietas experimentais. Considerando que os cordeiros já estavam em gaiolas e recebiam as dietas experimentais, procedeu-se apenas a cinco dias de adaptação às novas condições e a cinco dias de coleta total de sobras, fezes e urina. As amostras colhidas foram congeladas e posteriormente processadas para análises laboratoriais.

Análises laboratoriais

As análises químico-bromatológicas foram realizadas no Laboratório de Nutrição Animal - LANA, da FCAV/Unesp. As amostras dos componentes do corpo vazio foram liofilizadas por 48 horas, trituradas em liquidificador, moídas em moinho de bola e acondicionadas em recipientes de vidro hermeticamente fechados.

As amostras de dietas, sobras e fezes sofreram pré-secagem e foram então submetidas às análises de matéria seca (MS), gordura, energia bruta (EB), proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA), segundo metodologias descritas por SILVA e QUEIROZ (2002). Nas amostras de urina, determinaram-se a energia bruta e o nitrogênio total.

Composição corporal e do ganho em peso

A composição corporal em proteína, gordura e energia foi predita por meio de equações de regressão, para o logaritmo da quantidade do nutriente presente no corpo vazio em função do peso do corpo vazio (ARC, 1980).

A composição do ganho em peso foi determinada pela técnica do abate comparativo descrita (ARC, 1980), considerando a diferença entre o total de cada nutriente no corpo vazio dos animais abatidos com 25 kg e o total de cada nutriente dos animais-referência, abatidos aos 15 kg de peso vivo.

As quantidades de nutrientes retidos no corpo animal foram obtidas pela concentração do nutriente nas amostras analisadas. A partir destes dados, foram obtidas equações de regressão para estimativa da composição corporal. Para estimar o conteúdo dos nutrientes por quilo de corpo vazio, adotou-se a equação alométrica logaritmizada, preconizada pelo ARC (1980):

Log y = a + b log x, em que:

Log y = logaritmo na base 10 do conteúdo total do nutriente no corpo vazio (g); a = intercepto;

b = coeficiente de regressão do conteúdo do nutriente em função do peso do corpo vazio;

log x = logaritmo do peso de corpo vazio (kg).

Exigências líquidas de energia para mantença

As exigências de energia líquida para mantença (ELm) foram determinadas pela regressão do logaritmo da produção de calor, em função do consumo de energia metabolizável (EM), expresso em Kcal/kg0,75/dia, extrapolando-se a equação para o nível zero de consumo da EM, segundo metodologia descrita por LOFGREEN e GARRET (1968).

Exigências líquidas de energia para ganho de peso

As exigências de energia líquida para ganho de peso do corpo vazio foram obtidas, derivando a equação do conteúdo corporal de energia, em função do logaritmo do PCV, obtendo-se a equação:

Y' = b. 10a. X(b-1), em que:

Y' = exigência líquida de energia para ganho (Kcal);

a = intercepto da equação de predição do conteúdo corporal de energia; b = coeficiente de regressão da equação do conteúdo corporal de energia; x = PCV (kg).

A conversão da exigência de energia líquida para ganho de PCV em exigência de energia líquida para ganho de PV foi feita conforme mostrado no capítulo 3.

Análises Estatísticas

As análises de variância foram realizadas pelo procedimento Proc Anova (SAS, 1999).

Para a análise de regressão, adotou-se o modelo Y = a + bx, que mostra o comportamento da variável dependente Y em função da variável independente X.

Resultados e Discussão

Os valores médios e desvios-padrões do peso vivo (PV), peso vivo ao abate (PVA), peso do corpo vazio (PCV) e composição corporal em água, gordura e energia no corpo vazio, são apresentados na Tabela 2.

Tabela 2. Médias e desvios-padrões do peso vivo, peso vivo ao abate, peso do corpo vazio (PCV) e composição corporal de água, proteína, gordura e energia no peso de corpo vazio, em função da relação volumoso(V):concentrado(C) na dieta

Relação V:C

Variável referência Animais- 40V:60C 55V:45C 70V:30C

Peso (kg)

Peso vivo 15,23 ± 0,16 25,43 ± 0,18 21,95 ± 0,83 17,60 ± 1,50 Peso vivo ao abate 13,83 ± 0,37 23,49 ± 0,52 20,42 ± 0,74 16,12 ± 1,56 Peso do corpo vazio 11,00 ± 0,35 19,59 ± 0,51 15,95 ± 0,92 12,00 ± 1,06

Composição corporal (matéria natural)

Água (%) 70,14 ± 1,84 64,61 ± 1,85 66,29 ± 1,99 68,13 ± 1,90 Proteína (%) 18,14 ± 0,46 18,17 ± 0,35 17,95 ± 0,50 18,58 ± 0,39 Gordura (%) 6,72 ± 1,66 12,10 ± 1,45 10,25 ± 1,81 7,87 ± 1,78 Energia (Mcal/kg de PCV) 1,74 ± 0,16 2,27 ± 0,13 2,09 ± 0,19 1,86 ± 0,17

A composição corporal variou de 70,14 a 64,61% de água; 18,14 a 18,17% de proteína; 6,72 a 12,10% de gordura, e 1,74 a 2,27 Mcal/kg de PCV, para cordeiros Morada Nova com 11,0 e 19,6 kg PCV, respectivamente. GERASEEV (1998) e SILVA (1999), estudando a composição corporal de cordeiros Santa Inês não castrados, dos 15 aos 25 kg de PV, verificaram teores médios de 12,2 e 14,4% de gordura, respectivamente. O teor de água no corpo dos cordeiros diminuiu em função do aumento do PV que, via de regra, aumenta a concentração de gordura (SILVA , 1995).

As concentrações de energia no corpo vazio de cordeiros lanados dos 15 aos 20 kg PCV, reportadas pelo ARC (1980), são de 1,98 e 2,27 Mcal/kg PCV, próximos aos verificados em cordeiros Morada Nova neste experimento. SILVA (2000), estudando a composição corporal em energia de cordeiros lanados e deslanados, nesta mesma faixa de peso, verificaram valores inferiores (1,72 a 2,06 Mcal/kg PCV) para os deslanados e superiores (2,41 e 2,68 Mcal/kg PCV) para os lanados. Essa diferença pode ser atribuída ao custo energético para a deposição de proteína na forma de lã, no caso dos ovinos lanados.

A composição corporal em energia foi determinada, ajustando-se inicialmente a equação de predição do peso de corpo vazio (PCV), em função do peso vivo (PV), bem como a equação de predição da energia, em função do PCV, as quais se encontram na

Tabela 3. Os coeficientes de determinação indicam baixa dispersão dos dados, sugerindo equações bem ajustadas.

Tabela 3. Equações de predição para o peso de corpo vazio (PCV), em função do peso vivo (PV) e conteúdo corporal de gordura e energia, em função do PCV

Variável Equação de regressão R2 CV (%)

PCV (kg) PCV = -1,81542+0,88969 PV** 0,96 4,27

Gordura (g) Log Gordura = 0,75622+2,03910 Log PCV** 0,84 2,71 Energia (kcal/kg) Log Energia = 2,77586+1,45265 Log PCV** 0,94 0,79

** Significativo a 1% de probabilidade, pelo teste t.

O conteúdo corporal de energia por kg de PCV, estimado a partir das equações de predição, elevou-se em função do aumento do PCV. Tal comportamento também foi verificado pelo ARC (1980) e NRC (1985), em ovinos lanados, e por SANTOS (2000) e SILVA (2000), em deslanados.

Na Tabela 4, são apresentados os valores estimados do conteúdo de gordura e de energia no PCV, em função do PCV. Estes valores foram gerados, utilizando-se das equações da Tabela 3.

Tabela 4. Concentração de gordura e energia em função do peso de corpo vazio (PCV), em cordeiros Morada Nova, dos 15 aos 25 kg de peso vivo

Peso vivo

(kg) Peso de corpo vazio (kg) (g/kg PCV) Gordura (Kcal/kg PCV) Energia

15 11,53 72,37 1805,08

20 15,98 101,58 2092,37

25 20,43 131,11 2338,42

Observou-se acréscimo no conteúdo de energia por kg PCV à medida que se aumentou o PV animal. Isto se deu em função da crescente deposição de gordura no corpo animal, induzida pelo aumento de peso. Outros autores também relataram comportamento semelhante para ovinos (SILVA et al., 1999; SILVA, 1999; SILVA, 2000; SANTOS, 2000), para caprinos (SOUSA et al., 1998; MEDEIROS, 2001), e para bovinos (SIGNORETI et al., 1999; PAULINO et al.,1999).

Composição do ganho em peso

Para a estimativa das quantidades de gordura e energia depositada por kg de ganho de PCV nos diferentes pesos, derivou-se a equação de regressão do logaritmo do conteúdo corporal para energia, em função do PCV (Tabela 3), obtendo-se a equação de predição: Energia = 867,00378 PCV0,45265. As quantidades de gordura e energia depositadas, por kg de ganho em PCV, estão apresentadas na Tabela 5.

Houve aumento na concentração de gordura e energia para cada kg de ganho de PCV, à medida que os animais aumentaram de peso. A concentração de energia aumentou 22,8% quando o PV aumentou de 15 para 25 kg, refletindo o aumento de gordura, que foi de 44,8%. A concentração de energia para ganho de PCV, citada pelo ARC (1980) nesta mesma faixa de peso, variou de 2,41 a 3,39 Mcal/kg, portanto próxima à obtida para cordeiros Morada Nova neste experimento.

Tabela 5. Quantidade de gordura e energia depositada por kg de ganho em PCV de cordeiros Morada Nova, em crescimento

Peso vivo (kg) PCV (kg) (g/kg ganho PCV) Gordura ( Mcal/kg ganho de PCV) Energia

15 11,53 147,57 2,62

20 15,98 207,13 3,04

25 20,43 267,36 3,40

As quantidades de gordura e, conseqüentemente, de energia depositada por kg de ganho foram crescentes para cordeiros Santa Inês pesando de 15 a 25 kg PV utilizados por SILVA (1999), sendo que as concentrações de energia no PCV variaram de 2,96 a 3,48 Mcal/kg PCV, próximas às encontradas para cordeiros Morada Nova neste experimento. SILVA (2000), trabalhando com cordeiros Santa Inês e mestiços Ile de France dos 15 aos 25 kg PV, também observou aumentos de 18,9% e 28,5%, respectivamente, na concentração de energia à medida que os animais se desenvolveram, e apresentou composição corporal em ganho de energia variando de 2,75 a 3,85 Mcal/kg de ganho de PCV, nos deslanados, e de 3,23 a 3,98 Mcal/kg de ganho de PCV, nos lanados.

Exigências líquidas de energia para mantença

Para estimar as exigências líquidas de energia para mantença, realizou-se um ensaio de digestibilidade, determinando-se a energia digestível (ED), energia metabolizável (EM), a metabolizabilidade (qm) das dietas experimentais e a ingestão de EM (IEM) (Tabela 6).

Tabela 6. Energia bruta (EB), coeficiente de digestibilidade da energia bruta (CDEB), energia digestível (ED), energia metabolizável (EM), metabolizabilidade (qm) da dieta e ingestão de EM (IEM), em

função dos teores de concentrado

Teor de concentrado (%) Variável 60 45 30 EB (Mcal/kg MS) 4,46 4,41 4,37 CDEB (%) 63,41 59,17 51,93 ED (Mcal/kg MS) 2,83 2,61 2,27 EM (Mcal/kg MS) 2,23 2,12 2,01 qm1 0,50 0,48 0,46

IEM (kcal/kg0,75/dia) 210,69 170,94 141,34

1 q

m = EM/EB.

Houve aumento nos coeficientes de digestibilidade e na qm com a elevação do teor de concentrado na dieta. Dietas com maior proporção de volumoso, via de regra, apresentam suas frações menos digestíveis do que as de maior quantidade de concentrado. A dieta com 60% de concentrado, formulada segundo o AFRC (1993), para um ganho de peso médio esperado de 150 g/dia, proporcionou ganho de aproximadamente 180 g/dia, um pouco acima do esperado.

Através da diferença entre a ingestão de EM e a retenção de energia no corpo dos animais, estimou-se a produção de calor (PC), estabelecendo uma equação de regressão do logaritmo da PC em função da ingestão diária de EM, sendo Log PC = 1,7201+0,0031X (Figura 1), em que X representa a ingestão de EM (kcal/kg0,75/dia), e PC a produção de calor em jejum, ou seja, as exigências de energia líquida para mantença.

Extrapolando a ingestão de energia metabolizável ao nível zero, foi obtido o valor relativo à produção de calor do animal em jejum de 52,49 kcal/kg0,75 de PCV. Este valor representa a exigência de energia líquida para mantença de cordeiros em crescimento

pesando de 15 a 25 kg PV. Tal valor foi inferior aos 62,2; 73,5 e 74,2 kcal/kg0,75/dia, verificados por ARC (1980), McNIVEN (1984) e SILVA (2000), respectivamente, e próximo aos 50,0 e 54,1 kcal/kg0,75/dia, reportados por SILVA (1999) e CHANDRAMONI et al. (2000), respectivamente. y = 0,0031x + 1,7201 R2 = 0,61 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 0 50 100 150 200 250

Ingestão de EM (kcal/kg0,75/dia)

Log PC (kcal/kg

0,75

/dia)

Figura 1. Logaritmo da produção de calor (kcal/kg0,75 do PCV), em função da ingestão diária de EM

(kcal/kg0,75 do PCV), para cordeiros Morada Nova

Para a conversão da ELm em EMm, foi considerada a equação da eficiência de utilização da EM, representada por km = 0,503 + 0,35qm, preconizada pelo ARC (1980), sendo qm a metabolizabilidade das dietas experimentais (Tabela 6). As dietas com 60; 45 e 30% de concentrado apresentaram km de 0,68; 0,67 e 0,66, respectivamente. Dividindo-se a ELm pelas km das respectivas dietas, obtiveram-se os valores de EMm, estimados em 77,19; 78,34 e 79,53 kcal/kg0,75 PCV, respectivamente, conforme apresentados na Tabela 7.

Tabela 7. Estimativa das exigências de energia metabolizável (EMm) e líquida (ELm) para mantença de

cordeiros Morada Nova em crescimento, em função do teor de concentrado na dieta Teor de concentrado (%)

Variável 60 45 30

ELm (kcal/kg0,75 PCV) 52,49 52,49 52,49

km 0,68 0,67 0,66

EMm (kcal/kg0,75 PCV) 77,19 78,34 79,53

km = eficiência de utilização da energia metabolizável.

O valor da qm elevou-se com o aumento do teor de concentrado na dieta, reduzindo, conseqüentemente, as exigências de EMm. SILVA (2000), ao estimar a EMm para cordeiros Santa Inês, recebendo diferentes teores de volumoso (40; 60 e 80%), encontrou valores de 107,85; 110,40 e 115,25 kcal/kg0,75/dia, respectivamente, superiores aos deste experimento. Os resultados de EMm deste experimento foram ainda inferiores ao preconizado pelo ARC (1980), de 104 kcal/kg0,75/dia.

Exigências líquidas de energia para ganho

A partir das quantidades de energia depositadas por kg de ganho de PCV (Tabela 5), foram estimadas as exigências líquidas de energia, para ganho (ELg), dividindo-se a composição de energia para ganho em peso pelo fator 1,26, encontrado da razão PV/PCV. Os valores são apresentados na Tabela 8.

Tabela 8. Estimativa das exigências de energia líquida para ganho em peso vivo (ELg) de cordeiros

Benzer Belgeler