7. POSTA KULLANMA KILAVUZLARI
7.1 Op 315 Kullanma Kılavuzu
7.1.4 Kullanım Malzemelerinin Tanımı
“Os homens” como um grupo e, em particular, os heterossexuais não são oprimidos nem estão em situação de desvantagem. (...) A masculinidade hegemônica não é uma identidade estigmatizada. Bem pelo contrário: a cultura já a privilegia (CONNELL, 1995, p. 201).
Robert W. Connell (1995; 1997), ou Rayween W. Connell49, sociólogo pioneiro na análise dos estudos sobre homens a partir de uma perspectiva da construção social, tornou- se importante referência teórica nos estudos sobre masculinidades. Para Connell (1995), a masculinidade é a posição ocupada nas relações de gênero: compreende um conjunto de práticas – por meio das quais homens e mulheres assumem esta posição – e os efeitos destas na experiência corporal, na personalidade e na cultura. É um conceito inerentemente relacional, uma vez que existe em oposição à feminilidade. A masculinidade, como a feminilidade, é construída socialmente, é histórica, mutável e relacional.
Connell (Ibid) define a masculinidade hegemônica a partir do conceito de hegemonia desenvolvido pelo filósofo marxista Antonio Gramsci, para quem a hegemonia pressupõe a dominação cultural e político-ideológica de uma classe sobre as outras. Essa dominação é obtida e consolidada na estrutura econômica, na organização política e no plano ético-cultural e engloba a expressão de saberes, práticas, modos de representação e modelos de autoridade que querem legitimar-se e universalizar-se. Este conceito ajuda a compreender o jogo de poder que atravessa o modelo de masculinidade dominante, caracterizada pelo poder e pela dominação.
A masculinidade hegemônica é aquela que ocupa uma posição hegemônica nas relações de gênero, uma posição disputada, onde um modelo de masculinidade é valorizado. Dessa forma, esse conceito diz respeito ao grupo masculino cujas representações e práticas constituem a referência que é socialmente legitimada. Para Connell (1997), em qualquer
64 contexto ou tempo, se exalta culturalmente uma forma de masculinidade em detrimento de outras. “La masculinidad hegemónica no es un tipo de carácter fijo, el mismo siempre y en
todas partes. Es, más bien, la masculinidad que ocupa la posición hegemónica en un modelo dado de relaciones de género, una posición siempre disputable” (p. 39) 50.
Esse modelo de masculinidade garante a posição dominante dos homens na sociedade e a subordinação das mulheres – ou a legitimidade do patriarcado – e é construído em relação às mulheres e às outras masculinidades – subordinadas, de cumplicidade e marginalizadas –, referentes a grupos dominados ou subalternos. A masculinidade subordinada se refere à dominância e subordinação entre grupos de homens, como, por exemplo, a dominação dos homens heterossexuais e a subordinação dos homens homossexuais. A masculinidade cúmplice está conectada com o projeto de masculinidade hegemônica, mas sem sua completa incorporação. Percebe e desfruta de algumas vantagens do patriarcado, sem defender esta posição. A masculinidade marginalizada diz respeito às relações entre a masculinidade e a classe ou grupo étnico, ou seja, entre dominante e subordinado. É a masculinidade que está marginalizada devido à condição subordinada de classe ou raça/etnia (Ibid, 1995). Trata-se de uma forma de pensar em uma “organização social da masculinidade".
A função ideológica da masculinidade hegemônica é explicada pela expressão cultural da sua dominação sobre as mulheres, que legitima e naturaliza a subordinação. Há, portanto, uma questão histórica e cultural que se sobressai quando se analisa a masculinidade hegemônica, como, por exemplo, a masculinidade branca, heterossexual, urbana, etc. sobre outras e quando se pensa os efeitos desses significados na maneira como os homens e as mulheres organizam sua vida.
Esse modelo de masculinidade foi analisado por Vale de Almeida (1995, 1996) ao realizar uma pesquisa etnográfica em uma aldeia localizada ao sul de Portugal, entre os anos de 1990 e 1991. O objetivo do autor era responder às seguintes questões: “Como se reproduz, no dia a dia, a masculinidade? Sobretudo, como se reproduz o modelo central de masculinidade – a masculinidade hegemônica – quando a diversidade das experiências e identidades dos homens apontam no sentido de existirem várias masculinidades?” (1995, p. 14).
50 “A masculinidade hegemônica não tem caráter fixo, o mesmo sempre e em toda parte. É, antes, a
masculinidade que ocupa a posição hegemônica em um dado modelo de relações de gênero, uma posição sempre disputada” (Tradução nossa).
65 O autor procura na distinção entre sexo e gênero um ponto de partida para a análise da masculinidade. São muitas as formas de ser masculino e dentro dessas formas, há a dominação de um, o modelo hegemônico, dominante, heterossexual, reprodutivo, no qual os gêneros se relacionam de forma assimétrica e hierarquizada e onde a diferença de gênero pode ser entendida como um princípio classificatório que dá sentido às pessoas e objetos e que pode ser um instrumento ideológico na medida em que legitima a dominação de um gênero sobre o outro.
Na esteira de Connell (1997), Vale de Almeida (Ibid) aponta que, enquanto modelo ideal, a masculinidade hegemônica exerceria controle sobre o processo de constituição das identidades masculinas – bissexual, homossexual, heterossexual e sobre o gênero feminino – sendo ela própria, como todo modelo, realizável apenas parcialmente.
Trata-se da capacidade de impor uma definição específica sobre outros tipos de masculinidade, o que significa que o modelo exaltado corresponde, na realidade, a muitos poucos homens [...]. O conceito permite uma concepção mais dinâmica, entendida assim como estrutura de relações sociais, em que várias masculinidades não hegemônicas subsistem, ainda que reprimidas e autorreprimidas por esse consenso comum hegemônico, sustentado pelos significados simbólicos “incorporados” (Ibid, 1995, p.155).
Dessa forma, ser homem não é a mesma coisa para o heterossexual, o bissexual ou o homossexual; não tem o mesmo sentido para todas as classes sociais, religião, idade, raça/etnia. As masculinidades – e as feminilidades – constituem-se em múltiplas práticas, assumindo um caráter dinâmico em uma contínua transformação.
Esse modelo de masculinidade está baseado em normas de gênero e de sexualidade e se afirma pela virilidade e pela honra. As mulheres aprendem a ser femininas e submissas e os homens a serem dominadores e ativos. É considerado um ideal cultural de masculinidade, um consenso vivido, centrado na heterossexualidade, que legitima uma forma de dominação onde o gênero marca ascendência ou subordinação e que se reproduz como um processo natural, principalmente através do corpo. O corpo torna evidente a dominação masculina, confirmando a força e a afirmação (VALE DE ALMEIDA, Ibid).
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