Com a criação do MD em 1999, ficou notória a necessidade de reformular a Política de Defesa Nacional, criada em 1996, no governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, no
entanto, tal só ocorreria em 2005 quando a nova Política de Defesa Nacional (PDN) seria apresentada ao país. Este documento, em sua Introdução abordava a sua principal finalidade:
A Política de Defesa Nacional [é] voltada, preponderantemente, para ameaças externas, é o documento condicionante de mais alto nível do planejamento de defesa e tem por finalidade estabelecer objetivos e diretrizes para o preparo e o emprego da capacitação nacional, com o envolvimento dos setores militar e civil, em todas as esferas do Poder Nacional. (BRASIL, 2005).
A PDN “é composta por uma parte política, que contempla os conceitos, os ambientes internacional e nacional e os objetivos da defesa. Outra parte, de estratégia, engloba as orientações e diretrizes.” (BRASIL, 2005, p. 2) A seguir, o documento definia os termos Segurança e Defesa Nacional, conforme descritos anteriormente na Seção 1.
Mais adiante, na sua orientação estratégica, a PDN apresenta o seguinte aspecto, sob os quais serão formuladas as ideias centrais da Estratégia Nacional de Defesa:
A ausência de litígios bélicos manifestos, a natureza difusa das atuais ameaças e o elevado grau de incertezas, produto da velocidade com que as mudanças ocorrem, exigem ênfase na atividade de inteligência e na capacidade de pronta resposta das Forças Armadas, às quais estão subjacentes características, tais como versatilidade, interoperabilidade, sustentabilidade e mobilidade estratégica, por meio de forças leves e flexíveis, aptas a atuarem de modo combinado e a cumprirem diferentes tipos de missões. (BRASIL, 2005).
Finalmente, cabe destacar na PDN, as diversas diretrizes estratégicas, que se relacionam com a consecução dos objetivos propostos por esta pesquisa:
I – manter forças estratégicas em condições de emprego imediato, para a solução de conflitos;
II – dispor de meios militares com capacidade de salvaguardar as pessoas, os bens e os recursos brasileiros no exterior;
[...]
IV – incrementar a interoperabilidade entre as FA, ampliando o emprego combinado;
[...]
XVII – estimular a pesquisa científica, o desenvolvimento tecnológico e a capacidade de produção de materiais e serviços de interesse para a defesa; XVIII - intensificar o intercâmbio das Forças Armadas entre si e com as
universidades, instituições de pesquisa e indústrias, nas áreas de interesse de defesa; (grifo nosso).
XXIII – dispor de capacidade de projeção de poder, visando à eventual participação em operações estabelecidas ou autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU. (BRASIL, 2005).
A PDN foi a força motriz para que o MD confeccionasse a Doutrina Militar de Defesa, a Estratégia Nacional de Defesa e a Lei Complementar nº 136, sendo considerada o primeiro Livro Branco do Brasil, ou seja, o primeiro documento que explicitou, no âmbito político- estratégico, uma política de Estado na área de Defesa após a Constituição Federal de 1988.
A Doutrina Militar de Defesa (DMiD) estabelece os fundamentos doutrinários para o emprego das FA em atendimento às demandas da Defesa Nacional, define termos como Poder Nacional, já citado anteriormente, o qual é projetado pelos Poderes Marítimo, Terrestre e Aeroespacial. Destes, ressalta-se o Terrestre, no qual o EB é a Força Singular representativa das Forças Armadas:
Poder Terrestre resulta da integração dos recursos predominantemente terrestres de que dispõe a Nação, no território nacional, quer como instrumento de ação política e militar, quer como fator de desenvolvimento econômico e social, visando a conquistar e a manter os objetivos nacionais. (BRASIL, 2007, p. 15).
Outra definição importante é a da Expressão Militar do Poder Nacional, apresentada como:
a manifestação, de natureza predominantemente militar, do conjunto dos homens e dos meios de que a Nação dispõe que, atuando em conformidade com a vontade nacional e sob a direção do Estado, contribui para alcançar e manter os objetivos nacionais. (BRASIL, 2007, p. 16).
Conforme a DMiD, os componentes da citada expressão militar são o Poder Naval, o Poder Militar Terrestre e o Poder Militar Aeroespacial. Por conseguinte, o Poder Militar Terrestre é definido como:
parte integrante do Poder Terrestre capacitada a atuar militarmente em terra e em certas áreas limitadas de águas interiores, as quais sejam de interesse para as operações terrestres, bem como, em caráter limitado, no espaço aéreo sobrejacente. (BRASIL, 2007, p. 16).
Desta forma, destaca-se que o Poder Militar Terrestre “contribui para a dissuasão estratégica pela articulação em todo o território nacional e pela disponibilidade de forças de pronto emprego” (BRASIL, 2007, p. 17).
Todo este corolário de definições, chega ao seu foco principal, quando a DMiD, define a estratégia da dissuasão como aquela que se caracteriza “pela manutenção de forças militares suficientemente poderosas e prontas para o emprego imediato, capazes de desencorajar qualquer agressão militar” (BRASIL, 2007, p. 36). Neste contexto, ressalta-se que:
O Brasil adota uma postura estratégica baseada na existência de uma estrutura militar com credibilidade, capaz de gerar efeito dissuasório. No contexto de um plano mais amplo de defesa e a fim de reprimir uma possível agressão armada, o País empregará todo o poder militar necessário e suas reservas mobilizáveis, com vistas à decisão do conflito no prazo mais curto possível e com o mínimo de danos à integridade territorial e aos interesses nacionais, buscando condições favoráveis para o restabelecimento da paz. (BRASIL, 2007, p. 36).
Com o objetivo de apresentar o “Como fazer”, decorrente da Política que nos mostra o “Que fazer”, surge, em 2008, a Estratégia Nacional de Defesa. Ela foi definida como um:
Plano [que] é focado em ações estratégicas de médio e longo prazo e objetiva modernizar a estrutura nacional de defesa, atuando em três eixos estruturantes: reorganização das Forças Armadas, reestruturação da indústria brasileira de material de defesa e política de composição dos efetivos das Forças Armadas. (BRASIL, 2008, p.5).
As características dos novos conflitos passam por um ambiente de incertezas, difuso e assimétrico, exigindo Forças Armadas com novas concepções de preparo e emprego, com esse intuito, a END definiu em seu escopo, diretrizes estratégicas paras as Forças, dentre elas citamos:
1. Dissuadir a concentração de forças hostis nas fronteiras terrestres, nos limites das águas jurisdicionais brasileiras, e impedir-lhes o uso do espaço aéreo nacional.
Para dissuadir, é preciso estar preparado para combater. A tecnologia, por mais avançada que seja, jamais será alternativa ao combate. Será sempre instrumento do combate.
2. Organizar as Forças Armadas sob a égide do trinômio monitoramento/controle, mobilidade e presença.
[...]
4. Desenvolver, lastreado na capacidade de monitorar/controlar, a capacidade de responder prontamente a qualquer ameaça ou agressão: a mobilidade estratégica. (BRASIL, 2008, p.11).
Essas diretrizes irão fundamentar as estratégias intrínsecas de cada Força para atender à END. Em suas Disposições Finais, apresenta uma série de documentos e ações complementares que
deverão ser realizadas, conforme um cronograma específico e com os respectivos responsáveis pelas suas elaborações. (BRASIL, 2008, p. 67). Dentre eles, destacam-se os Planos de Equipamento e Articulação das Forças Armadas (2009-2030), que, no caso do Exército, se configurará na Estratégia Braço Forte. (BRASIL, 2009).
Com base na referida Lei, em 2012, a PDN foi atualizada, recebendo o nome de Política Nacional de Defesa (BRASIL, 2012a) ficando em consonância com a Estratégia Nacional de Defesa (BRASIL, 2008, 2012a), também atualizada. Além disso, foi elaborado, pela primeira vez, “o Livro Branco de Defesa Nacional [que] soma-se à Estratégia Nacional de Defesa e à Política Nacional de Defesa como documento esclarecedor sobre as atividades de defesa do Brasil” (BRASIL 2012b, p.8).
O Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN) serve, tanto como um “mecanismo de prestação de contas à sociedade sobre a adequação da estrutura de defesa hoje existente aos objetivos traçados pelo poder público”como “um estímulo à discussão sobre a temática de defesa no âmbito do Parlamento, da burocracia federal, da academia, e da sociedade brasileira em geral.” (BRASIL 2012b, p.8).