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5.3 DÖNER BUHARLAŞTIRICI (ROTARY EVAPORATOR)

5.4.2 Kullanılan Malzemeler Kimyasallar Kimyasallar

É de nosso interesse defender que a crônica de jornal tem como princípio fundamental: apresentar-se através de uma linguagem metafórica. Tal visão torna-se essencial para estudar as construções metafóricas do discurso das práticas sociais no cotidiano, em especial, o uso da linguagem natural (LN)l, devido às confluências socioculturais ali pontuadas; à reconstrução do sentido das estruturas da língua, intermediado pelo linguístico e o extra-linguístico.

Diante desse pensamento, vê-se que tal linguagem estrategiza um discurso ao fazer uso de alusões a outros discursos, ideologias e culturas, da busca do entorno social, focado no teor da discussão que fomenta a prática discursiva no gênero. Essa linguagem também suscita o dialogismo, isto num mesmo domínio conceptual, que está se projetando a metáfora, ou melhor, construindo a

megametáfora, que estruturará as “micrometáforas”, as quais integrarão o todo textual do gênero e o discurso, para estabelecer o dialogismo ali constituído.

Tal linguagem registra as metáforas por um enigma proposto pelo autor e pela natureza do próprio gênero, seja para prender a atenção do leitor, isto é, para interagir, para fazê-lo buscar pistas para “de(s)codificar”, compreender o teor metafórico daquele domínio conceptual que projetou a mega e/para as micrometáforas. De acordo com os estudos de Riffaterre (1983) e de Werth (1994), conforme Coimbra (1999), a metáfora se desenvolve a partir de uma conceptualização em dupla camada: a) um nível fonte, que veicula a linguagem não- literal; e b) e um nível alvo, que conduz o teor metafórico na/para linguagem literal para uma não-literal. Um outro autor que trata dessa questão, também num nível conceptual é Stockwel (1992). Tais autores tratam da linguagem metafórica numa perspectiva sociodiscursiva, voltada para as práticas de atividades sociais, o que interessa em nossa questão: linguagem metafórica em crônicas de jornais impressos.

Nesse mesmo Stockwel, a metáfora se constitui em camadas, como defendem os mesmos autores: Werth e Rifaterre. A estrutura de uma “camada 1 se combina à estrutura de uma camada 2, como que se isomorfizando numa metáfora nova, isto é, constituindo-se de uma unidade bem estruturada, que, nos pensamentos de Lakoff e Johnson, correspondem à consistência metafórica. Nesse olhar, a metáfora nova se desenvolve por uma metáfora primária que vai se imbricando, simbiotizando-se pelo domínio fonte e pelo domínio alvo. Para ilustrar essa ideia, vejamos a crônica a seguir:

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Figura 12 - Crônica: O escorpião, a tarântula e o tigre...

Fonte: A UNIÃO. C.1, p.6. Paraíba, 14 de set 1950

Para ilustrar esse pensamento, levantamos a metáfora, extraída da crônica acima: OS INIMIGOS DO CHEFE DE ESTADO SÃO FERAS, ou melhor avaliada, a questão pelo cronista experienciador da situação, temos a ser: OS INIMIGOS DA PARAÍBA SÃO INSETOS Æ QUE NÃO PASSAM DE MOSCAS OU MURIÇOCAS.

Tais construções são metáforas conceptuais - ontológicas, especialmente, do tipo, as primárias, as chamadas básicas, por Lakoff e Johnson, bem presentes em

muitas culturas, motivadas pelo aspecto físico do corpo humano. Tais metáforas especificam objetos, coisas, entidades, por diferentes modelos, enfocando os diferentes aspectos e conhecimento de mundo da experiência do falante. Tudo isso refletindo no modelo que está sendo construído e será eliciado na expressão linguística. A exemplo, confiramos na expressão construída na crônica, conforme segue:

O regime republicano atravessa uma fase de consolidação difícil e heróica [...] [...] diante do inimigo numero primeiro que é o Extremismo, os inimigos secundários os que vociferam a sua demagogia, de escândalo mas inofensiva, e é os inimigos terciários, isto os que disfarçam os despeitosinhos inconfessaveis e se ocultam na sombra, não podem preocupar um chefe de estado consciente de seus deveres[...] [...]em certas circunstancias eles não passam de moscas ou muriçocas.

(In: A UNIÃO.. O escorpião, a tarântula e o tigre... Paraíba, 14 de set 1950.)

Ao aplicarmos a teoria dos autores, citados acima, verificaremos que temos: UM INIMIGO É UM BICHO FEROZ (camada mais superficial 1) Æ OS INIMIGOS SÃO ESCORPIÕES, TARÂNTULAS E TIGRES (camada média 2),Æ INIMIGO SÃO INSETOS FRÁGEIS (camada mais profunda 3). Estas voltam, energizadas da avaliação do caso pelo cronista, à superfície como no plano: (a) OS INIMIGOS SÃO MOSCAS, ou, no plano (b) OS INIMIGOS SÃO MURIÇOCAS.

Nessa estrutura (a), por exemplo; temos como domínio fonte: muriçocas e domínio alvo; inimigo. Isto, porque é do interesse do cronista mostrar que: O regime

republicano atravessa uma fase de consolidação difícil e heróica. Da situação difícil,

quando se está diante da primeira fase da ideia do autor, ao mostrar que, no domínio fonte, estava um inimigo feroz do tipo: escorpião, tarântula e tigre, que vai da categorização da família animal mamífero selvagem à categoria dos animais insetos mortíferos. A situação torna-se heróica se se considerar o domínio fonte daquela situação como insetos comuns, fáceis de combater como moscas e muriçocas. Tudo isto levará à metáfora ontológica, primária ou básica: OS INIMIGOS SÃO HOMENS.

A extensão dessa linguagem metafórica tem base na relação de vários veículos entre si, por pertencerem ao mesmo domínio conceptual. Dessa feita,

perpassa todo texto, no caso aqui, a crônica, constituindo uma espécie de micro- idioleto, cujo papel é o de difundir as metáforas para outros dizeres, outras culturas.

Por esse “idioleto”, é que se chega às correspondências do significado, é que se descobre a inter-relação dos domínios fonte/alvo. Com base em Rifaterre ([1969]), tal idioleto, ou seja, a linguagem metafórica tem o papel de estender as metáforas no texto e na linguagem do leitor(interlocutor); de trazer as metáforas gastas pelo uso como novas; de vivificar as “metáfora ditas, ou consideradas mortas” presentificando na memória ativa da sociedade, do usuário da língua.

A título desse entendimento, reflitamos acerca destas expressões metafóricas: “vá cantar de galo em outro terreiro...”, “ou vá vender sua história em

outra freguesia?” em suas enunciações no seu cotidiano? E, com bases nessas

construções metafóricas de uso social, no cotidiano, questionemos: há quanto tempo tal construção metafórica “vive”, gasta-se e retroalimenta-se aqui e ali, de modo que o falante não a deixa “morrer” consciente ou não de tal prática?

Para compreender tal processo da linguagem metafórica, também é preciso considerar o contexto, a experiência sociocultural do falante. Neste, há a memória cultural, em que autor(cronista) /leitor(usuário da língua) estão envolvidos, no momento da enunciação e de fazer a confluência cultural para o dizer pelo viés metafórico. Em muitas situações dessa enunciação, o cronista se vale de provérbios, de frases feitas, frases “célebre” expressões idiomáticas e engendramentos de outras expressões mais usuais. Tudo isso para manipular a opinião pública acerca de uma questão em foco, cujos jogos de linguagens estão sustentados pela metáfora. Diante disso, é mister colocar que, na constituição dessa linguagem, têm- se alguns elementos que precisam ser avaliados para se chegar ao teor da metáfora ali inten(s)cionada pelo cronista, assim como para se chegar à pista pela qual o leitor dessa palavra precisa dominar.

Na linguagem metafórica de uma crônica de jornal, por exemplo, tem-se: o contexto, a projeção conceptual, a memória sociocultural, a megametáfora, a motivação no contexto, as alusões, o domínio; alvo/fonte, ex(s)tens(ç)ao, a repetição e ainda a diversificação de outras metáforas gastas, “mortas”.

Diante desses elementos, é relevante considerar outros fatores fundamentais a uma linguagem metafórica na crônica: a (não)ambiguidade dessa linguagem, a metalinguagem, as combinatórias de outras metáforas, o disfarce. Todos esses fatores estão revestidos nos jogos da linguagem literal e da não-literal. Com base

nesses itens constitutivos de um dizer linguageiro, considera-se tal linguagem metafórica ser um jogo de linguagem complexo.

A exemplo dessa colocação, vejamos, do nosso corpus, um recorte do discurso, materializado nas estruturas metafóricas, na crônica: Rifa de uma moça, retirada do jornal: O Conservador. Anno I, n.2, p.4. Parahyba, 15 de setembro de 1875. Periódico Polymathico.

Minnie Claurence [...] lembrou-se de rifar-se por meio de bilhetes numerados valendo cada um 50 centavos! [...] – pensou ella – junctarei um bom dote e alcançarei um marido, que poderá vir a ser bom ou máu como qualquer outro.

In: O CONSERVADOR.a.1, n.2, p.4. Parahyba, 15 de set de 1875.

Vejamos que esse discurso da moça pode ilustrar a forma metafórica de conceituar o mundo: A VIDA É UM JOGO. Tal metáfora de experiência externa, arraigada socioculturalmente, difundiu o modo de agir e de fazer o discurso, motivou ativamente a construção da percepção da realidade social de Minnie Claurence, de modo que ela se sustentou na hipótese de arranjar um marido e se fazer na vida através da sorte do jogo. E a ideia da sorte do jogo está tão saliente no modo de pensar e de agir que ela ainda desencadeou outra metáfora: CASAMENTO É SORTE. Quando proferiu o discurso: alcançarei um marido que poderá vir a ser bom

ou máu como qualquer outro. Outra metáfora: PESSOAS SÃO OBJETOS.

Tal exemplo correferencia um outro aspecto das metáforas que orientam o nosso sistema conceptual, conforme Lakoff e Johnson (2002, p. 255), as metáforas conceptuais são fundamentadas em correlações dentro de nossa experiência. No recorte discursivo, sob análise, tem-se a experiência, centrada na metáfora orientadora A VIDA É UM JOGO DE AZAR. Isto, porque alguém experiencia ações vívidas como jogos de apostas e as possíveis consequências dessas ações: ganhar ou perder, de modo que a experiência aqui aspectuada é a de vida, jogo, sorte e/ou azar.

5 PROPOSTA DE ANÁLISE DAS CONSTRUÇÕES METAFÓRICAS EM

Benzer Belgeler