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4. DENEYSEL ÇALIŞMA

4.1 Kullanılan Malzemeler

A Lei de Política do Gás Natural (NGPA) deu os primeiros passos no sentido de desregulamentar o mercado de gás natural, através da instauração de um regime de remoção gradual de preços máximos na cabeça do poço. No entanto, ainda existia regulamentação significativa em relação à venda de gás a partir de um gasoduto interestadual aos serviços públicos locais e às empresas de distribuição local (sigla LDCs, do inglês local distribution

companies). Sob a NGA e a NGPA, os proprietários dos gasodutos compravam gás natural

dos produtores, transportavam-no para seus clientes (principalmente LDCs), e vendiam o “pacote” por um preço regulamentado. Os clientes não tinham a opção de comprar o gás natural como um produto e o transporte como um serviço separado.

Vários eventos levaram ao fim do “pacote” do produto dos gasodutos. No início de 1980, notando que um número significativo de clientes industriais trocou o uso do gás natural por outras formas de energia, vários proprietários de gasodutos instituíram o que chamaram de Programas Especiais de Marketing (sigla SMPs do inglês Special Marketing Programs). Estes programas permitiram que os clientes industriais - com a capacidade de alternar combustíveis - pudessem comprar gás diretamente dos produtores e transportá-lo via gasodutos. Considerados discriminatórios em diversos casos judiciais, os Programas Especiais de Marketing foram eliminados em 31 de outubro de 1985 (NATURALGAS.ORG, S.D.).

Naquele mesmo ano, a FERC emitiu a Ordem2 n° 436, com o objetivo de implantar o livre acesso não discriminatório ao transporte de gasoduto interestadual e limitar a assinatura de contratos de longo prazo para o transporte de gás natural (JURIS, 1998). Esta ordem fornecia para todos os clientes as mesmas possibilidades que os Programas Especiais de Marketing do início de 1980 haviam oferecido aos clientes industriais com possibilidade de substituição de combustíveis, evitando assim os problemas de discriminação dos programas anteriores.

A tentativa de implantação do livre acesso através desta Ordem, contudo, não foi totalmente bem sucedida, sobretudo porque as empresas transportadoras ainda exerciam grande poder de mercado através do fornecimento de um serviço de transporte de melhor qualidade a suas empresas afiliadas e coligadas (DIAS et al., 2001).

A FERC emitiu em 1988 a Ordem n° 497 visando uniformizar as transações realizadas entre carregadores, afiliados ou não. Essa regulamentação determinou padrões de conduta e requerimento de informações que deveriam ser fornecidos à Comissão, a fim de que esta se tornasse mais apta na fiscalização e prevenção de tratamentos discriminatórios (DIAS et al., 2001).

A completa desregulamentação dos preços de gás natural na cabeça do poço, no entanto, somente ocorreu com a aprovação da Lei de Descontrole do Gás Natural na Cabeça do Poço (sigla NGWDA, do inglês Natural Gas Wellhead Decontrol Act) em 1989. A partir de 1° de janeiro de 1993, todas as regulamentações restantes de preços da NGPA deveriam ser eliminadas, restabelecendo o livre-mercado como mecanismo de formação de preço do gás natural na cabeça do poço.

A NGWDA determinou que a “primeira venda” de gás natural seria livre de qualquer regulamentação federal de preços. A referida lei definiu a “primeira venda”, como a comercialização de gás: (i) para um gasoduto; (ii) para uma empresa de distribuição local; (iii) para um usuário final; (iv) venda precedente a qualquer um dos itens anteriores e (v) o que a FERC estabelecesse como “primeira venda”. Nesta definição excluíam-se todas as vendas de gás por gasodutos e empresas locais de distribuição, incluindo os gasodutos interestaduais.

Em 1992, a FERC promulgou a Ordem nº 636 e concluiu mais uma etapa importante na promoção da competição na comercialização de gás natural (DIAS et al.,2001), tornando a desagregação do gasoduto uma exigência. Isto significava que os contratos que combinavam

2 Ordem (Order) é um instrumento regulador emitido pela FERC, para controlar e orientar o desenvolvimento

serviço de transporte e venda de gás natural deveriam ser convertidos em contratos separados para transporte e comercialização.

A Ordem nº 636 exigia que os transportadores oferecessem serviços de qualidade equivalente para qualquer carregador, fosse ele um associado/afiliado ou não (DIAS et al., 2001). Essa Ordem determinava ainda a reestruturação da indústria de gasoduto interestadual. Cada elemento presente na composição dos preços do gás natural deveria ser transparente e bem definido (DIAS et al.,2001).

Houve também um encorajamento da troca livre de contratos de curto-prazo para a capacidade ociosa de gasodutos. Para ter acesso às malhas, as empresas de transporte costumavam assinar contratos de longo-prazo mesmo que não utilizassem a capacidade total, não havia nenhum recurso legal para transferir o direito de usar o duto a uma empresa que tinha os meios de utilizar a capacidade ociosa. A Ordem n° 636 criou um mercado secundário para a troca dessa capacidade subutilizada (JURIS, 1998) e instituiu a utilização de quadros de avisos eletrônicos, acessíveis a todos os clientes em condições de igualdade, mostrando a capacidade disponível e liberada em qualquer gasoduto particular.

A Ordem nº 636 da FERC representou o culminar da desregulamentação da indústria de gás natural interestadual. Ela dava a todos os vendedores de gás natural igualdade no movimento de gás natural da cabeça do poço para o usuário final ou LDC e permitia a separação completa de transporte, armazenamento e comercialização. Com essas condutas o caráter de monopólio e monopsônio3 das companhias transportadoras foi sendo enfraquecido gradativamente da indústria do gás natural (DIAS et al.,2001).

Em fevereiro de 2000, a FERC emitiu a Ordem n° 637, que alterou as regras de fixação de preços para os serviços de gasodutos interestaduais, principalmente para serviços de curto prazo no mercado secundário. Seu objetivo era permitir que a capacidade fosse alocada de forma mais eficiente durante os períodos de pico por aqueles que mais precisavam. Antes da Ordem n° 637, a capacidade de curto-prazo liberada era sujeita a um price cap (limite de preço). Quando o seu valor ultrapassava esse limite não havia incentivo para a liberação da capacidade não utilizada, que frequentemente era vendida num “pacote” com o gás natural a comerciantes desse mercado. O price cap de curto prazo (menos de um ano) foi revogado, buscando facilitar a obtenção da capacidade pretendida diretamente dos seus titulares.

A Ordem n° 637 também proporcionou maior flexibilidade na fixação de preços dos gasodutos, permitindo estruturas de taxas diferenciadas para prazos e períodos de pico/fora de pico. Essas taxas são destinadas a acomodar variações sazonais na demanda, enquanto as taxas de prazo diferenciadas visam reforçar a capacidade dos gasodutos na gestão do risco subjacente nas diferentes extensões de contratos. Disposições adicionais previstas na Ordem n° 637 têm como objetivo aprimorar a eficiência e a competitividade do mercado de gás natural, melhorando os requisitos de informação a fim de aumentar a transparência dos preços e monitorar de forma mais eficaz o abuso de poder de mercado; mudar regulamentos em matéria de procedimentos de planejamento, segmentação da capacidade e penalidades de gasodutos; e estreitar o direito de preferência dos clientes de capacidade de longo prazo. Enquanto as mudanças regulatórias incluídas na Ordem n° 637 dizem respeito principalmente à regulação do transporte de curto prazo, a Comissão reconhece na ordem que a natureza mutável do mercado de gás natural desafia seu quadro regulamentar para a capacidade de transporte de longo prazo.

Essa série de reformas regulatórias provocou um forte impacto na estrutura da indústria, catalisando o crescimento de novas instituições de mercado, como os mercados spot e futuros, ampliando o número, o tamanho e a importância dos centros de mercado, criando um segmento da indústria inteiramente novo, e construindo um mercado secundário para o transporte e a comercialização de gás natural (DOERN et al., 2003). Neste contexto, esse setor atingiu um alto nível de competitividade e proporcionou as condições necessárias para que o gás natural assumisse um papel de grande importância na matriz energética dos EUA.