4. ĠYON DEĞĠġTĠRME KROMATOGRAFĠSĠ
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Mudança no código florestal brasileiro provoca confrontos no Congresso Nacional
Tempo: 2‟12”
Personagens:
Representantes dos produtores rurais:
Aldo Rebelo, deputado federal pelo PCdoB-SP, relator do novo projeto de lei Reinhold Stephanes, deputado federal pelo PMDB-SP
Representantes dos ambientalistas:
Ivan Valente, deputado federal pelo PSOL-SP Sarney Filho, deputado federal pelo PV-MA
Conflito: Ambientalistas reagem contra as mudanças no código florestal brasileiro propostas por produtores ruralistas
Sequência de Ações: Reunião na Comissão da Câmara que discute o projeto. Imagens dos ambientalistas, empunhando cartões vermelhos e faixas de protesto, no fundo do plenário. Depoimentos intercalados entre deputados que defendem as mudanças propostas pelos ruralistas e outros que reagem, ao lado dos
ambientalistas, ao novo código. Mapa ilustrando as mudanças que serão provocadas pela nova lei. Novos depoimentos de deputados a favor e contra a mudança no código. Intervenção do repórter, no fim da matéria, destacando a estratégia dos
ambientalistas de buscar apoio da sociedade para enfrentar o “trator” da bancada ruralista.
A matéria descreve que, num relatório de 300 páginas, o deputado federal pelo PCdoB de São Paulo, Aldo Rebelo, relator do projeto que propõe o novo código florestal brasileiro, utiliza referências históricas para defender os ruralistas e argumentar que os ambientalistas, que se apresentam contra o projeto, são
representantes dos países ricos que querem “barrar” o desenvolvimento do Brasil. “O que as nações ricas propõem, de acordo com a mesma pregação de dois séculos atrás do reverendo Malthus, é limitar o acesso dos países pobres aos mesmos padrões de consumo”, lê o relatório Aldo Rebelo.
Em seguida, em corte direto, entra uma declaração do deputado federal pelo PSOL de São Paulo Ivan Valente sobre os argumentos evocados por Rebelo:
“Ele está fantasiando isso e, ao mesmo tempo, ele está se aliando aos que defendem no Brasil o trabalho escravo, um modelo concentrador de renda, de terra e de riqueza”.
É apresentada uma animação do mapa-mundi, fechando em close sobre o Brasil. O texto em voz off do repórter explica que o ponto mais polêmico do projeto do novo código é a definição de reservas legais. Segundo a proposta do novo código, os pequenos produtores rurais são dispensados de manterem as áreas de reserva. Os grandes produtores teriam de manter 20% de reservas naturais em regiões de Mata Atlântica, 35% em regiões de vegetação que caracterizam o Cerrado e 80% em áreas que envolvam a Amazônia – mas os Estados poderão reduzir estes percentuais de acordo com planos de regularização ambiental.
Em declaração ao repórter, o deputado federal pelo PMDB de São Paulo, Reinhold Stephanes, defende as mudanças no código florestal do país.
“Toda uma legislação vem sendo construída, em um conjunto de normas, em função deste código e muitos erros se cometeram. E esses erros precisam ser corrigidos”.
Em sequência, o deputado federal pelo Partido Verde (PV) do Maranhão, Sarney Filho, aparece apontando as, para ele, consequências da mudança:
“Vai permitir um maior desmatamento da Amazônia. Isso fica claro quando ele isenta quatro [pequenos] módulos rurais de qualquer compromisso ambiental”. Postado diante dos corredores da Câmara Legislativa Federal, o repórter Anderson Arcoverde contextualiza as condições do confronto, apontando a maior força do „trator‟ da bancada ruralista:
“Apesar dos protestos, os ambientalistas são minoria e admitem que não vão conseguir barrar o trator da bancada ruralista na Comissão. Eles anunciaram que vão tentar adiar as discussões para buscar apoio da sociedade e tentar pressionar contra o projeto”.
A reportagem é toda construída sobre o conflito entre duas partes: ruralistas x ambientalistas, sugerindo, no entanto, desde o início, uma força maior daqueles diante destes.
Diante das mais de 300 páginas de relatório que o texto da reportagem menciona terem sido escritas pelo deputado Aldo Rebelo, “citando história e literatura”, para defender os ruralistas, e da imagem do deputado sentado à bancada lendo o
documento, é mostrada a imagem de quatro (4) figuras simples (três homens e uma mulher), apertadas no fundo da sala, erguendo cartazes e cartões vermelhos em reação às proposições dos produtores rurais.
Câmara Federal por anos e ex-ministro da Secretaria de Coordenação Política do governo) é colada em corte direto, sem introdução ou texto em off do repórter, a declaração do deputado federal pelo pequeno partido de oposição ao governo, PSOL, Ivan Valente: “Ele está fantasiando isso”.
Com o discurso de Valente pontuando o confronto entre uma grande força (os ruralistas) e uma pequena (que se opõe ao “trabalho escravo” e ao “modelo concentrador de renda, de terra e de riqueza”), a reportagem apresenta uma
animação que busca explicar os pontos de conflito que marcam o projeto do novo código.
No mapa, a mesma relação entre pequenos versus grandes volta a aparecer. Os “pequenos produtores”, pelas proposições do novo código, não precisam manter áreas de reserva. Os “grandes produtores” devem conservar porcentagens de vegetação nativa da Mata Atlântica, do Cerrado e da Amazônia. O texto explica ainda que “os grandes” serão beneficiados com a possibilidade de negociar relativizações da lei, com os governos dos Estados em que atuam, e com a suspensão, pelos próximas cinco anos, das multas já aplicadas.
Argumentando a pertinência do novo projeto, o deputado federal Reinhold Stephanes (ministro da Agricultura do atual governo até março deste ano) surge citando os “erros que precisam ser corrigidos”. E, em sequência imediata, o deputado federal de oposição pelo Partido Verde, Sarney Filho (ainda que filho de um conhecido e controverso aliado do governo, o senador José Sarney) evoca a imagem da ameaça à Amazônia à guisa de conclusão do debate: “Vai permitir um maior desmatamento da Amazônia”.
Com a deixa do deputado, o repórter usa as palavras “minoria” para se referir aos ambientalistas e “trator” para mencionar o poder dos ruralistas. Do impasse, surge a solução que se revela aos “pequenos” defensores da causa ambiental: apenas
articulando ajuda (no caso, apoio da sociedade) terão chance de enfrentar a potência e domínio dos grandes produtores rurais.
Um pequeno número de ambientalistas protesta durante sessão em plenário da Câmara. Deputados, ligados aos produtores rurais de um lado e às questões ambientais de outro, polarizam o debate. O repórter do telejornal, em Brasília, menciona a decisão tomada pelos ambientalistas: tentar articular ajuda da sociedade.