4. BULGULAR
4.2. Öğrenme-Öğretme Süreci
4.2.2.3 Kullanılan Etkinlikler Arasındaki Farklılıklar
A partir das transformações globais, na perspectiva da comunicação e da informação, muitas práticas vêm sendo revisadas no sentido de conectar as diferentes áreas do conhecimento, permitindo que a humanidade possa compartilhar cada novo saber adquirido. Essa importância decorre das relações cotidianas que as sociedades desenvolveram, muito em função do seu crescimento cultural, ao ampliar o leque de produção do conhecimento, garantindo que a informação ultrapasse as fronteiras geográficas e alcance as mais longínquas nações espalhadas pelo globo.
Por essa razão, os recentes estudos desenvolvidos, relacionando a educação com a comunicação, vêm indicando a necessidade de uma revisão nesse processo construtivo, caracterizado pela produção do conhecimento, a partir do envolvimento comunitário. Uma nova concepção, aplicada ao campo da comunicação, torna possível o aprendizado através do descobrimento do potencial criativo, existente em cada indivíduo, invertendo a ordem hierárquica da difusão do saber, através do envolvimento comunitário.
O termo Educomunicação foi cunhado, inicialmente, por Mário Kaplún97,
que pensou a comunicação integrada à educação como um novo campo de intervenção na promoção de mudanças políticas e sociais. Kaplún (1984) evidencia a ideia da comunicação como promotora de desenvolvimento cidadão, ao considerar que o diálogo assume fundamental importância neste processo de inclusão social.
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Mário Kaplún (1923-1998), comunicador argentino, foi um dos primeiros a empregar o termo Educomunicação para instituir o campo da Educação para a Comunicação – ou da leitura crítica dos meios de comunicação. Foi o precursor da Comunicação Educativa e Popular no continente latino-americano, numa perspectiva de favorecer a recepção participativa.
Estes grupos mostram que a democracia orgânica e participativa deve ser construída a partir de baixo, com as pessoas como o protagonista central. Assim, a democratização da comunicação deve iniciar (e terminar) com um diálogo participativo com as pequenas comunidades (Kaplun, 1984, p. 10)98.
A comunicação alia-se à educação, agindo como instrumento de organização, fortalecendo a ideia do coletivo, mas respeitando as individualidades, preservando a realidade social de cada um deles.
Soares (2004)99 coloca a Educomunicação como um conjunto das ações voltadas, não apenas ao planejamento, mas também à implementação e à avaliação de processos e produtos destinados a criar e fortalecer ecossistemas comunicativos em espaços educativos. O autor (2004, p. 01) acredita na qualificação do “coeficiente comunicativo das ações educativas” ao desenvolver o espírito crítico dos usuários, utilizando para tanto a informação nas práticas educativas.
Com a necessária perspectiva de ampliar capacidade de expressão das pessoas, através da inclusão social e do conhecimento, a Educomunicação vem transformando o conceito do ensino, não apenas no Brasil, mas em diversos pontos do mundo.
Um conjunto das ações inerentes ao planejamento, implementação e avaliação de processos, programas e produtos destinados a criar e a fortalecer ecossistemas comunicativos em espaços educativos presenciais ou virtuais, assim como melhorar o coeficiente comunicativo das ações educativas, incluindo as relacionadas ao uso dos recursos da informação no processo de aprendizagem através do diálogo franco e aberto (SOARES, 2004, p. 24).
O educomunicador passa a ser, então, aquele profissional que demonstra capacidade para coordenar projetos no campo da inter-relação Educação/ Comunicação. Soares (1999, p. 01) enfatiza que, entre as atividades desenvolvidas, destacam-se a implementação de programas de educação para a comunicação (favorecendo ações que permitam que grupos de pessoas se
98 Texto original: “Estos grupos nos muestran que una democracia organica y participativa debe construirse desde abajo, con el pueblo como protagonista central. Así, la democratización de la comunicación debe comenzar (y terminar) en el diálogo participativo del pequeño grupo local” (KAPLÚN, 1984, p. 10).
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Ismar de Oliveira Soares (1965), Coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo. Professor titular da Universidade de São Paulo. Membro de Comitê Gestor da Lei Educom, da Prefeitura de São Paulo.
relacionem adequadamente com o sistema de meios de comunicação) e o assessoramento a educadores quanto ao adequado uso dos recursos da comunicação como instrumentos de expressão da cidadania.
A Educomunicação, na definição de Delors100, desponta como um processo
simultâneo: “A educação deve transmitir, de forma maciça e eficaz, cada vez mais saberes e saber - fazer evolutivos, adaptados à civilização cognitiva, pois são as bases das competências do futuro” (DELORS, 2003, p. 98). Na concepção do relator internacional, compete a ela (educação) encontrar e assinalar as referências que impeçam as pessoas de ficar submergidas nas ondas de informação que invadem os espaços públicos e privados e as levem a orientar-se para projetos de desenvolvimentos individuais e coletivos. Para Delors (2003), a educação deve transmitir, de forma maciça e eficaz, cada vez mais saber fazeres evolutivos, adaptados à civilização cognitiva, pois são as bases das competências do futuro.
Outro estudioso do tema, Donizete Soares (2006), refere-se a um campo de pesquisa de reflexão e de intervenção social, cujos objetivos, conteúdos e metodologia são essencialmente diferentes, tanto da educação escolar, quanto da comunicação social. Assim, o neologismo Educomunicação, que inicialmente sugere a simples união de Educação e Comunicação, na verdade “destaca de modo significativo um terceiro termo, a ação” (SOARES, 2006, p. 03).
Esse é um pensamento que condiciona à Educomunicação um significado particularmente importante, ao expressar que tanto o verbo educar quanto o comunicar, adquirem sua valorização como formas de conhecimento, através de sua ação como educomunicadores ou construtores das áreas do saber. A concepção que une os valores da educação e da comunicação, de acordo com o autor, surge como uma forma inovadora de refletir acerca da confluência existente entre essas duas áreas, o que faz surgir uma categoria até então inexistente nas comunidades: o educomunicador. Assim, é possível compreender a Educomunicação como a construtora de cidadania, a partir do direito individual, da expressão e da comunicação. Muitos teóricos compreenderam a necessidade de se pensar um novo modelo de comunicação, onde as discussões passassem a incorporar as relações sociais, seus interesses e necessidades.
100
Jacques Delors (1925) é autor e organizador do relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, intitulado: Educação, um Tesouro a descobrir (1996), em que se exploram os Quatro Pilares da Educação.
Ao unir essas duas correntes, a Educomunicação se transforma numa grande aliada para que todo o indivíduo, mesmo o de menor cultura, como o morador das comunidades populares, supere suas dificuldades e adquira capacidade de intervir na realidade em que vive. Nesse panorama, a Educomunicação surge como elemento formador das bases sócio-culturais, um importante instrumento na formação da consciência democrática no campo do conhecimento. Ela pode ser considerada como uma via de inserção social ao procurar desconstituir as práticas alienantes e possibilitar o resgate da experiência de vida, a partir das narrativas cotidianas de cada comunidade, como legítimo direito humano.
Tratando-se de Educomunicação, a pesquisa destaca, uma vez mais, a grande contribuição de Paulo Freire e sua proposta diferenciada, enfatizando os fundamentos éticos no aprendizado como elemento transformador dos indivíduos segregados socialmente. A trajetória de Freire marcou uma ruptura na história pedagógica, no campo da educação popular contemporânea, ao comprometer-se fortemente para a formação de uma sociedade democrática.