A geologia exerce forte influência na configuração das paisagens, podendo influenciar na disposição das rochas, na presença ou ausência de fraturas, nos planos de estratificação, falhas e dobras, solidez das rochas, susceptibilidade às alterações químicas, permeabilidade ou impermeabilidade das rochas. Desta feita, exerce um fator de controle na evolução da superfície da terra. Isso influencia nas características do ambiente, desde a morfologia, à diversidade de solos, da disponibilidade dos recursos hídricos às condições fitoecológicas (SOUZA, 2000).
Para entender as condições geológicas e geomorfológicas da sub-bacia do Rio Figueiredo, é necessário compreender as influências dos períodos geológicos, os quais exibem feições que variam desde o Pré-Cambriano ao Cenozoico. O maciço residual do Pereiro e os sertões pediplanados evidenciam os processos de intemperismo e dissecação do relevo decorrido no Quaternário (JATOBÁ, 1993).
Souza (1988), tratando das unidades morfoestruturais do estado do Ceará aponta a existência de três domínios geológicos: domínio dos depósitos sedimentares cenozóicos, domínio das bacias sedimentares paleo-mesozóicas e domínio dos escudos e maciços antigos pré-cambrianos.
Destarte, a sub-bacia apresenta feições destes três domínios apontados pelo autor. Como parte dos escudos e maciços antigos, nota-se a Serra do Pereiro e outras serras menores, como a dos Remédios e a Serra Vermelha, assim como a Depressão Sertaneja. Tais compartimentos são formados geologicamente por rochas do Complexo cristalino, composto principalmente por variados tipos de gnaises, granitos, dioritos e quartzitos (BRASIL, 2003).
Os depósitos Paleomesozóicos estão representados pelos sedimentos correspondentes a Chapada do Apodi, especificamente aos terrenos da Formação Açu, composta por arenitos, siltitos e folhelhos (BRASIL, 2003). Vale lembrar que a Bacia Potiguar (Chapada do Apodi), é composta por rochas sedimentares que se dividem em duas Formações: Açu e Jandaíra. A primeira se constitui como unidade basal composta por arenitos, cauliníticos, folhelhos e siltitos, como já mencionado. Enquanto, a segunda constitui o topo da chapada com calcários bioclásticos, gredosos e dolomíticos (BRASIL, 1981).
A Formação Açu resulta da subsidiência da crosta continental e da formação de ambientes lacustres e de deposição fluvial decorrido no Cretáceo. A deposição flúviomarinha ou de sedimentos aluviais, deltaicos estuarinos e marinhos, representa um grande ciclo transgressivo que a área sofreu, concluído com a deposição do calcário Jandaíra (MAIA, 2005, p. 72). De acordo com o autor, essa última deposição é resultado de um período de transgressão marinha, o que possibilitou a acumulação de carbonatos marinhos fossilíferos, de mar raso recobrindo a Formação Açu.
As planícies e os terraços fluviais da sub-bacia correspondem aos depósitos sedimentares cenozóicos referidos por Souza (1988). Estes são
compostos por areias, argilas e cascalhos (BRASIL, 2003). No alto e médio curso as planícies são estreitas, faces ao controle estrutural e no baixo curso, nas proximidades da sua foz elas têm alargamentos mais expressivos.
O Quadro 2 apresenta a correlação da caracterização geológica com base na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e no RADAM- BRASIL (1981).
Quadro 2 - Correlação da caracterização geológica da sub-bacia do Figueiredo
CPRM (2003) RADAMBRASIL (1981)
Sedimentos Aluviais (argilas, areias argilosas e
cascalhos) Aluviões (areias finas e grosseiras, cascalhos inconsolidados e argilas com matéria orgânica em decomposição)
Grupo Apodi (arenitos, siltitos e folhelhos). Formação Açu (Arenitos, conglomeráticos e cauliníticos, folhelhos, siltitos e calcarenitos) Granitos, dioritos, gnaisses, quartzitos. Suíte magmática (granitos, granodioritos,
tonalitos, quartzos e dioritos) Ortognaisses migmatizados, paragnaisses e
anfibolitos. Complexo Nordestino (migmatitos, gnaisses, núcleo granitoides, quartzitos, xistos, calcários, anfibolitos, metabásicos)
Fonte: BRASIL (1981), (CEARÁ, 2003).
A morfoestrutura da sub-bacia do Figueiredo reflete aspectos tectônicos e litológicos responsáveis pelo modelado do relevo. Os aspectos tectônicos estão bem representados pelas linhas de falhas e pela adaptação da rede de drenagem na qual o canal principal do Rio Figueiredo apresenta padrão paralelo em relação ao seu nível de base, no caso, o Rio Jaguaribe. Os aspectos litológicos se apresentam através dos tipos de alterações superficiais e das relações entre morfogênese e pedogênese.
Os aspectos geomorfológicos são reflexos não só das condições geológicas, ou dos fatores endógenos, mas também dos fatores exógenos, que juntos atuam na esculturação da superfície terrestre. Assim sendo, a análise das formas do relevo, da cobertura superficial e da morfogênese e morfodinâmica é de fundamental importância para compreender o contexto geomorfológico da área estudada.
Verifica-se que a compartimentação topográfica está diretamente relacionada com os fatores morfogenéticos, sem desprezar as condições climáticas atuais. No entanto, o passado geológico teve um papel de grande importância para o
desenvolvimento das atuais formas de relevo, tendo no Quaternário um momento crucial para tal. As ações exodinâmicas são as responsáveis pelas transformações por meio do intemperismo mecânico e químico.
Neste contexto, a sub-bacia apresenta formas dissecadas, erosivas e de acumulação. As formas dissecadas ocorrem nos maciços residuais, pois são aguçados e convexos, com feições em cristas, lombadas e colinas. Possui relevo que varia entre moderadamente dissecados nas áreas mais elevadas, ondulados nos pés-de-serra e variando de suave ondulado a aplainado nos sertões.
As formas erosivas são representadas pelas superfícies pediplanadas, configuradas pela depressão sertaneja, que possui relevo aplainado ocorrendo em diversos tipos de litologias. Assim como pelos patamares do Apodi cujas feições são tabulares e aplainadas. As formas de acumulação apresentam-se restritas às planícies fluviais, com relevo plano e sujeitas a inundações periódicas.
As principais características geológicas e geomorfológicas da sub-bacia estão sintetizadas no Quadro 3. Tais informações são corroboradas através do mapa geológico/geomorfológico da bacia apresentado na Figura 5.
Quadro 3 - Características Geológicas e Geomorfológicas da sub-bacia hidrográfica do Rio Figueiredo
Fonte: Elaborado pelo autor, com base em Brasil (1981). Unidades Crono-lito-
estratigráficas Feições Geomorfológicas e Geomorfologia
classificação das formas Altimetria e Classe de declividade Sedimentos Aluvionais
Quaternários
Planície Fluvial com formas de acumulação
50-100m, Relevo aplainado
Sedimentos Cretáceos da
Formação Açu Patamares da Chapada do Apodi com influências estruturais <150m, Relevo suave ondulado a aplainado Complexo cristalino Pré-
Cambriano Maciços residuais dissecados em cristas, lombadas e colinas. <590m, ondulado Relevo forte- Depressão sertaneja desenvolvida em
superfícies pediplanadas.
90 - 250m Relevo aplainado a suave- ondulado