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1.13. ADSORPSİYON

1.13.4. Kromatografik Ayırmalar

Figura 20: Sede definitiva da Faculdade de Medicina (1913)69.

Segundo Corrêa (1997) e Dias (1997), na proposta política do movimento da Inconfidência Mineira já constava a idéia da criação de uma universidade em Vila Rica, mas com o fracasso do movimento, o objetivo não foi alcançado. Os autores são uníssonos ao afirmar que pelo menos desde a terceira década do século XIX as

iniciativas em prol de uma Faculdade de Medicina Mineira foram tentadas, com uma sucessão de fracassos relatados por vários autores como Pires (1929) e Lobo (1930). Após a proclamação da República, as discussões recomeçaram, com a proposta de se criar uma Faculdade de Medicina junto com a Escola de Farmácia de Ouro Preto, em 1892. O projeto chegou a ser aprovado no Senado, em 1894, mas foi arquivado quando submetido à Comissão de Instrução Pública, no Congresso. Os políticos alegaram falta de verbas. No início do século XX, as tentativas continuavam a ser adiadas. Em 1902, a Sociedade de Medicina, Cirurgia e Farmácia de Belo Horizonte formou uma comissão com a finalidade de promover a implantação de uma escola livre de medicina. Dentre os participantes desse grupo, um nome tem importância fundamental, sendo chamado por autores como Dias (1997) de “[...] principal paladino da causa do ensino médico em território mineiro: Aurélio Egídio dos Santos Pires.” (DIAS, 1997, p.57). Fragmentos biográficos deste farmacêutico são importantes para este trabalho.

Cerca de vinte anos antes, o jovem Aurélio Pires (1862-1937) tinha se matriculado no curso de Medicina na Faculdade do Rio de Janeiro. Por motivos financeiros, renunciou aos estudos, seguindo com seu pai para o Maranhão, voltando a Ouro Preto em 1885. Já casado e pai de família70, ingressa no curso

de Farmácia, se formando em 1894 e se mudando para Belo Horizonte três anos depois. O farmacêutico iniciou em 1896, ainda em Ouro Preto, um movimento incansável de campanha na imprensa em que pregou, proclamou, recomendou, pediu e defendeu a criação de uma Faculdade de Medicina em Minas Gerais, (NAVA, 1961). Escreveu em jornais como o Estado de Minas de Ouro Preto, O Comércio de Minas, o Diário de Minas, a Tribuna do Norte, a Gazeta e O Estado.

Em 1910, cria-se a Associação Médico-Cirúrgica, sob a liderança de Cícero Ferreira71. Belo Horizonte já possuía um moderno hospital, a Santa Casa de Misericórdia, que poderia servir como campo prático de estudos médicos. Além disso, tinham-se transferido para Belo Horizonte médicos de grande competência científica e profissional, como Ezequiel Dias (1880-1927). Estava então montado um

70 O filho de Aurélio Pires, Francisco de Sá Pires, entraria para a Faculdade de Medicina de Belo

Horizonte em 1921, tendo o pai como futuro professor. Francisco estudaria Psiquiatria no Instituto Raul Soares, onde se tornaria psiquiatra e discípulo de Hermelino Lopes Rodrigues, em 1929.

71 Cícero Ferreira foi o primeiro médico de Belo Horizonte, indicado para a construção da nova capital.

Durante muitos anos, foi o único médico da cidade, cuidando de diversos aspectos da Medicina, atuando como parteiro e internista, além de prestar socorro a acidentados. Não conseguimos localizar as datas de seu nascimento e falecimento.

contexto favorável onde a idéia da faculdade poderia ter mais chances de concretização.

Em 5 de Março de 1911, os estudos para a regência de um estatuto foram apresentados na Associação Médico-Cirúrgica. Nessa data foi considerada efetivamente instituída a Faculdade de Medicina (DIAS, 1997), tendo como principais fundadores Cícero Ferreira, Cornélio Vaz de Melo, Hugo Werneck (1878-1935), Eduardo Borges da Costa, Samuel Libânio e Alfredo Balena (1882-1949), dentre outros. O quadro inicial de cadeiras não contava com “Doenças Nervosas”, principalmente porque foram privilegiadas disciplinas básicas como Anatomia, Ginecologia, Microbiologia, Clínica Médica. Aurélio Pires logo se juntou ao grupo de professores, na cadeira de farmacologia. O primeiro diretor foi empossado em 25 de Junho de 1911. A notícia teve grande repercussão em Belo Horizonte (MOURÃO, 1970).

Inicialmente a Escola foi instalada no Palacete Thibau, na esquina da Avenida Afonso Pena com a Rua Espírito Santo, se mudando em 1913 para sua sede própria, na avenida Mantiqueira, que se chamaria Avenida Alfredo Balena, em uma homenagem ao primeiro catedrático de Clínica Médica, que ensinava Neurologia e Psiquiatria dentro de sua disciplina.

Em 1913, muda-se para Belo Horizonte o médico Álvaro Ribeiro de Barros, influenciado por seus antigos colegas de Faculdade no Rio de Janeiro e que se tornavam nomes importantes no meio médico da recente capital mineira. Álvaro já freqüentava o Hospício Nacional desde estudante, sob a tutela de Teixeira Brandão e de seu assistente, Henrique Roxo. Assim sendo, sua referência teórica em psiquiatria era predominantemente francesa, não obstante as novidades que Juliano Moreira vinha trazendo do exterior, principalmente a partir de estudos na Alemanha.

Em 18 de Janeiro de 1914, por indicação do professor Samuel Libânio, foi eleito pela Congregação da Faculdade o nome de Álvaro Ribeiro de Barros para a Cadeira de Clínica Neurológica e Psiquiátrica. Pelo menos dois autores apontam Álvaro como sendo predominantemente neurologista, Magro Filho (1992) e Gusmão (1998). Essa falta de limite entre a Psiquiatria e a Neurologia nesta época faz com que essa afirmação seja de difícil comprovação. De qualquer forma, Pedro Nava assim define Álvaro nas suas memórias: “Era o professor de neurologia.” (NAVA, 1985, p.123).

Pedro Salles (1971) descreve Álvaro Ribeiro como um dos mais ilustres membros da nossa medicina, ressaltando seu domínio literário e filosófico, para além de conhecimentos neurológicos ou psiquiátricos. De fato, logo se tornaria um mestre consagrado entre a comunidade da Faculdade de Medicina de Belo Horizonte. Esse reconhecimento e essa respeitabilidade crescente em Belo Horizonte transformaram o Professor Álvaro em importante figura pública. Podemos citar, por exemplo, que é ele quem foi escolhido para se pronunciar em nome dos professores por ocasião do falecimento do Dr. Cícero Ferreira, em 11 de Agosto de 1920. A morte de Dr. Cícero causou uma grande comoção na cidade, pois Ferreira era considerado o médico que mais tinha se dedicado à capital até então, salientam Mourão (1970) e Dias (1997).

A partir de 1920, Álvaro Ribeiro de Barros, professor de neuro-psiquiatria na Faculdade de Medicina, passa a orientar o projeto de construção do “Instituto de Neuro-psychiatria”. Na análise de Pedro Salles (1971), Álvaro foi dos mais ilustres membros da medicina brasileira. Possuía a mais vasta e valiosa biblioteca que, naquela época, existia em Belo Horizonte. Eram centenas e centenas de obras preciosas, abrangendo ciências médicas (sobretudo Psiquiatria e Neurologia), ciências naturais, psicologia e psicopatologia, filosofia e literatura72.

Benzer Belgeler