Primeiramente, procuramos entender um pouco melhor o conceito de aprendizagem cooperativa. Vários trabalhos sobre o tema são publicados no Brasil e no exterior. Procuramos artigos na web que apresentassem uma
visão geral sobre o tema e, nesse percurso, o trabalho de Edurne Goikoetxea e Gema Pascual11, com o título Aprendizaje Cooperativo: Bases teóricas y
hallazgos empíricos que explican su eficacia, de 2002, chamou nossa atenção
pela clareza e objetividade da apresentação do tema e nos deu as primeiras ideias sobre aprendizagem cooperativa.
Na apresentação do trabalho, as autoras mencionam que a aprendizagem cooperativa pode auxiliar os professores na maneira de organizar e conduzir seu trabalho em sala de aula, de tal forma que atinjam dois objetivos simultaneamente: maximizar a aprendizagem e educar pessoas capazes de cooperar e estabelecer boas relações humanas.
Ao descrever a aprendizagem cooperativa, as autoras colocam que é um termo genérico para muitas técnicas de organização e realização de aulas teóricas, caracterizada pelo trabalho em pequenos grupos heterogêneos de alunos, para alcançarem metas de aprendizagem comuns.
Goikoetxea e Pascual (2002) estabelecem a diferença entre a aprendizagem colaborativa e a cooperativa. Para as autoras, a aprendizagem colaborativa engloba formas mais amplas de colaboração entre os alunos, não necessariamente estruturadas e podendo ser de modo informal. A aprendizagem cooperativa é estruturada e nela está definida uma situação de aprendizagem que não se limita a formar, em sala de aula, grupos de alunos para estudar. Situações de aprendizagem devem ser criadas, para que se tenha uma estrutura cooperativa de tarefas e de incentivos.
O texto é construído de forma que o leitor obtenha um panorama geral dos estudos e estudiosos que pesquisam o assunto. Cita as pesquisas dos irmãos Johnson (1999), que realizaram uma revisão da literatura sobre aprendizagem cooperativa e apontam três razões para o aumento do seu uso: evidência empírica sobre sua eficácia, sua variedade e sua base em várias teorias (de antropológica, sociológica, psicológica e até mesmo na economia).
11 Professoras de Fundamentos e Métodos de Psicologia da Universidade de Duestro,
No entanto, sabe-se que os fundamentos e efeitos desses métodos nem sempre são bem conhecidos, mesmo por professores que fazem uso deles.
Apresenta, também, a descrição de nove métodos de aplicação de aprendizagem cooperativa. Dentre estes, o método jigsaw despertou nosso interesse. Uma das características desse método é que os trabalhos individuais são a base para o grupo atingir o seu objetivo.
Iniciamos, então, um levantamento bibliográfico com trabalhos brasileiros que contemplassem o assunto. No banco de teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, encontramos apenas duas dissertações que citam o método jigsaw.
A primeira, de 2003, intitulada “Um ambiente para apoio ao método
jigsaw de aprendizagem cooperativa”, autora Vivian Lane Souto Pereira, do
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica do Centro de Tecnologia e Geociências da Escola de Engenharia de Pernambuco – Universidade Federal de Pernambuco, investiga o método jigsaw e a utilização de mapas conceituais em um ambiente mediado por computador. Salienta, em suas conclusões, que o método jigsaw tem aprovação majoritária dos alunos. Afirma que é consenso que “o método tinha uma
estrutura simples, fácil de ser assimilada e que constituía um cenário adequado para facilitar a aprendizagem dos assuntos expostos para a discussão” (p.147).
A outra, de Daniel Lino Teodoro, com o título: “Aprendizagem cooperativa no ensino de Química”, trata de uma atividade didática elaborada no formato jigsaw, apresentada ao Instituto de Química de São Carlos em 2011. O objetivo deste trabalho é investigar a dinâmica das interações estabelecidas entre os alunos, na aplicação do método jigsaw, durante aulas da disciplina Comunicação e Expressão em Linguagem Científica I. Essa disciplina é oferecida aos alunos do primeira série do curso de Bacharelado em Química de São Carlos. Conclui que a aprendizagem cooperativa pode ser adaptada, com sucesso, ao ensino superior de Química e que “seu uso acarreta benefícios acadêmicos e sociais para os alunos, que
em busca de melhores respostas a questões colocadas pelo professor, interagem de forma intensa, trabalhando suas potencialidades e limitações”
(p.100).
Esses dois trabalhos, embora tratem do método jigsaw, não apresentam resultados de sua aplicação em aulas de disciplinas ministradas para alunos ingressantes nos cursos de Engenharia.
Como nosso interesse estava focado em alunos dos cursos de Engenharia, deslocamos nossa procura para os artigos internacionais. Encontramos uma pesquisa realizada sobre o tema, cujo conteúdo mostrou- se relevante para essa investigação.
O trabalho que descreveremos na sequência, intitula-se Efecto de la
implementación del aprendizaje cooperativo en estudiantes de la Universidad Politécnica de Pachuca a través del método jigsaw, escrito por Reyna Del
Carmen Martinez Rodriguez e Lilia Benitez Corona12, em 2011.
Esse trabalho apresenta resultados parciais de um estudo que investiga a aprendizagem cooperativa na Universidade Politécnica de Pachuca – UPP, México, que foi implantada com a meta de modificar as estratégias de aprendizagem centradas no ensino, para outras centradas na aprendizagem.
As autoras destacam que a demanda por acesso ao ensino superior na América Latina incentivou o movimento da educação de elite para a educação em massa, fato que gerou muitas transformações nos sistemas universitários para promover o desenvolvimento integral do aluno. No México, em 2001, foram criadas as Universidades Politécnicas (UP) para fornecer graduação e pós-graduação, a fim de atender tal demanda, além de responder às necessidades do setor empresarial, industrial e de serviço, de cada um dos Estados da República Mexicana. Nestas universidades, o modelo de ensino é baseado em competência, tendo como objetivo desenvolver em seus alunos as habilidades de autoavaliar seu desempenho
com precisão, formar grupos cooperativos e aprender a interagir de forma eficaz, tendo em conta a diversidade cultural e socioeconômica.
Para atender este objetivo, entendem que, apesar da sala de aula ser um ambiente complexo, é nela que emergem os processos cognitivos e que novas estratégias devem ser implantadas, principalmente no primeiro trimestre quando se observa a alta taxa de evasão e o baixo desempenho nas disciplinas relacionadas às ciências básicas nas áreas de Matemática, Química e Física. Desta forma, a implementação da aprendizagem cooperativa em sala de aula mostrou ser uma alternativa para melhorar os modelos individualistas, que geram deficiências de formação entre os alunos, dependência intelectual, insegurança na resolução de problemas, baixa participação e capacidade crítica e reflexiva insuficiente.
A pesquisa desenvolvida pelas autoras, com uma amostra de 148 estudantes do primeiro trimestre, teve como objetivo geral identificar os efeitos da implementação da aprendizagem cooperativa na UPP através do método jigsaw para melhorar a aprendizagem dos alunos.
Uma análise de dados que chamou nossa atenção nesta pesquisa, diz respeito ao trabalho individual, tendo em vista nosso interesse em capturar os estilos de pensamento matemático de cada aluno.
No método jigsaw, o desempenho individual é fundamental para a realização do trabalho do grupo. Os relatos da pesquisa na UPP indicaram que 70% dos alunos mostraram compromisso com o desenvolvimento da aprendizagem significativa. Esse comprometimento poderia indicar um bom momento para se estudar os estilos, já que os alunos se mostraram interessados em resolver o problema proposto.
Diante da análise desses estudos, embora nenhum apontasse para a possibilidade de desenvolver um trabalho de capturar os estilos de pensamento matemático de alunos iniciantes nos cursos de Engenharia, nem tão pouco em utilizar, para essa finalidade, questões rotineiras propostas a esses estudantes nas disciplinas da área de Matemática, nos inspiraram para a continuidade de nosso estudo.
No item seguinte, apresentamos uma visão geral da nossa pesquisa.