Quando visitei a aldeia Sierra Monterrey em 200841, tive a sensação de chegar ao fim do mundo. Enganei-me! Estava aos pés de uma alta montanha de onde podia avistar toda a planície de Ixcán e um pouco de Petén. A altura proporcionava sensação de liberdade, soberania, de poder de abraçar o universo. Essa montanha separa Ixcán de Chajul, que faz parte do triângulo no qual vive o povo Maia Ixil.
A curiosidade levou-me a indagar os moradores sobre o significado do nome da aldeia. Sierra alude à grande serra que leva a Chajul; Monterrey a um possível rei Maia que viveu naquele local. Objetos encontrados na área pela população e estudiosos indicam42 que a região pode ter sido território de trânsito e de conquista dos antepassados Maias
Villacorta (1938) deja la duda de que si los quichés fueron los primeros en asentarse en estas tierras hacia el siglo XI o si ya estaban habitadas por otros pueblos, cuando indica, basándose en las tradiciones quichés, que el séptimo de los trece reyes quichés (Quikab) conquistó toda la región y que sus ejércitos llegaron hasta las márgenes del río Lacantún, al norte de Ixcán. El oeste de la región de Ixcán, hasta el río Xalbal, por otra parte correspondía a las tierras calientes de cultivo de los q’anjob’ales, mientras al este, entre el río Xalbal y el Chixoy era área de influencia de los q’eqchi. Hacia el siglo XIX se cree que todavía existía tránsito desde el territorio ixil a lo largo de las tierras hasta Yucatán (VALLEJO REAL, 2000, p. 12).
Esses estudos dizem que os Maias Ixiles agiam como intermediários comerciais entre o que hoje corresponde o estado de Chiapas, México, e o Departamento de Petén, Guatemala, e que a região era utilizada para caça ou como reserva para épocas de necessidade. Outra evidência que pode confirmar os estudos é a cercania das suntuosas construções de Tikal, Guatemala e Palenque, México que ficam, respectivamente, entre seis e duas horas de Ixcán.
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NONES, 2011, p. 62-63. 42
Essas cidades, com suas ruas pavimentadas, canais de água, campo de futebol, pinturas, demonstram o intenso movimento dos povos que viviam e transitavam pela região.
É possível supor que a chamada colonização dos anos 1960 e 1970 na região de Ixcán, considerada área selvagem e praticamente desabitada, foi um segundo período de exploração da região que teve o objetivo de desenvolvimento econômico do país pela diversificação agrícola e pela distribuição de terra aos Ladinos e Maias pobres, com o intuito de utilizá-los como mão de obra para desbravar a região.
Os jovens praticamente desconhecem esse movimento dos antepassados Maias na região de Ixcán. Muitos nem fazem a conexão como pertencentes àquela civilização. Os elementos que desvinculam as histórias dos jovens das de seus antepassados estão ligados à negação dos vínculos de pertencimento; à memória histórica usurpada pelos acontecimentos de violência vividos nas últimas décadas – que tirou a vida de muitos transmissores, os anciãos da comunidade, e impediu a convivência cotidiana pacífica. De acordo com os depoimentos dos jovens, a maioria das escolas trabalha o tema da cultura ligado apenas à língua, como diz Luisa: “En su mayoría lo trabajan practicando más el idioma de cada uno”; às vestimentas, como salienta Marcus:
(…) mis sobrinos estudian primaria. Y, bueno les enseñan el idioma Kiché. Es un curso adicional a los demás. (…) Cosa que cuando estudié en mis tiempos, hace 10 años, no lo viví. Y, ya en la preparatoria y en el bachillerato, nosotros vamos uniformados, con el respectivo uniforme. Las mujeres también. Sin embargo se les da la oportunidad a las mujeres que utilizan su traje, de usar esa ropa, solo que en el color relacionado a que nosotros usamos. Se les permite esa oportunidad de llevar su corte, su güipil al colegio. Entonces si hay una muy buena oportunidad. Bueno, siempre se enseña también (MARCUS, 2011).
às recordações, como nos fala João “En la escuela no se practica. Solo se recuerda de nuestra cultura, cuando hay alguna fiesta, actos culturales. Ya solo se gramatiza los hechos pasados porque los maestros no le dan importancia a nuestra cultura”; ou como investigação histórica, como percebe José: “En cuanto a los centros educativos, los docentes complementa la clase en el idioma indígena viendo las historias de los mayas en los triunfo que obtuvieron antes de llegar los españoles en Guatemala”. Na opinião de Cristina: “En algunos centros educativos practican lo que es la cultura poniéndoles investigaciones a los alumnos o llevando un curso apropiado a ellos.” Esta maneira de trabalhar a temática cultural não está ligada ao aprendizado cotidiano dos jovens, às aptidões adquiridas ou ao intercâmbio com os transmissores:
A cultura, que é característica da sociedade humana, é organizada/organizadora via o veículo cognitivo que é a linguagem, a partir do capital cognitivo coletivo dos conhecimentos adquiridos, das aptidões aprendidas, das experiências vividas, da memória histórica, das crenças míticas de uma sociedade (MORIN, 1991, p. 17).
As políticas públicas para juventude enfatizam a importância da temática cultural. Contudo, a escola, um dos espaços de formação, não responde como espaço de socialização das experiências, aptidões, memória histórica, crenças e saberes das comunidades.
2.2 OS MOVIMENTOS GEOGRÁFICOS E MIGRATÓRIOS: MOBILIDADE E