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3. GEREÇ ve YÖNTEM

4.4. Koyun Sütlerinde Organoleptik Analiz Sonuçları

Com a ampliação do conceito de patrimônio, na década de 1980, onde passaram a

ser considerados relevantes os bens de natureza imaterial, tornou-se necessária a

inclusão de instrumentos específicos para garantia da proteção dos bens dessa

natureza. Nesse ponto, o caráter erudito deixa de ser o único critério considerado na

identificação de bens culturais e amplia-se o leque, considerando também os outros

grupos (que não os hegemônicos) formadores da cultura brasileira. Cabe aqui

lembrar que a concepção do patrimônio cultural ampla e plural, considerando as

dimensões material e imaterial, já estava presente no ideal de Mario de Andrade

(1936), que teve forte influência no texto do Decreto-Lei N°25 (apesar de este

decreto considerar somente o patrimônio material).

Essa dimensão ampla e plural da concepção do patrimônio cultural colocada por

Mario de Andrade foi colocada numa atitude de vanguarda e voltou à pauta de

discussões somente na “Recomendação sobre a salvaguarda da cultura tradicional e

popular”, documento da UNESCO de 1989, que reconhece a dimensão imaterial do

patrimônio cultural.

Quando falamos em patrimônio imaterial ocorre um deslocamento no foco da

preservação, comparativamente à preservação do patrimônio material, “ao forçar a

constatação de que o fim último da conservação não vai ser a manutenção dos bens

materiais por si mesmo, mas muito mais a manutenção (e a promoção) dos valores

incorporados pelo patrimônio”

32

A inclusão da proteção do patrimônio de natureza imaterial na legislação brasileira

foi feita através do Decreto nº 3.551, de 4 de Agosto de 2000, apesar de a

Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988, na sua definição de

patrimônio cultural brasileiro, já incluir o patrimônio de natureza imaterial e também o

inventário e registro como instrumentos de proteção do patrimônio cultural imaterial:

Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:

I - as formas de expressão;

II - os modos de criar, fazer e viver;

III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;

IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais;

V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

§ 1º - O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros,

vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação. [grifos nossos]

A inclusão do patrimônio imaterial nas políticas de preservação do patrimônio

cultural desloca o foco da discussão, da conservação não dos bens materiais em si

(o que não se justifica, justamente pela natureza intangível dessa categoria de

patrimônio), mas sim dos valores incorporados nesse patrimônio. Essa concepção

sobre a preservação dos bens de natureza imaterial já estava presente no Anteprojeto

de Mario de Andrade que “se defrontou também com uma questão que viria a

preocupar os órgãos de preservação décadas depois: como conservar esse universo

tão amplo, essencialmente mutável e intangível”. (CASTRIOTA, 2009, p.211)

Segundo Freire (2005, p. 11):

A instituição do Registro e do Inventário pode ser vista como fruto do amadurecimento da política nacional de patrimônio que, desde sua criação, em 1937, até o presente momento passou por transformações associadas, por um lado, às mudanças conceituais que atingiram o campo do patrimônio no Brasil e, por outro, às concepções de Estado e de Bem Público dos governos que se sucederam.

Faltava, no entanto, a regulamentação da aplicação desse conceito mais amplo de

patrimônio cultural, utilizado nos dias atuais.

Em 1997, no Seminário Internacional “Patrimônio Imaterial: estratégias e formas de

proteção”, começou a ser delineada a possibilidade de criação de um instrumento

legal voltado para a salvaguarda do patrimônio imaterial, cuja necessidade de

proteção já era reconhecida desde a Constituição de 1988. Nesse seminário foi

elaborada a Carta de Fortaleza e, em 1998:

foram criados uma Comissão composta por membros do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural e o Grupo de Trabalho Patrimônio Imaterial (GTPI). Ao final de suas atividades, o GTPI apresentou a proposta técnica do Decreto n° 3551, de 04 de agosto de 2000 [grifo nosso], que criou o registro de bens culturais de natureza imaterial e o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI). [grifo nosso]33.

O Programa Nacional do Patrimônio Imaterial-PNPI, instituído pelo Decreto N°

3.551, de 7 de Agosto de 2000, é um programa que “viabiliza projetos de

33 Ver: http://www.iphan.gov.br/bcrE/pages/conInformacaoPatrimonialPoliticaE.jsf. Acessado em:

identificação, reconhecimento, salvaguarda e promoção da dimensão imaterial do

patrimônio cultural.”

34

Esse programa foi implementado por uma iniciativa a nível

federal, através do IPHAN. No entanto, ele tem uma abrangência de ação que chega

até o nível municipal e abrange também instituições de ensino e a sociedade civil em

geral, como definido pelo próprio IPHAN:

É um programa de apoio e fomento que busca estabelecer parcerias com instituições dos governos federal, estaduais e municipais, universidades, organizações não governamentais, agências de desenvolvimento e organizações privadas ligadas à cultura e à pesquisa35.

O Programa Nacional do Patrimônio Imaterial-PNPI seria responsável pela

implementação da política de inventário do patrimônio cultural brasileiro

– o

“Inventario Nacional de Referências Culturais - INRC”, tendo sido elaborado

inclusive o manual de aplicação do inventário nacional de referências culturais, pelo

IPHAN. Na apresentação do Inventário Nacional de Referências Culturais – manual

de aplicação (2000), está uma definição deste instrumento:

O INRC é, antes, um instrumento de conhecimento e aproximação do objeto de trabalho do IPHAN, configurado nos dois objetivos principais que determinaram sua concepção:

1. identificar e documentar bens culturais, de qualquer natureza, para atender à demanda pelo reconhecimento de bens representativos da diversidade e pluralidade culturais dos grupos formadores da sociedade; e

2. apreender os sentidos e significados atribuídos ao patrimônio

cultural pelos moradores de sítios tombados, tratando-os como intérpretes legítimos da cultura local e como parceiros preferencias de sua preservação.

No Decreto n° 3.551, de 4 de Agosto de 2000, no artigo 1º, “fica instituído o Registro

de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem patrimônio cultural

brasileiro”. Coube ao IPHAN supervisionar os processos de registro (artigo 3º §1º) e

também reavaliar os bens culturais registrados, pelo menos a cada 10 anos (artigo

7º). Segundo Freire (2005, p.15), o Registro de Bens Imateriais “é um instrumento

que propõe a documentação e a produção de conhecimento como formas de

preservação”.

A documentação do bem cultural que pretenda registrar é feita através do Inventário

Nacional de Referências Culturais - INRC (que também se aplica a bens materiais).

34 Ver: site oficial do IPHAN – Programa Nacional do Patrimônio Cultural. 35 Ibidem.

O INRC constitui-se numa metodologia que reflete o modo adequado de se lidar com

o patrimônio imaterial, identificando-o, documentando-o e produzindo conhecimento

sobre esses bens. Esse conhecimento acerca do patrimônio imaterial servirá de

subsídio para as politicas de proteção adequadas aos diferentes bens imateriais

(FREIRE, 2005, p.16).

No âmbito estadual, o Registro foi regulamentado em Minas Gerais pelo Decreto n°

42.505, de 15 de Abril de 2002, que “institui as formas de Registro de Bens Culturais de

Natureza Imaterial ou Intangível que constituem patrimônio cultural de Minas Gerais”.

Benzer Belgeler