BÖLÜM 2. ÖZÜRLÜ İSTİHDAM YÖNTEMLERİ VE ÖZÜRLÜLERİN
2.1. Özürlü İstihdam Yöntemleri
2.1.1. Kota Sistemi
A ontologia, conforme a entenderemos aqui, refere-se a um conjunto de pressupostos sobre determinado objeto de investigação científica. Assim, como parte de uma metafísica, uma ontologia é
favor de qualquer projeto de investigação psicológica que pretenda-se científico.
38 Conforme vimos, a ciência do comportamento jamais poderá, em sentido estrito, “sustentar discursos metodológicos e metafísicos independentes da filosofia”, dado que o próprio método que confere originalidade a tais discursos também é, por sua vez, sustentado por uma metafísica. A expressão “discursos independentes”, nesse caso, aponta apenas para uma possível compreensão do comportamento de cientistas e filósofos através da aplicação desse método ao estudo da atividade científica e filosófica. Uma investigação dessa natureza pode gerar uma metafísica original, “científica”, mas outras ciências do comportamento, apoiadas por outras metafísicas, também podem, por sua vez, gerar metafísicas científicas originais. Finalmente, poderíamos ter tantas epistemologias empíricas quantas fossem as metafísicas a sustentá-las – o que expõe claramente o débito de qualquer projeto científico às suas raízes filosóficas.
constituída por certos enunciados verbais. Sua função é – em conjunto com uma epistemologia – justificar e sustentar um método. Presumivelmente, portanto, uma ontologia – enquanto conjunto de comportamentos verbais – só existirá enquanto constituir-se, de fato, em justificativa e sustentação para o método. Dito de outro modo, uma ontologia só será reforçada enquanto cumprir essa especificação.
Conforme discutimos anteriormente, porém, o fato de a ontologia integrar a base de sustentação de um método científico não implica que ela seja, obrigatoriamente, anterior ao método. Especialmente no caso de uma ciência do comportamento, a ontologia pode também ser uma decorrência não somente das mudanças ocorridas no método em função das conseqüências imediatas da situação experimental, mas também das conseqüências mais remotas do método, denominadas “fatos”, “leis”, “teorias”, etc. Assim, na filosofia de Skinner, os pressupostos ontológicos podem ter origem tanto em regras filosóficas anteriores ao behaviorismo radical como em regras derivadas do próprio estudo do comportamento através de uma análise experimental.39
39 Priorizaremos, no entanto, a apresentação dos pressupostos básicos da metafísica skinneriana, e não a busca por suas origens – o que demandaria uma investigação muito além de nosso escopo. Também optaremos por não priorizar a classificação desses pressupostos em doutrinas filosóficas. As razões para isso são as seguintes: 1) Classificações desse tipo são complexas e controversas, exigindo não apenas a mera identificação das doutrinas subjacentes, mas a articulação destas entre si. Os objetivos e dimensões desse trabalho impedem um aprofundamento meticuloso no assunto; 2) Embora tais classificações sejam importantes “(...) porque chamam nossa atenção para alguns aspectos que às vezes passam despercebidos (...) o
A ontologia, enquanto parte da metafísica skinneriana que busca justificar e sustentar um método, é um discurso sobre o objeto de estudo deste método: o comportamento. A palavra “objeto”, na verdade, não é a mais adequada nesse contexto, pois o comportamento é um
processo, e não algo inerte (Skinner, 1953/1965, p. 15). Além disso, demarcar os limites e características distintivas desse processo não é tarefa simples. Skinner insiste, em diversas ocasiões (1938/1966, p. 03; 1947/1972d, p. 305; 1953/1965, p. 15; p. 41), em alertar sobre a enorme complexidade do comportamento enquanto objeto de estudo científico. Porém, como também aponta Skinner (1938/1966, p. 06; 1947/1972d, p. 305), a identificação do dado básico de uma ciência é o primeiro passo na construção de uma teoria.
Enquanto processo estudado experimentalmente, o comportamento ocorre em organismos (1938/1966, p. 06). Deve ser distinguido, porém, de processos fisiológicos – que, embora também ocorram em organismos, devem ser estudos com os conceitos e métodos próprios à fisiologia (Skinner, 1938/1966, p. 04; 1974, p. XII). Enquanto processo, o comportamento é, obviamente, movimento (1938/1966, p.
ponto importante é que não devemos nunca perder de vista a totalidade da obra do autor” (Abib, 1985, p. 203).
06), ocorrendo no tempo e no espaço.40 Trata-se, portanto, de um processo físico (Skinner, 1953/1965, p. 139; Skinner, 1974, p. 220) – e, neste sentido, deve ser distinguido, também, de processos ou estados mentais41 (Skinner, 1974, p. 220). Uma das características mais conspícuas da ontologia behaviorista radical é, exatamente, sua recusa em utilizar conceitos mentalistas. Porém, não se trata apenas de afirmar que os
40 Esse movimento não precisa, necessariamente, ser visível ao espectador externo. Os comportamentos estudados pela análise experimental do comportamento usualmente envolvem atividade muscular, mas nem por isso as leis que governam tal atividade são de interesse para esta análise. Uma interpretação do comportamento encoberto toma por base as regularidades observadas em contingências envolvendo comportamentos públicos. O comportamento, porém, não se define por características estruturais, como a presença de atividade muscular: “Eu não vejo razão para que nós não possamos chamar a ação de nervos eferentes de comportamento, se nenhuma resposta muscular é necessária para o reforço” (Skinner, 1984g, p. 718). Pensar é comportar-se (1957, cap. 19), mas este comportamento pode ser acessível apenas àquele que pensa. Processos fisiológicos certamente constituem esse comportamento, mas “nós não precisamos fazer suposições sobre o substrato muscular ou neural de eventos verbais” (Skinner, 1957, p. 435).
41 Estamos entrando em território delicado, e uma digressão algo extensa – com a utilização explícita de classificações filosóficas – faz-se necessária. As interpretações sobre o assunto divergem, mas Abib (1985, cap. 5) afirma que as referências ao mundo físico na obra de Skinner não implicam um compromisso ontológico, mas sim um compromisso epistemológico. Assim, o fisicalismo seria uma característica do descritivismo adotado por Skinner enquanto versão da teorização científica, mas esse mesmo descritivismo proibiria discursos sobre a natureza última da realidade: “(...) atribuir existência corporal, isto é, existência física, às coisas, propriedades e eventos, não é o mesmo que compreender o que são os corpos, no sentido em que as ciências da natureza parecem ser as mais autorizadas a fornecer (...)” (pp. 190-191). Aquele fisicalismo, portanto, pode articular-se tanto a um realismo epistemológico como a um realismo empírico, mas jamais a um realismo ontológico. Além disso, Abib (p. 185) cita passagens nas quais Skinner, aparentemente, divorcia seu fisicalismo do materialismo – cuja adoção o obrigaria a comprometer-se com posições ontológicas. Por fim, Abib (pp. 187-190) aponta para a possibilidade de que as objeções de Skinner ao materialismo sejam uma reivindicação para que o discurso ontológico seja assumido pelas ciências naturais, em detrimento da filosofia. No entanto, um aparente compromisso com o fenomenalismo, como decorrência da “fé na unidade fundamental do método da ciência” (Kolakowski, 1976, citado em Abib, 1985, p. 190), põe sob suspeita tal interpretação: a ausência de distinção entre essência e fenômeno interditaria definitivamente qualquer tentativa de definição ontológica do transcendente. Pode haver, porém, uma explicação de outra ordem: a inegável confiança que Skinner deposita no método científico levanta a possibilidade de que o behaviorismo radical possa tratar das questões ontológicas sob a rubrica da epistemologia – isto é, de sua tencionada epistemologia empírica. O discurso ontológico sobre uma “natureza última” da
eventos privados são de natureza física (1974, p. 17), mas também de apontar para sua ineficácia enquanto supostos causadores do comportamento (1974, p. 17; p. 245). Mesmo que se afirme que certo processo mental causou certo comportamento, resta explicar a ocorrência daquele processo mental – o que leva, invariavelmente, às circunstâncias ambientais. Portanto, em uma análise funcional do comportamento, as variáveis que controlam o comportamento dos organismos devem sempre ser buscadas no ambiente42 (1974, pp. 68-71). O behaviorismo radical, ao invés de “ignorar” os eventos privados, oferece novos caminhos para seu estudo (1974, p. 220). Os processos comumente chamados de “mentais” ou “intencionais” são estudados, no âmbito da análise do comportamento, enquanto comportamentos ou estímulos corporais privados. Desde que compreendidos dessa forma, não há por que questionar a importância de sua inclusão em uma ciência do comportamento.
Enquanto processo físico, o comportamento é um fenômeno sujeito a leis naturais. Os pressupostos sobre a natureza geralmente aceitos pela ciência são partilhados também pela ontologia behaviorista radical. Primeiramente, assume-se que o comportamento é um processo
realidade, assim, não seria assumido pelas ciências naturais, mas antes tomado como objeto de estudo da ciência do comportamento. Retomaremos essa hipótese em breve.
ordenado, cuja ocorrência obedece certa regularidade (Skinner, 1947/1972d, p. 299; 1953/1965, p. 06; p. 13). Além disso, assume-se que o comportamento é um processo determinado (1947/1972d, p. 299; 1953/1965, p. 06) – isto é, sua ocorrência nunca é gratuita ou casual. Uma resposta comportamental sempre está funcionalmente relacionada a variáveis ambientais, passadas e atuais.
Enquanto processo natural, o comportamento não pode ser estudado fora do contexto no qual ocorre. Assim, embora a preocupação primária de uma ciência do comportamento seja a compreensão deste processo, o estudo do comportamento é sempre, obrigatoriamente, o estudo de interações – isto é, interações entre organismos que se comportam e ambientes que, modificados pelo comportamento de tais organismos, retroagem sobre estes, controlando-os (Skinner, 1957, p. 01). O quadro de referência do movimento de um organismo é dado pelo próprio organismo e por seu ambiente (1938/1966, p. 06). Esse movimento, portanto, não pode ser definido de modo estruturalmente independente de seu entorno. O movimento de um organismo só pode ser definido como comportamento se implica alguma forma de interação com o ambiente (1938/1966, p. 06).
42 A contraposição, aqui, é apenas ao mentalismo, e não à genética – como tornar-se-á óbvio no transcorrer de nossa argumentação.
Um movimento reflexo, enquanto resultado da interação entre organismo e ambiente, é comportamento (ou, enquanto instância única, é resposta). Uma resposta reflexa é uma reação orgânica inata ou aprendida, de topografia bem definida, ante um estímulo eliciador imediatamente anterior à sua ocorrência. A análise experimental do comportamento, porém, revela a existência de um novo tipo de interação entre organismo e ambiente. Certos movimentos dos organismos possuem as características do que costumamos definir como “espontaneidade”: eles não são “disparados” por um estímulo anterior identificável no ambiente. Embora certos estímulos ambientais anteriores alterem a probabilidade de sua ocorrência, eles não a obrigam (1938/1966, pp. 19-21; 1974, p. 53). A relação entre a presença desses estímulos ambientais – os estímulos discriminativos – e a probabilidade de ocorrência de certas respostas depende da presença, na história do organismo, de outras variáveis, usualmente produzidas pelo próprio organismo: os estímulos reforçadores. Quando, na presença de certos estímulos discriminativos, certas respostas do organismo produzem conseqüências reforçadoras, a presença posterior desses estímulos discriminativos aumenta a probabilidade de ocorrência daquelas respostas. Uma interação entre organismo e ambiente envolvendo estímulos discriminativos, estímulos reforçadores e respostas é usualmente chamada contingência de reforço.
No contexto de uma contingência de reforço, denomina-se resposta a ação do organismo sobre o ambiente que produz um estímulo reforçador. Essa resposta é apenas uma instância de uma série de movimentos que podem ser executados pelo organismo na produção de determinada conseqüência. Enquanto tal, essa resposta é um exemplo de comportamento
operante, e faz parte de um operante. Comportamento operante é aquele que ocorre no contexto das contingências de reforço. Um operante é uma classe de respostas que, independentemente de sua topografia, ocasionam sempre um mesmo efeito sobre o ambiente – isto é, produzem sempre a mesma conseqüência reforçadora (Skinner, 1953/1965, pp. 64-65).
Em princípio, as contingências de reforço, no interior das quais ocorre o comportamento operante, não constituem uma hipótese sobre a interação entre comportamento e ambiente, mas sim um fato (Skinner, 1984d, p. 503; 1984g, p. 718; 1984h, p. 721). Obviamente, contingências de reforço não são “objetos naturais”, mas sim construções conceituais. O conceito de contingência de reforço é uma regra derivada da observação de certos eventos. Essa observação, por sua vez, também é controlada por variáveis ambientais – e, portanto, seria absurdo afirmá-la “neutra” ou “objetiva”.43 Somente levando isso em consideração
43 Um dos pontos centrais da crítica à filosofia indutivista da ciência é exatamente esse: “A observação é interpretação. (...) os enunciados observacionais implicam conceitos e teorias”
podemos compreender a afirmação de Skinner de que as contingências são fatos. Senão, vejamos: a enunciação de fatos exige a descrição de certos eventos. Descrições científicas dão origem a leis científicas, e leis científicas são regras para a ação (Skinner, 1953/1965, p. 14; 1974, p. 235; 1989c, p. 43). Se essa ação é efetiva, diz-se da regra que a governa que é verdadeira. Sendo verdadeira, a regra é um fato. Skinner não está interessado em saber se contingências “realmente existem”, mas sim em saber se o conceito de contingências permite-nos lidar com o comportamento de modo eficiente. Retomaremos esse assunto com mais detalhe em breve, quando analisarmos o problema da verdade na epistemologia skinneriana.
Conforme apontamos, Skinner só pôde observar a ocorrência de contingências de reforço utilizando-se de certas regras metodológicas, sustentadas por certos pressupostos metafísicos (valendo-se, além disso, de uma boa dose de “sorte” – isto é, da ocorrência de contingências acidentais na situação experimental). Em um primeiro momento, o conceito de contingências de reforço apenas aponta o papel do comportamento operante numa análise funcional deste processo: a freqüência do comportamento operante é a variável dependente na qual
(Abib, 1997, p. 118). Retomaremos a questão da indução quando tratarmos da epistemologia skinneriana.
devem ser mensurados os efeitos decorrentes da manipulação das variáveis independentes – ou seja, dos estímulos discriminativos e reforçadores. (Isso não é pouco: note-se que a simples definição inicial do conceito de contingências de reforço implica o emprego de vários outros conceitos.) Porém, com o desenvolvimento progressivo da análise do comportamento e do behaviorismo radical, ambos os conceitos – contingências de reforço e comportamento operante – acabam por trazer diversas implicações para o discurso sobre o objeto de estudo da análise experimental do comportamento. Assim, as noções de contingências de reforço e comportamento operante – com toda a miríade de implicações que apresentam atualmente – são fruto de progressivas elaborações experimentais e filosóficas, que modificaram e enriqueceram o discurso sobre o objeto de estudo da análise experimental do comportamento. A noção de causalidade adotada pelo behaviorismo radical – a seleção por conseqüências – é um capítulo de especial interesse nesse processo – pois além de afastar o behaviorismo radical de concepções mecanicistas, delimita com precisão o escopo da ciência do comportamento entre a etologia e a antropologia, além de balizar o discurso de Skinner sobre fenômenos culturais. Trata-se, portanto, de discurso ontológico, desempenhando a função de justificação e sustentação do método.
Aprofundar a análise desse discurso será indispensável para que possamos responder às questões propostas por este trabalho – razão pela qual abordaremos o problema com exclusividade no próximo capítulo.
O discurso ontológico skinneriano, conforme o apresentamos até o momento, procura, em primeiro lugar, localizar e delimitar, entre a multiplicidade de ocorrências ambientais, aquelas que interessam à análise experimental do comportamento. Em outras palavras, tal discurso procura determinar quais estímulos discriminativos devem controlar o comportamento do cientista na prática do método. Em segundo lugar, esse discurso supõe que seu objeto de estudo, localizado e delimitado, está sujeito a leis naturais: é regular, determinado, ordenado. Em terceiro lugar, considerando que tal objeto é processo, esse discurso propõe um modelo causal que apóie sua análise, buscando relacionar sua ocorrência à de outros eventos. Algo, porém, parece faltar para que a ontologia skinneriana esteja completa: seu próprio alicerce. A característica mais tradicional do discurso ontológico é sua referência à natureza última dos objetos estudados pelo homem. Não é simples decidir pela existência ou inexistência desse tipo de referência na obra de Skinner – e, portanto, as interpretações sobre esse ponto crucial da ontologia skinneriana divergem. Como vimos, porém, Abib (1985, cap. 5) apresenta um elenco considerável de argumentos apontando para uma recusa em assumir
pressupostos dessa espécie na filosofia de Skinner. Além da oposição entre a possibilidade ou impossibilidade de discursos sobre a natureza última da realidade no texto skinneriano, uma terceira hipótese é levantada e descartada por Abib (1985, pp. 187-190): a de que Skinner reivindicaria para as ciências naturais a autoridade para discursar sobre essa natureza, em detrimento da filosofia.44 Queremos sugerir, ainda, uma
quarta possibilidade: a confiança depositada por Skinner no poder do método científico permite interpretar sua epistemologia empírica como um empreendimento que busca analisar todos os discursos possíveis sobre o mundo, incluindo enunciados ontológicos referentes à sua “natureza última”. O discurso ontológico, assim, não seria assumido pelas ciências
44 O motivo apontado por Abib (1985, pp. 187-190) para que essa terceira alternativa seja descartada, como citamos anteriormente, é o aparente compromisso de Skinner com o fenomenalismo. Ainda assim, é interessante apontar outras dificuldades que decorreriam da adoção de tal alternativa. Ela parece apontar, em princípio, um caminho promissor: quem melhor para discorrer sobre a “natureza última” dos objetos do que as pessoas que fazem de sua investigação seu próprio ofício? A objeção mais óbvia é aquela que surge sempre que a ciência aborda problemas filosóficos: não está o próprio método científico apoiado em pressupostos metafísicos? Vimos que Skinner (1945/1972c, p. 380; 1957, p. 453; 1963/1969b, p. 228) procura justificar uma epistemologia empírica afirmando que suas escolhas não são mais arbitrárias ou circulares do que quaisquer outras de ordem filosófica ou metodológica – a escolha do método científico, por sua vez, justificando-se por seu caráter progressivo e cumulativo. Esse argumento pode aplicar-se também à ontologia, mas é curioso notar que a objeção de circularidade, neste caso, transcende a questão dos fundamentos metafísicos e penetra no próprio método científico. Suponhamos que a física seja a ciência considerada apta a responder pela natureza última dos objetos. Há de início, a objeção de que a física apóia-se, ela própria, em uma ontologia – ontologia esta que, por motivos óbvios, tende a afirmar que todos os objetos são de natureza física. Mas há outro problema: sendo a física uma ciência que envolve certos métodos – isto é, certos modos de interação entre cientistas e seus objetos de investigação –, não seria a análise do comportamento a ciência apta a compreender as condições sob as quais os físicos emitem discursos ontológicos? O cenário torna-se ainda mais complexo se considerarmos que a expressão “natureza última” não designa estímulos discriminativos identificáveis em objetos naturais, que possam, assim, controlar a emissão das respostas verbais apropriadas. Retomaremos esse assunto em breve.
naturais, mas antes tomado como objeto de investigação da ciência do comportamento. Essa alternativa parece coadunar-se mais harmoniosamente com a filosofia behaviorista radical. Com efeito, ao reclamar para si a responsabilidade de discorrer sobre a substância última que compõe o mundo, não estariam as ciências naturais assumindo a tarefa de apontar um improvável “referente” para os discursos ontológicos? A alternativa de Skinner (1945/1972c), por outro lado, pode revelar-se mais produtiva: uma epistemologia empírica pode revelar quais as contingências atuantes nas comunidades verbais que controlam o discurso metafísico. Desenvolveremos essa hipótese em seguida, com o auxílio dos enunciados da epistemologia skinneriana.