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2.6. KOSGEB Destekleri

2.6.7. KOSGEB KOBİGEL-KOBİ Gelişim Destek Programı

As obras ficcionais aqui examinadas foram escritas por autores num determinado espaço e tempo sobre sua realidade pessoal e profissional ou sobre vivências escolares. Foram publicadas e atingiram um determinado público, tiveram sucesso de vendas ou não, mas se constituíram em um produto de consumo. Atuaram no meio social, repercutiram a ponto de, nas sociedades americana e francesa, especialmente, servirem de base a produção cinematográfica significativa, com êxito de bilheteria inclusive.

Tratando do papel preponderante da sociologia na análise da obra literária, quanto ao papel social da arte, do escritor, do público consumidor de arte, das forças sociais que o impulsionam, Antonio Candido (1965) aponta como a sociedade define a posição e o papel do artista. A posição do escritor depende do conceito social que os grupos elaboram em relação a ele, e não corresponde, necessariamente, ao conceito que ele mesmo tem de si. Deste modo, o reconhecimento público da atividade deste autor se justifica socialmente. A produção da obra literária deve ser inicialmente encarada com referência à posição social do escritor e à formação do público. Forças sociais condicionantes guiam o artista em maior ou menor grau. A obra surge da confluência da iniciativa individual e das condições sociais, ambas indissoluvelmente ligadas.

Candido se refere também aos momentos da produção ficcional: o artista, sob o impulso de uma necessidade interior, orienta o conteúdo segundo os padrões de sua época; escolhe certos temas; usa certas formas; e a síntese resultante age sobre o meio. Sociologicamente, a obra só está acabada no momento em que repercute e atua, pois a arte é um sistema simbólico de comunicação inter-humana. Necessariamente, exige presença do artista criador, que utiliza a obra como veículo de suas aspirações individuais mais profundas. Tomando as obras aqui analisadas, verificamos que, por

motivações diferentes, os quatro autores forma levados a ficcionalizar suas experiências relativas à profissão docente.

McCourt, ao final da carreira, realiza o sonho de se tornar escritor, contando, em Angela’s ashes (1996), a saga de sua infância paupérrima na Irlanda. Sucesso de público, a obra se transforma, em 1999, em bem sucedido roteiro cinematográfico. Caminho aberto para a obra Teacher man (2006), outro sucesso de público, em que autor-narrador trata da sua carreira docente. O narrador McCourt revela aos leitores ser fascinado por histórias desde criança, as contadas pelo pai no pouco período de convivência que tiveram, as dos livros preferidos, como o Shakespeare que carregava sempre consigo. Relata também que havia sido salvo por contar especialmente as histórias da sua vida. Para esse narrador, a literatura é uma decorrência do próprio fato de ele existir e de necessitar sobreviver.

Já o professor de Artes Nicolas Revol se vê compelido a escrever Sale Prof! como denúncia da situação precária das escolas profissionalizantes dos subúrbios parisienses, nas quais, acossados, os professores estão abandonados à própria sorte. Sem abrir mão de certo suspense na narrativa, o professor-narrador Revol opta por um tipo de “diário de bordo”, que contribui para o efeito de verossimilhança da narrativa.

No caso de Blackboard jungle, antes de se tornar escritor, Evan Hunter, um dos pseudônimos de Salvatore Albert Lombino, teve muitos empregos, incluindo, em 1950, o de professor na Bronx Vocational High School, que serviu de base para o romance em questão, narrado em primeira pessoa. O professor Richard Dadier é também o personagem principal, em torno do qual giram os acontecimentos e conflitos da trama e narrativa, numa escola fictícia chamada North Manual Trades School. Escritor de livros policiais e roteirista, também usando o pseudônimo de Ed McBain, ele escreveu essa obra por encomenda e com ela se tornou famoso.

Em Entre les murs (2007), o autor François Bégaudeau foi professor na vida real. O narrador da obra é François Marin, professor de francês lidando com alunos entre treze e quinze anos, negros africanos, asiáticos latino-americanos e franceses. Tal como no caso do narrador McCourt, a linguagem é o campo de batalha de Marin, em

seu esforço – espécie de processo civilizador – para que alunos de diferentes etnias incorporem o idioma francês, adquiram voz e venham a superar alguns obstáculos.

Nessas quatro obras, o escritor é um indivíduo capaz de exprimir sua originalidade, que o caracteriza entre todos, e, além disso, alguém desempenhando um papel social e correspondendo a certas expectativas do público. A aceitação da arte pelo público segue a necessidade de aderir ao que parece distintivo de um grupo, minoritário ou majoritário, ancorando a reação no reconhecimento coletivo (CANDIDO, 1965). Tratando do universo escolar e seus personagens principais, as obras aqui referidas fazem parte de um sistema vivo, agindo umas sobre as outras e sobre os leitores; tendo existência apenas na medida em que esses receptores a experienciam, decifrando-as, aceitando-as, deformando-as, transformando-as em filmes.

A obra não é um produto fixo, unívoco, ante qualquer público; nem esse é passivo, homogêneo, registrando uniformemente o seu efeito. São dois termos que atuam um sobre o outro, e aos quais se junta o autor, termo inicial desse processo de circulação literária, para configurar a realidade de a literatura atuar no tempo. Todo escritor depende do público, cuja ausência ou presença, quantidade ou intensidade, podem decidir a orientação de uma obra e o destino de um artista. Sob encomenda, a obra Blackboard jungle, por exemplo, foi escrita com o objetivo de atender a necessidades de um editor e de sobrevivência de um escritor profissional. Logrando êxito, tornou famoso o autor e foi convertida em filme.

O reconhecimento da posição do escritor, a aceitação de suas ideias ou de sua técnica, a remuneração de seu trabalho dependem da aceitação de sua obra pelo público, mesmo quando tal vinculação se faz pela posteridade após a morte do autor (CANDIDO, 1965). McCourt, Hunter, Revol, Bégaudeau fizeram-se ouvir, foram lidos, apreciados, refutados e aclamados. Por ora, ao menos, apenas Revol não foi tornado fenômeno cinematográfico. Cada um seguindo motivações específicas fez conhecer seu relato tendo por cena enunciativa o ambiente escolar, mais especificamente o campo de batalha cotidiana da sala de aula. É à luz dessa concepção de literatura e de arte como prática social, que serão examinadas as obras nessa pesquisa.

O TEXTO LITERÁRIO AUTORREFERENCIADO COMO FONTE DE PESQUISA

Benzer Belgeler