Há uma interpretação majoritária (VIANNA, 2011; TELLES & PIRES, 2013; SINGER, 2012) sobre o tema central em torno do qual as candidaturas competitivas na eleição presidencial de 2010 se mobilizaram: a continuidade.
A continuidade como imperativo do cenário eleitoral de 2010 foi sendo construída paulatinamente, e esteve fundamentada na avaliação positiva do eleitorado em relação às realizações do presidente Lula e seu governo. Entre 2007 e 2008, antes mesmo de se instituírem as pré-candidaturas, os anseios por continuidade ganhavam expressão através da discussão sobre a possibilidade de uma mudança institucional que permitisse a Lula concorrer a um terceiro mandato para a Presidência da República.
Os argumentos sobre a probabilidade de um terceiro mandato permearam os discursos de políticos aliados, como o vice-presidente José Alencar (PR), e de parlamentares petistas. Entre as estratégias a serem acionadas para realizar a mudança institucional eram mencionadas: Proposta de Emenda à Constituição (PEC), encampada pelos deputados
71 Fernando Ferro (PT-PE)74 e Devanir Ribeiro (PT-SP)75, e a realização de um Plebiscito, argumento do deputado Marco Maia (PT-RS).76
É importante salientar que a defesa do terceiro mandato pelos políticos aliados se embasava no apoio popular do qual a medida disporia caso fosse efetivada. Em dados de pesquisa CNT/Sensus, de 28 de abril de 2009, 50,4% dos entrevistados afirmaram apoiar um terceiro mandato do presidente Lula. Na época, Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus, comentou a pesquisa: “Tecnicamente, temos um empate. Mas é muito expressivo o apoio ao terceiro mandato do presidente Lula" (FOLHA DE SÃO PAULO, 2008).
Lula e as principais lideranças do governo e do PT negaram insistentemente a possibilidade de mudança nas regras institucionais para a disputa de um terceiro mandato, e o desfecho do debate se deu com as movimentações do então presidente em torno da pré- candidatura de Dilma Rousseff.
De todo modo, as movimentações para o terceiro mandato e a crescente aprovação popular ao governo e a Lula retiravam qualquer dúvida sobre a tônica continuísta que prevaleceria nas eleições de 2010.
Em pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em julho de 201077, após o início oficial do período eleitoral, a taxa dos que aprovavam o governo petista chegou a 77% (ótimo ou bom), enquanto o presidente obtinha 8 na nota de avaliação pessoal. Um mês depois, em agosto, após o início da propaganda eleitoral no rádio e TV, a aprovação do governo e do presidente alcançava novos recordes78. A avaliação positiva do governo chegava a 79%, e a nota do presidente ficou no patamar de 8,1, com destaque para o fato de que “ [...] dos eleitores brasileiros (81%) acha que Lula merece notas iguais ou superiores a sete, sendo que 33% citam a nota máxima, dez” (INSTITUTO DATAFOLHA, 2010).
Além dos dados de aprovação do governo e do presidente, Telles e Pires (2013), em artigo intitulado “Criador e criatura: petismo e lulismo nas retóricas discursivas do HGPE de Dilma Rousseff”, argumentam que a confiança do eleitorado no presidente atuou como o fator de relevância para a decisão do eleitor na disputa eleitoral. As autoras apresentam um
74 Ver matéria da Folha de São Paulo intitulada P roposta sobre terceiro mandato é desarquivada, publicada em
01 de novembro de 2007.
75 Ver matéria da Folha de São Paulo intitulada Petista volta a prometer PEC do 3º mandato, publicada em 03 de
abril de 2008.
76 Ver matéria da Folha de São Paulo intitulada CCJ da Câmara deverá votar 30 PECs sobre a reeleição,
publicada em 10 de abril de 2008.
77 Disponível em: <http://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2010/07/1211646-popularidade-de-lula-
permanece-estavel.shtml>. Acesso em: 21 set. 2015.
78 Disponível no link: <http://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2010/08/1211643-lula-bate-recorde-de-
72 gráfico com os dados de confiança no então presidente Lula consolidados no primeiro turno, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) e o Grupo de Pesquisa Opinião Pública, Marketing e Comportamento Eleitoral (UFMG):
Fonte: Telles e Pires (2013)
Esses dados evidenciavam uma moldura que exigia que os discursos políticos a serem mobilizados pelos candidatos atendessem à demanda de continuidade, sem mudanças ou rupturas com os rumos que vinham sendo seguidos na política nacional.
Nesse sentido, segundo Werneck Vianna (2011), essa exigência posta no cenário político produziria semelhanças nos discursos e programas eleitorais das candidaturas competitivas, Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), as quais colocavam a disputa eleitoral nos seguintes termos: caberia ao eleitor escolher qual seria o melhor candidato, o mais preparado, “[...] para continuar o script consagrado no sentido de seu aprofundamento” (p. 47).
73 O desejo de continuidade impossibilitava, portanto, a emergência de uma estratégia de oposição frontal, sob pena de derrota antecipada para os candidatos oposicionistas, no contexto da disputa. Se à Dilma Rousseff caberia a imagem e os discursos da herdeira legítima, a José Serra e Marina Silva restava reconhecer os avanços do lulismo, garantindo sua permanência e, no máximo, uma estratégia de críticas e questionamentos à adversária direta. Nas palavras de Vianna (2011, p. 50), “[...] nesse jogo de simulações o que importa, para uma candidatura, é a herança da popularidade de Lula, e para outra, não confrontá-la”.
A estratégia da campanha de José Serra no tocante à continuidade envolveu desde a formatação do slogan até uso de imagens de Lula no Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) e nos jingles de campanha. Ao apresentar sua candidatura na cena pública, José Serra adotou o slogan “O Brasil pode mais”, assumindo claramente o pressuposto de que o país estava no rumo correto e que restava aprimorar as ações. Conforme Oliveira (2010a), com esse slogan Serra evidenciava que não
[...] atacará o presidente Lula e dirá que o ‘Brasil pode mais!’ com ele no governo e que só ele tem condições de continuar com os avanços da Era Lula. Este slogan revela as estratégias corretas que serão utilizadas no guia eleitoral. Quais sejam: o adversário de Serra não é Lula. E com Serra o ‘Brasil pode mais!’ do que com Dilma. Friso que a estratégia principal de Serra é desqualificar Dilma (p. 10).
No HGPE, Serra assumiu a imagem do Zé, mais simples e próximo da linguagem popular, marca de Lula. Os programas eleitorais evidenciavam a biografia do candidato, destacando a origem pobre e a ascensão através dos estudos e trabalho à condição de líder político, que foi prefeito e governador. Em outro trecho, há uma clara associação entre Serra e Lula, imagens do candidato com o então presidente se sucediam na tela à medida que o locutor afirmava: “Dois homens de história, dois líderes experientes”. O arremate da construção de Serra como o candidato para dar continuidade ao governo Lula vinha por conta do jingle: “Quando o Lula sair, é o Zé que eu quero lá / Com o Zé eu sei que anda, com o Zé eu sei que dá / Pro Brasil seguir em frente, sai o Silva e entra o Zé” (informação verbal).79
A construção discursiva da campanha de José Serra busca, portanto, construí-lo como um pós-Lula, e não um antiLula, como se deveria esperar de um candidato oposicionista.
Marina Silva abordou a continuidade de uma forma bastante peculiar. A construção da imagem na campanha eleitoral da candidata buscava apresentá-la como a
79 Ver matéria intitulada “Jingle de Serra pede "Zé" no lugar de Lula”. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1408201022.htm>. Acesso em 20 jun. 2015.
74 “encarnação” da possibilidade de uma terceira via na política brasileira. A estratégia discursiva da terceira via buscava questionar e desestabilizar a polarização entre PT e PSDB, a qual transformava as disputas presidenciais em plebiscitos.
No HGPE, Marina Silva afirmava ser possível construir um Brasil desenvolvido sem destruir o meio ambiente. A temática do desenvolvimento sustentável, marca de sua trajetória política, foi mobilizada permanentemente em todos os discursos, evidenciando-a como a candidata mais afinada e mais informada sobre as questões referentes a modelos de desenvolvimento que preservem o meio ambiente. A partir desse debate, Marina Silva fazia claramente o enquadramento da necessidade de superar a polarização, afinal, Dilma Rousseff e José Serra representavam, em certa medida, o mesmo projeto de desenvolvimento econômico no Brasil.
Na perspectiva apresentada pela campanha da senadora, o Brasil vivia num ciclo que havia iniciado em 1995 com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e que teve sua continuidade com a chegada do petista Luís Inácio Lula da Silva. Esse argumento de continuidade entre os projetos de PSDB e PT pode ser encontrado nas análises de Werneck Vianna (2011) sobre a conjuntura política brasileira. Para o autor, em artigo escrito no contexto das eleições 2010, “[...] o país conhece nesses quase 16 anos de governos paulistas do PSDB e do PT uma forte linha de continuidade em termos de política macroeconômica e de políticas sociais” (VIANNA, 2011. p. 46).
Nesse sentido, reconhecendo que houve conquistas tanto nas gestões de tucanos e petistas, Marina Silva chegou a afirmar que “governaria com os melhores de PT e PSDB”. Para a candidata, era necessário “[...] dar continuidade às coisas boas. Continuidade aos avanços sociais do governo Lula, como ele deu continuidade ao Plano Real, do presidente FHC” (G1, 2015).80
Ao tratar especificamente do ex-presidente Lula, Marina Silva teceu alguns elogios acerca das realizações de seu governo e destacou aprendizados construídos a partir da gestão do petista, “[...] Lula ajudou a tirar 20 milhões de pessoas da linha da pobreza, e mostrou que não é preciso “fazer o bolo crescer para depois dividir”. “Ele mostrou que é distribuindo o bolo que a gente pode crescer”.81
80Ver matéria intitulada “Marina critica polarização entre PT e PSDB na disputa pela Presidência”, publicada no
link: <http://g1.globo.com/politica/noticia/2010/05/marina-critica-polarizacao-entre-pt-e-psdb-na-disputa-pela- presidencia.html>. Acesso em: 26 set. 2015.
81 Ver matéria intitulada “Marina elogia Lula, fala em continuidade e propõe 3ª geração dos programas sociais”,
publicada em: <http://politica.estadao.com.br/blogs/radar-politico/acompanhe-o-lancamento-da-candidatura-de- marina-silva-do-pv/>. Acesso em: 26 set. 2015.
75 Como apresentado acima, ambos os candidatos de oposição assumiram o tema da continuidade como regra da disputa eleitoral, destacando a noção de que o país estava no caminho certo, sendo necessário aprimorar alguns processos. Outra marca da aceitação da continuidade nas campanhas de Marina Silva e José Serra se referiu aos usos de Lula na composição das estratégias discursivas das campanhas, em decorrência da alta popularidade e influência do ex-presidente no eleitorado.
Se os opositores tiveram que incorporar o discurso de continuidade e desenvolver estratégias para se apresentar como dignos desse lugar de fala, a campanha de Dilma Rousseff explorou amplamente a legitimidade dessa posição através do recurso discursivo “herdeira de Lula”.82
A abertura de todos os programas de Dilma no HGPE sinalizava a continuidade, a herança simbólica. Neles, uma voz masculina off enunciava: “Começa agora o programa Dilma Presidente, para o Brasil seguir mudando” (informação verbal).83 Tal enunciado trazia uma clara referência ao processo de mudança que havia se iniciado com o governo Lula, ao qual caberia a Dilma assumir a direção.
Nos programas eleitorais de Dilma, o argumento da continuidade era construído, sobretudo, através da associação entre a candidata e Lula. Em um dos programas, Dilma e Lula dialogavam sobre os avanços promovidos pelo governo petista e a contribuição da candidata em cada um deles (informação verbal).84 Em outro, foram relatadas as histórias de vida dos dois, buscando uma aproximação de suas trajetórias (informação verbal).85
No Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE), Lula afirmou que votar em Dilma significaria votar nele. E Dilma completou: “Podemos avançar ainda mais, o presidente Lula já nos ensinou o caminho” (informação verbal).86 Essas afirmações concorreram para a construção claramente orientada de um discurso que mostrasse ao eleitorado que o governo Dilma seria igual ao governo Lula, e que a única forma de garantir a manutenção das conquistas obtidas até aquele momento seria através da eleição da “herdeira de Lula” (PIRES, 2011. p. 18).
A continuidade como marca do pleito eleitoral de 2010 produziu um efeito: a preponderância da discussão técnica em detrimento da política. De acordo com Werneck
82 As análises aqui apresentadas sobre a candidata Dilma Rousseff são preliminares e a título de contextualização
do cenário eleitoral. Há um capítulo específico nesta tese (Capítulo 3) para análise aprofundada dos processos de construção da imagem pública da candidata no HGPE das eleições 2010.
83 Programa eleitoral exibido em 17 de agosto de 2010. 84 Programa eleitoral exibido em 26 de agosto de 2010. 85 Programa eleitoral exibido em 17 de agosto de 2010. 86 Programa eleitoral exibido em 30 de setembro de 2010.
76 Vianna (2011), a tônica da continuidade retirou das candidaturas a exigência de características políticas, como carisma, por exemplo, e transpôs para os candidatos a necessidade de se apresentarem como bons técnicos, conhecedores dos processos da administração pública, os quais poderiam garantir que as condições econômicas e sociais construídas nos anos Lula se reproduziriam nos anos vindouros. Nesse sentido, houve, para o autor, a preponderância de uma gramática tecnocrática que permeou os discursos de Dilma Rousseff, José Serra e Marina
Silva. A dimensão técnico-gerencial foi explorada na campanha eleitoral de Dilma
Rousseff evidenciando sua trajetória em cargos da burocracia pública. A ênfase ocorre, sobretudo, na sua atuação ao longo dos dois mandatos de Lula. Sua atuação como ministra- chefe da Casa Civil (2005-2010) ganha relevo na construção da imagem da candidata, caracterizando-a como coordenadora do governo e principal responsável pelas grandes realizações do governo. Em um dos programas no HGPE, Lula chega a afirmar: “Eu tenho certeza que hoje não há ninguém mais preparado que a Dilma para governar o Brasil” (informação verbal).87
Essas informações compuseram o esforço de conferir legitimidade à Dilma Rousseff pelas credenciais de sua atuação em cargos da burocracia estatal. O acúmulo dessas experiências tornava-a, assim, capacitada para assumir a tarefa de dar continuidade às realizações do governo Lula.
José Serra, por sua vez, explorou fortemente sua trajetória política como ministro, prefeito e governador, dando ênfase às realizações de quando ocupou esses cargos públicos. No HGPE do candidato, um discurso recorrente do locutor era “José Serra, um homem com experiência” (informação verbal).88
Como forma de evidenciar essa experiência, o locutor narra os feitos do candidato:
Locutor off: José Serra. 40 anos de vida pública, 80 milhões de votos. Ministro do
Real. Serra também foi ministro das grandes obras. Portos em Pernambuco e no Ceará. Saneamento: 72 projetos em nove estados. Verbas para o Metrô: RJ, SP, BH, Brasília. Pró-moradia: casas para famílias pobres em todo o Brasil. Energia: mais 4 unidades geradoras para Xingó. Ampliação da refinaria Landulpho Alves. Construção de gasodutos em Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Irrigação: conclusão de 19 projetos, 4 açudes, 4 barragens, 2 adutoras. O ministro do Pró-Emprego e do Plano de Ação para o Nordeste. Três milhões de trabalhadores beneficiados. O melhor ministro da saúde que o Brasil já teve. O ministro do genérico, do Bolsa Alimentação, que virou o Bolsa Família. O deputado que criou o
87 Lula em programa eleitoral exibido em 14/10/2010 88 Programa eleitoral exibido em 11/09/2010.
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FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Que tirou do papel o Seguro Desemprego [...](informação verbal).89
Em outro momento do HGPE, o próprio Serra destaca a importância da experiência para o cargo que pretende ocupar, e se apresenta para o eleitor como o mais preparado, porque construiu paulatinamente sua carreira. É importante destacar que esse discurso é claramente um ataque à candidata governista Dilma Rousseff.
Serra: Olha eu não cheguei na vida pública agora, eu não apareci de uma hora para
outra. Antes de chegar até aqui, eu fui deputado, ministro, senador, prefeito, governador. Eu subi passo a passo, porque eu sempre me submeti ao julgamento do povo. E uma coisa eu digo a você: isso é muito importante porque na hora ‘H’ presidente não pode ser comandado de fora. Isso não funciona. É como bater pênalti. Não dá para chutar com o pé do outro (informação verbal).90
Marina Silva destacou a maior parte do seu reduzido tempo de HGPE (1min e 23seg) a temas gerais como educação e saúde, mas ainda assim, num programa dedicado à sua biografia, a candidata buscou enfatizar sua trajetória na vida pública, buscando, assim, reunir a seu favor credenciais para a disputa da continuidade.
O programa eleitoral que trouxe as informações sobre as habilidades gerenciais de Marina se inicia com uma fala da candidata: “É muito importante que você conheça a vida de cada candidato. Por isso eu vou contar a minha história para você” (informação verbal).91 Em seguida se sucedem na tela imagens de pessoas comuns narrando momentos da vida da candidata. No tocante às experiências de Marina Silva na vida pública, as pessoas (mulheres, jovens e crianças) afirmam: “Fui vereadora, deputada estadual e a mais jovem senadora da República do Brasil. Fui ministra do Meio Ambiente do governo Lula. Conseguimos conter o aumento da devastação. Levamos melhoria de vida para as comunidades” (informação verbal).92 Na biografia da candidata divulgada no site UOL Eleições, a capacidade técnica da candidata do PV é evidenciada pelo reconhecimento internacional de sua atuação à frente do Ministério do Meio Ambiente: “Marina foi agraciada com o prêmio ‘Champions of the Earth’, da ONU, por sua luta pela conservação da Amazônia, e foi apontada pelo jornal britânico The Guardian como uma das ‘50 pessoas que podem ajudar a salvar o planeta’”.93
As estratégias mobilizadas pelas campanhas no intuito de destacar a capacidade técnica dos candidatos evidenciam a necessidade imposta pela gramática tecnocrática das
89 José Serra em programa partidário exibido em 11 de setembro de 2010. 90 José Serra em programa eleitoral exibido em 28 de agosto de 2010. 91 Programa eleitoral exibido em 19 de agosto de 2010.
92 Programa eleitoral exibido em 19 de agosto de 2010.
93Ver matéria intitulada “Conheça a trajetória de Marina Silva, candidata à Presidência pelo PV”. Disponível
em: <http://eleicoes.uol.com.br/2010/pre-candidatos/conheca-a-trajetoria-de-marina-silva-pre-candidata-a- presidencia-pelo-pv.jhtm>. Acesso em 25 jun. 2015.
78 eleições 2010 (VIANNA, 2011). Nesse contexto, foi fundamental para os candidatos apresentar referências que indicassem suas capacidades de decisão, “[...] pois competência e experiência dariam ao sujeito um poder de agir com discernimento” (CHARAUDEAU, 2008, p. 72).