3. GEREÇ ve YÖNTEM
3.3. Koroner Anjiografik Değerlendirme
Conforme discutido alhures, os acordos de acionistas podem tratar de qualquer matéria que não seja ilícita, contrária aos bons costumes, à ordem pública e aos estatutos e regimentos da própria companhia. A liberdade contratual, princípio
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caro à Teoria Geral dos Contratos, é plenamente aplicável aos acordos de acionistas, com algumas restrições que serão vistas a seguir.
As limitações de ordem subjetiva foram comentadas no item 0, quando tratamos das partes do acordo de acionistas. Sendo assim, a validade dos acordos celebrados entre acionistas e terceiros, ou acionistas e administradores, ou acionistas e a própria companhia não podem ser chamados de acordos de acionistas, conforme com a definição trazida pelo artigo 118 da Lei nº 6.404/76, que limita a sua validade aos acordos celebrados somente entre acionistas de uma determinada companhia (observada a ressalva já feita em relação ao usufrutuário e fideicomissário).
Os limites objetivos à validade dos acordos de acionistas poderão ser inúmeros, e dependem muito mais da análise do caso concreto do que de um rol específico de matérias que podem induzir à invalidade ou nulidade de determinado acordo.
Nem por isso, Celso de Albuquerque Barreto110 deixa de enumerar algumas hipóteses de nulidade dos acordos de acionistas, que reportamos a seguir:
(i) indeterminação do objeto: a falta de indicação de um objetivo claro pode invalidar o acordo, sob pena de estabelecer uma delegação de voto plena e impossibilitar a análise desse objetivo frente ao interesse social; (ii) cessão do direito de voto sem a transferência da titularidade da ação: o
direito de voto é indelegável, não sendo possível no Direito Brasileiro a separação entre direitos de propriedade e direitos políticos, exceto nos casos de usufruto de ações e fideicomisso (este último antes da promulgação do Código Civil de 2002 – Lei nº 10.406/02);
(iii) negociação do voto: não é permitido ao acionista obter vantagem para si ou para outrem mediante a negociação de seu voto, sendo essa prática, inclusive, ilícito penal, tipificado no artigo 177 do Código Penal brasileiro; (iv) violação dos direitos assegurados aos acionistas: os acordos de
acionistas não podem violar ou impedir o exercício de direitos assegurados aos demais acionistas. Os direitos essenciais dos acionistas, de acordo com o artigo 109 da Lei nº 6.404/76, não podem
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ser tolhidos nem pelo estatuto, nem pela assembleia geral, menos ainda por qualquer acordo de acionistas;
(v) violação da legislação antitruste e de proteção à economia popular: não podem os acordos de acionistas visar a qualquer forma de prejuízo à concorrência, a dominar mercado relevante, a aumentar arbitrariamente os lucros ou a exercer posição dominante no mercado de forma abusiva, ou seja, não pode o acordo de acionistas ter como objetivo a prática de qualquer infração à ordem econômica, nos termos da Lei nº 8.884/94 e dos artigos 170 e 173 da Constituição da República Federativa do Brasil; (vi) abuso do poder de controle em detrimento da minoria: o exercício
abusivo do poder de controle, além de vedado pela própria Lei nº 6.404/76, no artigo 117111, pode ser causa de invalidade do acordo de acionistas celebrado com esse objetivo;
(vii) acordos contrários ao interesse social: o objetivo do acordo de acionistas jamais poderá contrariar o interesse social, seja este o interesse da companhia, sejam os interesses coletivos ou individuais dos acionistas ou das diversas classes de acionistas;
(viii) atos de verdade: os acordos de acionistas não podem estabelecer previamente a orientação de voto para matérias que dependam da
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Lei nº 6.404 - Art. 117. O acionista controlador responde pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder. §1º São modalidades de exercício abusivo de poder: a) orientar a companhia para fim estranho ao objeto social ou lesivo ao interesse nacional, ou levá-la a favorecer outra sociedade, brasileira ou estrangeira, em prejuízo da participação dos acionistas minoritários nos lucros ou no acervo da companhia, ou da economia nacional; b) promover a liquidação de companhia próspera, ou a transformação, incorporação, fusão ou cisão da companhia, com o fim de obter, para si ou para outrem, vantagem indevida, em prejuízo dos demais acionistas, dos que trabalham na empresa ou dos investidores em valores mobiliários emitidos pela companhia; c) promover alteração estatutária, emissão de valores mobiliários ou adoção de políticas ou decisões que não tenham por fim o interesse da companhia e visem a causar prejuízo a acionistas minoritários, aos que trabalham na empresa ou aos investidores em valores mobiliários emitidos pela companhia; d) eleger administrador ou fiscal que sabe inapto, moral ou tecnicamente; e) induzir, ou tentar induzir, administrador ou fiscal a praticar ato ilegal, ou, descumprindo seus deveres definidos nesta Lei e no estatuto, promover, contra o interesse da companhia, sua ratificação pela assembleia geral; f) contratar com a companhia, diretamente ou através de outrem, ou de sociedade na qual tenha interesse, em condições de favorecimento ou não equitativas; g) aprovar ou fazer aprovar contas irregulares de administradores, por favorecimento pessoal, ou deixar de apurar denúncia que saiba ou devesse saber procedente, ou que justifique fundada suspeita de irregularidade; h) subscrever ações, para os fins do disposto no art. 170, com a realização em bens estranhos ao objeto social da companhia. §2º No caso da alínea e do § 1º, o administrador ou fiscal que praticar o ato ilegal responde solidariamente com o acionista controlador. §3º O acionista controlador que exerce cargo de administrador ou fiscal tem também os deveres e responsabilidades próprios do cargo. [grifos nossos] (BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 24 jun. 2012).
avaliação de situações concretas, que não podem ser negociadas, como a tomada de contas dos administradores, a avaliação da gestão dos administradores, distribuição dos lucros apurados.
Calixto Salomão Filho, ao tratar da limitação ao objeto dos acordos de voto, especificamente, relaciona a sua inserção na estrutura societária como requisito de validade desses acordos, para que não entrem em choque com as demais disposições da companhia mas, sim, passem a preencher lacunas deixadas pelos seus atos constitutivos, estatutos e demais regulamentos:
[...] Aqui (acordos de voto), de um lado, ressalta a característica societária (de fato) do acordo. De outro, a possibilidade de choque entre as disposições sobre voto dos estatutos e da lei.
A consequência desse aparente choque nada mais é que a contraprova da necessária inserção do acordo na estrutura societária. Os acordos (de voto) que têm a menor pretensão de legalidade são estruturados de forma a criar uma nova instância, anterior à instância propriamente societária em que o conteúdo de voto será definido, para predeterminação do voto.
Essa instância parassocietária é elemento fundamental para a legalidade e coerência do próprio acordo.
Essa mesma inserção dos acordos de voto na estrutura societária tem outra consequência, não tão curial, sobre a sua disciplina. Exatamente por se inserir na estrutura societária, não pode contrariar sua disciplina obrigatória, mas apenas preencher suas lacunas. Assim, se dispositivo do acordo de voto for contrário à lei ou à disposição obrigatória do estatuto, não só o voto emanado segundo suas disposições é ineficaz perante a sociedade, mas também eventual descumprimento em assembleia de voto predefinido em conformidade com o acordo não gera descumprimento contratual. Integrado à estrutura societária, o acordo é interpretado e sua eficácia depende destes (desde que, é claro, se pretenda que o acordo produza efeitos perante a sociedade).112
Por fim, cabe ressaltar que a validade dos acordos de acionistas, especialmente daqueles que dispõem sobre o direito de voto dos acionistas, é amplamente aceita pela doutrina. Não restam dúvidas de que eventual associação dos direitos políticos do cidadão com os direitos políticos dos acionistas não é aceita, vez que o direito político do acionista “não se funda em sua personalidade,
mas numa ‘fração de sua esfera patrimonial’”. Não cabe, portanto, qualquer
politização de seu voto enquanto acionista, por se tratar de ato meramente comercial113.
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SALOMÃO FILHO, Calixto. O Novo Direito Societário. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Malheiros, 2006. p. 114-115.
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COMPARATO, Fabio Konder; SALOMÃO FILHO, Calixto. O Poder de Controle na Sociedade