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3.2. LİTERATÜR TARAMASI

3.3.5. Verilerin Analizi

3.3.5.1. Araştırmanın Bulguları ve Değerlendirme

3.3.5.1.4. Korelasyon ve Regresyon Analizi

modificar hábitos e estabelecer parâmetros de comportamento, através de uma

interação intensiva com o imaginário popular. Indiscutivelmente, a telenovela se

tornou um dos programas referenciais da sociedade brasileira, reproduzindo costumes,

anseios, tendências ou simplesmente atuando como objeto aglutinador de atenções.

Com suas tramas, personagens e temáticas muito familiar aos telespectadores, as

telenovelas entram na constituição dos mitos, na construção de um imaginário, sendo

verdadeiros “modelos de cultura” (Morin, 1997, p.83).

Além da audiência, cabe ressaltar a importância das telenovelas na vida cultural da América Latina (Martín-Barbero, 2003; Mattelart e Mattelart, 1989), passando a ter um papel crescente, no caso brasileiro, na construção do imaginário entre as pessoas. Como já assinalei em outra oportunidade,

diariamente, as telenovelas mobilizam a atenção de muitos brasileiros, potiguares, caicoenses. O verbo “mobiliza” deve ser entendido aqui no seu sentido mais forte. Os caicoenses, especificamente, não se limitam apenas em assistir uma ficção, ao contrário, elas participam, sofrem com as personagens, se envolvem com a trama, construindo os elementos do imaginário coletivo (Brito, 2003).

A telenovela está em todos os lugares e se encontra cada vez mais inserida no espaço cotidiano. Possuindo um grande poder de sedução, convida os espectadores a participar do seu

7 Silva, Maria de Fátima da. Caicó, 09 ago. 2004. Entrevista através de anotações concedida a Márcio Roberto de

mundo, um mundo de imagens, criado com base na realidade e constituído pelas câmeras de televisão. Com essa profusão de imagens, a telenovela contribui para a mudança de muitos hábitos. Vê-se que, com a Televisão, o próprio planeta foi transformado num imenso estúdio, num cenário gigantesco a ser permanentemente explorado pelas câmeras, pois, “A TV penetra em todos os lares, não importa se nas cidades ou nos campos, levando suas mensagens” (Alves, 1992, p.28).

As imagens invadem de todos os modos a vida cotidiana, e “não existe imagem inocente” (Costa, 2003). Através de suas práticas sociais coletivas, os diversos atores sociais clamam constantemente por imagens/imaginário, para dar sentido ao mundo, referência para entendê-lo, pois “o imaginário propriamente dito faz parte do cotidiano” (Lefebvre, 1991, p.99).

Mas o que é o imaginário e como ele se expressa? Sinteticamente, serão apontados alguns elementos que expressam o imaginário, uma vez que as discussões feitas neste trabalho estão intrinsecamente a ele ligadas. Como já foi afirmado por Lefebvre (1991), o imaginário propriamente dito faz parte do cotidiano:

[...] cada um pede a cada dia [ou a cada semana] sua ração de cotidiano. No entanto, o imaginário, com relação à cotidianidade prática [pressão e apropriação], tem um papel: mascarar a predominância das pressões, a fraca capacidade de apropriação, a acuidade dos conflitos e os problemas ‘reais’. E, às vezes, preparar uma apropriação, um investimento prático (p.99).

O imaginário social é construído a partir das experiências dos membros da sociedade e de seus grupos, levando em conta desejos, sonhos e ideais comuns. Castoriadis (1982) entende o imaginário como uma “criação incessante e essencialmente indeterminada (social- histórica e psíquica) de figuras/formas/imagens, a partir das quais somente é possível falar-se

de ‘alguma coisa’. Aquilo que denominamos ‘realidade’ e ‘racionalidade’ são seus produtos” (p.13).

A história tem demonstrado que, vivendo em comunidade com suas práticas coletivas, os sujeitos sociais evocam constantemente imagens para dar sentido ao mundo. Estas são referências para entendê-lo, construindo uma nova “aparência” para o real dado em sua concretude. Uma identidade social e novos significados surgem a partir destas no imaginário coletivo compondo novos sentidos, através de re-significações, símbolos, e mitos.

O imaginário é um conceito vinculado por demais à vida social e é, portanto, relevante entendê-lo no sentido de dar conta da complexidade de fenômenos simbólicos decorrentes dos meios de representação cultural (como a televisão), e, sobretudo os produtos culturais advindos desses meios (como as telenovelas). Trata-se do imaginário como “uma coisa inventada” ou como “um desligamento dos sentidos”, no qual símbolos são investidos de um outro significado, que não o significado normal. É no imaginário que a sociedade busca a justificativa e o complemento para a sua ordem, apesar de ele ser, na maioria das vezes, subinterpretado ou subdimensionado. Segundo Castoriadis (1982),

falamos de imaginário quando queremos falar de alguma coisa ‘inventada’ – quer se trate de uma invenção ‘absoluta’ [‘uma história imaginada em todas as suas partes’], ou de um deslizamento, de um deslocamento de sentido, onde símbolos já disponíveis de outros significados ‘normais’ ou ‘canônicas’[‘o que você está imaginando’, diz a mulher ao homem que recrimina um sorriso trocado por ela com um terceiro]. Nos dois casos, é evidente que o imaginário se separa do real, que pretende colocar-se em seu lugar [uma mentira] ou que não pretende fazê-lo [um romance] (p.154).

Em outras palavras, o imaginário é construído por um conjunto de relações imaginárias produzidas pela sociedade. Estamos nos referindo à grande quantidade de imagens, a partir das experiências perceptivas que o indivíduo tem do mundo que o cerca. A

construção do imaginário social tem um percurso simbólico, referente ao “poder simbólico” que, assinala Bourdier (1989), é um “poder quase mágico que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou econômica), graças ao efeito específico de mobilização... [que só é exercido]... se for reconhecido, quer dizer ignorado como arbitrário” (p.14). Ou, ainda, como diz Castoriadis (1982), “o simbolismo pressupõe a capacidade imaginária” (p. 154).

Em A Vida Cotidiana no Mundo Moderno, Lefebvre (1991) discute o cotidiano como sendo, ao mesmo tempo, o mundo da repetição, da estabilidade, e seu contrário: um processo ativo de revolução presente nos sonhos, no imaginário, no simbolismo. É a repetição, mas também é evocação e ressurreição. E isso quem faz são as tecnologias que produzem imagens, como é o caso da televisão, da publicidade, das telenovelas, que, mais do que nunca, “se baseia [m] também na existência imaginária das coisas, da qual é a existência” (p.100).

Desse modo, programam os indivíduos para o consumo das imagens, ditando hábitos de consumo, estabelecendo padrões morais, estéticos, disseminando valores, crenças, alimentando mitos. Uma grande “confusão” entre esses dois mundos - o real e o imaginário - se estabelece. O homem comum tem esperanças, fantasias, desejos, que não existem só para ele, mas para todos os demais. É exatamente o imaginário que se baseia nas construções culturais coletivas.

Arbex (1995) diz: “a televisão é o mundo da simulação, do teatro, da manipulação das imagens, da prestidigitação do discurso” (p.8). Ela é um importante meio de reflexão no imaginário das pessoas. É também um instrumento que efetivamente constrói imagens. Para Marcondes Filho (2000) a televisão, indubitavelmente, consegue transportar o homem do seu cotidiano diário ao mundo da fantasia e da imaginação.

É inegável que o mundo atual está, mais do que nunca, sendo dominado pelas comunicações e, a televisão aparece, especialmente, como um dos meios propagadores de

imagens e construtores da “violência do imaginário8”, cristalizando ações, considerando a relação entre a razão e a imaginação. Assim, ela consegue transformar muitos hábitos sociais; e as telenovelas, nesse contexto, são um exemplo, como se verá em seguida.

8 Termo desenvolvido por Maria Rita Kehl no artigo Televisão e violência do imaginário (2004). Kehl sustenta

que a sociedade atual é formada por uma cultura de massa e pela força da imagem, onde “há, sim, um tipo de violência que é própria do funcionamento do imaginário em si. Essa violência do imaginário tem, sim, relações com os padrões de comportamento na vida real, mas não há aí uma relação de causa e efeito. E, mais ainda, a violência do imaginário independe dos conteúdos que as imagens da cultura de massa apresentam” (a ênfase é da própria autora) (p.88).

CAPÍTULO 2

Benzer Belgeler