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5.9. KORELASYON ANALİZİ SONUÇLAR

perspectiva de democratização da esfera pública?

O termo “parceria” é permanentemente utilizado no texto do T.R., seja para justificar a “descentralização” operada no desenho do Programa, no nível dos órgãos do governo federal que o propuseram, seja para incitar as executoras a estabelecer relações de colaboração junto a outras entidades na comunidade, visando à efetividade das ações de inclusão e de integração com as famílias dos participantes.

O Governo Federal explicita o que parece ser uma tendência na proposição e execução de políticas públicas encaminhadas nesse nível de ação governamental, da seguinte forma:

Como outras ações do PNDH e do PLANFOR, o SCV é implementado de forma descentralizada, por meio de projetos concebidos e adaptados às realidades locais, que integram os PEQs, financiados pelo FAT. Os PEQs são o principal mecanismo de implementação do PLANFOR, e estão sob gestão das Secretarias Estaduais do Trabalho, Comissões Estaduais e Municipais de Emprego. (T.R, 2001:03)

Nessa mesma linha, o modelo de implementação do Programa prioriza parceria com entidades não governamentais – ONGs, OCIPs, fundações, institutos de pesquisa, universidades e IES – na execução direta dos projetos além de estimular as executoras a formalizar “parcerias” com outras instituições sociais para garantir a efetividade das ações. Dessa forma, cada executora “parceira” deve, por

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sua vez, mobilizar outras parcerias no nível local da execução do Programa, sendo que o T.R sugere as parcerias fundamentais com:

Comandos Militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica – com os quais foi firmado protocolo de intenções relativo ao SCV17 – e respectivas instituições educacionais (colégios, academias, centros de formação); organizações governamentais e não governamentais que trabalham com jovens, especialmente aquelas que atuam junto a populações pobres/vulneráveis; representações de empresários e de trabalhadores; entidades de educação profissional e de serviço social, rede públicas de ensino fundamental e médio, escolas técnicas e universidades. (T.R.,2001:05)

Segundo Di Pierro (2001) a estratégia de “parceria” estabelecida pelo Governo Federal no encaminhamento de políticas públicas é comum às demais políticas sociais (saúde e previdência social, por exemplo) e integra um conjunto de princípios que estão vinculados à conjuntura mais geral de redefinição do papel do Estado e de ajuste macroeconômico, tais como:

descentralização da gestão e do financiamento; focalização dos programas e populações beneficiárias; privatização seletiva dos serviços; e desregulamentação, que, nesse âmbito, implica a supressão ou flexibilização de direitos legais e a permissão de ingresso do setor privado em âmbitos antes monopolizados pelo Estado. (Di Pierro ,2001:323)

A redefinição de princípios no encaminhamento de políticas públicas pelo governo brasileiro seguiu orientações exaradas pelos organismos financeiros internacionais sob clara inspiração do pensamento neoliberal: regidas por premissas econômicas, as políticas sociais objetivam dotar o sistema de maior eficácia com o menor impacto possível para os cofres públicos de forma a se articularem com as metas de estabilidade monetária, controle da inflação e equilíbrio fiscal.

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Procurados pela coordenação do Programa SCV, em Montes Claros, para uma possível parceria, os militares do 55 BI não tinham conhecimento do protocolo de intenções nem tampouco se mostraram abertos para o compartilhamento de responsabilidades em relação aos jovens do SCV.

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Nesse contexto político, onde se aliam a redefinição do papel do Estado e a degradação da noção de “serviço público”18, cria-se um ambiente favorável para o consenso em torno da idéia de parceria entre agências governamentais e organismos da sociedade civil, celebradas em nome da eficácia e da legitimidade dos interesses públicos de instituições privadas.

Não há dúvidas de que o entendimento da natureza do Estado e de sua relação com a sociedade civil está em processo de transformação. A questão é, exatamente, saber em que direção e qual o significado dessa transformação. Ela tanto pode se dar numa perspectiva ético-política, pelo alargamento dos espaços de co-gestão democrática das políticas governamentais, como pela adoção de modelos gerenciais inspirados no setor privado, onde políticas públicas seriam “publicizadas”, ou seja, receberiam concessão do Estado para serem executadas por organismos privados, sem que fiquem claros os mecanismos através dos quais a sociedade e instituições democráticas poderiam exercer controle das atividades de tais organismos.

Essa forma espúria de chamar a participação da sociedade civil parece ficar clara não só pelo desenho “enviesado” da proposição da política em si, onde todo o poder de definição está centrado na CONASC, em âmbito federal, como também pela superficialidade e inconsistência com que são propostas as “parcerias” com as forças comunitárias, ora para predispor à formação de “capital humano”, ora para levar à constituição de “capital social”, em desconsideração aos engendramentos inevitáveis de uma ou outra orientação e da incoerência entre elas. E ainda: tendo concentrado todo o poder decisório – em relação ao modelo de gestão e avaliação, na definição de diretrizes gerais para implementação e execução, bem como de

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A degradação da noção de serviço público é, em grande parte, incentivada pelas teses da escassez e da crise fiscal do Estado, do excesso de burocratização, paternalismo e crise de governança que permeiam a militância neoliberal.

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indicadores operacionais – o que a CONASC relega às entidades “parceiras”, e o faz de forma compulsória, é a operacionalização de ações por si mesmas de difícil execução19. Entre elas, a elevação de escolaridade no tempo recorde de cinco meses (totalmente financiada pela executora, como contrapartida desta) e a integração com a família através de cursos de profissionalização de 60 h/a que repetem as mesmas inconsistências da proposta de profissionalização dos jovens: despreocupação com as preferências dos familiares atendidos, pouca articulação com o mercado de trabalho, ausência de medidas que minimizem as dificuldades de apropriação dos meios de produção a partir das habilidades profissionais formadas, etc. Esta tem sido a prática de “parceria” entre o governo e a sociedade civil: as funções de formulação e controle são reservadas ao núcleo estratégico da burocracia estatal; ao “parceiro” resta submeter-se ao comando do propositor da parceria, numa lógica de cooptação com fins claramente instrumentalizantes.

No próximo capítulo empreenderemos um estudo da gênese do Estado Moderno e de sua relação histórica com a Sociedade Civil, com o intuito de melhor perceber as possibilidades e limites do discurso de “parceria” que propostas como o SCV explicitam.

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Vide capítulo 2 onde relatamos as dificuldades e desacertos da execução do Programa em Montes Claros e também a tese de doutoramento de Geraldo Leão (2000), sobre o mesmo tema.

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Benzer Belgeler