4.2. TARTIŞMA
4.2.2. Kopma Yüzeylerinin Karşılaştırılması
Os princípios do copyright estabelecidos na Inglaterra foram le-
vados para os Estados Unidos, mas somente em 31 de maio 1790 o Congresso americano passou a primeira lei federal do copyright res-
tringindo os direitos de terceiros de publicarem a obra. A proteção era por 14 anos, renováveis por mais 14 anos, se no fim do período o autor estivesse vivo. Se não houvesse renovação, a obra passava a domínio público.
Os legisladores norte-americanos criaram, assim, um equilíbrio que permitia alimentar o domínio público, pois um número sig- nificativo de obras não seria registrado nos primeiros dez anos de vigência da lei de copyright e, provavelmente, uma grande parte das
obras registradas também não seria renovada após vencer o prazo de proteção de 14 anos.
O copyright constituía uma minúscula regulação para uma mi-
núscula parte do mercado criativo representada pelos editores, pois somente a publicação estava sob controle do copyright e haveria
violação do direito se a obra fosse impressa sem a permissão do
autor. O copyright protegia somente mapas, cartas de navegação
e livros; não protegia obras musicais ou de arquitetura; não havia regulamentação para obras derivadas; traduções ou adaptações do texto eram permitidas. Todos os processos de recriação a partir da obra original permaneciam livres de regulamentação (Lessig, 2004, p.133-159).
Os Estados Unidos tiveram essa configuração durante 41 anos. Em 1831, houve a primeira revisão da lei de copyright e o período de
proteção mudou de 14 para 28 anos, renováveis por mais 14 anos, totalizando um prazo de proteção de 42 anos, e a proteção estendeu- se às obras musicais. Em 1856, a lei incluiu as composições dramá- ticas; em 1865, as fotografias; e, partir de 1870, na segunda revisão geral da lei, a proteção passou a incluir pinturas, estátuas e obras derivadas. As obras derivadas, se publicadas, isto é, oferecidas co- mercialmente, eram regulamentadas pela lei de copyright. A publi-
cação e a transformação não comercial ainda eram essencialmente livres (Araya & Vidotti, 2009, p.44).
[...] o direito garantido por um copyright dava ao autor o direito ex-
clusivo de “publicar” obras protegidas por copyright. Isso significa
que alguém violava o copyright somente se republicasse a obra sem
a permissão do dono do copyright. Finalmente, o direito garantido
pelo copyright era um direito exclusivo para esse livro em parti-
cular. O direito não se estendia ao que os advogados chamam de “obras derivadas”. Portanto, não interferiria no direito de qualquer pessoa que não fosse o autor de traduzir um livro com copyright, ou
de adaptar a história para uma forma diferente (como um drama baseado em um livro publicado). (Lessig, 2004, p.136, tradução nossa)10
Como o copyright regulamentava apenas a publicação e era atre-
lado ao registro, somente aqueles autores que esperavam obter al- gum proveito financeiro registravam as obras. A cópia daquelas
10 (…) the right granted by a copyright gave the author the exclusive right to “pub- lish” copyrighted works. That means someone else violated the copyright only if he republished the work without the copyright owner’s permission. Finally, the right granted by a copyright was an exclusive right to that particular book. The right did not extend to what lawyers call “derivative works.” It would not, therefore, interfere with the right of someone other than the author to translate a copyrighted book, or to adapt the story to a different form (such as a drama based on a pub- lished book).
consideradas não comerciais era livre. Em 1909, na terceira revisão geral da lei de copyright, o Congresso ampliou o período de renova-
ção de 14 para mais 28 anos, configurando um período máximo de 56 anos, após o qual a obra passaria ao domínio público. Nessa re- visão, passou-se a regulamentar a cópia, não a publicação, e a partir desse momento o escopo da lei ficou atrelado à tecnologia.
Em 1912, a lei protegia também os filmes. E foi sob essa legis- lação que o cineasta estadunidense Walt Disney criou suas obras. Ele pode usufruir de uma cultura já existente, porém relativamente fresca, pois o domínio público nessa época não era muito antigo. Disney baseou-se no passado para criar o Mickey Mouse, um dos seus mais famosos personagens. Lessig (2004, p.22-3) relata como uma sequência de processos criativos de diferentes pessoas con- tribuiu para isso: em 1927, o som sincronizado foi introduzido no filme The jazz singer, dirigido por Alan Crosland. No ano seguinte,
Buster Keaton, importante comediante e cineasta norte-americano,
criou o filme mudo Steamboat Bill Jr, produzido de forma inde-
pendente e inspirado na canção “Steamboat Bill”, de Ren Shields e irmãos Leighton. Em maio de 1928, apareceu pela primeira vez, em
um desenho mudo chamado Plane crazy, a personagem Steamboat
Willie, uma paródia do filme de Keaton. Em novembro do mes-
mo ano, no Colony Theater, em Nova York, no primeiro desenho
animado com som sincronizado, Steamboat Willie trouxe à vida Mickey.
Em 1928, o domínio público não representava uma área confli- tante. As obras passavam ao domínio público ao finalizar o prazo de proteção do copyright e podiam ser usadas livremente. Podia-se se
basear nelas para criar obras derivadas. Obras como Branca de Neve
e Cinderela, dos alemães Jacob e Wilhelm Grimm, também foram
usadas no processo criativo de Walt Disney. Ele usou elementos da criatividade cultural existente e mesclou-os ao seu próprio talento, transformando-os em algo diferente. Disney recontou os contos dos irmãos Grimm sob a forma de desenhos animados, mas não eliminou completamente os aspectos simbólicos de medo e perigo das obras originais (idem,. p.23-4).
Isso era cultura, na que você não necessitava da permissão de mais alguém para tomar e construir sobre ela. Esse era o caráter da criatividade do início do século passado. Era construída sobre um requisito constitucional de que a proteção fosse por períodos limi- tados. (idem, 2002, p.1, tradução nossa)11
A exigência de renovação do copyright após o vencimento do
primeiro prazo havia propiciado o equilíbrio necessário entre o as- pecto comercial, que envolve a publicação de uma obra, e o aspecto social, que se refere à sua disponibilização para o domínio públi- co. Como somente faria sentido renovar o copyright das obras que
continuassem tendo um valor comercial (o que representava uma pequena parte do conteúdo protegido), o domínio público estaria constantemente sendo alimentado.
A partir de 1962 a situação mudaria. O Congresso norte-ame- ricano aprovaria 11 modificações que ampliariam o período dos
copyrights já existentes e duas que estenderiam o prazo dos futuros copyrights. Na quarta revisão geral da lei de copyright, em 1976, os copyrights existentes foram ampliados em 19 anos, e para todas as
obras criadas após 1978 haveria um período único de proteção: para os autores da obra, durante a sua vida mais cinquenta anos, e, para corporações, 75 anos (idem, 2004, p.156).
Quando, em 1990, o governo dos Estados Unidos confiou a administração da rede mundial de computadores Internet à Natio- nal Science Foundation, os norte-americanos tinham no copyright
uma forma de proteção amparada pela Constituição dos Estados Unidos e concedida para trabalhos de autoria original, como obras literárias, dramáticas, musicais e artísticas, softwares e obras de
arquitetura. Esses trabalhos deviam estar fixados em um meio de expressão tangível que os tornasse perceptíveis diretamente ou com a ajuda de uma máquina ou dispositivo. A publicação ou o registro
11 It was culture, which you didn’t need the permission of someone else to take and build upon. That was the character of creativity at the birth of the last century. It was built upon a constitutional requirement that protection be for limited times (…).
das obras não era requisito obrigatório para a obtenção da proteção, que se iniciava no momento da criação e fixação em qualquer meio de expressão tangível. O prazo de proteção correspondia a toda a vida de seu autor mais cinquenta anos. No caso das corporações, o prazo estipulava uma validade de 75 anos.
Em 1992, a exigência de registro de renovação para todas as obras criadas antes de 1978 foi abandonada, e, em 1998, na Lei de
Extensão do Período de Copyright Sonny Bono (Sonny Bono Co-
pyright Term Extension Act)12, os períodos dos copyrights existentes
e futuros foram ampliados em vinte anos, isto é, a vida do autor mais setenta anos após sua morte. Resultado: nenhuma obra sob
copyright passará para o domínio público até 2018 (idem, p.134-6 ).
As famosas criações de Walt Disney, Mickey Mouse, Pluto, Pateta e Pato Donald, previstas para cair no domínio público em 2003, 2005, 2007 e 2009, respectivamente, foram favorecidas pela Lei Sonny Bonno.
A lei de copyright norte-americana inclui o conceito do fair use
(uso justo), que permite o uso de material protegido para uso edu- cacional (incluindo múltiplas cópias para uso em sala de aula), para crítica, para comentário, para divulgação de notícia e para pesquisa. A doutrina do fair use segue um teste de quatro fatores para definir
as possibilidades de uso de conteúdo sob proteção do copyright: 1) a
finalidade e as características do uso, verificando-se se tal uso é de natureza comercial ou para finalidades educacionais não lucrativas; 2) a natureza da obra reproduzida; 3) a quantidade e substanciali- dade da porção usada em relação à obra reproduzida como um todo; 4 ) o efeito do uso sobre o mercado potencial ou o valor da obra reproduzida.
O copyright tem mudado drasticamente desde 1790, data em
que o Congresso norte-americano aprovou a primeira lei federal a
12 Nome dado em homenagem a Salvatore Phillip “Sonny” Bono, produtor dis- cográfico, cantor, ator e político norte-americano eleito deputado na Câmara dos Representantes em 1994 representando o 44º Distrito Congressional da Califórnia. Durante seu mandato, introduziu o Sonny Bono Copyright Term Extension Act.
respeito. Nesse contexto, Lessig (idem, p.36) destaca que o alcance da lei de copyright nessa época era muito pequeno. Limitava-se à
proteção de mapas, cartas de navegação e livros e dava ao proprietá- rio do copyright o direito exclusivo de publicar. Hoje o copyright co-
bre também música, arquitetura, teatro e programas informáticos. O detentor do direito de copyright tem, além do direito exclusivo da
publicação da obra, o direito exclusivo de controlar a “cópia” dessa obra, bem como o direito sobre qualquer “obra derivada” que possa surgir a partir da obra original. “Deste modo, o direito cobre mais obras derivadas, protege a obra criativa de uma maneira mais am- pla e protege obras que estão baseadas de uma forma significativa na obra criativa inicial” (idem, p.136, tradução nossa).13 E, como
a conjugação das TIC com a Internet tem facilitado a produção de obras originais, a derivação de obras e de cópias, bem como a circu- lação de tudo isso. Consequentemente, a violação da lei de copyright
tem-se tornado uma prática constante.
Com a proposta de combater a facilidade de copiar conteúdo sob proteção do copyright e limitar sua divulgação, os Estados Unidos
vêm buscando novas possibilidades legais, e em outubro de 1998 adotaram a Lei dos Direitos Autorais do Milênio Digital (Digital Millenium Copyright Act – DMCA).14 Essa lei foi aprovada para a
implementação de dois tratados assinados em 1996 na Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI ou, na versão inglesa,
WIPO – organismo das Nações Unidas criado em 1967): o Tratado
de Direito de Autor (WCT – WIPO Copyright Treaty) e o Tratado
sobre Interpretações e Fonogramas (WPPT – WIPO Performances
and Phonograms Treaty).
A lei do DMCA, além de proteger os direitos de autor, trata não só da infração do copyright em si, mas também da produção e
da distribuição de qualquer tecnologia ou de qualquer serviço con-
13 In this way, the right covers more creative work, protects the creative work more broadly, and protects works that are based in a significant way on the initial cre- ative work.
cebido para evitar medidas e mecanismos de proteção dos direitos de autor.
Lemos (2005), em entrevista ao Jornal do Brasil, observava que
os Estados Unidos foram o primeiro país a adotar uma lei para de- cidir o futuro da tecnologia e retirar conteúdo da Internet.
Durante todo o século 20, a propriedade intelectual foi equili- brada pelo conflito entre detentores da tecnologia e usuários, com vitória da liberdade do desenvolvimento da tecnologia. A partir da década de 1990 isso mudou: os detentores começaram a ter poder para decidir os caminhos da tecnologia. A marca dessa mudança na legislação é o DMCA – os EUA foram o primeiro país a adotar uma lei para decidir o futuro da tecnologia e retirar conteúdo do ar. A Lei dos Direitos Autorais do Milênio Digital, salienta ainda Lemos (idem), tem funcionado em muitos países como modelo de legislação para criar dispositivos legais de responsabilização de pro- vedores de conteúdo sob proteção das legislações de direitos autorais.