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KONYA BASININDA ANAYASA OYLAMASI VE YENİ SEÇİM SÜRECİ

O acesso à justiça, assim como a maior parte dos direitos fundamentais processuais, encontra suas raízes fincadas na Magna Carta de 1215. Nesta época da Idade Média não havia uma justiça uniforme. A aplicação da lei local ou dos usos e costumes, além da punição daqueles que a infringiram era realizada sem garantias mínimas de defesa e variavam de uma localidade para a outra. O primeiro e o segundo estamentos, constatando que precisavam de certas garantias, impuseram a João Sem Terra que nenhum homem fosse detido ou privado de sua propriedade e liberdade sem um julgamento por seus pares ou pelo direito local.99 Bem se sabe que a Magna Carta não almejava abarcar toda a população, mesmo assim, foi de indispensável importância para o surgimento do acesso à justiça, além do devido processo legal e duração razoável do processo como se demonstrará.

98 SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais: uma teoria geral dos direitos fundamentais

na perspectiva constitucional. 10. ed. rev., atual. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009. p. 77.

99 ANNONI, Danielle. O direito humano de acesso à justiça no Brasil. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris,

Lançadas as bases do que séculos depois viria a ser denominado acesso à justiça, o Direito estava em estágio rudimentar à vista da ausência de um Estado, motivo pelo qual o direito a obter uma resposta justa dos governantes ainda era incipiente. No período de formação dos Estados e, já na época absolutista, ainda não vigorava um verdadeiro acesso à justiça, uma vez que o monarca estava acima do Direito, podendo impingir qualquer pena à pessoa, mormente se esta não fosse do clero e da nobreza.

Dando um salto no tempo para recuperar conceitos e os relacionar com o acesso à justiça, pode-se dizer que no Estado Liberal burguês calcado no individualismo e racionalismo, a intervenção do Estado deveria ser mínima para que não se restringisse a liberdade dos cidadãos. Admitia-se o direito de recorrer ao Estado para solucionar os litígios. Ocorre que esse direito era mitigado por ser meramente formal, pois a igualdade pregada pela classe social dominante não se preocupava em concretizar o acesso à tutela do Estado de modo justo. Nesse sistema de Estado, o acesso à justiça não era estendido a todos, uma vez que a maioria da população desconhecia seus direitos, bem como não possuía condições financeiras para sustentar a demanda e aguardar seu resultado. Tratava-se, portanto, de um sistema desigual e injusto no plano prático.

Os problemas trazidos pelo crescimento das cidades, a expansão das indústrias e os conflitos sociais gerados pelas péssimas condições de vida da população exigiram uma alteração da postura dos Estados. A consagração dos direitos sociais reclamava uma postura mais ativa. Neste modelo, não bastava a mera previsão de direitos. Mister se fazia que o Estado realmente garantisse a efetividade dos direitos. Eis que se fala, assim, do Estado Social ou do Welfare State. Impende salientar que este movimento a favor de direitos sociais não estava somente relacionado ao acesso à justiça, mas alcança o acesso à educação, saúde, trabalho, descanso, etc.100

Ao atribuir novos direitos substantivos considerados fundamentais ao ser humano, tornou-se indispensável que o acesso à justiça fosse concretizado. Para promover a dignidade do ser humano foi inevitável que se desenvolvessem mecanismos aptos a garantir a efetividade dos princípios. Nessa senda, é indubitável que o acesso à justiça garante a dignidade do homem ao fornecer o aparato necessário para que em caso de violação ou

100 CAPPELLETTI, Mauro. Processo, ideologias e sociedade. Tradução e notas do Prof. Dr. Elício de Cresci

ameaça a direitos se recomponha a dignidade humana. Não é outra a posição de Ronnie Preuss Duarte ao prelecionar que:

Parece-nos extreme de quaisquer dúvidas que o direito de acesso à justiça (onde está compreendido, portanto, o direito de acesso aos tribunais e ao justo processo) não só tem como base jusfundamental a dignidade da pessoa humana, mas que ele é dotado de uma relevância qualificada, à exata medida que assegura a própria realização dos demais direitos fundamentais. Ou seja, sem acesso à justiça, como já dito alhures, é impensável a repressão (ou reparação) coativa das ofensas aos direitos fundamentais. À míngua de tal garantia, os direitos e interesses subjetivos (todos eles, frise-se) quedam carentes de qualquer condição de praticabilidade, tornando-se meras proclamações formais, completamente esvaziadas de conteúdo.101

Dito de outro modo, sem que haja um acesso à justiça efetivo, todos os direitos proclamados nas Declarações, Pactos internacionais ou dispostos nas Constituições dos Estados tornam-se letra morta, haja vista que caso houvesse sua violação ou ameaça o cidadão nada poderia fazer em sua defesa, salvo o exercício da autotutela, o que poderia deflagrar a desorganização social e a volta da lei do mais forte sobre o mais frágil. Destarte, a partir do Estado Social abriu-se terreno fértil para o acesso à justiça. Entretanto, a preocupação com o acesso à justiça somente se delineou no Estado Democrático de Direito, quando se assumiu a fundamentalidade deste direito para a efetivação de todos os demais princípios e direitos.

Com o 2º pós-guerra houve terreno profícuo para as discussões sobre o acesso à justiça, especialmente a partir dos estudos desenvolvidos nas décadas de 60 e 70, cujo relatório Florence Project foi coordenado por Mauro Cappelletti e Bryant Garth.102 No Brasil, este movimento de pensar, estudar e buscar a concretização do acesso à justiça se deu mais tarde com a redemocratização do país, porque a nova ordem político-constitucional estimulou um repensar sobre os espaços públicos e sociais,103 que culminou com a previsão constitucional do acesso à justiça no art. 5º, inciso XXXV.

101 DUARTE, Ronnie Preuss. Garantia de acesso à justiça: os direitos processuais fundamentais. Coimbra:

Coimbra, 2007. p. 86.

102 ANNONI, Danielle. O direito humano de acesso à justiça no Brasil. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris,

2008. p. 76.

103 PORTO, Julia Pinto Ferreira. Acesso à justiça: projeto Florença e Banco Mundial. 2009. 178 f. Dissertação