The Use of Traditional Complementary and Alternative Medicine ÖZET
ALTERNATİF TIBBIN KULLANIMI GTAT uygulamalarının kullanımı ülkeler
4. KONUYLA İLGİLİ YAPILAN ÇALIŞMALAR
Não há dúvida que Rokeach teve grande influência nos estudos sobre os valores em Psicologia. Entretanto, foi Shalon H. Schwartz um dos maiores colaboradores para que os valores se tornassem, na atualidade, um dos principais temas em Psicologia Social (Rohan &
Zanna, 2003) e Psicologia Transcultural (Smith & Schwartz, 1997). Este buscou definir uma tipologia dos valores que primava pela universalidade, ou seja, buscava demonstrar sua validade intra e intercultural (Schwartz, 2006).
A teoria proposta por Schwartz é considerada, atualmente, a principal referência na área dos valores humanos (Coelho, 2009). Segundo essa teoria, os valores podem ser definidos como crenças pertencentes a fins desejáveis ou às formas de comportamentos que transcendem situações específicas, guiam as ações humanas e são ordenados por sua importância em relação a outros valores (Schwartz, 1992, 2006; Schwartz & Bilsky, 1987, 1990). Entretanto, apesar desta definição servir para distinguir os valores de outros construtos (por exemplo, atitudes, necessidades), ela não deixa claro acerca do conteúdo e da estrutura dos valores. Neste sentido, Schwartz (2006) também indica que os valores representam três tipos principais de necessidades: (1) necessidades biológicas do organismo; (2) necessidades de regulação das interações sociais; e (3) necessidades sócio-institucionais de bem-estar e sobrevivência em grupo (Schwartz, 2006).
Partindo das necessidades, Schwartz (1994, 2006) desenvolveu seu modelo empiricamente baseado, inicialmente, em sete tipos motivacionais, passando a dez, onze e por último, dezenove (Schwartz & Boehnke, 2004; Schwartz et al., 2012). Dentre esses modelos, a estrutura com dez ficou sendo a mais conhecida (Gouveia, 2013). Tal estrutura defende que todo e qualquer valor humano teria sua representação independente da cultura em que se encontre. Os dez tipos motivacionais desse modelo são apresentados abaixo (Schwartz, 1994, 2006):
1. Autodireção: Refere-se à busca de independência do pensamento e ação, envolvendo escolhas, criatividade e exploração (e.g., criatividade, independência e liberdade);
2. Estimulação: está relacionado à busca de excitação, novidades e desafio na vida (e.g., ousadia, vida excitante e uma vida variada);
3. Hedonismo: refere-se à busca de prazer para si mesmo e gratificação sexual (e.g., apreciar a vida e obter prazer);
4. Realização: diz respeito à busca de sucesso pessoal e competência segundo os padrões sociais (e.g., ambicioso, capaz e obter êxito);
5. Poder: este tipo motivacional compreende a busca de status social e prestígio, controle ou domínio sobre as pessoas e recursos (e.g., autoridade, poder social e riqueza);
6. Segurança: refere-se à busca de segurança, estabilidade e estabilidade da sociedade, dos relacionamentos e de si mesmo (e.g., ordem social, limpo e segurança nacional);
7. Conformidade: compreende restrições das ações, impulsos e inclinações que possam fazer mal ou causar sofrimento aos outros, ou que violem as expectativas ou normas sociais (e.g., autodisciplina, bons modos e obediência);
8. Tradição: alude-se à busca de respeito, compromisso e aceitação dos costumes e ideias fornecidas pela cultura ou religião (e.g., devoção, honra aos pais e aos mais velhos, humildade, respeito pela tradição e vida espiritual);
9. Benevolência: está relacionado à busca, preservação e aumento do bem-estar das pessoas com quem se mantém relações (e.g., prestativo, honesto e não-rancoroso);
10. Universalismo: refere-se à busca da compreensão, tolerância, estima e proteção para com o bem-estar de todas as pessoas e da natureza (e.g., amizade, igualdade, justiça social).
Os dez tipos motivacionais, propostos por Schwartz (2006), podem se observados na Tabela 2, de forma resumida e ilustrativa.
Tabela 2.
Tipos motivacionais de Schwartz (1994, 2006)
Tipo motivacional Valores Fontes
Autodireção Criatividade; Curiosidade; Liberdade Organismo; Interação
Estimulação Ousadia; Vida variada; Vida excitante Organismo
Hedonismo Prazer; Apreciar a vida Organismo
Realização Bem sucedido; Capaz; Ambicioso Interação; Grupo
Poder Poder social; Autoridade; Riqueza Interação; Grupo
Segurança Segurança nacional; Ordem social;
Limpo
Organismo; Interação; Grupo Conformidade Bons modos; Obediente; Honra os pais e os mais velhos Interação
Tradição Humilde; Devoto Grupo
Benevolência Prestativo; Honesto; Não rancoroso Organismo; Interação; Grupo
Universalismo Tolerância; Justiça social; Igualdade; Proteção do meio ambiente
Grupo; Organismo
Schwartz (1992) indica que, ao agir tomando por base um dos valores como meta, as suas consequências práticas, psicológicas e/ou sociais podem ser conflitantes ou compatíveis com algum outro valor. Assim, ações que expressam valores de hedonismo, por exemplo, são suscetíveis de conflito em relação àquelas que expressam tradição e vice-versa. E a ação que expressa valores de autodireção é conflitante com valores de conformidade e vice-versa. Frente a isso, valores hedonistas são compatíveis com valores de autodireção, enquanto que valores de tradição são compatíveis com valores de conformidade (Schwartz & Boehnke, 2004). Nesse sentido, este modelo propõe que os tipos motivacionais são organizados de forma dinâmica ao longo de um círculo, onde os tipos que são conflitantes se localizam em direções opostas com relação ao centro da figura, enquanto aqueles que são compatíveis estão
situados adjacentes ao longo do círculo (Gouveia, 2013). Tal modelo pode ser observado na Figura 1.
Figura 1. Estrutura dos tipos motivacionais (Adaptado de Schwartz, 2006, p. 142).
Dessa forma, pode-se destacar que os dez tipos motivacionais apresentados podem ser alocados em quatro categorias: abertura à mudança, conservadorismo, autotranscendência e
autopromoção. Segundo Schwartz (1992), os padrões de conflitos e compatibilidades entre os
tipos motivacionais podem ser deduzidos a partir da proximidade que eles ocupam no espaço bidimensional. Com base nisto, alude-se que os tipos adjacentes indicariam maior compatibilidade, evidenciando conflito a partir de seu afastamento, sendo os tipos motivacionais opostos àqueles de maior conflito.
Além disso, esta estrutura está dividida em duas dimensões bipolares básicas. A dimensão situada no eixo horizontal é formada pela oposição entre abertura à mudança, que realça a independência e o favorecimento da mudança, e a conservação, em que é priorizada a estabilidade pessoal, a submissão e a conservação das tradições. A segunda dimensão, na vertical, é formada pela oposição de autotranscedência, que ressalta a superação dos interesses individuais, em busca do bem-estar dos outros, e a autopromoção, que focaliza a aquisição de poder e sucesso.
Apesar de essa proposta ter grande notoriedade, deve-se destacar que não está isenta de falhas. As principais ponderações referem-se: (1) a falta de um apoio teórico subjacente à origem dos valores propostos; (2) omissão de justificativa para uma lista de 56 valores contidos no Schwartz Value Survey; e (3) a falta de justificativa para a utilização de uma escala de resposta (quase) ipsativa, fazendo com que o respondente seja forçado a escolher, em cada uma de suas listas, valores contrários aos seus (Gouveia et al., 2008). Frente a isso, Gouveia (2003) acrescenta que a concepção de conflitos entre os valores não é ajustada à ideia do desejável, o que evidencia a ambiguidade de um modelo de ser humano adotado por Schwartz.